Você está tomando decisões ou repetindo padrões?
Essa é a pergunta central que provoca a reflexão sobre o comportamento de empresários e gestores. Muitas vezes, o mercado parece um rebanho de ovelhas sendo guiadas: uma pessoa fala algo e todos seguem para aquele lado; depois, quando aquilo não funciona mais, todos mudam de direção novamente. A questão é: será que as pessoas realmente estão decidindo por si mesmas ou apenas repetindo o padrão dos outros? Para responder a isso, é preciso olhar para dois pontos: primeiro, quem está tomando a decisão como pessoa (o CPF), pois o CPF atua fortemente no CNPJ.
Muita gente tem esquecido de cuidar do CPF, de ter uma mentalidade forte. Quando se tem um CPF forte, não se aceita qualquer conduta ou qualquer pessoa que tente guiar, sem antes questionar: "Cadê a prova?". No mercado de informação atual, tudo é muito fácil: acontece um fato e todos já têm uma opinião formada, sem analisar de fato o que ocorreu. As pessoas pegam um pouco da opinião de um, um pouco de outro e transformam numa tese. Por isso, é crucial o empresário se perguntar se está decidindo com base no seu conhecimento e experiência ou se está sendo influenciado.
O impacto do CPF no CNPJ
Um exemplo claro dessa influência é a adesão em massa à Inteligência Artificial. Muitas empresas estão aderindo à IA sem parar para pensar se aquilo realmente faz sentido, se há dados que comprovem sua eficácia. Casos como o da Meta, que demitiu um número expressivo de funcionários para se tornar "AI first" e depois teve que voltar atrás, mostram que a IA pode ser cara e não substituir o humano tão rapidamente quanto se imagina. Outro exemplo são as modas passageiras no mundo dos negócios, como a explosão de lojas de paleta mexicana ou quadras de beach volleyball, que abrem em todos os lugares e, de repente, começam a fechar. Essa autoanálise é cada vez mais importante.
As pessoas têm cabeça e experiência, mas estão deixando de usá-las. Estão o tempo inteiro recebendo camadas e mais camadas de informação, mas qual é o momento do dia em que param para pensar: "OK, eu tenho decisões a tomar, o que eu e o meu negócio precisamos?". A pergunta é para fazer o ouvinte refletir se está vivendo no flow, apenas fazendo, deixando que outra pessoa fale por ele, ou se está puxando o freio de mão para analisar o contexto.
Falta de presença na rotina
Outro termo importante é a presença. Cadê a presença das pessoas na nossa vida? A tecnologia tem dispersado a atenção. É comum ver pais que, no meio de uma conversa com os filhos, pegam o celular para responder a uma mensagem de trabalho, dispersando o tempo que seria dedicado à criança. Essa falta de presença também afeta a empresa, que não recebe a mesma atenção. Em filmes, a cena de uma pessoa respondendo ao celular durante uma demanda já se tornou normalidade. Quantos minutos de atenção real são dados a uma demanda? A falta de presença no dia a dia como gestor, empresário ou apresentador é um problema sério.
Comparação consciente versus digital
A presença ajuda a perceber se estamos comparando do jeito certo ou errado. Se a decisão é baseada no que o outro decide, quem está decidindo? Essa comparação é potencializada no ambiente digital, onde as pessoas veem a vida e a conduta empresarial de outros como maravilhosas, mas conhecem apenas o resultado final, não a trajetória, os problemas e as dificuldades. Ninguém coloca os problemas no Instagram. A comparação inconsciente coletiva leva a decisões erradas, pois a pessoa compara o resultado, mas não a trajetória, o caixa, a estrutura e o tempo de mercado.
Uma empresa com tempo de mercado e nome estabilizado pode cometer um deslize, contar uma história bonita e sair por cima. Quem está começando, ao cometer um erro, pode pagar caro e nunca mais ter o nome no lugar. Por isso, é preciso ter consciência de como se está comparando e com quem. No fim do dia, quem paga a conta é você. A margem de erro é pequena e, quando se erra, é preciso tomar uma ação rápida.
Decisão analítica e intuição
O desafio de decidir é grande, especialmente para o pequeno e médio empresário, que precisa ser ágil e assertivo. É importante olhar para dados, referências de mercado e o impacto financeiro de uma decisão. O perfil analítico tende a demorar mais para decidir, mas busca a assertividade. No entanto, é preciso também confiar na intuição. O erro consciente é válido e faz parte do aprendizado. O autoconhecimento do decisor é fundamental: se a pessoa se conhece, ela entende quando está preparada e age com base na sua certeza.
Existem perfis comportamentais distintos. Uma pessoa analítica que decide no impulso vai se culpar pelo resto da vida. Conhecer o próprio perfil, a zona de potência (ou genialidade) e saber onde a intuição funciona bem é um exercício de autoconhecimento que muitas vezes não recebe o devido valor. Muitas pessoas acham que se conhecem, mas estão fadadas a repetir padrões de pais, avós e de suas referências. É preciso descobrir quem são as referências e em quais áreas elas são referências: a mãe pode ser uma referência para a vida pessoal, mas não para os negócios, se ela nunca empreendeu.
