Jump Talk #30 - Inovação na era dos dados e o futuro da tecnologia

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O talk começa apresentando Giovani Pacheco, profissional com mais de 20 anos de experiência no mercado de dados. Giovani iniciou sua carreira como DBA, migrando gradualmente para áreas de pré-vendas e, posteriormente, vendas especializadas. Atualmente, ele atua como Gerente de Especialistas de Vendas em Analytics para toda a América Latina (México, Colômbia, Argentina, Brasil, etc.), sendo responsável por disseminar as capacidades analíticas mais avançadas da Teradata na região. Thiago, por sua vez, atua na Jump há pouco mais de três anos, liderando esforços comerciais em novas verticais de tecnologia, com a Teradata sendo uma das principais parceiras para alavancar analytics e dados em nuvem.


2. Teradata Possible 2024: O evento que mostrou a “nova Teradata”

Giovani participou do Teradata Possible 2024, realizado em Los Angeles (EUA). O evento foi marcado por um público recorde vindo do Brasil – o maior contingente brasileiro da história do encontro. Além disso, compareceram clientes e parceiros da Colômbia, México, Argentina e até de países da Ásia e Europa (Singapura, Polônia, República Checa). A grande inovação do Possible 2024 não foi apenas o anúncio de novos recursos tecnológicos, mas também o formato: mesas de almoço com tópicos pré-definidos, permitindo que clientes de diferentes setores compartilhassem cases, dúvidas e sucessos na implementação da plataforma. Esse formato colaborativo provou que a Teradata prioriza o networking e a troca de experiências, indo além do tradicional “evento de tecnologia”.

O ponto crucial apresentado no evento foi a comprovação de que a Teradata deixou de ser sinônimo de “solução legada e cara” para se tornar uma plataforma de dados moderna, aberta e preparada para IA generativa, machine learning e workloads mistos (nuvem pública, nuvem privada, on-premise e edge).


3. Vantage: o novo coração da plataforma Teradata

Giovani explica que a Teradata está há quatro décadas no mercado de analytics, originalmente focada em processamento de grandes volumes para bancos e telecomunicações. Contudo, nos últimos cinco anos a empresa passou por uma metamorfose radical. O principal produto hoje se chama Vantage, uma plataforma completa que entrega capacidades de Data Warehouse, Data Lake, Lakehouse e Advanced Analytics num único ecossistema. A versão nativa em nuvem, chamada VantageCloud Lake, é 100% SaaS (software como serviço) e roda nas três maiores nuvens: AWS, Microsoft Azure e Google Cloud Platform.

A grande inovação técnica é o processamento MPP (Massive Parallel Processing) embutido diretamente no motor de banco de dados analítico, o que elimina a necessidade de mover grandes volumes de dados para camadas intermediárias. “Move-se o código até os dados, não o contrário”, explica Giovani, resultando em ganhos enormes de desempenho e redução de custos. A plataforma também suporta linguagens como Python e R dentro do próprio ambiente, além de extensões para pacotes Anaconda (parceria já consolidada). Adicionalmente, anunciaram o “Bring Your Own Analytics”, permitindo que clientes tragam modelos prontos (exportados em PMML, ONYX, ou outro padrão) e os executem diretamente no Teradata, sem reescrita de código.


4. Desmistificando custos: o case do cliente de transporte e eficiência real

Um dos pontos que gera maior resistência no mercado é a percepção de que a Teradata é uma plataforma cara. Giovani rebate esse mito com exemplos práticos: um cliente do setor de transporte registrou um crescimento de mais de 70% em seus workloads analíticos em oito meses, mas o custo permaneceu exatamente o mesmo. Isso foi possível graças a:

  • Modelo MPP + armazenamento em camadas (Bronze, Silver, Gold), que aloca dados quentes em discos de alta performance e dados frios em object storage mais barato.
  • Workload Management inteligente + recursos de FinOps integrados, que permitem monitorar e prever gastos por query, projeto ou departamento.
  • Processamento In-Database: como o código vai até os dados (ao invés de mover dados para a camada analítica), há menor consumo de rede e de CPU desnecessário.

Além disso, o modelo de negócios da Teradata mudou para atender empresas de todos os portes (SMB, Corporate, Enterprise), com opções pay-as-you-go na nuvem e capacidade de começar pequeno e escalar. O quickstarter junto com Dell (parceria para ambientes on-premise) e o suporte a GPU (Nvidia) para IA generativa tornam o ecossistema acessível também para companhias que exigem baixa latência ou residência de dados.


5. Híbrido: a tendência que veio para ficar (e por quê)

Embora o Brasil tenha avançado rapidamente na adoção de cloud pura, Giovani observa uma virada de chave global em direção ao modelo híbrido (on-premise + nuvem). Por quê? Dois fatores principais: custo e gravidade dos dados. Grandes empresas conseguem otimizar despesas ao manter workloads sensíveis ou de alto volume em ambientes on-premise, onde podem comprar energia via leilão e ter Capex previsível, enquanto usam a nuvem para elasticidade e inovação rápida. A Teradata já oferece sua plataforma tanto em nuvem quanto em on-premise containerizada (VMware, bare metal), com as mesmas funcionalidades analíticas, governança e capacidade de integração via federação de dados.

Outro exemplo: no México, a regulação impede que dados financeiros governamentais migrem totalmente para nuvens estrangeiras, forçando um modelo híbrido. Na Argentina, a inflação e a volatilidade cambial geram receio com custos incontroláveis na nuvem. A América Latina caminha para um “balanceamento” entre nuvem e ambientes locais – e a Teradata está preparada com conectores nativos, pushdown de queries (para Redshift, BigQuery, Synapse, etc.) e clearScape (conjunto de funções analíticas integradas).


6. Integração total: federated query, open table formats e GPU

A evolução mais comentada no Possible 2024 foi o suporte a formatos de tabela abertos (Open Table Formats). A Teradata agora trabalha nativamente com Iceberg, Delta Lake e Hive, permitindo que um mesmo dado seja acessado por diferentes engines (Spark, Trino, etc.) sem lock-in. Além disso, a federação de dados permite que o Vantage faça pushdown de código Python, R ou SQL para outras plataformas (BigQuery, Synapse, Redshift) – ou seja, você não precisa mover todos os dados para dentro do Teradata, pode consultá-los onde estiverem, com desempenho otimizado.

Outra novidade impactante: processamento com GPU (via parceria Nvidia + Dell) e integração com a Hugging Face para rodar Large Language Models (LLMs) diretamente no Teradata. Modelos completos de GenAI podem ser importados, executados com CPU ou GPU e combinados com dados analíticos empresariais, gerando respostas rápidas e personalizadas. Também foi lançado um pacote nativo de funções de IA generativa: análise de sentimentos, conversão de speech-to-text, mascaramento de PII em tempo real, entre outros. Tudo isso disponível tanto em cloud quanto on-premise, com atualizações mensais (ciclo de engenharia reduzido).


7. Capacitação e academia Teradata: certificações gratuitas e conhecimento aberto

Um dos anúncios mais estratégicos para o ecossistema de parceiros (como a Jump) e clientes é a Teradata Academy. O programa oferece treinamentos extensivos, cursos sob demanda e certificações oficiais, muitos deles com custo zero até o final do ano. A ideia é formar profissionais no mercado, garantindo que haja mão de obra qualificada para implementar e operar o Vantage. A Jump, que já desenvolveu a ferramenta Migrate (automatiza a conversão de código SQL/Python de outras plataformas para Teradata), tem investido pesado nessa capacitação, tornando-se um dos parceiros com maior nível de especialização na América Latina.

Essa democratização do conhecimento tem o objetivo de eliminar outro medo comum: “se adotar Teradata, não terei analistas e engenheiros no mercado que dominem a ferramenta”. Com a popularização de Python, R e SQL padrão, somada à academia gratuita, a curva de aprendizado cai drasticamente.


8. A ferramenta Migrate (Jump + Teradata) e o futuro dos projetos de migração

É destacada a parceria de longa data entre Jump e Teradata. A JUMP desenvolveu a ferramenta Migrate, que acelera em até 90% a migração de workloads complexos (códigos, stored procedures, jobs) de sistemas como Oracle, SQL Server, Redshift, Synapse, etc., para o ambiente Teradata Vantage. O processo de conversão, que levaria semanas manualmente, é reduzido para alguns dias, pois o Migrate traduz automaticamente a sintaxe, otimiza consultas e gera código compatível com o MPP da Teradata. Giovani afirma que essa solução é um “diferencial gigante” para empresas com medo de investir tempo e recursos em reescrita de aplicações, e a ideia é que no futuro a ferramenta seja ainda mais integrada ao portfólio oficial Teradata.


9. Cultura consultiva e governança: o fim do “elefante branco”

Um tema que atravessou toda a conversa foi a abordagem consultiva da Teradata, em parceria com a Jump. Em vez de pressionar o cliente a abandonar todas as ferramentas atuais, a equipe orienta qual workload faz sentido rodar no Vantage e qual pode continuar em outras plataformas (Spark, BigQuery, etc.), integrando via federação. Giovani enfatiza que muitas empresas estão usando Python para fazer operações que seriam muito mais eficientes em SQL nativo; o time de especialistas então ajuda a refatorar o código, melhorando performance e reduzindo custo. Esse movimento também resgata boas práticas de governança: documentação, catálogo de dados, linhagem e qualidade, fundamentais para que IA (inclusive GenAI) seja aplicada com confiança.


10. Possível 2024: EBC (Executive Briefing Center) e imersão em San Diego

Durante a viagem, Giovani conheceu o headquarter da Teradata em San Diego, onde acontecem programas de imersão (EBC) para executivos e times técnicos. Clientes podem levar seus próprios dados, realizar POCs, testar upgrades críticos e interagir diretamente com os chief product officers (como Daniel Spurling e Hillary). Essa experiência diferenciada, que dura de dois a três dias, ajuda a quebrar paradigmas e criar confiança na plataforma. A equipe da Jump também agradeceu a Patrícia, KC e Dani, executivos da Teradata que proporcionaram essa vivência e estreitaram a relação entre as companhias.


11. Tendências para 2025: GenAI acelera, mas o desafio é “como” e “para quê”

Para Giovani, 2025 será marcado pela continuidade da IA generativa como “carro-chefe”, mas com uma mudança importante: as empresas deixarão de fazer projetos de marketing e começarão a exigir entregas reais de valor em semanas, não meses. A demanda por perfis como “curadores de informação” e especialistas em prompt engineering e fine-tuning de LLMs crescerá. Ele acredita que a Teradata, com seu suporte a Vector Database, integração Hugging Face e processamento híbrido (CPU/GPU), está posicionada para ser a base de dados analítica para esses projetos, unindo dados transacionais, históricos e não estruturados de forma governada. “O negócio detém o conhecimento do dado; precisamos dar a eles uma interface em linguagem natural e respostas confiáveis, sem depender 100% da TI.”


12. Conclusão e próximos passos: como acompanhar Teradata e Jump

Giovani finaliza convidando a audiência a segui-lo no LinkedIn, onde publica regularmente novidades técnicas, cases e eventos. A Teradata lançará uma série de webinars curtos (15–20 minutos) para demonstrar funcionalidades específicas do ClearScape e do VantageCloud, mantendo o foco em conhecimento prático e rápido. Thiago reforça que a Jump está disponível para apoiar empresas em toda a trilha de adoção: desde a análise de migração com a ferramenta Migrate, passando pela capacitação de times, até o suporte contínuo em projetos de analytics, IA e governança de dados. O relacionamento é próximo e as equipes da Teradata (Brasil, Argentina, Colômbia, México) estão alinhadas para atender de forma ágil. “Contem com a gente”, finaliza Giovani.