LEÃO LOBO-JORNALISTA DAS ESTRELAS: Carta na Manga Podcast EP 48

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O episódio 48 do Carta na Manga Podcast marcou um momento histórico para o projeto. Diretamente de Belém do Pará, os apresentadores viajaram até São Paulo para gravar uma entrevista para lá de especial, trazendo o seu já tradicional conteúdo "mágico" para o grande centro do país. E para representar essa cidade vibrante, corrida e multicultural, o convidado escolhido foi ninguém menos que o lendário jornalista e apresentador Leão Lobo. Com 70 anos de idade e 51 anos de uma carreira recheada de histórias fascinantes, Leão abriu o coração em uma conversa íntima, nostálgica e muito emocionante, repassando os grandes marcos que o transformaram em uma das figuras mais queridas da televisão brasileira.

A Conexão com Belém do Pará e o Orgulho Paulistano

Logo no início do bate-papo, Leão Lobo expressou o seu amor genuíno e saudoso por Belém do Pará. Ele relembrou as diversas vezes em que esteve na cidade a trabalho para apresentar eventos tradicionais, muitas vezes acompanhado de grandes amigas e estrelas da mídia como a saudosa Elke Maravilha, Rita Cadillac e Solange Couto. Leão destacou a rica e inconfundível culinária local, citando os deliciosos sorvetes da Cairu e o famoso tacacá. Para ele, Belém foi um dos lugares onde ele mais se sentiu feliz e acolhido fora de sua terra natal. Apesar de amar a calorosa capital paraense, Leão frisou o seu profundo orgulho de ser um autêntico "paulistano" raiz, lamentando o fato de que muitas homenagens prestadas à cidade de São Paulo costumam incluir apenas pessoas do interior ou de outros estados, esquecendo de valorizar os filhos da própria capital que ajudaram a construir a história da cidade.

A Juventude Aos 70 Anos e a Luta pelo Jornalismo de Celebridades

Questionado pelos apresentadores sobre qual seria o grande segredo de sua aparência jovial e energia contagiante aos 70 anos, após mais de meio século de trajetória profissional ininterrupta, Leão Lobo foi muito direto: o grande segredo é o amor, ou o "tesão", pelo que faz. Ele se considera um homem extremamente privilegiado por ganhar a vida fazendo exatamente aquilo que lhe dá prazer, que é contar histórias, comunicar-se com as massas e falar sobre a vida das pessoas de uma maneira sempre recheada de muito carinho e respeito.

Sobre o rótulo de "fofoqueiro" que frequentemente lhe é atribuído, Leão afirmou categoricamente que não se incomoda nem um pouco. Pelo contrário, tem muito orgulho disso, pois foi justamente a "fofoca" que sempre pautou a sua carreira e lhe garantiu o sucesso comercial e o afeto do público. O que o deixa genuinamente chateado, na verdade, é o preconceito persistente existente dentro da própria classe jornalística. Ele mencionou que repórteres das editorias de economia e política frequentemente menosprezam o jornalismo de celebridades, olhando de cima para baixo, esquecendo-se da hipocrisia de que as notícias sobre a vida alheia sempre foram o grande motor de vendas de jornais e revistas e a principal fonte de audiência na televisão. Durante essa parte da conversa, os apresentadores aproveitaram para descontrair brincando com algumas gírias típicas de Belém, ensinando que lá o fofoqueiro é carinhosamente chamado de "boca de jambu", em alusão à erva típica que faz a boca tremer e, metaforicamente, demonstra alguém que não consegue guardar segredos e precisa falar tudo o que sabe.

Traumas da Ditadura Militar e o Início Surpreendente no Teatro

A paixão de Leão Lobo pela televisão surgiu muito cedo, mas a sua relação com o meio foi marcada por um episódio traumático e assustador durante a sua juventude. Ele era um espectador assíduo e apaixonado pela lendária TV Excelsior. Ainda menino, ele presenciou um momento chocante e triste durante a transmissão de uma novela ao vivo: policiais militares, acompanhados de cachorros ferozes, invadiram o estúdio para lacrar as câmeras e fechar definitivamente a emissora, a mando da ditadura militar brasileira. Essa cena de extrema violência arbitrária o traumatizou de uma forma tão profunda que ele se recusou a assistir à televisão por cerca de dois anos. O retorno à telinha só aconteceu por acaso, quando ele viu a exuberante Leila Diniz e outras grandes atrizes como Lolita Rodrigues em outra emissora, despertando novamente e com força total o seu sonho de entrar "naquela caixinha mágica" para contar histórias para as pessoas em casa.

