Confissões Consentidas - Ep. 45 - Chris, the Red

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Introdução e Apresentação de Chris, The Red no Podcast Confissões Consentidas

O podcast Confissões Consentidas, apresentado por Mestre Cruel (Renan), inicia mais um episódio com um convidado especial. Renan, um homem branco de 34 anos, cabelos castanhos com mechas brancas, veste uma camisa vermelha e sua medalha do International Mr. Leather. O estúdio está todo vermelho, e ele recebe o artista Chris, The Red , que se descreve como uma pessoa branca, grisalha na barba, quase branca, careca, com um sinal de nascença circular sobre a sobrancelha direita. Chris está vestindo uma jaqueta jeans, um harness preto e vermelho e um mini calção vermelho. A conversa começa com a pergunta disparadora: "O que eu vou ler se eu jogar seu nome no Wikipedia?", à qual Chris responde que não tem uma página, mas que seus sites pessoais são melhores. Ele se define como "um artista pornossexual e gráfico que aprende todo dia a gozar de diferentes maneiras".

Infância, Família e a Descoberta da Sexualidade sem Traumas

Chris, The Red nasceu em Brasília, mas foi ainda bebê para Teresina, no Piauí, onde cresceu. Aos 18 anos, retornou a Brasília para cursar Relações Internacionais na Universidade de Brasília (UnB). Depois de trabalhar na área, percebeu que não era aquilo que queria e migrou para o design gráfico e as artes, atuando nesse campo desde 2002. Em 2017, mudou-se para São Paulo e, em 2022, para o Rio de Janeiro, onde vive atualmente.

Sua infância foi marcada por uma liberdade de perguntar e pela ausência de tabus em casa. Sua mãe, pedagoga e educadora, sempre respondia às suas perguntas de forma prática e didática. A nudez nunca foi um tabu, e ele podia ver sua mãe e outros familiares nus. Aos 8 anos, ao perguntar sobre a diferença entre seu corpo e o de suas primas, sua mãe comprou um livro chamado "Como Nascem os Bebês" e leu com ele. No final do livro, havia a imagem de um casal heterossexual, e sua mãe aproveitou para explicar que aquele homem também poderia se relacionar com outros homens e aquela mulher com outras mulheres, e que isso se chamava homossexualidade. Ela reforçou que não era doença nem motivo de preconceito, e que se ele se descobrisse homossexual, estaria tudo bem. Essa conversa foi fundamental para que Chris não tivesse traumas relacionados à sua sexualidade, pois todas as suas "primeiras vezes" foram tranquilas e baseadas no consentimento, outro ensinamento de sua mãe: "Se alguém tocar o seu corpo sem você permitir, venha falar comigo".

Aos 12 anos, Chris começou a sentir atração por atores na TV. Sua mãe, que sempre incentivou a leitura, comprou um livro chamado "Que é Homossexualidade" e o colocou na estante, permitindo que ele lesse. Foi ali que ele começou a entender que talvez se interessasse por pessoas do mesmo sexo biológico. Ele acredita que sua mãe soube de sua orientação antes dele mesmo.

A Escolha de Relações Internacionais e a Migração para as Artes

A escolha por Relações Internacionais veio do desejo de conhecer o mundo e se conectar com outras pessoas, além de ser um curso novo na única universidade pública de Brasília na época (1995). Chris sempre gostou de inovar e seguir caminhos não percorridos. Ele também sempre teve as artes presentes, participando de concursos de poesia na adolescência e sendo incentivado pela mãe a ir ao teatro, cinema e espetáculos de dança. No entanto, a decisão profissional aos 18 anos é vista por ele como uma falha da educação, pois poucos têm certeza do que querem nessa idade.

A Descoberta do Fetichismo Através da Arte e a Criação do Conceito de Pornossexualigrafia

A sexualidade veio antes do fetichismo. Chris se entendeu como gay na adolescência e vivenciou suas primeiras experiências sexuais nesse período. Em 2010/2011, durante uma especialização em artes, ele realizou um ensaio fotográfico com um homem nu, e percebeu que gostava daquilo. A partir de então, começou a fotografar os homens com quem se relacionava. Em 2016, decidiu se mudar para São Paulo para explorar essa veia artística, pois a cena da sexualidade era mais aberta do que em Brasília. Em São Paulo, ao fotografar pessoas trans, a cena pet play, a cena leather e o BDSM, ele foi entendendo e incorporando esses fetiches à sua vida.

