Confissões Consentidas - Ep. 28 - João Alves

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Introdução: Quem é João Alves?

No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas ao convidado João Alves. A conversa começa com uma descrição visual: João é moreno, estatura mediana, bastante barbudo (barba preta), cabelos pretos, vestindo uma regata off-white, um colete de couro, calça preta e botas de couro. Natural de uma cidade com apenas 3.600 habitantes no interior de Goiás, João se mudou para Goiânia aos 17 anos para estudar Direito, profissão que exerceu até o final do ano anterior, embora se sentisse infeliz. Ele largou tudo para viver seu amor em São Paulo e buscar novas oportunidades.

Infância e Adolescência no Interior de Goiás

João descreve sua infância como tranquila e introvertida. Era uma criança calada, que não dava trabalho aos pais, ao contrário de sua irmã. Cresceu na roça, em meio à cultura do agronegócio – sua família tem fazendas, seu pai e avós sempre viveram nesse meio. Ele sempre foi muito na sua, e até hoje, apesar de ter uma vida extremamente social por causa do trabalho, nos momentos de folga prefere ficar em casa, quieto, sem fazer nada.

Descoberta Tardia da Homossexualidade

João se descobriu homossexual tardiamente, entre os 25 e 26 anos, já morando em Goiânia. Antes disso, ele não tem memória de sentir atração por homens na infância ou adolescência – diferentemente de muitas pessoas que relatam experiências precoces ou desejos por figuras como o 'cowboy montando no cavalo com cinto de fivela grossa'. Suas primeiras experiências sexuais (inclusive com mulheres) também foram tardias, depois dos 18 anos. Inicialmente, ele se identificou como bissexual, pois transitava entre homens e mulheres, mas hoje se considera homossexual.

O 'gatilho' para sua descoberta foi um amigo do trabalho. Saindo do expediente, marcaram de tomar uma bebida na casa dele, e após algumas doses, se beijaram e 'rolou'. João enfatiza que não há na sua memória nenhuma atração anterior que pudesse ter previsto aquilo.

Relação com a Família e o Trabalho com Conteúdo Adulto

Sua família não sabe que ele produz conteúdo adulto. Eles presumem que ele é homossexual (já que ele é casado com Rafael), mas não têm conhecimento de sua atuação como produtor de conteúdo fetichista e pornográfico. Quando perguntam como ele ganha dinheiro, a desculpa é que ele veio para São Paulo para estudar – o que é verdade em parte, já que cursa Nutrição e Educação Física (duas faculdades).

A Transição para São Paulo e a Mudança de Vida

João trabalhava em Goiás quando teve um burnout severo. Ele já vinha a São Paulo a cada 15 dias (de avião, pois a viagem de ônibus dura de 16 a 18 horas) para conciliar as faculdades. Exausto, ele decidiu vir de vez, pegando o Rafael (seu companheiro) de surpresa. Começou um estágio em uma academia, mas logo saiu porque as coisas começaram a acontecer muito rápido, sem ele buscar. Rafael brinca que João está 'em todos os lugares ao mesmo tempo'. Em pouco tempo, João se tornou presença VIP em festas, performer, viajando pelo Brasil inteiro para fazer performances e atendimentos. Ele nunca buscou ativamente; as oportunidades vieram naturalmente, uma atrás da outra.

A Entrada no Mundo Fetichista Através de Rafael

O fetichismo entrou na vida de João através de Rafael, seu atual companheiro e marido. Eles se conheceram em um grupo de WhatsApp de cowboys (não o grupo 'Gay BDSM Brasil'), que era fetichista. João entrou no grupo, mas saiu porque o pessoal conversava muito. Rafael foi atrás dele para conversar, e desde então nunca mais pararam de trocar mensagens. Durante o período em que se falavam à distância, Rafael teve dois outros relacionamentos. Até que, finalmente, João aceitou o convite para visitá-lo – mesmo com muito medo, pois era um 'menino da roça' receoso de ser morto e jogado fora. Quando chegaram as férias, ele comprou a passagem, foi, e desde aquele dia nunca mais se separaram.

O Início como Submisso e a Evolução

No começo, a relação era estritamente de D/s (Dominação e submissão), com João no papel de submisso. Com o tempo, a dinâmica se ressignificou. Hoje eles são marido e marido, e a relação em relação ao fetiche mudou bastante. Tudo o que João aprendeu sobre fetiche foi com Rafael, mas ele evoluiu e se descobriu em outras práticas que não conhecia.

Descoberta de Novos Fetiches e Práticas

João menciona que aprendeu e passou a gostar de práticas como fisting. Sua primeira experiência física com fisting foi com Florian (ex-participante do Mr. Fetiche Brasil, a quem Mestre Cruel deixa um card de indicação). Ele já fez fisting tanto ativo quanto passivo – 'os dois'.

Outras práticas que João menciona:

  • CBT (Tortura dos Genitais Masculinos) – sua prática fetichista favorita.
  • Ballbusting (agressão nos testículos).
  • Shibari (amarração japonesa).

Como submisso, ele gosta dessas práticas. Como dominador – que é o papel que exerce profissionalmente – ele também curte as mesmas práticas, sem grande distinção. Ele afirma que 'encarna bem' o papel, algo que Mestre Cruel admira, pois exige um desprendimento complexo.