Para chegar à TV, o jovem Leão percebeu que precisava estudar teatro e dominar a arte da atuação. O seu início nas artes cênicas foi uma comédia de erros digna de um roteiro de filme. Após desistir de um curso convencional devido a atitudes altamente inapropriadas do professor que exigia que os alunos tirassem a roupa, ele foi parar acidentalmente em um exigente teste para uma peça profissional de alto nível, acreditando piamente ser apenas mais uma aula de teatro. Mesmo vestindo roupas muito simples e em meio a dezenas de atores experientes e engravatados, ele foi testado de maneira rigorosa pelo diretor (que, mais tarde, ele descobriria ser ninguém menos que o filho da icônica e imortal atriz Cacilda Becker). Após um exercício tenso de improvisação, onde Leão decidiu imitar a essência comportamental de uma galinha (animal que ele criava em casa), o diretor ficou tão impressionado com a sua entrega que o aceitou como aprendiz no grupo, elogiando sua coragem e presença de palco.

A partir daí, as reviravoltas não pararam: após o ator principal da peça (o próprio filho de Cacilda Becker) perder o papel por dar constantes ataques de nervosismo e tratar o elenco de forma hostil durante os ensaios, a esposa do diretor sugeriu que o jovem "Lobo", de voz fina, fizesse a leitura do texto. O resultado da interpretação foi tão visceral e verdadeiro que ele assumiu imediatamente o papel, foi aplaudido de pé pelo resto do elenco e, posteriormente, devido à sua facilidade com os colegas, tornou-se assistente de direção da gigantesca Cleide Yáconis, absorvendo um conhecimento técnico e humano inestimável que moldaria toda a sua postura artística pelas próximas décadas.

A Arrepiante Previsão do Médium Chico Xavier

Um dos momentos de maior emoção e reflexão do podcast foi a lembrança do inesquecível dia da estreia oficial de sua primeira peça teatral profissional. A família que produzia o espetáculo era muito ligada ao espiritismo, e ninguém menos que o médium Chico Xavier estava sentado na plateia para prestigiá-los. Antes do início do espetáculo, Chico subiu ao palco para fazer uma oração de benção ao elenco. Leão relata que, embora fosse um católico convicto na época e carregasse algumas dúvidas sobre fenômenos sobrenaturais, abriu levemente os olhos durante a prece e testemunhou maravilhado um intenso perfume de rosas emanando puramente das mãos do médium, sem qualquer tipo de truque, artifício ou explicação lógica. Após a oração e a manifestação do perfume, Chico Xavier se aproximou, chamou Leão de "duas feras angelicais" (brincando de forma poética com o contraste entre a fúria dos nomes Leão e Lobo e a doçura do jovem) e fez uma profecia contundente, sussurrada em seu ouvido: de todo aquele grande e prestigiado elenco, apenas ele, Leão Lobo, conseguiria construir e manter uma carreira longa e de sucesso absoluto nas artes no futuro.

Muitos anos depois, refletindo no ônibus após retornar exausto de um evento, a memória dessa profecia invadiu a mente de Leão. Ele passou em revista, um por um, o destino de seus antigos colegas de palco. A constatação foi dura: muitos haviam desistido da difícil profissão, outros haviam falecido tragicamente muito cedo ou se perdido de forma irreversível no submundo das drogas. A previsão de Chico Xavier havia se concretizado de forma exata e avassaladora. Essa epifania o fez chorar a viagem inteira, consolidando em Leão um profundo e reverente respeito pela doutrina espírita, quebrando seus antigos preconceitos religiosos e trazendo a ele a crença reconfortante de que a vida e os laços não terminam aqui neste plano material.

O Salto para a Televisão e as Crianças Que Viraram Estrelas Nacionais

A entrada efetiva e definitiva na televisão aconteceu através da TV Gazeta, quando o saudoso apresentador Lori Berto Rosa foi assistir à sua peça e o convidou para participar do programa infantil "Capitão Arco-Íris". Na atração, Leão interpretava o personagem Verde. A novela era transmitida ao vivo, sob enorme pressão, com roteiros mimeografados que ainda cheiravam a álcool, entregues às pressas minutos antes ou durante os intervalos comerciais do programa. Quando a novela finalmente terminou, a direção da emissora reconheceu sua competência e ele permaneceu trabalhando nos bastidores como produtor, assumindo a difícil responsabilidade de preparar e dirigir crianças que vinham da prestigiada agência Prit (uma das primeiras e maiores agências de talentos infantis de São Paulo) para apresentar os programas da casa.

