A Jornada de Laís Macedo: De Andradas (MG) à Liderança em Networking
Laís Macedo é mineira de Andradas, uma cidade de 35.000 habitantes que, em sua juventude, parecia pequena demais para seus sonhos. Hoje, ela resgata esse jeito mineiro de se relacionar – humano, autêntico e acolhedor – como base de seu trabalho. Aos 18 anos, mudou-se para São Paulo com muitos sonhos e poucas referências, mas com uma vontade imensa de fazer acontecer. Foi na capital paulista que construiu sua trajetória: 13 anos de carreira dentro do LIDE e, há três anos, lidera sua própria plataforma de networking, o Futures Now.
Dois Momentos que Definem a Importância do Networking
Laís identifica dois marcos cruciais em sua jornada: um para entender a importância do networking e outro para aprender a viver o networking de fato. O primeiro ocorreu logo em sua chegada a São Paulo. Em uma apresentação na faculdade, uma colega mencionou um sobrenome que a professora reconheceu imediatamente. Laís percebeu que pessoas com lastro, família ou colégio de referência em São Paulo começavam a trabalhar enquanto ela "vendia dor de leite". Ela entendeu que São Paulo é a terra do QI (Quem Indica) e que precisava construir suas próprias conexões. Seu laboratório foi a faculdade: sentava no meio da sala, fazia trabalhos com grupos diferentes, tornou-se representante de classe, de curso, presidente da comissão de formatura. Até hoje, colhe frutos dessas relações – pessoas que estudaram com ela lembram da "mineira" que levava a comissão a sério.
O segundo marco foi mais doloroso, mas transformador. Já como gerente do LIDE com 24 anos, Laís acreditava que seu cargo e sua credencial bastavam para ter networking. Até que, em uma ligação para um cliente presidente de uma multinacional, ele a interrompeu: "Você não tem sobrenome?" e desligou. Aquele momento foi um choque. Ela entendeu que, se fosse demitida no dia seguinte, perderia tudo o que achava que tinha. A partir daí, compreendeu que só estar em um espaço não é suficiente – é preciso fazer algo com ele, construir relações genuínas que transcendam um cargo.
Networking como Estratégia: Muito Além de Conexões e Contatos
Laís observa que o conceito de networking foi banalizado. Hoje, há uma profusão de fórmulas mágicas, grupos rasos e uma abordagem extrativista – focada em "como eu me beneficio" e "o que posso tirar do outro". Ela critica a confusão entre conexão e acesso: ter 6.000 contatos no celular não significa ter 6.000 acessos. Acesso se constrói com confiança e relação profunda, e um CNPJ só existe porque é antecedido por um CPF.
Para Laís, networking é via de mão dupla. Ela prefere o termo netweaving – um networking da nova economia, onde se dá antes de tirar, sem esperar algo em troca, porque é nessa multiplicação que todos crescem. É o que sua rede faz por ela quando ela não está presente. Ela lamenta que as pessoas hoje não tenham paciência, intenção ou profundidade para enxergar o networking como um ativo estratégico, tratando-o apenas como uma ferramenta de performance.
O Nascimento do Futures Now: Um Grupo de Relacionamento com Propósito
O Futures Now nasceu em 2022, antes do hype da IA, como uma manifestação daquilo que Laís acredita sobre relações humanas e networking. Durante seus anos no LIDE, ela sentia que, apesar de toda a potência dos espaços de influência, não se fazia negócios na proporção que se poderia, e as trocas não tinham a densidade que ela desejava. Ela queria um networking mais profundo, que não começasse e terminasse em um evento.
O lançamento foi marcado por um gesto simbólico: 264 cartas escritas à mão, cada uma com uma mensagem diferente, endereçadas a pessoas próximas, junto com um boné nominal. Laís não tinha orçamento, mas tinha intenção e afeto para oferecer. O primeiro evento ocorreu no Museu do Ipiranga, um contraste proposital para lembrar que o futuro já chegou e que não se deve viver apenas no futuro.
