Confissões Consentidas - Ep. 05 - Lui Castanho - Especial Mx Fetiche Brasil 2026

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Introdução: Confissões Consentidas e a Acessibilidade

No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas ao público com uma descrição detalhada de sua própria aparência: camisa preta com detalhes brancos, homem cis, cabelo castanho, branco e 'um pouco gordinho'. Essa prática de autodescrição é um pilar do programa para garantir acessibilidade a pessoas com deficiência visual ou que ouvem o conteúdo no Spotify ou YouTube sem acompanhar as imagens. Em seguida, ele apresenta o convidado: Lui Castanho, uma pessoa transmasculina que se descreve usando camisa branca, uma segunda camisa preta 'meio rasgadinha' e um harness preto.

Quem é Lui Castanho? Arte, Cultura e Transição

Lui Castanho, aos 35 anos, nasceu em Curitiba, morou em Florianópolis e atualmente reside em São Paulo, cidade que aprecia profundamente. Sua atuação profissional está concentrada no setor artístico-cultural, sendo formado em produção cultural. Trabalha com circo, literatura, produções culturais e roteiro para audiovisual. Lui afirma que seu foco principal são temas ligados à arte LGBT, sexualidade e não-monogamia, tanto como artista quanto como produtor. Sobre sua infância e adolescência, ele se descreve como a filha mais velha (usando o feminino para referir-se ao período anterior à transição) de quatro irmãos, assumindo naturalmente um papel de liderança entre as crianças. Foi uma criança por muito tempo, brincando de boneca ainda aos 14 anos. Na adolescência, foi metaleira, nicho que, na época, confundia as fronteiras de gênero — homens e mulheres usavam cabelo comprido, lápis de olho, unhas pintadas de preto e camisetas de banda. Esse ambiente andrógino proporcionou a Lui um certo conforto em relação ao gênero. Aos poucos, o gosto por esportes (hoje materializado no circo) sempre esteve presente, inicialmente com modalidades coletivas.

A Fuga com o Circo e a Ruptura Familiar

Lui iniciou sua jornada nas artes circenses em 2011, apaixonando-se especialmente pela acrobacia aérea. A dedicação foi tamanha que ele gastava toda sua bolsa de iniciação científica para praticar circo. Ao descobrir uma seleção para uma escola de palhaço em Florianópolis que dava acesso livre à estrutura de treinamento (incluindo tecido acrobático), ele se inscreveu mesmo sem interesse inicial por palhaçaria. Aprovado, decidiu 'largar tudo' e se dedicar integralmente por um ano à carreira circense, com o pacto consigo mesmo de que, se não desse certo, desistiria de vez. Deu certo. Além disso, ele se apaixonou pela comicidade e pela palhaçaria, e hoje a maior parte de seus trabalhos circenses tem viés cômico. Lui revela que sua primeira faculdade foi medicina, vindo de uma família de médicos. A desistência do curso para mudar para letras foi um grande baque familiar, especialmente para seu pai, que não apoiou a decisão. Quando, posteriormente, ele resolveu ir para a escola de circo, a família (já tendo aceitado a 'piora' de medicina para letras) resolveu apoiar para que ele não 'piorasse ainda mais'.

A Chegada do Fetiche: Testosterona, Descobertas e FetLife

Por ser uma pessoa dissidente de gênero e sexualidade desde cedo, Lui sempre flertou com o que não é normativo. Ele já utilizava a palavra de segurança 'safe word' muito antes de conhecer o BDSM formalmente. Um marco importante foi o início do uso de testosterona: o crescimento do clitóris gerou muito tesão, e ele passou a sentir prazer em coisas aleatórias (como andar de bicicleta) e a ter ejaculação precoce, o que o levou a experimentar práticas sexuais que não envolvessem diretamente seus genitais. Na época, ele se relacionava majoritariamente com pessoas com vagina e adotava uma postura similar à lésbica stone (quem recebe as práticas, mas não é tocado), sendo o 'butt' (quem faz) na maior parte das vezes. Essas experiências incluíam sensações que hoje ele consegue nomear como fetiche. O segundo marco foi um amigo de Curitiba (praticante de BDSM, mas reservado) que soltou a palavra FetLife. Lui demorou para entender como escrever e pesquisar, mas ao encontrar a rede social, passou a consumir muito conteúdo, jogando termos no Google e caindo no Reddit. Foi um universo de nomear práticas, reconhecer coisas que ele já havia experimentado e ver fotos. A jornada inicial foi solitária ou em pequenos grupos, até que ele viu uma amiga (na época desconhecida) fazendo uma cena com vela de parafina — a famosa vela que causa bolhas na pele. Em uma ocasião, ela jogou cera quente em Lui sem nenhum conhecimento prévio ou negociação. Mestre Cruel comenta que cerca de 98% das pessoas começam no wax play dessa forma, sem técnica, usando velas comuns de santo (que não são apropriadas).