Essa intensa experiência nos bastidores conectou Leão a várias futuras megaestrelas do entretenimento nacional. Ele relatou histórias incríveis de sua convivência com jovens talentos que, em pouco tempo, se tornariam ícones absolutos da TV. Ele conheceu Angélica quando ela tinha apenas três anos de idade, já ostentando a sua famosa pinta na perna, muito antes de estourar nacionalmente. Também preparou Wendel Bezerra (conhecido mundialmente hoje por ser a eterna voz do Bob Esponja e do Goku), destacando o carisma imediato e avassalador que o garoto possuía em frente às câmeras.

Foi através de uma amiga de elenco de Wendel, a pequena Ana Paula, que Leão protagonizou outra história fascinante: ele conheceu uma adorável e tímida menina loira nos corredores, a quem ele deu um bombom, tratou com enorme carinho e levou pela mão para assistir à sua peça de teatro da plateia. Essa menina humilde ficou tão deslumbrada com aquele universo de fantasia que decidiu naquele mesmo dia que seria atriz e famosa. Muitos anos depois, já atuando como um jornalista respeitado e temido, Leão a reencontrou em um momento de dor e linchamento público da mídia. Ao invés de atacá-la como os outros, ele a tratou com dignidade e respeito jornalístico; a menina era ninguém menos que Adriane Galisteu, que, ao reconhecê-lo imediatamente, revelou com os olhos cheios de lágrimas que só havia se tornado artista e entrado no mundo da fama por causa daquele dia mágico no teatro sob a tutela amorosa de Leão.

A Trajetória Entrelaçada com o Saudoso Gugu Liberato

Para conseguir financiar de forma independente as suas próprias peças teatrais, Leão trabalhava arduamente animando festas infantis em mansões cinematográficas das famílias mais ricas e poderosas da elite de São Paulo. Quando a demanda de festas superou completamente a sua capacidade de agenda, ele ligou para a agência Prit pedindo que lhe enviasse um jovem substituto confiável. O garoto enviado pela agência, de apenas 16 anos, vestindo uma fantasia de Papai Noel e dançando animadamente o ritmo disco no meio das crianças, era Augusto Liberato, o saudoso e icônico Gugu. Eles ficaram amigos imediatamente, e Gugu chegou a atuar como Ministro nas peças de teatro dirigidas por Leão na época, frequentando sua modesta casa e adorando comer os docinhos caseiros feitos por Dona Maria, a mãe de Leão. A promissora parceria artística dos dois foi interrompida quando a mãe de Gugu avisou repentinamente que ele havia sido contratado com dedicação de tempo integral e exclusividade por uma empresa "misteriosa" (que logo se revelaria ser o SBT de Silvio Santos).

A Lendária Boate Homo Sapiens: Glamour, Elis Regina e Freddie Mercury

Aos 24 anos, Leão já havia alcançado um posto de prestígio, trabalhando no conceituado e exigente Jornal da Tarde. Certo dia, um vizinho de elevador o convidou para ser o principal relações-públicas de uma recém-inaugurada e ousada boate gay de alto luxo que ficaria no andar térreo do seu próprio prédio, a "Homo Sapiens". O local era o absoluto suprassumo da sofisticação da época, atraindo intelectuais, engenheiros, advogados e figurões da sociedade. Aceitando o desafio e ganhando rios de dinheiro por trabalhar em ambos os empregos, ele foi responsável por levar grandes estrelas da música nacional e internacional para o palco do local.

