Alan Oliveira | O Futuro das entregas não tem humanos!

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Origens e Início de Carreira: O Rebelde do ABC e a Paixão pela Logística

Alan Oliveira é um "garoto do ABC" que, na década de 90, fugiu do sonho tradicional de ser metalúrgico em uma montadora para se aventurar na área de TI. Hoje, com 49 anos, pai de duas filhas (26 e 20 anos) e casado há 27 anos, ele carrega uma trajetória que começou aos 22 anos, quando ingressou no mundo do desenvolvimento de software.

Seu primeiro grande projeto foi para a Pancary (hoje a maior corretora de seguros da área de transporte). Foi nesse projeto que Alan se apaixonou pela logística. Ele explica que, quando não se conhece bem o setor, acha-se que é apenas "caminhão rodando". Mas, na verdade, há todo um processo interno que é apaixonante e viciante. Alan teve o privilégio de participar da criação do Pancard (atual Rood Card), acompanhando de perto a evolução do mercado.

A Evolução da Carreira: Da Pancary à Secoia e a Explosão do E-commerce

Alan foi convidado por um vice-presidente de TI que também era empreendedor para desenvolver uma empresa de logística para meios de pagamento. Nesse segmento, além do processo logístico tradicional, há todo um processo de produção (PCP) envolvido. Ele ajudou a desenvolver toda a parte de logística, desenvolvimento e integração de meios de pagamento.

Posteriormente, foi para a Secoia, após uma aquisição (M&A). Lá, além de meios de pagamento, ele começou a atuar com bens de consumo e e-commerce, que estava explodindo no Brasil. Alan teve o privilégio de participar ativamente da explosão do e-commerce durante a pandemia, um período de transformação acelerada no setor.

Projetos de Sucesso: O Controle de Spare Parts e a Discrepância de Inventário

Um dos grandes êxitos da carreira de Alan foi um projeto de controle de spare parts (peças) para maquininhas de pagamento. Essas máquinas possuem uma árvore de produtos complexa (capa, bateria, cabo, etc.) que exige controle rigoroso de entrega e reversa (produtos com defeito são trazidos para reparo). O projeto envolvia a gestão de itens em comodato, aluguel ou venda.

O resultado foi impressionante: enquanto o concorrente (uma multinacional) teve 12% de divergência em seu inventário, a equipe de Alan alcançou apenas 1%. Esse tipo de resultado gerou reconhecimento interno, valor externo (clientes) e, consequentemente, a conquista do prêmio de melhor fornecedor por parte de alguns clientes.

O Motor da Transformação Logística: Confiança, Tecnologia e Redução de Custos

Alan identifica a confiança como o principal motor da transformação logística. Você só compra em um marketplace se confia que ele vai entregar. E o marketplace só contrata uma empresa de logística se confiar que ela vai atender o cliente. A tecnologia, especialmente a IA, foi fundamental para construir essa confiança, permitindo a maximização de rotas e a validação de parceiros.

Outro fator crucial foi a evolução das evidências de entrega. Com tecnologia (celular, cobertura de telefonia), é possível obter fotos, assinaturas e geolocalização, protegendo tanto o cliente quanto a empresa contra fraudes. O maior custo da logística é a entrega improdutiva – quando o entregador bate na porta e o destinatário não está. Para resolver isso, aplicativos de rastreamento e notificação (como "você é o próximo da fila") avisam o cliente, que se prepara para receber. Isso reduz drasticamente as visitas improdutivas e seus custos associados.

A Mudança de Paradigma: Frete Pago vs. Velocidade de Entrega

Alan confirma uma mudança significativa no comportamento do consumidor. Antigamente, o valor do frete era uma barreira. Hoje, o mercado entendeu que o preço do frete é irrelevante se a entrega for rápida e confiável. Pagar R$ 20 por uma entrega no mesmo dia é muito mais barato do que se deslocar, enfrentar trânsito e pagar estacionamento. O tempo tornou-se um ativo de valor inestimável.

As empresas passaram a oferecer diferentes níveis de serviço: frete grátis para entrega no dia seguinte (aproveitando rotas já pagas) e frete pago para entregas urgentes. O consumidor aceita pagar sabendo que vai receber. A relação de confiança é o que viabiliza essa lógica.

Liderança de Times de Desenvolvimento: Método, Orgulho e Conhecimento da Operação

Alan compartilha lições valiosas sobre liderar times de desenvolvimento em operações de missão crítica. Ele destaca a importância de ter analistas que vieram da operação, que conhecem os "pulos do gato" e as manobras que os usuários fazem na ponta. Além disso, ele enfatiza a necessidade de método – para que o time funcione mesmo sem a presença constante do líder.