Chris destaca que foi a arte que lhe apresentou os fetiches, e não o contrário. Ele conheceu a cena pet play ao fotografar uma pessoa que tinha uma persona chamada Crystal, e entendeu que a persona pet não é uma fantasia de carnaval, mas uma outra identidade. Ele também descobriu o prazer com cera de vela durante uma residência artística, quando seu atual companheiro, Bruno, pingou cera em seu corpo. Assim, sua vida e sua arte se entrelaçam, sem separações temporais.

Hoje, Chris faz doutorado em artes, pesquisando sexualidade nas artes. Ele faz uma análise crítica do sistema de arte que divide as obras entre erótico (aceitável) e pornográfico (interdito). Para superar essa divisão, ele criou o conceito de pornossexualigrafia, que pensa as artes da sexualidade como uma expressão artística, uma grafia de um desejo. No doutorado, ele amplia esse conceito para uma fenomenologia da pornossexualigrafia, e fez um doutorado sanduíche em Berlim para se aprofundar.

Processo Criativo, Performance e a Criação de Espaços Próprios

O processo criativo de Chris é orgânico e não segue roteiros. Ele evita a artificialidade das fotos de DVDs pornográficos, com sorrisos falsos e poses forçadas. Seus ensaios são sobre a pessoa com quem ele está trabalhando, e não sobre ele. A dinâmica é determinada pela pessoa, que deve se sentir confortável. A foto e o vídeo são consequências do momento. Ele é multilinguagem, atuando principalmente com fotografia, vídeo e performance. Recentemente, voltou a usar uma câmera analógica e fez uma exposição individual em Berlim com fotos desse processo.

Chris não depende de mídias sociais. Como designer gráfico e de web, ele criou suas próprias plataformas, sites e canais, pois as redes sociais podem ser bloqueadas ou ter contas excluídas. Ele usa as mídias sociais como uma ponte para levar as pessoas aos seus sites. Ele tem um site de design, um site tese (que é uma revista com diferentes publicações) e uma galeria de arte virtual, onde transformou a plataforma OnlyFans em uma galeria para questionar os espaços de arte. Ele também criou a revista Póscorpos, da qual é editor-chefe, para ter um espaço onde pudesse publicar seus ensaios sem censura. A revista cresceu, está no sétimo ano, tornou-se bilíngue e é utilizada em pesquisas acadêmicas, saindo da bolha fetichista.

Bate-Bola Rápido: Sonhos, Super Poderes e a Relação com as Cidades

Na seção de perguntas rápidas, Chris, The Red revela:

  • Uma cor: Vermelho.
  • Um sonho: Uma sexualidade vivida de forma tranquila e aberta, sem conservadorismo.
  • Super poder merda: Extinguir todos os conservadores.
  • Brasília, Rio, São Paulo ou Piauí: Escolhe o Piauí, pois foi onde cresceu e onde formou o Chris, The Red que existe hoje, com seus valores e sua busca por experimentação.
  • Quem te interpretaria no cinema: Buck Angel, o primeiro cara que lhe despertou atração na adolescência e que ele teve a oportunidade de fotografar e entrevistar.
  • O que traria de Berlim para o Brasil: Os parques públicos de nudez (FKK), como o Tiergarten e o Hasenheide, onde ele ia pelado escrever sua tese.
  • O que o Brasil faz melhor que Berlim: O flirt, o afeto e a conexão nas relações sexuais, que em Berlim podem ser mais mecânicas.

Ele também menciona que a pergunta que não foi feita e que ele gostaria de ter respondido é "Quando vamos trepar de novo?", demonstrando sua espontaneidade e conexão com o apresentador.

Encerramento e Divulgação dos Canais e Projetos

O episódio é encerrado com agradecimentos e pedidos de engajamento. Os ouvintes são incentivados a seguir o podcast no Instagram (@confissoesconsentidas) e o apresentador (@dommcsp), além do Twitter (@mestrecruel) e o site www.mestrecruel.com. A rede social fetichista Kinkran também é divulgada. Chris, The Red divulga seus sites: chrisdad.com.br e pornosexualigrafias.com.br, onde é possível encontrar todos os seus outros projetos. O apresentador também divulga a revista Póscorpos e o ensaio "Putos", que está disponível na plataforma OnPlay. O episódio termina com um clima descontraído e a promessa de um novo encontro em 15 dias.