Confissões Consentidas - Ep. 35 - Yuri

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Introdução: Quem é Yuri?

No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas a Yuri, descrito como seu 'pequeno polegar', seu submisso e membro da House of Cruel – o que usa a coleira há mais tempo. A conversa começa com uma descrição visual detalhada: Yuri é um homem branco, baixinho (1,46m), com cabelo preto, bigode 'meio carioca', usando óculos, uma camisa preta com a frase 'Good boy' e um cadeado enferrujado no peito (que já esteve em praias e tem história). Ele se descreve como um 'fan boy branco'.

A Origem do Nome Yuri: Um Batismo no Starbucks

Antes de se chamar Yuri, ele teve quatro nomes – sendo o primeiro 'maneiro', e o segundo e terceiro 'muito cringes' (escolhas ruins de adolescente). O nome Yuri foi escolhido por acaso: trabalhando em um Starbucks (como 'garoto de programa' – fazendo bicos de informática, consertando computadores), ele precisava de um nome para colocar no pedido. Um atendente que nunca o tinha visto perguntou: 'E Yuri?', e ele respondeu: 'É, Yuri'. O nome tem significados variados – no Japão pode ser nome feminino ou se referir a lésbicas (yuri é um gênero de anime/mangá), e também tem origem russa, remetendo a Yuri Gagarin. Yuri achou que o nome 'combina com ele' e, no dia seguinte, mudou seus documentos – foi 'batizado no Starbucks com um café americano'.

Infância em Três Rios: Uma Criança Perguntadeira e 'Insuportável'

Yuri nasceu em Três Rios, uma cidade de 30.000 habitantes no interior do Rio de Janeiro, que ele descreve como 'absurdamente quente' – algo que ele detesta. Ele foi criado em uma 'família tribal', com forte influência de tias, avó e primos, que considera praticamente irmãos. Quando criança, ele era uma pessoa extremamente perguntadeira, ao ponto de estressar adultos – ele conta que 'apanhava' por perturbar a paciência dos outros.

Na escola, Yuri era bolsista em uma escola particular e 'extremamente nerd'. Os pais dos outros alunos gostavam dele, mas as crianças não – ele tinha mais inimigos do que amigos. Ele se descreve como uma criança insuportável e revoltada, que via a vida como uma novela: ele acordava e pensava em qual roteiro criaria para o dia, e colocava esses roteiros em prática. Por vezes, ele se divertia quando as pessoas tentavam praticar bullying com ele, pois descobriu muito cedo que gostava da humilhação e da dor.

O Episódio do Banheiro: A Descoberta do Prazer na Humilhação

O momento mais emblemático de sua infância aconteceu quando um grupo de meninos o encontrou no banheiro masculino (ele usava esse banheiro porque não usava saia e se identificava como menino, embora não soubesse que era trans na época). Os meninos não gostavam dele porque ele era amigo de uma menina popular, e eles achavam que ele a 'tornava lésbica'. Eles enfiaram sua cabeça na privada – uma cena digna de filme. Em vez de se sentir humilhado, Yuri sentiu prazer. Ele pediu: 'Faz de novo, que eu acho que eu posso ter gostado'. Os meninos foram embora putos, e Yuri ficou olhando para a privada, pensando: 'Será que eu encontro isso no Google?'. E encontrou – pornografia sobre o assunto. Foi assim que, aos 13 ou 14 anos, ele descobriu o BDSM e passou a pesquisar artigos científicos e livros sobre fetiches e contraculturas.

Adolescência: Checklist de Fetiches e Primeiras Práticas

Na adolescência, Yuri era extremamente ocupado: fazia escola semi-integral, curso técnico de informática, dois cursinhos preparatórios (em um dos quais dava aulas), e ainda arrumava tempo para explorar o BDSM. Ele e um amigo criaram um checklist de fetiches – Yuri anotava tudo que via em casa (ralador, cinto, tênis) e que tinha interesse em apanhar, além de fetiches que conhecia por nome. Ele e o amigo chegaram a praticar algumas coisas, mas Yuri não entra em detalhes para não expor o amigo.

A descoberta do prazer na dor veio desde muito cedo: ele percebeu que, quando adultos batiam nele como punição (ou inconscientemente, por estresse), ele sentia mais prazer do que desconforto. Ele via a frustração da pessoa que batia e isso o excitava. Yuri ressalta que essa descoberta é comum na infância/adolescência e que o óbvio precisa ser dito: não se trata de incentivar crianças a práticas sexuais, mas de reconhecer que a sexualidade e o prazer erótico se descobrem nessa fase.

Medicina: A Prova de Ego e a Fuga para a Biomedicina

Yuri estudou para passar em medicina – não porque queria ser médico, mas porque queria passar para amaciar seu ego de nerd e provar que era capaz de fazer qualquer coisa. Ele passou logo de primeira, para o choque de todos – ele esperava ficar mais um ano estudando. A família, de origem humilde, viu na aprovação a oportunidade de ter o 'filho médico'. Ele foi para o curso em uma cidade do interior perto de casa, mas odiou tudo: o curso, as pessoas, o universo. Além disso, ele tinha uma empatia muito forte que o tornava impróprio para a medicina. Em menos de um mês, já sabia que não queria fazer.

