Quem é Cristina Sayuri e o início de sua trajetória na área financeira
Cristina Sayuri é administradora de empresas com mais de 20 anos de experiência na área financeira, atuando no setor de administração de mão de obra temporária. Sua carreira profissional começou em 2004, quando iniciou como operadora de caixa no varejo. Foi promovida à tesouraria, onde trabalhou por cerca de três anos e meio. Depois, teve a oportunidade de ingressar como estagiária na Global Empregos, empresa onde atuou por 16 anos e finalizou sua carreira como analista financeiro. Nesse período, trabalhou diretamente com Adair e começou a construir sua bagagem profissional, participando de decisões e estratégias. A transição da tesouraria para o financeiro exigiu adaptação, mas ela conquistou seu espaço e carreira. Em 2023, após a venda da Global, desligou-se da empresa e continuou na mesma área financeira, porém em outro segmento, em um escritório de medicina e segurança do trabalho. No final de 2023, começou nesse novo escritório e, em abril, recebeu um convite de Adair para iniciar um novo desafio: assumir como gestora do departamento financeiro de uma nova empresa, a Entes. Apesar do frio na barriga inicial, aceitou o desafio. Para não deixar a empresa anterior na mão, conciliou o trabalho em ambas, atuando 50% em cada, até passar tudo para a pessoa que ficaria em seu lugar e assumir a nova função.
O diagnóstico de câncer de mama: o início da batalha pessoal
Exatamente um mês após assumir o novo desafio como gestora, Cristina descobriu um nódulo na mama direita. O momento foi desesperador. Ela já tinha guias para fazer exames periódicos e, por uma sequência de encaixes providenciais, conseguiu realizar o ultrassom e a mamografia na mesma semana. O médico que a atendia há seis anos pediu que ela ligasse para sua médica e solicitasse uma biópsia, pois não tinha boas notícias. Era um sábado, dia 23 de junho. Ela ligou para sua ginecologista, Dra. Célia, que a acompanhava há 15 anos, e recebeu orientação para procurar a Dra. Adelaide, mastologista. Conseguiu encaixe no mesmo dia e realizou a biópsia, cujo resultado ficaria pronto em 20 dias. A médica a orientou a seguir a vida, trabalhar, curtir, pois se fosse algo, cuidariam, e a medicina está avançada. No dia do resultado, infelizmente, veio o diagnóstico de câncer de mama, um tumor de 3 cm. O chão abriu, mas ela estava confiante. Esse diagnóstico ocorreu cerca de um mês após o início na nova empresa, conciliando a rotina de exames, o lado emocional e as demandas de trabalho.
Conciliando o tratamento oncológico com o trabalho e a rotina da nova empresa
Conciliar o tratamento com o trabalho foi difícil, pois a empresa havia sido inaugurada em 20 de maio, com colegas trazidos da empresa anterior. O choque inicial foi grande, mas ela foi encaixando as atividades e a parte emocional. O diretor propôs que ela se afastasse, mas Cristina refletiu: se ficasse em casa, pensaria na doença o dia inteiro; se trabalhasse, teria atividades, metas e os pensamentos não iriam apenas para a saúde. Acreditou que foi a melhor decisão. Enquanto os exames iniciais corriam, ela estruturou processos com os colegas e o diretor. A biópsia saiu em julho, quase dois meses depois. A oncologista informou que ela precisaria fazer quimioterapia e cirurgia, sem alternativa, por protocolo. Ela quis continuar trabalhando e o diretor apoiou, mesmo com o desafio de uma empresa nova em que ela era a única responsável pelo departamento. Durante as sessões de quimioterapia, ela ficava muito mal por dois ou três dias, sem força, paladar ou disposição, e trabalhava conforme o corpo aguentava, respeitando seus limites. Contou com a ajuda dos colegas e de outras gestoras, que seguravam as demandas e a tranquilizavam. Foram seis sessões de quimioterapia, de agosto a novembro. Em dezembro, fez uma cirurgia de quadrante para retirar o tumor, preservando o restante da mama. Em janeiro, o exame mostrou que ainda restava parte do tumor, sendo necessária a mastectomia, realizada em fevereiro. Hoje ela usa prótese e sabe que foi a cura. A recuperação levou mais dois meses. Foi um período desafiador, pois começaram uma empresa do zero, criando processos e rotinas, e ela precisou lidar com tudo isso enquanto enfrentava o tratamento.