Estudo como Fetiche e a Interseção Circo/BDSM

Lui se define como uma pessoa extremamente estudiosa (afinal, entrou em medicina e letras). O conhecimento, para ele, é algo que o excita profundamente. Ele estuda práticas que talvez nunca vá realizar, por puro interesse intelectual. Um exemplo é o wax play: ele tinha certeza de que não gostava, mas ao estudar muito sobre o tema, hoje é um 'darrey' (entusiasta). Outro caso é o trampling (pisar em alguém): ele inicialmente via vídeos por interesse técnico (interseção com acrobacia de solo), sem conotação de prazer, e hoje ama a prática — apesar de seus quase 100 kg dificultarem encontrar resistência. Lui trabalha ativamente a interseção entre circo e fetiche, algo que ele já imaginava fazer muito antes de se profissionalizar em ambas as áreas. A Cia. Fundo Mundo (da qual faz parte) explora essas temáticas, como no espetáculo 'Cancelado', que inclui cenas de trampling com acrobacia de chão e uma cena com chicote longo (equipamento circense usado como malabarismo, não para bater). O chicote longo, inclusive, é um equipamento que transita entre as duas linguagens. Lui também está aprendendo lançamento de facas, uma prática que ele associa diretamente ao fear play e ao jogo de confiança presente tanto no circo (especialmente na duo acrobacia) quanto no BDSM.

Referência Transmasculina no BDSM e a Dinâmica com Admiradores

Mestre Cruel aponta que Lui é considerado uma referência em BDSM enquanto pessoa transmasculina, alçado a um lugar de protagonismo, inalcançável e exemplo a ser seguido. Lui, modestamente, desconversa, mas admite que fica grato por ser reconhecido pela comunidade trans, pois faz muito esforço para trazer as pessoas para perto. Ele relata que alguém uma vez disse: 'Ah, eu queria pedir para você fazer fireplay em mim, mas você só joga com gente trans'. Lui respondeu que só acontece de em seu universo ter muitas pessoas trans, mas não há restrição. Sobre abordagens de admiradores, Lui confessa ter dificuldade quando as pessoas chegam já com flertes diretos do tipo 'pisa em mim e me amarra'. Ele prefere conversar, trocar ideias e construir um mínimo de relação, rejeitando a ideia de que qualquer pessoa que se coloque como bottom será automaticamente dominada por ele. Essa dinâmica é comparada à atuação no circo: às vezes uma plateia de 300 pessoas assiste a um show por uma hora, e alguns espectadores acham que o artista teve uma conexão pessoal com eles, gerando frustração quando a interação real não corresponde à expectativa. Lui ainda acrescenta seu traço cultural: é curitibano, sendo naturalmente reservado. Em Curitiba, é comum morar no mesmo prédio que alguém e não cumprimentar no elevador se não houver o que dizer — não por falta de educação, mas por cultura.

Switcher, Top e a Técnica como Prazer

Lui se considera um switcher (alterna entre top e bottom), mas atualmente joga muito mais como top. Ele aponta que existem pouquíssimos tops transmasculinos (a maioria é bottom) e faz um apelo: 'Transmasc, bora ser top, porque tem um monte de gente querendo dominador transmasc'. Sua motivação para ser top inclui o controle e a possibilidade de fissurar na técnica das práticas. Ele treina exaustivamente para ser muito bom no que faz, citando o chicote como exemplo: ao praticar com uma parceira (Poly, considerada um ótimo alvo), ele conta quantos golpes acertou perfeitamente, considerando não só o alvo mas a distância exata que produz uma marca específica. Esse domínio técnico é um prazer à parte. Por outro lado, para ser um bottom melhor, ele reconhece que precisa experimentar mais; contudo, quando a prática é algo que ele domina, é comum pensar 'não é assim que amarra', atrapalhando sua entrega.

House of Castanho e Dinâmicas Personalizadas

Lui integra a House of Castanho, atualmente composta por Dani, Nero e Poly. Diferente de dominadores que preferem um 'exército de subs' padronizado, Lui desenvolve dinâmicas específicas com cada pessoa. Mesmo com parceiros eventuais, a cada nova interação a relação se desenvolve de forma única, entendendo o que funciona naquela dinâmica específica. Essa abordagem personalizada é o que ele mais valoriza.

Jogo Rápido: Vermelho, Vento Seco e Não-monogamia

No quadro de perguntas rápidas, Lui elege a cor vermelho. Como filme, indica Vento Seco. Para indicar um podcast, ele cita 'Medo e Delírio em Brasília' (que o ajuda a trabalhar). Sua frase ou palavra mais usada é um pedido: 'me diz a hora de verdade', pois ele costuma chegar no horário combinado (ex: 20h) e espera os outros, que chegam atrasados. Em um filme sobre sua vida, ele gostaria que sua colega de companhia Helen Maria (não famosa, mas deveria ser) o interpretasse, por compartilharem um senso de humor particular. Uma pessoa que admira é Non Tunsk. Sobre práticas fetistas não realizadas, ele cita: 'nunca fiz fisting no cu de ninguém'. Para se definir em uma frase: 'sou mais simpático do que eu pareço, mas mais antipático do que eu gostaria'.

Considerações Finais e Redes Sociais

Mestre Cruel agradece a participação de Lui e divulga as redes do podcast: @confissõesconsentidas e @domcsp no Instagram, além do site www.mestrecruel.com (que agrega todas as redes, incluindo Twitter, Telegram, Privacy e Secret). Caso os perfis do Instagram sejam derrubados até a exibição do episódio, o site servirá como hub alternativo. Lui Castanho deixa seu Instagram: @luicastanho (presente em quase todas as redes). Em plataformas mais fetichistas (Kink Grun e FetLife), ele pode ser encontrado como 'Lui KNK'.