Por que o mercado de mentoria cresce
A mentoria está crescendo porque dá acesso a quem já tem o que você quer. É a oportunidade de conviver com pessoas que estão em um nível mais alto, não apenas superficialmente pela internet, mas no dia a dia, nos bastidores. A troca entre empresários que já chegaram lá é muito forte. Empreender no Brasil é complexo, com um ambiente jurídico, financeiro e tributário desafiador, e o empresário muitas vezes se sente sozinho. A mentoria oferece a companhia de pessoas qualificadas para navegar nesses mares difíceis e a ferramenta certa para resolver problemas com uma única martelada.
Como escolher um mentor real
Para escolher um mentor, é preciso usar o mesmo critério de escolha de uma referência: a pessoa chegou onde você quer estar? Se sim, ela sabe o caminho. Não faz sentido contratar um mentor que não chegou lá. É importante diferenciar professor, coach e mentor. O professor ensina teoria; o coach ensina ferramentas (e não precisa ter experiência prática na área); o mentor tem que ter vivido o que ensina. A escolha do mentor deve ser baseada na trajetória de vida dele. Se você quer faturar bilhões, procure quem já faturou bilhões. O mercado de educação empresarial abriu esse acesso, e o que é caro ou barato é relativo ao retorno que o conhecimento pode trazer.
O verdadeiro ROI de uma mentoria
O ROI (Retorno sobre o Investimento) de uma mentoria não é apenas financeiro. Pode ser uma decisão mental, um ajuste na família que faz você ganhar mais no trabalho, ou uma conexão que abre um novo CNPJ. As variáveis são muitas. Pessoas analíticas tendem a demorar mais para decidir, pois querem planilhar tudo, mas o ambiente e as conexões são fundamentais. O valor de uma mentoria está no valor que ela entrega e na percepção de valor que o cliente tem sobre o preço. O maior erro para quem vende high ticket (produto de alto valor) é não entregar o que prometeu. Pessoas que pagam caro têm um alto nível de consciência e não aceitam a incongruência.
O mentorado compra o "eu do futuro" do mentor, não o "eu do presente". Ele compra a visão de onde o mentor vai chegar e a certeza de que ele é uma pessoa que faz acontecer. Se o mentor para de evoluir, o mentorado sai. A call de venda é como um diagnóstico médico: se o mentor percebe que o potencial cliente não está preparado, ele não o aceita, para não correr o risco de queimar seu nome pela falta de vontade do outro.
Alta performance e regra 80/20
Alta performance é um lugar específico onde se dá 100% de fato. Isso significa eliminar os 80% de tarefas operacionais que você faz todos os dias sem precisar, mas faz por estar condicionado, e focar nos 20% que trazem resultado (Princípio de Pareto). Muitas vezes, esses 20% são atividades operacionais, mas são aquelas em que você é genial e que trazem o resultado. O exercício de delegar é difícil, pois fazer o que já se domina é confortável e prazeroso. No entanto, é preciso ter clareza sobre o que se deve reter e o que se pode delegar.
O mentor não pode delegar a entrega do seu conhecimento, assim como o criador de conteúdo não pode delegar a produção de conteúdo, que é onde o lead "esquenta". É possível delegar a parte operacional da produção (edição, postagem), mas a essência do conteúdo, a escrita e a gravação, devem ser do criador. A decisão de delegar deve ser consciente: se o tempo gasto em uma tarefa operacional pode ser usado para gerar mais vendas, vale a pena investir em alguém para fazer aquilo. Pequenos detalhes geram grandes resultados.
O que faz alguém investir em high ticket
O que faz alguém pagar mais por um produto ou serviço é a percepção de valor. Uma mentoria de R$ 100.000 não é um risco, é uma decisão, e a pessoa demora a tomar confiança, acompanhando o mentor no Instagram para ver se ele é de verdade. A percepção de que "o que é caro é bom" é programada em nossa mente. Uma bolsa falsificada roubada não dói, mas uma original de R$ 50.000 dói por meses. O mesmo efeito acontece com a mentoria. O preço alto pode gerar um maior comprometimento do cliente. O que faz a pessoa decidir é a percepção de valor que ela vê no preço.
O risco da incongruência
O maior erro de quem vende high ticket é a incongruência. Pessoas que pagam caro não aceitam que o mentor prometa uma coisa e entregue outra. É preciso entregar exatamente o que se vende, e o overdelivery (entregar mais) é sempre bem-vindo. O mentorado compra o resultado que o mentor tem, mas também compra a visão de futuro que ele transmite. Se o mentor para de evoluir, quebra a congruência e o mentorado vai embora. A call de venda é um diagnóstico para identificar se o cliente está pronto para pagar o preço e se comprometer com o processo.
As 5 transições de carreira
As transições de carreira podem ser por escolha ou por necessidade. A mudança por escolha é o melhor dos mundos, mas a transição por necessidade pode ser perigosa, pois a pessoa aceita coisas que não fazem parte do seu perfil. A trajetória da convidada inclui cinco transições: de dançarina profissional para empresária (por necessidade, ao engravidar), de empresária para o marketing de rede (por escolha, ao fechar as lojas), do marketing de rede para apresentadora de TV (por necessidade, com a pandemia), e de apresentadora para mentora (por escolha).
