FUTURO SUSTENTÁVEL DO AGRO: GENÉTICA NAS PASTAGENS! COM: ALEXANDRE HEMZA DA MILAGRO

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Introdução: O Futuro Sustentável do Agro e o Papel do Melhoramento Genético

Neste segundo episódio da terceira temporada do podcast Equilibrando Pratos, dedicada ao agronegócio, a host Thaísa Vendausen (engenheira agrônoma) recebe Alexandre Enza, Head de Novos Negócios e Estratégia da Milagro, empresa referência em melhoramento genético de pastagens no Brasil. A conversa explora como a inovação genética está liderando a revolução das pastagens, aumentando a produtividade por hectare, promovendo a intensificação sustentável e tornando a pecuária brasileira mais competitiva e ambientalmente responsável. O episódio destaca a importância de comunicar o agro com base em dados e números, desmistificando críticas e mostrando o progresso real do setor.

Dados que Mostram a Evolução Sustentável da Pecuária Brasileira

Alexandre inicia a conversa com dados contundentes que evidenciam a sustentabilidade da pecuária nacional. Em 1970, a área de pastagem no Brasil era de cerca de 180 milhões de hectares. Em 2025, esse número caiu para aproximadamente 145 milhões de hectares. Em paralelo, a produtividade de carne no país aumentou em impressionantes 300% nas últimas quatro décadas. A carcaça por animal abatido saltou de 13 arrobas em 1970 para 16,5 arrobas atualmente. A conclusão é inequívoca: as áreas de pastagem diminuíram, mas a produtividade aumentou significativamente. Isso demonstra que o pecuarista brasileiro tem produzido mais em menos espaço, um dos pilares da sustentabilidade.

Thaísa complementa que esses números desmontam discursos vazios que frequentemente tentam demonizar o agro. A conclusão é clara: os números não mentem. A pecuária brasileira é, de fato, mais sustentável, mais eficiente e está no caminho certo. O desafio, agora, é comunicar essa realidade de forma mais eficaz, especialmente com a proximidade da COP 30, um momento crucial para o Brasil mostrar ao mundo sua capacidade produtiva aliada à preservação ambiental.

O Longo Caminho do Melhoramento Genético de Pastagens

Se a genética animal e de grãos como soja e milho evoluiu muito, o mesmo não ocorreu com as pastagens. Cerca de 95% do rebanho brasileiro é criado a pasto, mas grande parte dos pecuaristas ainda planta as mesmas variedades de braquiária de décadas atrás. Alexandre explica que os estudos de melhoramento genético de braquiárias começaram na década de 1980, mas o desenvolvimento de um novo material é um processo extremamente demorado e complexo.

O ciclo de melhoramento envolve cruzamentos assexuais (apomíticos) com materiais sexuais, seguido de um longo processo de seleção que pode levar de 5 a 15 anos, dependendo do número de cruzamentos necessários. No caso específico da Dunamis, principal produto da Milagro, o desenvolvimento levou cerca de 20 anos. Esse é um dos principais motivos pelos quais as braquiárias híbridas ainda representam apenas 2 a 3% do mercado total de sementes de pastagem no Brasil. O mercado, portanto, tem um enorme potencial de crescimento e evolução genética pela frente.

Dunamis: Genética para Diferentes Nichos e o Papel da Raiz na Sustentabilidade

A Milagro, com a Dunamis, conquistou uma participação de mercado de 52% entre as braquiárias híbridas, um feito notável. A empresa, no entanto, não para por aí. Alexandre destaca que o objetivo é desenvolver materiais segmentados para diferentes nichos e biomas brasileiros. O país é enorme, com realidades climáticas muito distintas, desde o extremo seco do Nordeste (com 300 mm de chuva anual) até as geadas na região Sul. A Milagro trabalha para lançar, nos próximos anos, variedades resistentes ao frio, à seca e adaptadas a condições específicas, como o bioma amazônico.