Seu verdadeiro desejo era biomedicina na UFRJ, onde estavam os professores que escreveram os artigos de neurociências que ele admirava. Coincidentemente, ele conheceu uma menina na faculdade de medicina que estava em dúvida se ficava ou ia para a UFRJ. Yuri a convenceu a ir, e acabou herdando a vaga dela na biomedicina (entrando pela última lista de chamada). Ele largou a medicina – para choque da família, que temia o Rio de Janeiro – e foi para a UFRJ, onde encontrou liberdade, diversidade e, finalmente, acesso a aplicativos de fetiche com gente real.

Vida no Rio, Pandemia e a Mudança para São Paulo

No Rio, Yuri explorou alguns fetiches, mas sua vida era caótica: ele era extremamente pobre, dividia o almoço em duas partes, passava o dia inteiro na faculdade (5h às 21h) conciliando iniciação científica, monitoria e consertos de computadores. Se envolveu com alguém da faculdade por conveniência, mas foi apenas quando se mudou para São Paulo em 2020 que ele realmente mergulhou no fetichismo.

Ele foi contratado por um grande conglomerado de saúde para ajudar na tomada de decisões durante a pandemia. Uma história curiosa: ele odiava preencher planilhas de Excel com dados de infectados para o Ministério da Saúde. Para evitar o trabalho, criou uma automação que fazia isso sozinha – e essa automação foi doada ao Ministério da Saúde e usada para gerar os números oficiais da pandemia.

Mastectomia, Testosterona e a Fase 'Piranha'

Em São Paulo, Yuri passou por um período difícil com colegas de apartamento que fingiam ser amigos, mas o excluíam. O auge foi quando ele fez a mastectomia (cirurgia de retirada das mamas) e, durante a recuperação, os colegas viajaram e trancaram seus quartos, deixando o acompanhante de Yuri dormir no sofá – mesmo ele pagando o mesmo aluguel. Foi um dos momentos mais cruéis de sua vida.

Após a mastectomia, Yuri não podia nadar (sua válvula de escape para gastar energia) e a testosterona sobrou. Ele entrou em uma fase de imensa piranhagem, explorando todos os fetiches possíveis. Em um caso icônico, ele encontrou um cara no FET a 300 metros de distância, às 1h da manhã. Yuri pediu documentos, nome de referência, avisou uma amiga, e foi 'de quatro' até a casa do cara. Durante o fisting vaginal, o cara viu sangue, desmaiou (identificou o sangue como se fosse seu, entrou em choque), e Yuri, como biomédico formado, precisou socorrê-lo – colocou os pés para cima e o reanimou. A 'máscara de malvadão' do cara caiu, ele cozinhou macarrão com abobrinha para Yuri, e eles se tornaram amigos, malhando juntos e usando um colar de chave da Sailor Moon como sinal de que Yuri queria receber ordens.

A Transição de Gênero: A Descoberta e a Aceitação

Yuri se descobriu homem trans tardiamente, pois não tinha disforia corporal intensa – seu desconforto era parecer muito jovem, não exatamente com o gênero. Ele começou a tomar testosterona para parar de parecer uma criança de 12 anos. A virada de chave veio assistindo a RuPaul's Drag Race – ele percebeu que vivia 24/7 em uma drag feia, usando roupas dos primos, repetitivas e sem identidade. Ao se aceitar como trans, ele passou a se sentir confortável para explorar sua feminilidade, e jogou fora as camisas polo para comprar saias – ironicamente, ele só conseguiu abraçar o feminino depois de se sentir seguro no masculino.

O 'Saindo do Armário' com a Família

O momento em que Yuri contou à família que era trans foi 'épico'. Ele estava há quase um ano sem visitar Três Rios. No Natal, pediu que a família se reunisse na mesa e disse: 'Negócio é o seguinte: eu me reconheço como um homem. Meu nome é Yuri. Gostaria que vocês me chamassem assim'. A mãe, que esperava algo terrível (doença, problema), deu um suspiro de alívio: 'Achei que era algo sério'. Ela o comparou ao personagem de uma novela. A partir daí, sua mãe – que é 'meio vereadora' – saiu apresentando Yuri a todos como seu filho. A família, grande e diversa, se mobilizou para corrigir os pronomes uns dos outros. O único 'conflito' foi quando seu tio insistiu que ele comesse carne no churrasco, chamando o veganismo de 'influência da cidade grande' – mas, ironicamente, três anos depois, Yuri virou vegano e sua mãe passou a entender (erroneamente) que 'V' em LGBT é de vegano.

Jogo Rápido: Perguntas e Respostas

  • Cor: Azul.
  • Medo: Que seu futuro filho adotivo não goste de música (pois seria uma desconexão profunda).
  • Sonho: Ser rico (ter estabilidade financeira).
  • Superpoder: Controlar os elementos.
  • Ator para interpretá-lo no cinema: Milos Maquena (ator trans que fez poucas séries, mas é 'uma delícia').
  • Prática fetichista que não fez mas tem vontade: Gang bang (complicado) e mumificação (mais plausível).
  • Mudaria algo na história? Sim, mas não revela o quê.
  • Pergunta que gostaria que tivesse sido feita: Não sabe criar perguntas.
  • Quem é Yuri por Yuri: Um louco, mas consciente.

Considerações Finais e Onde Encontrar Yuri

Yuri não tem redes sociais próprias. Ele aparece frequentemente no Instagram e no Privacy de Mestre Cruel, e também nas redes de sua amiga Lu (@lilufox). Mestre Cruel brinca que Yuri só é reconhecido quando está com ele – e que o superpoder de Yuri fora disso é a invisibilidade. O episódio termina com a despedida 'Ciao' e o convite para que o público curta, comente, compartilhe e siga o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp), além de acessar o site mestrecruel.com ou a rede social Kinggram.