O episódio mais marcante e traumático ocorreu com sua grande e geniosa amiga, a inigualável cantora Elis Regina. Após muita insistência ao final de um jantar de gala, ela prometeu formalmente que se apresentaria na boate para o seu público LGBT. No dia do evento, com a porta da boate completamente lotada por fãs ensandecidos, Leão subiu a serra e foi buscá-la em sua casa na Cantareira. Para seu total desespero, Elis teve um de seus famosos e explosivos ataques de fúria nos bastidores, gritando de dentro de casa e se recusando a sair. Ela chegou ao ponto de forçar seu próprio filho, o pequeno João Marcelo Bôscoli (então com apenas 10 anos de idade), a abrir a porta e mentir friamente na cara de Leão, dando a desculpa esfarrapada de que ela havia viajado às pressas para o Rio de Janeiro. Leão saiu do local aos prantos, sentindo-se humilhado e traído. No desespero para não decepcionar o público, ele contratou de última hora uma talentosíssima cantora desconhecida em um barzinho chamada Eliana Estevão. A substituta foi um sucesso estrondoso, mas o estresse e o trauma fizeram Leão tomar a decisão irrevogável de parar de agenciar artistas para a boate daquele dia em diante.

Ele precisava urgentemente de um substituto e lembraram de um rapaz educado que admirava intensamente o seu trabalho noturno. Novamente, pelas ironias do destino, era Gugu Liberato, voltando a cruzar o caminho de Leão, quatro anos após ter feito as festinhas infantis. Gugu assumiu a função com garra, mas por começar a levar um elenco de artistas muito populares e folclóricos do SBT (como os calouros pitorescos do Silvio Santos), a elite sofisticada e pedante que frequentava a boate não aprovou a curadoria. Pouco tempo depois, Gugu ascendeu de vez como produtor e, em seguida, como um dos maiores e mais geniais animadores do Brasil, fazendo questão de comemorar com o amigo Leão o dia em que ganhou o seu primeiro grande contrato e salário como apresentador fixo.

Ainda relembrando os tempos dourados da boate, Leão Lobo revelou orgulhoso que teve a suprema honra de receber e ciceronear o lendário astro do rock internacional Freddie Mercury. O imortal vocalista do Queen chegou ao local de madrugada logo após um gigantesco show no estádio do Morumbi, desceu freneticamente de um carro esportivo sem nem abrir a porta direito e, após um breve momento de reconhecimento e avaliação do ambiente, ficou tão absurdamente à vontade com o público brasileiro que se despiu ali mesmo, ficando apenas de sunga e pulando efusivamente nos ombros dos frequentadores, protagonizando uma noite que ficou eternizada como um rolê absolutamente memorável, caótico e histórico na noite paulistana.

O Fenômeno do "Aqui Agora" e o Nascimento do Imortal Bordão "Dignidade Já!"

Um dos maiores picos de popularidade de sua carreira televisiva foi, sem dúvida, no polêmico e aclamado jornalístico policial "Aqui Agora", que revolucionou o telejornalismo brasileiro na década de 1990 com o seu formato ágil, repórteres na rua e apelo popular. Silvio Santos chamou Leão Lobo pessoalmente e o convidou para apresentar exatamente quatro fofocas em apenas um minuto, com o objetivo estratégico de quebrar a tensão excessiva das notícias pesadas, assassinatos e tragédias do programa. Foi neste programa sangrento que o bordão positivo "Dignidade Já!" se popularizou feito pólvora pelo país inteiro, virando mania nacional.

Leão fez questão de revelar a verdadeira e politizada origem da frase: ela foi criada anos antes, em 1984, em pleno calor do movimento das Diretas Já, época em que ele havia estreado como um duro colunista de televisão na Folha da Tarde. Pensando no que o sofrido povo brasileiro mais precisava após longos 25 anos de sombras da ditadura militar (comida na mesa, escola pública de qualidade, saúde digna, trabalho honesto), ele resumiu toda essa vasta necessidade na poderosa palavra "Dignidade" e acrescentou o urgente "Já", casando com o clamor das ruas. Quando foi para a TV, o visionário Silvio Santos tentou interferir, sugerindo que ele usasse gestos fortemente estereotipados (desmunhecando) para falar a frase, acreditando ingenuamente ser um grito atrelado ao ativismo LGBT. Leão se recusou educadamente, argumentando que isso tiraria o peso e a credibilidade da sua exigência social, e propôs o gesto firme, segurando as mãos à frente do corpo, o que acabou virando a sua irretocável marca registrada na cultura pop brasileira. Outra curiosidade divertida revelada é que Silvio Santos ordenou pessoalmente à camareira que confiscasse as outras roupas de Leão e que ele passasse a usar obrigatoriamente apenas gravatas borboletas vermelhas no vídeo, criando uma identidade visual tão imponente e inesquecível que, até hoje, as pessoas o param na rua para elogiar a inseparável gravatinha vermelha.

