Pod Tá Lendo? Com Ana Jeckel, Lua Sanchez e Babi Dewet

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Introdução ao Podcast Pod Tá Lendo?

O primeiro episódio do podcast Pod Tá Lendo? finalmente estreia, trazendo uma conversa descontraída e profunda sobre o mundo literário. A apresentadora, Raphaela, expressa sua alegria e ansiedade pela realização deste projeto, que contou com a participação de duas convidadas especiais: a autora Ana Jeckel e a influenciadora e ex-livreira Lua. O episódio aborda desde a trajetória pessoal de cada uma até discussões sobre adaptações literárias, o mercado editorial e a cultura pop.

Ana Jeckel é apresentada como uma autora maravilhosa, com obras como Garotos Perdidos e Nadia Keane, e é descrita como uma pirata na vida real. Lua, por sua vez, é influenciadora, já trabalhou no marketing de editoras e foi livreira, além de ser atriz. Raphaela destaca a energia de cultura pop das convidadas e a conexão entre arte e literatura.

A Trajetória de Ana Jeckel: Da Autopublicação ao Sucesso

Ana Jeckel conta que sempre gostou de escrever, mas via a escrita como um hobby, influenciada pela ideia de que trabalhar com livros no Brasil é difícil. Durante a pandemia, ela começou a pesquisar sobre autopublicação e percebeu que, com as redes sociais e o BookTok, era possível transformar a escrita em profissão. Ela começou a divulgar seus livros levando a sério, e as coisas foram além do esperado, dando certo. Hoje, ela ama o que faz e considera sua profissão.

Raphaela comenta que muitos seguidores pediam para ela ler Nadia Keane e que Ana Jeckel é uma autora muito querida. Ana revela que já passou por situações preconceituosas por ser autora independente, como ser convidada a se retirar de eventos. Ela aprendeu a tratar seus livros como se já fossem famosos, o que ajuda a obter respeito. Mesmo agora, com livros em livrarias, ela ainda sente a síndrome de impostor e medo de incomodar.

O Primeiro Livro Recebido de uma Editora

Lua conta que o primeiro livro que recebeu de uma editora foi da Darkside, e ela ficou muito emocionada, gravando vídeos e compartilhando com a família. Raphaela também relembra sua emoção ao receber seu primeiro livro de uma editora. A conversa revela a importância desse marco na carreira de um influenciador literário.

A Reação da Família e o Início na Internet

Ana Jeckel conta que sua família sempre apoiou sua arte, mas no início pensavam que ela seguiria carreira de atriz e que os livros eram um hobby. Seu pai foi quem a incentivou a começar no TikTok, mesmo ela sendo tímida e não gostando de redes sociais. Já Lua diz que não compartilhava muito sobre seus vídeos na internet, e sua família só percebeu quando começaram a chegar livros em casa. Sua mãe a apoiou materialmente, investindo em equipamentos, e seu pai é seu maior fã, cobrando vídeos e interagindo com os comentários.

A Experiência de Trabalhar em Livraria

Lua descreve sua experiência trabalhando em livraria como intensa: falar de livros o dia inteiro, ver lançamentos e querer lê-los, mas também lidar com clientes que não sabem o que querem. Ela adorava a troca com clientes que tinham a ver com sua vibe, indicando livros e recebendo indicações. No entanto, havia clientes difíceis, que chegavam sem saber título ou autor, apenas a cor da capa, e ela precisava contornar a situação. Ela ressalta que muita gente acha que trabalhar em livraria é só ler, mas na verdade é um trabalho em pé, organizando livros.

Preconceito contra Autores Independentes

Ana Jeckel relata situações de preconceito por ser autora independente, como ser expulsa de eventos porque gente mais importante estava chegando. Ela aprendeu a tratar seus livros como se já fossem famosos, o que faz com que os outros também os tratem assim. Mesmo hoje, ela ainda se sente uma intrusa em livrarias ao tentar autografar seus próprios livros, sentindo a síndrome de impostor. Raphaela compartilha que também tem medo de incomodar e vergonha de pedir livros para editoras, tendo começado a fazer isso apenas no último final de semana da Bienal.

