Confissões Consentidas - Ep. 07 - La Mandala

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Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e a Rainha da Noite

No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe a convidada La Mandala, a quem carinhosamente chama de 'Rainha da Noite', por ela ser a organizadora da festa fetista mais famosa do Brasil. O programa tem como objetivo dar visibilidade à comunidade fetista, mostrando quem são as pessoas por trás das práticas. Seguindo o protocolo de acessibilidade do podcast, Renan se descreve como um homem branco de cabelo castanho com mechas e alguns fios brancos, usando uma camisa de couro com detalhes brancos. La Mandala, então, faz sua autodescrição: uma mulher cis branca de 51 anos, vestindo um vestido preto de renda e veludo (estilo gótico) e batom vermelho.

O Verbete do Wikipédia: Liberdade, SSC e Ancestralidade Feminina

Ao ser questionada sobre o que estaria escrito em seu verbete no Wikipédia, La Mandala revela que está em um processo de 'sair do armário' como organizadora de festas fetistas. Ela define seu fetiche como a liberdade e seu lema como SSC (Sã, Segura e Consensual) — sigla fundamental no BDSM que garante práticas seguras, saudáveis e consensuais. Sua resposta, no entanto, vai muito além: ela traça uma linhagem de mulheres à frente de seu tempo. Começa com sua bisavó, que morava em um hotel fazenda em Minas Gerais, tinha jaguatiricas de estimação, andava a cavalo 'como homem' (de calças, montando sobre as pernas), usava cabelo curto e viajava — comportamentos transgressores para a época. Sua avó era festeira, costurava fantasias, tinha um estúdio fotográfico em casa e fazia um 'grito de carnaval' antes da data oficial. Sua mãe foi descroquete (participante do movimento de contracultura dos croquetes) e também festeira. La Mandala conclui que seu legado, sua 'filha caçula' — a festa Lets — é uma continuação dessa história de transgressão, hospitalidade e celebração da imagem.

O Caminho Inverso: Do BDSM ao Meio Liberal

Ao contrário da maioria das pessoas, La Mandala fez o caminho inverso: primeiro conheceu o BDSM e só depois o meio liberal (swing). Ela conta que, aos 17 anos, um casal se aproximou dela com uma proposta, mas ela só foi explorar esse universo mais a fundo após a separação do pai de seus filhos. Em uma viagem a Amsterdã em 2013, ao ver uma parede com vários floggers pendurados em uma sex shop, ela sentiu um desejo súbito: 'vou arrumar um homem que use isso em mim'. De volta ao Brasil, um amigo a apresentou ao FetLife, onde ela criou o perfil 'La Mandala' (originalmente separado: La Mandala), pois gostava do símbolo e achou que combinava. Ela teve uma experiência como top (dominadora) com uma mulher submissa, o que considerou 'muito legal'. Sua entrada no meio liberal ocorreu ao ler um artigo sobre uma festa organizada por mulheres com a premissa 'não é não e as minas mandam' — uma descrição que ela interpretou como 'uma [ __ ] feminista' e que a atraiu imediatamente. Ela percebeu que muitas pessoas do meio liberal acabavam migrando para o BDSM por buscarem mais consciência e discussão política, enquanto o meio liberal tradicional tende a ser 'mais alienado' e focado apenas em 'ferver'.

O Nascimento da Lets: Playground Inclusivo para a Comunidade

A festa Lets (originalmente chamada 'Lets Play') surgiu após a pandemia, quando o proprietário da casa de festas Spice procurou La Mandala com um briefing: criar uma festa inclusiva que não repelisse o público liberal, que fosse acolhedora e unisse diferentes tribos. La Mandala, que já estava disponível emocionalmente (seus filhos haviam viajado e ela precisava de ocupação), topou o desafio. Ela idealizou um espaço com um 'playground' — uma área com players convidados demonstrando práticas — e decidiu que a festa teria uma linha editorial explicitamente fetichista e de todes (com a frase 'Fetiche é para todes' no logo), justamente para filtrar quem não se identifica com o tema. Ela também queria vender produtos de marcas fetichistas no local. Sua primeira edição foi em seu aniversário, e ela mesmo fez uma enquete para decidir se haveria temas — a resposta entusiástica do público a levou a criar edições temáticas como Halloween, Glow (brilhos), Shibari, Esportes, Bichos (onde Mestre Cruel foi de dinossauro) e muitas outras. La Mandala ressalta que a Lets não é uma festa, mas uma comunidade, e que não é necessário ser fetichista para frequentá-la — basta ter a mente aberta. O dress code temático não é obrigatório, e a ideia é que as pessoas possam finalmente usar looks que nunca têm oportunidade de usar em outros lugares.

Expansão e Planos Futuros: Clube, Educação e Calendário Turístico

Há um ano, La Mandala deixou o CLT para se dedicar integralmente à Lets e à sua formação como sexóloga. Ela planeja expandir a iniciativa para além da festa noturna, criando um clube de apoiadores (ainda em formato beta) que oferecerá benefícios, informação e lugares de troca, incluindo encontros que não sejam voltados apenas para a balada e o sexo. A ideia é estabelecer um calendário de eventos complementares (rodas de conversa, workshops, etc.) e fazer com que a Lets entre para o calendário turístico da cidade de São Paulo — algo que já acontece de maneira informal, mas que ela quer formalizar. O grupo de apoiadores também servirá para que pessoas que vêm sozinhas ou de outras cidades possam se ambientar, encontrar caronas e companhia antes mesmo de chegar à festa.

Persona vs. Pessoa: La Mandala, Laila e o Respeito à Identidade

La Mandala reflete sobre a dualidade entre sua persona fetista (La Mandala) e sua vida 'baunilha' (Laila). Ela se descreve como tendo 'cara de brava, coração mole e carne fraca'. Um ponto importante levantado por ela é o consentimento em relação ao nome: ela considera desrespeitoso quando alguém que a conhece como Laila a chama pelo nome 'baunilha' em um contexto BDSM ou de trabalho como organizadora da Lets, pois esse é seu 'nome de guerra' e não foi dada liberdade para essa intimidade. Ela compara a situação com o cuidado que se deve ter com pessoas trans — não se deve chamar pelo nome antigo. La Mandala também compartilhou um episódio recente em que bloqueou a tia de seus filhos ao vê-la seguindo seu perfil da Mandala no Instagram, sentindo-se invadida ('estalkeada'), mas depois desbloqueou ao perceber que não tem nada a esconder e que bloquear poderia transformar o assunto em tabu.

Jogo Rápido: Vermelho, Bondage e Angélica Huston

No quadro de perguntas rápidas, La Mandala revela que sua cor favorita é vermelho. Uma prática fetista que ela gosta é bondage. Uma prática que ela ainda não fez, mas tem vontade, é cinto de castidade. Para interpretá-la em um filme sobre sua vida, ela escolheria Angélica Huston (conhecida por seu papel como Mortícia Addams). A pessoa que ela mais admira (viva ou morta) é José Mujica, ex-presidente do Uruguai. Por fim, ela define a relação entre Laila e La Mandala: Laila é uma mulher que tem 'cara de brava, coração mole e carne fraca'.

Considerações Finais e Redes Sociais

La Mandala agradece a participação e divulga suas redes sociais: no Instagram, @alamandala_sc e @letscbr (a festa). O site oficial da festa é letsscbr.com. Mestre Cruel divulga o site www.cruel.com e os instagrams @confissoesconsentidas e @domcsp, além de mencionar que todo o conteúdo está disponível no YouTube, Spotify e outras plataformas toda quinta-feira.