Ainda abordando o seu excelente faro para revelar talentos no meio televisivo, Leão contou que também foi o grande responsável por dar a primeira grande chance nacional à renomada apresentadora Kátia Fonseca. Quando ele trabalhava na emergente Rede Mulher, a apresentadora titular de um programa diário de culinária pediu demissão de forma totalmente repentina e inesperada. Após algumas tentativas altamente frustradas da direção de contratar nomes experientes, mas muito caros e antipáticos, Leão indicou com convicção a até então desconhecida "moça simpática que apenas ficava lendo as receitas ao vivo". O diretor, sem muitas opções, acatou a arriscada sugestão; a aposta foi um sucesso absoluto, e assim nasceu a longa e consolidada trajetória de sucesso de Kátia Fonseca, a rainha das tardes, na televisão aberta.

A Profunda Gratidão a Silvio Santos e o Júri do Show de Calouros

Toda a relação de Leão Lobo com o empresário e comunicador Silvio Santos foi profundamente pautada no mais irrestrito respeito, lealdade e em uma gratidão que atravessa décadas. Leão Lobo relembrou que, bem no início de sua promissora carreira, rejeitou um luxuoso convite direto para ser jurado do icônico Show de Calouros motivado pura e simplesmente por uma arrogância juvenil e um excesso de purismo, já que atuava como um exigente crítico de televisão nos jornais impressos e achava que isso macularia a sua imagem profissional. Anos mais tarde, com a incumbência de entregar o cobiçado prêmio APCA de "Melhor Animador do Brasil" diretamente nas mãos de Silvio Santos no palco do SBT, ele reconheceu humildemente o brilhantismo irrefutável do "Patrão" ao vivo em rede nacional. Silvio, mestre na condução, não só aceitou as francas desculpas públicas do jornalista como, em tom de brincadeira, mas falando muito sério, exigiu a sua presença imediata na bancada do júri na gravação do domingo seguinte. Leão acatou o chamado, permaneceu de forma fixa no aclamado programa por longos e gloriosos 6 anos e só decidiu abandonar o barco bem próximo ao inevitável fim da atração, a conselho amoroso e firme de Elke Maravilha, que lhe ensinou o sábio ditado mineiro de "não se abaixar demais" para não se sujeitar a decisões desrespeitosas, caprichos e exclusões impostas pela fria equipe de produção.

Visivelmente abalado e com a voz embargada pela forte emoção, Leão Lobo desabafou dolorosamente sobre a recente e irreparável partida de Silvio Santos, o maior ícone da nossa comunicação. A triste notícia o pegou totalmente de surpresa nos bastidores enquanto ele se preparava para apresentar um gigantesco e importante evento de moda inclusiva na cidade de São Caetano do Sul. O baque emocional e psicológico foi imenso, arrebatador. Ele confessou que precisou trancar-se no banheiro do camarim, onde chorou copiosamente de forma incontrolável para expurgar a dor, antes de conseguir enxugar as lágrimas, recompor-se minimamente e gravar depoimentos oficiais em vídeo para os frenéticos telejornais das emissoras concorrentes. Leão fez questão de destacar repetidas vezes a capacidade genial e ímpar que Silvio possuía de "ler a alma e o talento das pessoas", sabendo cirurgicamente e com precisão milimétrica onde e como encaixar perfeitamente cada profissional do mercado em sua formidável engrenagem televisiva. Em uma forte demonstração de amizade e confiança, Silvio Santos chegou a lhe ligar pessoalmente oferecendo um seguro e polpudo contrato de dois anos como um "porto seguro" vital durante a brutal e assustadora pandemia da Covid-19, mesmo sem ter sequer um formato de programa definido para ele apresentar na grade, algo raríssimo no mercado. Com uma integridade moral inabalável, Leão recusou gentilmente a milionária oferta apenas por uma questão de estrita ética profissional e profunda gratidão à TV Gazeta, emissora que lhe havia estendido a mão de forma muito digna e acolhedora algumas poucas semanas antes do telefonema de Silvio.

O Momento Mágico, A Emoção da Homenagem e a Defesa de um Lindo Legado

Atingindo o esperado clímax de um episódio impecável e comovente, os criativos apresentadores do Carta na Manga prepararam e engatilharam o que eles próprios chamaram de "a bomba da noite". Utilizando elementos lúdicos do ilusionismo clássico e da magia psicológica, que são os verdadeiros diferenciais e marcas registradas desse audacioso podcast, eles realizaram ao vivo um truque mentalista e visual que desmontou todas as defesas do experiente e sagaz jornalista convidado. Logo nos minutos iniciais da longa gravação, Leão havia selecionado aleatoriamente e de olhos vendados uma carta específica de um baralho normal (o Rei de Copas) e também havia parado de forma completamente aleatória ao deslizar o dedo em uma página perdida de um vasto álbum de figurinhas antigo que homenageava especificamente os históricos jurados do clássico Show de Calouros.

Ao abrirem vagarosamente um misterioso envelope que havia permanecido muito bem lacrado e pendurado à vista de todos desde o primeiríssimo segundo do programa, os apresentadores passaram a ler em voz alta as fortes e nobres características da misteriosa pessoa retratada ali dentro: alguém que sempre esteve inevitavelmente ao lado das massas e do povo batalhador, um comunicador dono de uma transparência ímpar e sem travas na língua, um sinônimo diário de alegria e cores nas tardes cinzentas do brasileiro, um homem absolutamente apaixonado e devotado pela única filha e pelos netos e, coroando tudo, alguém que milagrosamente realizou o romântico sonho de infância de finalmente entrar na cobiçada caixinha mágica da televisão. A revelação estonteante do envelope mostrou não apenas uma fotografia qualquer de Leão Lobo, mas uma imagem impossível na qual ele aparecia segurando exatamente a mesma carta do Rei de Copas selecionada minutos atrás! Junto a essa inacreditável e alucinante revelação de ilusionismo que deixou todos boquiabertos, foi entregue a ele um belíssimo lenço finamente colorido, simbolizando de forma muito terna todas as infinitas cores, tons, matizes e, acima de tudo, a esfuziante alegria que o querido jornalista trouxe sem interrupções aos milhares de lares e famílias brasileiras ao longo dessas gloriosas cinco décadas de trabalho árduo e ininterrupto nas telinhas, palcos, colunas de jornal impresso e ondas do rádio. O engenhoso e tocante momento arrancou lágrimas incontidas e sinceras de Leão Lobo, que se recusou a esconder a total surpresa, o impacto mental da mágica e a profunda comoção que invadiu o seu peito e lavou a sua alma de artista.

Nas nobres e inesquecíveis palavras finais de despedida diante das câmeras, Leão Lobo fez questão de deixar um longo registro e uma mensagem carregada de extremo e rasgado afeto diretamente a todo o seu fiel público espectador de Belém, do pujante estado do Pará e de todo o gigantesco território do Brasil. Ele resumiu sua épica e incansável caminhada profissional declarando a plenos pulmões que se sente, de forma irrevogável, um homem infinitamente abençoado e amparado por Deus, não apenas por causa das realizações artísticas e conquistas profissionais imensuráveis, do dinheiro ou da efêmera fama, mas sim e, sobretudo, pela base estrutural e pela bela e sólida família que construiu com tanto amor — sua amada filha que o acompanha e seus pequenos netinhos —, quebrando, sepultando e superando de uma vez por todas o seu maior e mais aterrorizante medo nutrido lá na remota juventude de que, pelas dificuldades da vida ou por ser um pioneiro homossexual assumido e desbravador na televisão brasileira nos preconceituosos anos oitenta, acabaria infelizmente envelhecendo e morrendo triste e de forma brutalmente solitária. Livre desse fantasma, completamente saciado pela trajetória construída a ferro, fogo e talento puro, mas ainda com o vigor de um menino iniciante e sem quaisquer pretensões ou planos para se aposentar ou se afastar dos holofotes e microfones, ele cravou a promessa e garantiu com os olhos brilhando de esperança que deseja, de todo o coração, seguir trabalhando ativamente e fazendo de forma impecável aquilo que tanto ama de forma passional até o último suspiro de seus dias nesta vida terrena, recebendo, processando e devolvendo em dobro a todo instante o grandioso e insubstituível amor que o imenso público nacional lhe dedica de forma generosa diariamente na TV aberta e nas redes sociais. Encerrou este episódio emblemático e monumental do audacioso podcast de forma absolutamente formidável e irretocável, deixando no ar o seu mais forte, retumbante, histórico, atemporal, inesquecível e eterno grito e bordão da televisão: Dignidade Já!