Origens e Primeiros Passos: De Irati (PR) à Paixão pela Tecnologia
Lucas Amaral nasceu em Irati, uma cidade do interior do Paraná com cerca de 50 mil habitantes. Desde cedo, demonstrou paixão por tecnologia, mas a cidade era carente nessa área. Ele buscou cursos profissionalizantes locais e conseguiu uma bolsa em um curso de montagem e manutenção de microcomputadores, que foi seu ponto de partida. Começou formatando computadores para praticamente todos os moradores da cidade, juntando dinheiro para comprar seu primeiro PC.
Por meio de um amigo, conheceu o desenvolvimento de software e foi "paixão à primeira vista". Fez um curso técnico em Ponta Grossa, e foi nesse período que teve seu primeiro contato com programação — em Clipper e Delphi. Seu primeiro emprego formal na área foi como estagiário em uma multinacional, onde ele e o apresentador do podcast se conheceram. Antes disso, ele era instrutor de informática no SENAI, dando aulas de Word, Excel e PowerPoint.
Sacrifícios, Mudanças e a Coragem de Dar o Próximo Passo
A trajetória de Lucas foi marcada por sacrifícios e coragem. Aos 17 ou 18 anos, mudou-se sozinho de Irati para Ponta Grossa para assumir uma vaga de instrutor no SENAI. Mais tarde, quando surgiu a oportunidade de estágio em uma multinacional em Curitiba — cidade que ele nunca havia visitado — ele se jogou, mesmo sem garantias. O estágio tinha duração de um ano, e a efetivação era incerta. Ele ficou um ano como estagiário, depois mais um ano como terceirizado, até que finalmente foi efetivado.
Lucas reflete que as oportunidades vêm com riscos, e é preciso estar disposto a corrê-los. Seu supervisor no SENAI foi fundamental, incentivando-o a tentar, dizendo que o estágio não era definitivo e que ele poderia voltar. Essa decisão, embora incerta, abriu portas para uma carreira de sucesso.
Processos, Responsabilidade e a Importância do Chão de Fábrica
Dentro da multinacional, Lucas teve seu primeiro contato com processos bem estruturados em desenvolvimento de software — algo que ele considera um dos maiores aprendizados de sua carreira. Ele percebeu que o código que escrevia impactava o mundo físico: uma parada na linha de produção significava prejuízos enormes. Processos como testes robustos, janelas de manutenção e planos de rollback o blindavam contra erros. Embora burocráticos, esses processos são essenciais para proteger a operação.
Lucas também destaca a importância de descer ao chão de fábrica. Enquanto muitos profissionais se recusam a sair do escritório, ele sempre teve facilidade de comunicação com os operadores, o que o ajudou a entender dores reais e criar soluções que geravam valor. Um exemplo: um simples ajuste no sistema reduziu 4 horas de trabalho diário dos operadores. Essa proximidade com o usuário final, segundo ele, foi um dos fatores que o destacaram como profissional e o ajudou a crescer rapidamente na empresa.
A Transição para o Empreendedorismo: Da Multinacional à Haltech
Lucas ficou 6 anos na multinacional, mas sentiu que seu crescimento estava limitado pela exigência de formação acadêmica — ele viajava constantemente implantando sistemas em 17 plantas no Brasil e não conseguia concluir a graduação. Foi quando o empreendedorismo brilhou como alternativa. Ele se inspirou no trabalho da EDSoft (empresa do apresentador) e buscou mentoria para dar o primeiro passo.
Lucas abriu sua primeira empresa, a Haltech, aos 26 anos. A transição foi desafiadora: ele saiu de um emprego estável para o mundo incerto do empreendedorismo, com colaboradores que passaram a depender dele. Porém, ele foi recompensado rapidamente: a própria multinacional o procurou para prestar serviço como PJ, e com a ajuda de mentores, ele negociou um valor três ou quatro vezes maior do que recebia como CLT. Esse momento despertou ainda mais sua paixão pelo empreendedorismo.
Da Software House ao Produto: O Nascimento da Chronostec
Na Haltech, Lucas e seu sócio tentaram atuar como software house e empresa de produto ao mesmo tempo — uma decisão que ele considera ruim para quem está começando, pois dilui o foco. Após 4 anos, ele percebeu que o perfil da software house não era o mais adequado para ele, e a vontade de migrar para uma empresa de produto gerou um desalinhamento com um dos sócios. Lucas saiu da sociedade, vendeu sua parte, e fundou a Chronostec do zero.
