Jump Talk #31 - Inovações com tecnologia no mercado imobiliário e BPO

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1. Abertura: o propósito do j.Office e o novo formato do Jump Talk

Anderson inicia explicando que o Jump Talk tradicionalmente recebe especialistas em tecnologia e transformação digital ligados ao core da Jump. Contudo, há cerca de dois anos a empresa criou uma unidade de negócio diferente: o j.Office. Inicialmente focado em BPO (gestão especializada de processos de negócio), o j.Office nasceu com a missão de levar a expertise da Jump em tecnologia para dentro de outras áreas das empresas, resolvendo dores reais como processos ultrapassados, experiências insatisfatórias para clientes e colaboradores, e falta de eficiência. Esse movimento abriu portas para novos conhecimentos, pessoas e conexões. Por isso, o episódio foge do formato habitual e aborda BPO, Real Estate, liderança, gestão, tecnologia aplicada e representatividade feminina. A convidada ideal para essa conversa foi Fabiana Stefani Pereira, Real Estate Manager na Claro.


2. Quem é Fabiana Stefani?

Fabiana está na Claro há sete anos. Antes disso, trabalhou no mercado imobiliário puro, no Brasil e na América Latina. Atualmente é gerente da área de torres, liderando um time significativo e cuidando da gestão imobiliária de toda a infraestrutura de rede da operadora. É casada, tem dois filhos e dois gatos. Apesar de ser sua primeira participação em um podcast, Fabiana demonstra domínio sobre os processos, desafios e nuances do mercado de telecomunicações sob a ótica imobiliária. Sua bagagem em marketing e gestão de negócios contribui para o “jogo de cintura” necessário no dia a dia.


3. Afinal, o que é Real Estate? (Sim, é o mercado imobiliário… mas vai muito além)

Fabiana confirma: Real Estate é apenas um nome “americanizado” para negócios imobiliários. Porém, esse mercado passou por uma profissionalização intensa nas últimas duas décadas. Antes dominado por grandes famílias e latifundiários, hoje envolve fundos de pensão (americanos e canadenses), grandes investidores e uma variedade enorme de empreendimentos: residencial, comercial, shopping centers, aeroportos e, no caso da Claro, torres de telecomunicação, rooftops, mastros, postes compartilhados, bancas de jornal e sistemas indoor.


4. Real Estate em telecom: muito além de comprar e vender imóveis

Dentro da Claro, a área de Real Estate não cuida apenas de prédios administrativos, lojas ou terrenos (herdados da aquisição da Embratel, antiga estatal com enorme volume de imóveis). O foco principal do time de Fabiana são as torres de telecomunicação – estruturas fixas no meio de estradas, rooftops de prédios, topos de bancas de jornal, pontos de ônibus, postes e até coqueiros disfarçados. Ela explica que essas torres são, antes de tudo, uma operação imobiliária de locação ou compra de pontos. Há ainda o mercado de Tower Companies (empresas que constroem torres e alugam para operadoras), financiado por grandes fundos de pensão por exigir elevado CAPEX.

Fabiana detalha os diferentes tipos de infraestrutura:

  • Greenfield: torres convencionais, mais comuns em áreas não adensadas.
  • Rooftops e mastros: em grandes centros urbanos, onde não é possível construir estruturas gigantes, a Claro instala mastros em cima de prédios para pendurar equipamentos.
  • Small cells e sistemas indoor: equipamentos em shoppings, aeroportos, bancas de jornal, pontos de ônibus, postes e até estruturas camufladas (como coqueiros).

O compartilhamento de infraestrutura é comum fora do Brasil; aqui ainda engatinha por questões competitivas, mas a tendência é evoluir, inclusive com compartilhamento de equipamentos.


5. Números gigantes e desafios de gestão: 35 mil pontos de locação

Atualmente, a Claro possui cerca de 35 mil pontos de locação em todo o Brasil (torres, rooftops, sistemas indoor etc.). Gerenciar esse volume é o principal desafio diário de Fabiana. É preciso assegurar que a Claro esteja instalada exatamente onde deve estar, que o espaço ocupado corresponde ao que está sendo pago e que os valores são os corretos. A complexidade aumenta porque a Claro cresceu rapidamente por meio de aquisições, o que nem sempre padronizou os cadastros e contratos. A tecnologia é fundamental para acompanhar a vida dessas 35 mil estruturas, evitando pagamentos a maior, desvios ou despejos.

Além disso, há desafios com clientes internos (engenharia, implantação, jurídico, regulatório) que possuem cronogramas agressivos e exigem agilidade, mas a área de Real Estate está sob a vice-presidência financeira, o que significa que controle de custos é prioridade. “Fazer a qualquer custo seria simples; fazer dentro do orçamento é complexo”, resume Fabiana.


6. O papel do BPO (Business Process Outsourcing) dentro da Claro

Cristina Tiemi, que atua como Account Manager no relacionamento com a Claro, explica que o BPO da Jump atende várias frentes dentro da operadora: esteira de faturamento, manutenção predial (montagem e desmontagem de torres), processos administrativos (viagens, gestão de fornecedores), arquitetura (apoio à engenharia), atendimento comercial, marketing, entre outros. Para Fabiana, o BPO é essencial porque permite que a Claro foque no seu core business: entregar sinal de telecomunicação. Com a enorme burocracia, legislações municipais/federais/ambientais, interfaces com fornecedores e sistemas, seria impossível fazer tudo internamente sem perder o foco. Terceirizar processos por meio de BPO traz mais velocidade, padronização e gestão próxima das equipes, o que as grandes empresas já não conseguem fazer sozinhas. Fabiana revela que existem muitos casos de sucesso na diretoria e uma fila de novos processos que desejam migrar para BPO, pois geram ganhos significativos e rápidos.


7. Tecnologia e inovação: como a Claro (e Fabiana) usam IA, BI e georreferenciamento

Fabiana enfatiza que não é da área de tecnologia, mas precisa dela para ganhar velocidade e reduzir erros manuais. Ela lista algumas iniciativas e ferramentas:

  • Business Intelligence (BI) : sua área possui uma equipe de BI dedicada para atender demandas densas de dados, uniformizar informações e garantir que todos utilizem a mesma base oficial – acabando com a era das “planilhas pessoais” conflitantes.
  • Software de georreferenciamento : todas as torres são geolocalizadas com camadas de legislação, áreas de preservação ambiental, localização de Tower Companies, preços de referência (diferença entre Avenida Paulista e interior do Mato Grosso). Isso permite simular custos e viabilidade de novos pontos.
  • Inteligência artificial (IA) generativa : estão desenvolvendo um projeto de IA para responder e-mails repetitivos (dúvidas de órgãos municipais, áreas internas, regulatório). O objetivo é economizar centenas de horas da equipe, evitando contratações desnecessárias.
  • Internet das Coisas (IoT) : Fabiana acredita que o potencial é gigantesco, especialmente com a chegada do 5G. Em feiras internacionais (como em Los Angeles), viu hospitais inteiros operando com IoT (monitoramento de pacientes, histórico em tempo real). No Brasil, a agricultura já utiliza, mas o custo ainda é uma barreira para pequenos produtores. A tendência é irreversível, mas a velocidade de adoção será menor do que se imaginava inicialmente.

A mensagem de Fabiana é clara: ela está sempre de olho em qualquer iniciativa tecnológica que possa ajudar a melhorar a gestão de seus ativos e processos, desde que venha de parceiros confiáveis como a Jump.


8. Representatividade feminina na telecom e os desafios de gênero

Apesar de a área de telecomunicações ser historicamente masculina, Fabiana percebe uma evolução gradual, mas com muitos desafios ainda. Ela relata que não é incomum estar em reuniões onde é a única mulher presente. Na sua diretoria (VP Financeira da Claro), há quatro mulheres e um homem – um equilíbrio melhor do que o restante da empresa. Fabiana se define como não sendo feminista nem machista, mas sim a favor de que pessoas cheguem aos cargos por mérito, independente de gênero. Mesmo assim, admite que ainda existe machismo estrutural: mulheres são menos ouvidas, vozes mais baixas são ignoradas, e muitos homens se impõem apenas pelo tom de voz. Ela procura ensinar aos seus filhos (um de 10 anos e outro mais velho) que deve haver igualdade de oportunidades e que as tarefas domésticas e cuidados com os filhos devem ser divididos. A pandemia ajudou a fortalecer o senso de comunidade e o compartilhamento de responsabilidades, mas ainda há um longo caminho pela frente.