Adaptações Literárias: Sonhos e Expectativas

Ana Jeckel sonha com adaptações de seus livros: Kiwi como um longa live-action e Nadia Keane como uma série animada. Ela acredita que o público de Nadia Keane adoraria uma animação, enquanto Kiwi tem uma pegada brasileira que merece ser mostrada. Raphaela pergunta a Lua sobre o processo de adaptação e eventos literários, e Lua explica que é um caos organizado, envolvendo agenda de autor, disponibilidade de livrarias, estilo do livro e público, além de comunicação com influenciadores e brindes.

O Processo de Marketing de uma Editora

Lua detalha que, ao trabalhar no marketing de uma editora, é preciso considerar o perfil do livro e do público para escolher locais de lançamento e influenciadores. Tudo é pensado para atingir a essência do livro e das pessoas que o leem. Raphaela comenta sobre a dificuldade de ser autor e influenciador, e Ana Jeckel concorda, dizendo que no início não queria aparecer, mas percebeu que isso mudava tudo. Ela aprendeu a se inspirar em escritores, não em influenciadores, para não perder o foco na criação de conteúdo dos livros.

Cultura Pop e Livros: Gostos Pessoais e Discussões

As convidadas discutem seus gostos literários. Lua menciona que divulgou a série Chestnut Springs de Elsie Silver por paixão, e Ana Jeckel fala sobre o plot de gravidez em livros, citando o filme Juno como inspiração para uma história que ela cortou. Elas também debatem a autora Colleen Hoover, com opiniões divergentes sobre Todas as Suas Imperfeições e É Assim que Acaba. Raphaela indica o livro Como Se Fôssemos Vilões, e Ana Jeckel recomenda vida Longa ao Mal.

A Influência do BookTok e a Comunidade Literária

Elas conversam sobre a influência do BookTok nas leituras e como isso pode ser negativo se você se baseia apenas na opinião dos outros. Lua diz que é preciso encontrar booktalks com gosto parecido, e Ana Jeckel admite já ter comprado livros só porque alguém falou bem, sem saber do que se tratava. Raphaela pergunta sobre a responsabilidade de ser influenciador e a pressão para ler certos livros, e Lua comenta que o BookTok cria uma sensação de estar por fora e de que os livros têm data de validade.

O Impacto da Bienal do Livro e a Realidade de Ser Autor

Ana Jeckel descreve a experiência de ser reconhecida na Bienal: não conseguia andar sem ser parada, criavam-se filas para fotos, e ela precisou ser retirada de um stand para uma sala reservada. Raphaela também relata ter sido reconhecida e ter feito uma ação promocional que atraiu uma multidão. Elas falam sobre a importância de eventos como a Bienal para a literatura nacional, pois permitem o contato entre autores e leitores, aumentando as vendas. Ana Jeckel ressalta que autores independentes têm dificuldade de levar livros suficientes para esses eventos.

O Lançamento de Kiwi e a Emoção de Ver o Impacto

Ana Jeckel conta que o lançamento de Kiwi na Bienal foi um estouro, e ela ficou emocionada ao ver um grupo de meninas cantando a música que ela escreveu para o livro. Raphaela pergunta sobre a sensação de impactar pessoas, e Ana responde que é surreal, especialmente quando alguém se fantasia de seus personagens. Lua menciona que fez cosplay de uma personagem de um livro que indicou, e elas discutem a experiência de participar de bailes literários.

Projetos Futuros e Sonhos

As convidadas falam sobre seus sonhos: Ana Jeckel quer abrir um parque temático de Nadia Keane e fazer dublagem. Lua quer fazer um podcast e tem vontade de escrever um livro, mas tem medo das críticas negativas. Raphaela agradece a presença das convidadas e encerra o episódio, mencionando que a convidada Babi não pôde comparecer por estar doente, mas está convidada para episódios futuros. Ela também pede para o público sugerir convidados, como Paula Pimenta.