A Comunidade que Influencia o Futuro: Inteligência Coletiva, SAP e Transformação Digital

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Introdução: Celebrando a Edição 100 do ASUG News

Neste bate-papo especial, a diretora de relações internacionais da ASUG, Kelly Teixeira, entrevista o presidente da comunidade, Cláudio Fontes, para celebrar um marco histórico: a edição de número 100 do ASUG News. A conversa vai além da simples comemoração de um centenário de uma revista, mergulhando na transformação profunda de uma comunidade que acompanhou a evolução da tecnologia e do mercado ao longo de décadas, consolidando-se como um hub de inteligência coletiva e um registro vivo da história do ecossistema SAP.

A Edição 100: Muito Além de um Número

Para Cláudio Fontes, a edição 100 do ASUG News representa a consolidação de uma jornada construída ao longo de décadas. Mais do que uma revista com um número excepcional, ela simboliza o registro de uma comunidade que evoluiu junto com a tecnologia, o mercado e as próprias empresas. O ASUG News transcendeu sua função original de um registro pontual para se tornar um 'registro vivo da história', capturando as transformações e os aprendizados de um ecossistema em constante mudança.

A Transformação Mais Profunda da ASUG: Do Operacional ao Estratégico

Quando questionado sobre a mudança mais profunda na ASUG em 20 anos, Fontes aponta, sem hesitar, a mudança de mindset. No início, a comunidade era muito focada em aspectos técnicos e operacionais de sustentação. Com o tempo, o uso da tecnologia, que era o foco inicial, direcionou-se para o mundo estratégico.

A discussão deixou de ser 'como implementar' para se tornar 'como gerar valor da tecnologia para os nossos negócios'. Essa mudança de foco representa a essência da evolução da ASUG e do próprio mercado, onde a tecnologia deixou de ser um fim em si mesma e passou a ser um meio para impulsionar resultados e objetivos de negócio.

O Marco da Virada Estratégica

A consolidação dessa virada, segundo Fontes, ocorreu a partir da consolidação do ecossistema SAP em relação à plataforma ECC, por volta de 2018 a 2020. Foi nesse período que as empresas começaram a olhar mais intensamente para o aspecto estratégico da tecnologia, criando uma simbiose entre tecnologia e operações. Essa relação fez com que a tecnologia deixasse de ser um mero suporte para orientar os objetivos da companhia, ora tracionando, ora sendo naturalmente impulsionada pela própria necessidade do negócio. Este é, na visão do presidente, o marco principal para onde a comunidade tem dedicado a maior parte de seu tempo.

O Posicionamento da ASUG: Influenciadora de Decisões

Atualmente, a ASUG não reage passivamente ao mercado: ela está voltada para a influência de decisões. Através do relacionamento com a diretoria executiva, o conselho, a SAP e todos os seus parceiros, a comunidade conquistou uma voz ativa. Esta voz é alimentada por insights e trocas de experiências que ajudam a polir e melhorar continuamente a estratégia de todo o ecossistema, impactando diretamente as decisões e a utilização de informações para impulsionar as tomadas de decisão.

A ASUG como um Hub de Conectividade

A concepção atual da ASUG, compartilhada por sua liderança, é a de um hub de conectividade com o ecossistema. Ela atua como um canal extremamente importante para captar o que os associados estão buscando, promovendo a troca de informações com a SAP e os parceiros. Esse trabalho colaborativo, descrito como um 'ser vivo', acelera enormemente as tomadas de decisão e o conhecimento de todos os envolvidos no dia a dia.

O que Diferencia a ASUG de Outras Comunidades?

Cláudio Fontes destaca dois pontos fundamentais que diferenciam a ASUG: a proximidade e a influência.

  • Proximidade: Além dos encontros presenciais e virtuais, a plataforma digital da ASUG é um ativo sensacional. Com 28 anos de histórias registradas, ela está à disposição de todos os colaboradores e companhias associadas, representando um valor inestimável.
  • Independência: A ASUG atua de forma extremamente objetiva, trazendo as necessidades da comunidade e olhando para o ecossistema com total independência, sempre na busca do que é melhor para cada uma das empresas associadas.

A entidade ressalta ainda que a associação é corporativa: uma vez que a empresa se associa à ASUG, todos os seus empregados podem se beneficiar do portal e das reuniões de discussão temáticas, os SIGs (Special Interest Groups).