Uma frase marcante: "Se o que você está entregando não te dá orgulho, não entregue." O time deve ter orgulho do que produz, e o senso crítico é fundamental. Alan também destaca que o time precisa conhecer a responsabilidade financeira do que faz: saber o valor do cliente no faturamento, o custo de uma esteira parada por 30 minutos e o impacto de uma divergência de inventário. Dividir a responsabilidade com o time é essencial.

A Responsabilidade na Era da IA: A Técnica é Commodity, a Responsabilidade é Humana

Alan aborda um ponto crucial sobre o uso de IA no desenvolvimento de software: se codificar virou commodity, a responsabilidade pelo código continua sendo da empresa. A IA pode gerar código rapidamente, mas a multa por um processo executado errado não é da IA – é da empresa que usou a IA. Ele faz uma distinção clara entre criar uma aplicação para brincadeira e desenvolver um sistema para uma operação de missão crítica (como endereçamento de pacotes).

Para Alan, o futuro da logística está na excelência no atendimento, com o humano no loop (Human-in-the-Loop). A IA serve para classificar, filtrar, trazer insights e melhorar o atendimento, mas a entrega final, o agradecimento, a pontualidade e a capacidade de tirar dúvidas são diferenciais humanos. A tecnologia não substitui o humano; ela agrega valor à experiência do cliente.

IA Aplicada à Logística: Insigths, Data Lakes e a Jornada Completa

Alan vê a IA como uma ferramenta poderosa para gerar insights a partir de dados não estruturados, algo que os humanos muitas vezes não têm tempo para processar. No entanto, ele ressalta que apenas quem entende de negócio sabe o que pedir para a IA. Quem não conhece a operação não sabe quais perguntas fazer. A IA é excelente para sugerir mudanças, mas a decisão final deve ser tomada por humanos, com base em seu conhecimento do contexto.

Ele defende o uso da IA em jornadas completas, conectando peças de um Lego, em vez de usos pontuais e desconectados. Por exemplo, na logística indoor, a IA pode ajudar a repensar a movimentação de pessoas dentro do CD, reposicionando produtos de alto giro em locais mais acessíveis, o que gera economia significativa de tempo e custo.

Network: O Pilar de uma Carreira de Sucesso

Alan é enfático: toda sua carreira foi construída por meio de network. Ele foi para a Pancary por indicação, mudou de empresa por convite de um vice-presidente, foi para a Secoia por network e está na empresa atual também por indicação. Ele destaca a importância de não ser interesseiro, mas interessante. A frase que define sua filosofia: "A coisa mais importante que alguém pode te dever é um favor, mas você tem que fazer o favor para ajudar, não para cobrar."

O network genuíno abre portas que um diploma jamais abriria. Alan aconselha a estar disponível, oferecer ajuda genuína, entender a situação do outro e não apenas enviar mensagens superficiais. As conexões verdadeiras geram relacionamentos duradouros, que são a base para novas oportunidades e para a conquista de mesas que você jamais esperaria sentar.

Especialização em Logística: O Labirinto que se Navega Melhor com Foco

Alan oferece um conselho valioso para empresários do setor: especialize-se. A logística tem infinitas ramificações – e-commerce, meio de pagamento, bens de consumo, carga pesada, etc. Cada nicho tem suas próprias características: equipamentos específicos, horários, desafios (como entregas em supermercados com filas e perecíveis), e lógicas de estoque (FIFO, FEFO).

Misturar nichos diferentes pode quebrar todo o ciclo logístico. O que funciona para um segmento pode não funcionar para outro. Alan recomenda que as empresas entendam seu nicho, sua frequência, seu custo, seus parceiros e sua rota. Ele questiona decisões como ter um CD em um local apenas porque o dono mora lá, ignorando que o mercado-alvo está em outra região. A especialização é difícil, mas é o que permite navegar melhor no labirinto logístico.

Recado Final e Onde Encontrar Alan

Alan deixa um recado claro: procura se especializar em um nicho da logística e usa tecnologia, especialmente sistemas como WMS, TMS e ERP, para melhorar a eficiência. Ele está disponível para tirar dúvidas e trocar ideias sobre processos logísticos.

Para entrar em contato com Alan, o canal principal é o LinkedIn (Alan Oliveira). Ele se coloca à disposição para conversar, sem compromisso, sobre logística, sistemas e desafios do setor.