Um dos grandes diferenciais da Dunamis é seu sistema radicular vigoroso e profundo. Esse maior volume de raiz traz múltiplos benefícios sustentáveis:

  • Sequestro de carbono: raízes mais profundas e volumosas capturam mais carbono da atmosfera, fixando-o no solo.
  • Prevenção à erosão: o solo fica mais estruturado e menos suscetível à perda por chuva e vento.
  • Resiliência a estresses hídricos: plantas com raízes profundas acessam água em camadas mais baixas do solo, tolerando melhor veranicos e secas prolongadas, algo cada vez mais importante diante das mudanças climáticas.
  • Recuperação de áreas degradadas: o Brasil tem cerca de 100 milhões de hectares de pastagens degradadas ou em processo de degradação. A Dunamis é uma ferramenta poderosa para a recuperação dessas áreas, transformando terras improdutivas em sistemas produtivos.

Do Produtor Rural ao Empreendedor Rural: A Mudança de Mentalidade Necessária

Alexandre observa que muitas vezes o produtor rural ainda se vê como um produtor de carne ou leite, quando, na verdade, ele é, primeiramente, um produtor de pasto. A base de toda a cadeia é a forragem. Sem pasto de qualidade, não há animal produtivo. Essa mudança de mentalidade é fundamental. O pecuarista precisa se entender como um empreendedor rural e não mais como um pequeno produtor. Isso implica em profissionalizar a gestão, investir em tecnologia, adotar novas variedades e, sobretudo, em manejo adequado.

Thaísa complementa que variedades melhoradas geneticamente, como a Dunamis, exigem um sistema de manejo mais adequado e, muitas vezes, maior investimento em nutrição do solo (adubação e calagem). Não existe "almoço grátis": a alta produtividade requer insumos e conhecimento. A resistência de alguns produtores mais tradicionais vem do medo do desconhecido e da necessidade de mudar todo o sistema produtivo. A aposta está na nova geração – os filhos e netos – que têm mais acesso à informação, estudam agronomia e estão abertos à inovação, atuando como agentes de transformação dentro das propriedades da família.

Oportunidades na África e o Papel Social da Milagro

Alexandre compartilha uma experiência reveladora: a Milagro tem um olhar especial para a África, o continente de origem de quase todas as braquiárias cultivadas no Brasil (Marandu, Decumbens, Ruziziensis). Curiosamente, a África não tem a cultura de formação de pastagens melhoradas. Lá, a pecuária é baseada em pasto nativo, com uma lotação média de cerca de 1 animal por 7 hectares. No Brasil, essa lotação é de 1,5 a 2 animais por hectare. Com a introdução da Dunamis, a produtividade pode aumentar em até 20 vezes, pulando para 2 a 3 animais por hectare. Isso é sustentabilidade em sua essência: produzir mais alimentos na mesma área, aliviando a pressão sobre os biomas nativos.

Thaísa destaca que o pequeno produtor, que muitas vezes não tem acesso à tecnologia, informação ou financiamento, acaba sendo, paradoxalmente, o mais poluente em termos de carbono por causa da baixa eficiência. Portanto, é um papel social das empresas como a Milagro levar materiais acessíveis e, junto com eles, o conhecimento técnico necessário para que esses produtores possam aumentar sua produtividade e, consequentemente, sua renda e sustentabilidade.

O Gap de Comunicação do Agro e a Força da Nova Geração

Thaísa e Alexandre concordam que existe um gap intencional entre a inovação no campo e a percepção da sociedade urbana sobre o agro. Frequentemente, o setor é atacado por discursos que ignoram os dados. O agro representa mais de 25% do PIB brasileiro, preserva áreas naturais e é referência mundial. Alexandre sugere que esse ataque é, em parte, político e ideológico. A solução é comunicar, mostrar a verdade e valorizar aqueles que praticam a sustentabilidade.

Uma das frentes de atuação da Milagro nesse sentido é a criação da TV Milagro Brasil, um canal de televisão na parabólica que se comunica diretamente com o produtor rural, mostrando cases, manejo e a realidade do campo. Além disso, a empresa conta com o cantor Zezé de Camargo como embaixador, que tem uma forte história de conexão com a pecuária de genética.

Sobre a nova geração, Alexandre refuta as críticas de que os jovens são menos resilientes ou têm menor tolerância à frustração. Ele argumenta que a geração mais jovem é movida por propósito e significado, mais do que por projeção de carreira ou acúmulo de bens. Eles buscam o "ser" em vez do "ter", e isso é positivo. O acesso fácil à tecnologia e ao conhecimento é uma faca de dois gumes, mas, quando bem direcionado, gera engajamento e inovação. