1. G2L: o braço logístico da Gerdau e a aposta em novos negócios
A G2L é um operador logístico que nasceu há 6 anos. Atualmente 90% de seu faturamento vem da Gerdau, mas a estratégia é inverter esse cenário: 90% de novos negócios (clientes externos) e 10% Gerdau. A empresa atua majoritariamente com transporte rodoviário (90%), mas também com multimodal (cabotagem). Trabalha com frota própria, terceiros e agregados. A tecnologia é vista como a grande alavanca para escalar o negócio, melhorar a eficiência e garantir segurança.
2. Perfil dos convidados: da fisioterapia à governança de dados, e da paixão por infraestrutura
Fernanda é fisioterapeuta de formação, mas nunca exerceu; desde a faculdade foi para a área de dados, depois processos gerenciais focados em supply chain e hoje governança de dados. Tem 16 anos de experiência. Melqui tem 20 anos de carreira em TI, formado em sistemas de informação, mas se apaixonou pela infraestrutura (redes, conectividade, segurança). Ambos atuam de forma integrada na G2L, mostrando que tecnologia e negócios caminham juntos.
3. Conectividade e infraestrutura: o desafio de levar internet para áreas remotas
Melqui destaca que a logística no Brasil enfrenta uma realidade de conectividade muito diferente dos grandes centros. Em locais como Caucaia (CE), não há infraestrutura de fibra. A solução envolve projetos especiais com grandes operadoras: levar fibra até o ponto mais próximo e complementar com rádio ou, no pior dos casos, links via satélite (com baixa latência). Ele enfatiza que não basta ter aplicações SaaS ou nuvem; é preciso garantir link dedicado com SLA reduzido, firewall na ponta e segurança. “A experiência do usuário na ponta depende dessa conectividade.”
4. Segurança da informação: a ponta mais frágil e o desafio cultural
Melqui considera a segurança um dos maiores desafios, pois o fator humano é o elo mais fraco. A G2L adota uma estratégia de “pílulas de conhecimento” – comunicados simples, sem tecnicismos, sobre segurança no dia a dia (golpes de WhatsApp, importância do MFA, DLP). Além disso, cursos obrigatórios de LGPD e segurança da informação. O objetivo é que o motorista (próprio ou terceiro) entenda o valor dos dados e das cargas. “Uma ação involuntária na ponta pode derrubar todo o investimento em firewalls de última geração.”
h2>5. Dados, governança e cultura data-driven: a transformação digital da G2L
Fernanda explica que a G2L está em um grande projeto de transformação digital para 2025, focado em criar uma cultura data-driven. A empresa cresceu muito rápido em 6 anos, sem governança de dados. Agora estão organizando a casa, estruturando acessos, definindo fontes confiáveis e usando dados para decisões assertivas – não mais “achismos” sobre campanhas. Ela destaca: “Deixar de ser uma TI reativa e passar a ser uma TI que traz informação, ganho para o negócio, com segurança.”
6. Parceria com o negócio: de cliente interno a parceiro
Um ponto central da conversa é a mudança de relacionamento entre TI e áreas de negócio. Antes, o negócio trazia a dor já com uma solução pré-definida (nem sempre adequada). Hoje, a TI senta junto, entende o processo, a dor real, e só então propõe a solução – que pode ser diferente da inicialmente pedida. Melqui resume: “TI voltada para o negócio”. Isso quebra barreiras culturais e aumenta a satisfação das áreas. A comunicação é adaptada a cada nível hierárquico – do CEO ao motorista terceirizado, sempre com linguagem simples.
7. Projetos de dados e IoT: telemetria, tracking e qualidade de vida do motorista
Fernanda revela um dos projetos mais desafiadores: o tracking de frota e telemetria. A G2L já monitora 100% da frota própria, mas ainda não conseguiu trazer todos os agregados e terceiros. Os dados de telemetria incluem eventos (aceleração, frenagem, uso de combustível) e até câmeras internas. Houve um caso em que um motorista saiu da rota; a suspeita inicial era sequestro, mas era um desvio legítimo. As câmeras já flagraram motorista “dormindo” – que na verdade estava apenas cantando com os olhos fechados. Refinar essa inteligência (evitar falsos positivos) é um trabalho interno constante.
Outro projeto crítico é a sinergia de cargas – um problema nacional da logística: evitar que um caminhão vá para uma região remota e volte vazio, deixando o motorista longe da família por dias. A G2L está desenvolvendo um orquestrador de rotas próprio (não há solução pronta no mercado) que considera não só eficiência, mas qualidade de vida das pessoas, um dos pilares da Gerdau.
Fernanda mencionou que dimensionou um data lake com capacidade para 2TB para 3 anos; em 1,5 ano já está estourando, mostrando o volume gigantesco de dados de telemetria e tracking (IoT).
8. A jornada em nuvem, FinOps e multicloud
Quando Fernanda entrou na G2L, a empresa já era 100% nuvem (sem nada on-premise). Isso permite escalabilidade: sobe-se o mínimo necessário e cresce conforme o negócio. Entretanto, Melqui alerta que nuvem sem governança de custos (FinOps) pode sair mais cara que on-premise. Ele liderou um projeto de FinOps que reduziu 65% dos custos de nuvem, removendo serviços superdimensionados, IPs reservados não utilizados e otimizando instâncias. O monitoramento contínuo é essencial, pois a demanda muda o tempo todo.
h2>9. Case de sucesso e síndrome do vira-lata: apresentação no evento da Teradata
Fernanda apresentou um case no evento da Teradata (Possible) sobre o uso de IoT e IA para análise de comportamento do motorista na cabine. Ela confessa que estava tensa, mas ao final, um head de dados da JP Morgan a abordou com perguntas – um sinal de que o case era relevante. A experiência mostrou que o Brasil está muito bem posicionado em dados e logística, mas sofre da “síndrome do vira-lata” (se achar atrasado). “Conversei com a DHL na Alemanha e vi que não, a gente está muito bem.”
10. Papel da mulher na tecnologia e união entre mulheres
Fernanda aborda um tema sensível: a tecnologia ainda é um mercado machista, e a mulher precisa se provar o tempo todo. Ela relata sua vivência em bancos, grupo funerário, logística – é um problema geral. Sua mensagem: “Mulheres precisam se unir, uma puxar a outra para cima, não se sabotar. Se não unirmos, não vai dar certo.”
11. Futuro da carreira e habilidades essenciais
Melqui e Fernanda concordam que o principal desafio dos próximos 5 anos é a adaptação contínua – o roadmap de 5 anos feito em janeiro já ficou obsoleto em meses. Além da atualização técnica, ambos enfatizam a importância das soft skills, especialmente comunicação e relacionamento interpessoal. “O TI deixou de ser o cara estranho no fundo da sala; hoje precisa saber se comunicar, fazer gestão de crise, influenciar pessoas.” A profissional do futuro também será um pouco generalista (“T-shaped”): o especialista em redes que estuda segurança, o especialista em dados que entende de infraestrutura. Isso cria “exércitos de um homem só” – profissionais que entendem o impacto do seu trabalho no colega ao lado e sabem pedir ajuda quando necessário.