O papel das pessoas e da cultura de acolhimento no ambiente de trabalho
Quando olha para trás, Cristina afirma que o que mais fez diferença foram as pessoas. No ambiente de trabalho, o apoio foi fundamental: perguntas, preocupações, orações e colegas que assumiam tarefas por ela. A preocupação diária com seu bem-estar, se estava disposta, se precisava de algo, ajudava muito. Nos dias mais fracos, cada mensagem, ligação ou mimo era como recarregar a bateria. No dia da primeira cirurgia, a equipe da Entes enviou flores com um cartão assinado por todos, desejando boa sorte. Esse carinho e acolhimento são essenciais para quem enfrenta a doença. A equipe foi muito presente. Cristina acredita que Deus prepara o ambiente e as pessoas. A cultura da empresa foi construída com base na essência da empresa anterior: olhar para o próximo, se preocupar, cuidar, ninguém precisa passar sozinho por dificuldades. Era uma cultura de família, de ajuda mútua, carinho e preocupação, que foi trazida para a Entes por cada pessoa. Essa essência de acolhimento fez toda a diferença.
Fé, bom humor e a decisão de raspar o cabelo
Cristina tem muita fé e acredita que nada acontece por acaso. Ao receber o diagnóstico, pediu ajuda a Deus e seguiu em frente, pedindo orientação. Ela imaginou entrar em uma casa escura, sem saber para onde ir, e pediu que Deus colocasse as pessoas certas em seu caminho, que foram as médicas: Dra. Adelaide, Dra. Amanda (oncologista) e Dra. Célia (ginecologista). Depositou toda sua confiança nelas. Ela não escondeu o diagnóstico; pelo contrário, contou a todos, o que lhe trouxe muito apoio. Muitas pessoas ligavam para saber como ela estava, e cada detalhe ajudava. Ela destaca que não precisa ser algo grandioso; um simples "você está bem?" já é muito para quem passa pelo processo. As pessoas fortalecem na recuperação e durante a batalha. Cristina sempre leva a vida pelo lado mais leve. Ao receber o diagnóstico, viu que só tinha um caminho a seguir, então decidiu seguir e tirar a melhor parte do processo. Hoje, olhando para trás, vê o quanto foi querida e mimada, quantos presentes recebeu, e isso a deixa feliz. O câncer trouxe sofrimento e deixa cicatrizes, mas também uma lição. Ela preferiu levar com leveza, pois já é um momento difícil. Sobre o cabelo, a queda foi um efeito colateral temido. A médica avisou que cairia, e ela já procurou uma psicóloga. A primeira quimioterapia foi em 13 de agosto, e a biópsia saiu em 23 de julho, então não houve muito tempo para processar. Ela perguntou quantos dias levaria para o cabelo cair: cerca de 15 ou 16 dias. No domingo anterior, lavou e penteeou, nada caiu; achou que tinha ganhado na loteria. Na segunda-feira, ao passar a escova, saiu um tufo. Impressionante, é do dia para a noite. Ela fez um coque e ligou para o cabeleireiro, pedindo para raspar. A decisão foi para evitar o sofrimento de ver o cabelo caindo aos poucos, como em cenas de novela. Preferiu "parcelar o sofrimento": chorar uma vez só. Levou o filho, na época com 4 anos, e o marido, para que o filho visse o processo e não tivesse um choque. Explicaram que a mamãe estava doente. No cabeleireiro, achou que ia desabar na primeira passada da máquina, mas não chorou; foi um alívio. Colocou um turbante, não quis peruca. A médica perguntou se ela estava bem, e ela respondeu que sim, que era uma fase temporária e o cabelo voltaria a crescer. Brincou: "Se fossem os dentes, imagina, porque dente não nasce de novo". O bom humor sempre aparece. Ela sabe que não foi fácil, mas tentou levar de forma mais leve. E o cabelo já cresceu e ela já cortou várias vezes.