Limites Rígidos e Ética nos Atendimentos

O único limite rígido de João é hematoma (sangue) – para ele, isso já é o extremo, algo que não pratica. Além disso, ele nega atendimento a pessoas que usam aditivos (drogas), pois não usa nada e tem medo de que as coisas saiam do controle. Fora isso, ele não faz distinção por padrão físico, estética, gênero ou orientação sexual. João atende homens, mulheres, transsexuais, e já gravou conteúdo com a mulher de sua produtora. Ele se identifica como uma pessoa bissexual orientada (bi, mas com preferência por se relacionar com homens).

Carreira como Produtor de Conteúdo e Boy Interativo

João começou a produzir conteúdo gravando com Rafael em casa, inicialmente para matar a saudade do relacionamento à distância. Abriram um fansite, e todo o dinheiro que entrava era usado para comprar passagens para que João pudesse ir a São Paulo. Com o tempo, pessoas começaram a pedir para gravar com ele, mas no início ele só gravava com Rafael. Depois que se mudou de vez, aceitou sua primeira colaboração (com Victor Nala, hoje um grande amigo), que ele brinca ter sido 'horrorosa'. No início, o conteúdo era exclusivamente fetichista; hoje ele produz tanto conteúdo baunilha (convencional) quanto fetichista, sendo que o fetichista continua sendo sua essência.

Boy Interativo: Funcionamento e Ética

João também trabalha como boy interativo em festas, casas e saunas. Ele explica que depende da contratação: alguns lugares deixam claro que o profissional não é obrigado a interagir com todo mundo, outros exigem que 'faça tudo'. A primícia de João é: se a pessoa está contratando para isso, ele não tem distinção. Ele interage sexualmente, conversa, e não fica restrito a um padrão físico ou estético. Ele sente tesão por todo mundo, independentemente de gênero ou aparência. Mestre Cruel brinca que João é um 'adolescente em anos gerais de tesão', pois se descobriu tarde e agora está com 16-17 anos de desejo reprimido vazando.

Atendimentos Profissionais: Dominador

João faz atendimentos particulares (sessões tributadas) exclusivamente como dominador. Ele confessa que, como submisso, tem medo. Justifica que nem todo mundo sabe fazer as coisas direito – para bater, é preciso saber os pontos e onde apertar. Além disso, a submissão é um estado de vulnerabilidade, e em um contexto profissional, as pessoas geralmente querem estar no controle. Ele nega clientes apenas nos casos citados (aditivos), nunca por questões estéticas.

Planos para o Mr. Fetiche e Reflexões sobre a Comunidade

João inicialmente diz que não está preparado para ser um futuro Mr. Fetiche, mas Mestre Cruel o encoraja, dizendo que ele seria um excelente representante e que até se oferece para ser seu 'coach' ou até mesmo seu 'sash dad' (uma referência a Robert, uma figura pioneira da comunidade leather que se afastou da cena). João brinca que tem medo de não entregar o que esperam, e que o mais difícil seria a constância após ser eleito. Mestre Cruel, que já foi Mr. Fetiche, rebate que João tem o melhor 'sash dad' possível – seu próprio marido Rafael.

João também reflete sobre a cena internacional: ir para o International Mr. Leather é muito difícil e caro ('qualquer viagenzinha é 4 ou 5 mil'), e a cena é predominantemente estrangeira. Mas ele concorda com a máxima de Mestre Cruel: 'quem faz a faixa é você, não a faixa que faz você'.

Jogo Rápido: Perguntas e Respostas

  • Cor: Azul.
  • Sonho: Crescer mais na profissão, nesse meio.
  • Medo: Da morte.
  • Superpoder desejado: Invisibilidade.
  • Ator para interpretá-lo no cinema: Henrique Castelo (é fã e já o conheceu pessoalmente).
  • Pessoa que mais admira (viva ou morta): Seu pai, por sua trajetória de vida, de onde veio e o que tem hoje, mesmo sendo uma pessoa sem estudo nenhum.
  • Maior extravagância: Ter largado sua antiga vida para vir para São Paulo e conhecer o Rafa.
  • Prática fetichista que não fez mas tem vontade: Um gang bang organizado com muitas pessoas (não a 'desordem' das festas). Mestre Cruel se candidata na hora a participar.
  • Limite rígido: Hematoma (sangue).
  • Como se descreve (João por João): Um cara sonhador, generoso, autêntico, um pouco estressado, que vive na correria e na loucura.

Considerações Finais e Onde Encontrar João Alves

João Alves encerra agradecendo e deixando suas redes sociais, com um alerta: ele perdeu contas recentemente (13 contas). A gravação é em 4 de dezembro de 2025, então as redes podem ter mudado. O Instagram atual é @j.oficial e o Twitter é @joao_alvesofc (de 'oficial'). Ele tem conteúdo de assinatura no Privacy e no OnlyFans, e está migrando para o JustForFans (JFF), uma plataforma com diretrizes mais flexíveis que permite postar práticas mais extremas, diferentemente do Privacy, que é mais rígido. Mestre Cruel reforça o pedido para que o público curta, comente, compartilhe, siga o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp) e, em caso de queda das redes, acesse o site mestrecruel.com ou a rede social fetichista Kinggram. O episódio termina com um descontraído 'beijo' e 'tchau'.