Curadoria e Propósito: O Trabalho Invisível das Comunidades
Laís enfatiza que liderar uma comunidade é dizer não – para pessoas, para valores e para dinheiro. O Futuros Now tem critérios claros de participação, e 100% dos indicados são entrevistados. O objetivo não é apenas verificar a disponibilidade financeira ou o cargo, mas entender os valores que guiam a pessoa. Quando alguém fala apenas em "preciso de mais clientes" ou "preciso bater meta", já está anunciando que não tem o DNA do ecossistema. Laís já fez entrevistas de até 3 horas para cavar a fundo e entender não só o que o grupo pode gerar para a pessoa, mas o que ela pode gerar para o ecossistema.
Ela ressalta que comunidade é um produto vivo, que se transforma em resposta aos membros. Quem dá forma à comunidade não é o líder, mas os membros. Se não houver alinhamento de valores, o grupo se desequilibra. Por isso, o trabalho de bastidor – de escuta ativa, sensibilidade e curadoria – é invisível, mas essencial.
A Nova Geração, a IA e a Perda do Relacionamento Humano
Laís compartilha a preocupação de Manuel com as novas gerações, que crescem cada vez mais digitais e distantes das relações humanas presenciais. Ela observa que quanto mais tecnologia temos, mais valor terão as experiências reais. Em um mundo onde tudo vira commodity, o grande diferencial dos negócios será a capacidade de se relacionar.
Ela critica o uso da IA para delegar elementos insubstituíveis do networking, como mensagens de aniversário ou cumprimentos. Receber um texto bem escrito, mas vazio, escrito por um GPT, não substitui uma mensagem genuína, ainda que simples. Laís faz questão de nutrir relações diariamente com pontos de contato humanos: comenta posts, parabeniza conquistas, pergunta como a pessoa está – tudo de forma autêntica.
A preocupação maior é com as gerações que estão perdendo a capacidade de lidar com conversas difíceis, dar e receber feedback, e se conectar no olho no olho. Laís vê uma epidemia de saúde mental ligada ao isolamento e à substituição do contato humano por telas e IA.
Dicas Práticas para Quem Quer Começar a Fazer Networking
Para quem deseja começar a fazer networking de forma intencional, Laís oferece duas dicas práticas e aplicáveis:
- Use o tempo que você já gasta nas redes sociais de forma diferente: em vez de apenas dar like, transforme a interação em ponto de contato humano. Pegue 10 stories, 10 posts no feed e 10 conteúdos do LinkedIn por dia e envie uma mensagem genuína para a pessoa. Uma palminha no aniversário é um gesto vazio; um direct com uma palavra sincera toca o coração. Esse pequeno hábito oxigena sua rede diariamente.
- Mapeie os espaços onde as pessoas que você admira estão: não se trata de estar em todos os eventos, mas de escolher com qualidade. Esteja presente, mas com tempo de qualidade para se relacionar. Não basta dar uma "passadinha" – é preciso sentar, conversar, ouvir. Laís conta que, em um evento de tecnologia, sentou ao lado de uma pessoa de uma organização que admirava, puxou conversa, e isso gerou um convite para participar de outros eventos. Se ela tivesse ficado no celular, nada teria acontecido.
Laís reforça que estar em uma roda onde você é o mais qualificado é um sinal de que está no lugar errado. É preciso buscar espaços onde se sinta desafiado, onde possa aprender e contribuir. E, acima de tudo, é preciso se submeter ao desconforto – dar oi, perguntar como a pessoa está, vencer a timidez. Se fosse fácil, não seria tão recompensador.
Como Encontrar Laís e o Futures Now
Laís está disponível em suas redes sociais: @laismacedo no Instagram e Laís Macedo Ribeiro no LinkedIn, onde mantém a newsletter "O Poder do Networking". O Futures Now pode ser encontrado como @futures.group no Instagram e Futures Now Group no LinkedIn, além do site oficial. Laís convida pessoas com intencionalidade, profundidade e desejo de fazer diferença a conhecerem o ecossistema e se aplicarem para fazer parte.