9. Equilíbrio entre vida profissional e pessoal: o segredo (não tão mágico)

Quando questionada sobre como concilia uma carreira de alta responsabilidade com dois filhos e gatos, Fabiana é sincera: não existe fórmula mágica. É um “equilibrar pratinhos” diário. O principal é estar presente e inteira no que se está fazendo. No trabalho, foca 100% no trabalho; em casa, tenta deixar as demandas do escritório de lado. Para isso, é essencial delegar – tanto no trabalho quanto em casa – e ter uma rede de apoio (família, amigos, vizinhos). Ela menciona que, após a pandemia, os pequenos núcleos se fortaleceram, e as pessoas se sentem mais à vontade para pedir ajuda (como buscar um filho na escola). Fabiana relembra um episódio marcante: quando voltou da licença maternidade do primeiro filho, o pediatra perguntou se ela estava saindo para trabalhar “apenas por lazer”. Ela respondeu que não, e o pediatra concluiu: “então não tenha peso na consciência”. Esse conselho a acompanha até hoje. A mensagem final para outras mulheres é: faça o que dá; alguns dias você será ótima nos dois mundos, outros dias não será 100% em nenhum, e tudo bem.


10. Carreira em Real Estate: caminhos, oportunidades e conselhos

Fabiana destaca que o mercado imobiliário é amplo e se profissionalizou. Existem hoje MBAs, mestrados e doutorados focados em Real Estate no mundo inteiro. As oportunidades vão muito além das construtoras e incorporadoras tradicionais: bancos (grandes bancos e bancos de investimento têm áreas especializadas para avaliar fundos imobiliários), telecomunicações (Claro, Vivo, TIM e outras), administradoras de shoppings, concessionárias de aeroportos, redes de saúde (hospitais, clínicas, laboratórios), educação (universidades e escolas) e muitos outros setores. O mercado imobiliário é cíclico e sensível à economia – taxas de juros, inflação, guerras (como na Ucrânia, onde russos e ucranianos com recursos compraram imóveis na Europa, distorcendo o mercado) e até pandemias impactam diretamente.

Para quem deseja entrar na área, Fabiana sugere ter um background financeiro, economia ou administração e depois buscar especialização em gestão de ativos ou Real Estate. No entanto, o aprendizado prático no dia a dia é insubstituível: telecom é um ambiente muito dinâmico, com legislações mudando constantemente, novas tecnologias todo dia (5G, IoT) e necessidade de levar cobertura para áreas em desenvolvimento. Ela afirma que, depois que alguém começa a trabalhar com Real Estate em telecom, dificilmente quer sair, pois é um mercado vivo, desafiador e que entrega algo palpável para a sociedade – como ficou evidente na pandemia, quando as teles garantiram o funcionamento de hospitais, escolas e trabalho remoto.


11. Tendências e o futuro: IoT, 5G, IA e a evolução do setor

Fabiana acredita que a Internet das Coisas é a grande promessa que ainda será plenamente realizada. O 5G, com sua frequência mais baixa e maior capacidade de conexão, é o verdadeiro viabilizador da IoT em escala. Ela já viu aplicações impressionantes em feiras no exterior: hospitais inteligentes, cidades conectadas e agricultura de precisão. No Brasil, ainda há desafios de custo e infraestrutura, mas a tendência é inevitável. Ao mesmo tempo, o mercado de Real Estate continuará sendo impactado por ciclos econômicos e eventos globais, exigindo profissionais antenados e flexíveis. A inteligência artificial, especialmente a IA generativa, será cada vez mais usada para automatizar tarefas repetitivas (como e-mails, consultas a legislação, validação de documentos) e liberar as equipes para atividades de maior valor estratégico.


12. Encerramento e mensagem final

Anderson e Cristina agradecem a Fabiana pela participação rica e inspiradora. Ela retribui, destacando a leveza da conversa e a oportunidade de mostrar um pouco do universo do Real Estate dentro de uma gigante de telecomunicações. Fica a promessa de novos episódios, já que o tema é vasto e há muito mais a discutir. O episódio demonstra como o BPO, aliado à tecnologia e à gestão especializada, pode transformar áreas não centrais de grandes empresas, gerando eficiência, redução de custos e foco no core business. Ao mesmo tempo, a trajetória de Fabiana inspira mulheres e jovens profissionais a seguirem carreiras não tradicionais, equilibrando competência técnica, jogo de cintura e autenticidade.

Com este resumo, fica evidente que a gestão de 35 mil pontos de infraestrutura vai muito além de contratos e planilhas: envolve visão estratégica, uso intensivo de tecnologia (georreferenciamento, IA, BI), parcerias de longo prazo (como com a Jump via j.Office) e uma liderança que valoriza pessoas, diversidade e inovação. O mercado de Real Estate em telecom é um exemplo perfeito de como processos imobiliários tradicionais foram reinventados pela escala, pela regulação e pelas novas demandas de conectividade.