Em nenhuma transição se deve descartar toda a bagagem anterior. A experiência de vendedora foi fundamental para vender patrocínio para o programa de TV, mesmo sem saber como funcionava os bastidores. A transição de carreira deve ser escolhida, e a pessoa deve levar consigo toda a sua experiência e expertise, usando isso na narrativa. Você não começa do nada, você começa de onde parou.
Onde você quer estar daqui a 5 anos?
Essa é a pergunta fundamental antes de qualquer grande decisão. As pessoas querem começar do hoje olhando para o hoje, o que não funciona. É preciso projetar o futuro e, a partir dele, traçar o caminho. A pergunta envolve muitas camadas: projeção, conforto, dificuldade, renúncias e o preço a se pagar. Ao se enxergar no futuro, a pessoa precisa se perguntar quem ela precisa se tornar para chegar lá. Isso envolve saúde, habilidades (como falar inglês), disciplina e hábitos. Se você não se enxerga no futuro, você está confortável onde está, e isso é um problema. A persistência se torna teimosia quando não há mais um objetivo claro e um plano para chegar lá.
A analogia dos andares
A analogia dos andares ilustra a importância de aceitar críticas de quem está em um nível mais alto. A vista de quem mora na cobertura é diferente da de quem mora no primeiro andar. Quem está no primeiro andar vê o barulho, a sujeira, o ônibus passando; quem está na cobertura vê o pôr do sol. Não adianta reclamar do ônibus para quem está lá em cima. As pessoas que crescem não são prepotentes, são potentes. Elas apenas preservam o estado que alcançaram.
Você deve aceitar críticas de quem está onde você quer estar. Não compre a ideia de quem não é quem você quer ser, pois isso destrói a autoestima. O poder de ignorar é fundamental: tudo o que você não responde, você compra inconscientemente. É preciso filtrar as opiniões, pois no ambiente digital todos têm uma crítica ou uma dica para dar. É preciso ouvir, fazer cara de paisagem, ser simpático, mas não comprar a opinião alheia e destruir o que se está construindo.
O que impede o crescimento
O que impede uma pessoa de crescer são dois motivos: trava do passado (traumas) ou medo do futuro. Quando se descobre isso, o jogo muda. Quem tem trava do passado precisa cuidar disso, às vezes com técnicas como a PNL (Programação Neurolinguística) ou hipnoterapia, para ressignificar memórias e emoções que ficaram marcadas. O medo do futuro, por sua vez, está ligado ao preço que se sabe, inconscientemente, que será preciso pagar: noites sem dormir, perdas de pessoas no caminho, mudanças de rotina e hábitos. A pessoa prefere ficar onde está para não pagar esse preço. Se você não tem medo do futuro, cuide do seu passado.
PNL e ressignificação de memórias
Toda emoção causa um frame na mente, e a memória tem a visão daquela pessoa naquele momento. A PNL (Programação Neurolinguística) ajuda a destravar essas memórias, entendendo que aquela emoção foi da criança ou do adolescente, não é a emoção de hoje. Ao voltar lá e mudar a emoção, muda-se o sentimento e o comportamento. A hipnoterapia é um caminho mais rápido, pois vai direto na causa. A PNL ensina a fazer esse processo sozinho. O que se viveu não se apaga, mas é possível mudar a memória e a emoção ligada a ela.
Evento no Allianz Parque
A Mentor League é uma iniciativa de Flávio Augusto, Joel Jota e Caio Carneiro, inspirada na NFL, que reúne 200 clubes de mentoria sob um guarda-chuva. O evento no Allianz Parque, com 35.000 pessoas, para falar de desenvolvimento pessoal, foi um marco histórico, comparável apenas a eventos de Tony Robbins. O fato de 35.000 pessoas terem ido por vontade própria, em busca de conhecimento, mostra uma carência e um desejo da população. A experiência de estar nesse ambiente, convivendo com esses mentores, muda a visão de mundo e de negócios.
Onde encontrar Thalita Zanin
Para seguir Thalita Zanin, seu Instagram, TikTok e LinkedIn são @thalitazanin. Ela tem um podcast diário, a "Leitura da Vida", disponível no Spotify, YouTube e outras plataformas. Para saber mais sobre a mentoria, há um link de aplicação no Instagram, que leva a uma call consultiva para entender o momento do interessado. Ela também promove cafés mensalmente no escritório e eventos, como o que ocorrerá em 28 de novembro. O contato pode ser feito pelo direct do Instagram.
O que é sucesso?
Sucesso é relativo e pessoal. Não existe uma definição única, pois o seu sucesso não é o meu. Sucesso é o que te deixa em paz, com o coração tranquilo, borboletas no estômago e a satisfação plena de estar onde você tem que estar. Se você não sabe o que quer, não há como definir sucesso. A reflexão final é para que o ouvinte saia provocado a pensar sobre sua própria definição de sucesso e sobre o que está fazendo para alcançá-lo.