O Impacto da Ausência da ASUG no Ecossistema

Indagado sobre o que o mercado perderia se a ASUG deixasse de existir, Fontes é enfático: perderia 'um dos principais espaços de inteligência coletiva' do ecossistema. A capacidade da comunidade de transformar experiências individuais em experiências coletivas e estruturadas é seu maior valor. Sem esse espaço, a perda seria inestimável, e o processo de aceleração de decisões se tornaria mais lento e letárgico. Em resumo, a associação à ASUG reduz incertezas e encurta caminhos.

Inteligência Coletiva na Prática

A inteligência coletiva, na visão do presidente, significa transformar a experiência em decisão. Cada empresa tem seus próprios desafios, mas muitos deles são compartilhados, em maior ou menor grau, com outras organizações. Quando essas experiências são compartilhadas, geram aceleração e impulsionam um aprendizado enorme. É um movimento que é, ao mesmo tempo, coletivo (pelo compartilhamento) e individualizado (pois se aplica à realidade de cada empresa).

IA, Automação e a Diferenciação das Empresas

Em um momento onde se fala tanto sobre Inteligência Artificial e automação, Fontes revela uma preocupação central: o que CEOs e conselheiros buscam, efetivamente, é saber como esses processos trazem valor para as organizações. Ele cita interações com a consultoria McKinsey, que deixam claro que, embora quase todas as empresas tenham alguma iniciativa na área, menos de 10% delas apresentam algum valor adicionado ao seu resultado final (Ebitda). Isso é preocupante para o curto prazo, mas aponta para a necessidade de continuar evoluindo e apoiando o ecossistema, pois ainda estamos no começo desta jornada.

O grande ponto, segundo ele, é o processo de aceleração e a capacidade de separar o 'joio do trigo'. Mas o mais importante é cuidar da governança, que é fundamental para a tomada de decisão e para verificar, dentro do pipeline de projetos, o que efetivamente gera valor.

O Maior Risco: Não Transformar ou Transformar de Forma Errada?

Diante da 'ânsia' dos executivos por transformação, Fontes classifica a pergunta como 'sensacional' e define o risco: 'o maior perigo, sem dúvida, é transformar de forma errada'. Uma transformação mal estruturada gera frustração e resistência, tornando muito mais difíceis novas proposições. Ele lembra que a agilidade (ou 'ágil') é uma forma de trabalhar para reduzir erros, não para fazer algo em altíssima velocidade. É um trabalho contínuo, de produto, que evolui e cresce no longo prazo para uma construção sólida. Acelerar e transformar 'por transformar', com velocidade errada, pode ser um caminho equivocado.

A Relevância Futura da ASUG: Antecipação de Tendências

Para continuar relevante, a ASUG precisa seguir ampliando sua área de atuação, focando na antecipação de tendências. Esse é, para Fontes, um grande valor a ser entregue. A evolução virá do trabalho coletivo, da união do ecossistema para olhar para as tendências, as aplicações e as tomadas de decisão. Ele projeta que a ASUG deve voltar 80% de sua atividade para olhar para a estratégia e tendências, e os 20% restantes para manter tudo aquilo que já foi implementado. O futuro, mais do que nunca, é de olhos voltados para a estratégia.

O Legado e o Futuro: A Edição 200 do ASUG News

Olhando para o futuro, especificamente para uma imaginária edição 200 do ASUG News, Fontes afirma que o passado da ASUG tem a finalidade de assegurar um 'porto seguro' para que a comunidade consiga entregar muito mais. Essa evolução virá cada vez mais do trabalho coletivo. A ASUG deve continuar conectando empresas e pessoas em torno de uma geração de valor importante.

Orgulho e Agradecimentos: A Força da Coletividade

O grande orgulho de Cláudio Fontes em sua jornada é poder fazer parte de uma comunidade que dedica seu tempo em prol da coletividade. Ele destaca o trabalho de toda a diretoria, dos parceiros do ecossistema, da SAP e de todos que contribuíram com conteúdo ao longo dos 28 anos que culminaram na edição de número 100. O caminho, segundo ele, é trabalhar cada vez mais de forma coletiva, em prol de um ecossistema forte. É esse sentimento de conquista compartilhada que o traz até aqui com muito orgulho.

Kelly Teixeira agradece a Fontes pelo seu tempo como presidente e por tudo que ele e toda a diretoria da ASUG vêm fazendo, reconhecendo também o trabalho de todos que atuam 'behind the scenes', associados e parceiros atuais e passados. A celebração final é um augúrio para que venham mais 100 edições do ASUG News e mais 100 anos de ASUG.