Ele levou consigo o fonte de um ERP e alguns clientes, mas decidiu não focar no ERP imediatamente. Em vez disso, abriu uma área de consultoria — estrategicamente, para sentir a dor do mercado, assim como fazia no chão de fábrica. Durante as consultorias, ele identificou uma dor recorrente: as empresas precisavam de automação para atendimento via WhatsApp, mas as soluções existentes eram caras e complexas. Ele percebeu que o ticket médio dessas soluções era maior do que o de ERPs, com um esforço técnico muito menor. Foi aí que nasceu o Celene Bot, o carro-chefe da Chronostec.
Desapego, Recomeço e a Venda para o Grupo Acelerador
Lucas destaca que o empreendedorismo exige desapego — de ideias, de sócios, de caminhos que não funcionam. Ele deu passos para trás, recomeçou do zero, e isso o levou ao sucesso. O Celene Bot foi desenvolvido com a ajuda de seu sócio e melhor amigo, Ran, que ele considera tecnicamente "fora da curva". Juntos, viraram madrugadas para entregar o produto no prazo.
A estratégia deu certo: o Celene Bot foi adotado por várias empresas, incluindo o Grupo Acelerador. O CEO do grupo, Marcos Marques, reconheceu o valor da solução e fez uma proposta de incorporação — não apenas comprando a empresa, mas trazendo toda a equipe. Lucas vendeu a Chronostec em apenas 2 anos, contrastando com os 4 anos da Haltech sem rumo definido. Ele reflete que existem três caminhos possíveis para uma empresa: falir, ser herdada ou ser comprada. Ele sempre buscou o último, e a maturidade adquirida na segunda jornada empreendedora permitiu que isso acontecesse mais rápido.
Inteligência Artificial: Potencializadora de Riscos e Oportunidades
Lucas compartilha sua visão sobre a IA no desenvolvimento de software. Ele compara a IA a um barco em alto mar: qualquer um pode entrar e navegar, mas uma tempestade (um problema inesperado) pode derrubar quem não tem conhecimento de navegação. Ele vê com preocupação o uso negligenciado da segurança por pessoas que não têm conhecimento técnico ou direcionamento adequado. Essas pessoas estão criando softwares com IA sem se preocupar com aspectos de segurança, colocando em risco os dados dos usuários.
Para Lucas, a IA é um potencializador: se você tem pouco conhecimento e negligencia causas importantes, a IA vai potencializar isso. Mas se você tem conhecimento e olha para todas as óticas (segurança, estrutura, boas práticas), a IA também vai potencializar sua capacidade de produzir com qualidade. Ele tem usado IA no Grupo Acelerador para reduzir o tempo de desenvolvimento de 6 a 8 meses para apenas 3 meses, mantendo a mesma qualidade.
Confiabilidade na Escolha de Fornecedores: Lições da Multinacional
Lucas traz uma lição valiosa de sua passagem pela multinacional: na hora de escolher um fornecedor, o menor preço nem sempre vence. O que importa é a confiabilidade — saber em quem bater quando der problema. Ele critica empresas que surgem do dia para a noite com soluções em nuvem sem ter respaldo, segurança ou arquitetura robusta. Para ele, ao escolher um software, é essencial avaliar: quem é o fornecedor? O que ele já produziu? Quanto tempo está no mercado? Ele tem respaldo jurídico e financeiro para arcar com eventuais problemas?
Lucas ressalta que uma startup pode falir, mas a empresa grande que usou seu software pode sofrer consequências graves. Por isso, ele sempre busca fornecedores com histórico e capacidade de resposta — e recomenda que outros façam o mesmo.
Onde Encontrar Lucas Amaral e Sua Visão sobre IA
Lucas está no Instagram como @lucasamaralti, onde compartilha conteúdos sobre o que vem fazendo no Grupo Acelerador, especialmente sobre o uso de IA para acelerar o desenvolvimento de software com qualidade. Ele se coloca à disposição para quem quiser aprender mais sobre o tema.