A importância da prevenção e do autocuidado: dicas para as mulheres
Cristina deixa uma orientação valiosa para as mulheres: a prevenção é sempre o melhor remédio. Muitas vezes, as mulheres pensam em cuidar dos filhos, da mãe, do trabalho, do cachorro, e deixam o próprio cuidado para depois. Ela enfatiza que não é egoísmo, mas é preciso colocar-se como prioridade na lista. Fazer os exames de rotina periodicamente, não deixar para depois de um ou dois anos. Se sentir algo diferente no corpo, procurar ajuda imediatamente. O medo de descobrir algo não deve impedir a busca pelo diagnóstico precoce, pois ele salva vidas. No caso dela, o tumor estava com 3 cm quando descoberto, e ela havia feito o periódico em fevereiro do ano anterior, descobrindo em junho do ano seguinte, ou seja, mais de um ano depois. Ela destaca a importância de cuidar da saúde, ter alimentação saudável e praticar atividade física, embora confesse que tenta, mas é difícil. Sabe que é uma prevenção, não uma regra, mas é mais difícil ficar doente. O autocuidado é fundamental: colocar-se em primeiro lugar, pois só assim é possível cuidar dos outros.
O cuidado com quem cuida: a cultura de bem-estar nas empresas
Cristina reflete sobre o papel do RH e a importância de cuidar de quem cuida. Ela acredita que toda empresa tem políticas de saúde e cuidado com o colaborador, mas algumas ficam só no papel, enquanto outras vão além. Relata um episódio durante seu tratamento: ela usava o convênio médico do marido, que estava em transição de corretora. Havia um impasse entre o convênio antigo e o novo quanto à autorização da quimioterapia. O RH da empresa do marido e toda a gerência se envolveram. O novo convênio dizia não haver o que fazer, então o RH pediu uma cotação do valor particular. A empresa aprovou a cotação e se dispôs a pagar, mas graças a Deus o convênio autorizou e a empresa não precisou pagar. Isso mostra que a empresa não olha apenas o funcionário, mas pensa no bem-estar dele e de sua família. O funcionário precisa estar bem para trabalhar bem e contribuir, e também para a família. No caso do marido, ele estava preocupado com a possibilidade de a quimioterapia não sair, e a empresa o tranquilizou. Essa cultura de preocupação com o próximo é praticada. Cristina destaca que, ao identificar alguém que não está bem, é preciso conversar, entender a dificuldade e ver o que pode ser feito para ajudar: flexibilizar horários, oferecer home office, apoiar. Ela ficou 100% home office por um ano, autorizada pelo diretor. Foi uma via de mão dupla: ela foi ajudada, mas também ajudou a empresa, pois nunca deixou a peteca cair e entregou todas as atividades sem falhas. Ela ressalta que muitas pessoas têm medo de sair para exames e perder o emprego, por isso não se cuidam. O apoio do gestor e da empresa é crucial.
Dicas de ouro para gestores que lideram equipes
Para os gestores que lideram equipes e podem ter alguém passando por situação similar, Cristina aconselha, em primeiro lugar, a boa conversa. É preciso lembrar que se está lidando com pessoas, e uma empresa é constituída por colaboradores. Valorizar o humano é primordial. Sentar, ver a dificuldade, tentar ajudar e apoiar para que o colaborador tenha segurança e continue. Se cuidar bem do colaborador, ele dará bons frutos para a empresa. É uma via de mão dupla: ajuda-se de um lado, acreditando na recompensa do outro. A valorização do ser humano é essencial. Não se deve ver os funcionários apenas como números. "Eu tenho 10 na minha equipe" deve ser "eu tenho 10 pessoas, 10 vidas, 10 famílias". É preciso pensar nas famílias, não apenas na pessoa que trabalha, pois por trás dela pode haver marido, filhos, pais. O cuidado deve ser integral. Gestores devem prestar atenção não só no colaborador isolado, mas na família. Cristina agradece a oportunidade de contar sua história e espera que ela possa mudar a vida de pelo menos uma mulher. Deixa um recado: se há um exame com guias na gaveta, que se marque e faça; outubro é o mês da conscientização, mas a doença aparece em qualquer mês. Cuidar da saúde é o ano inteiro.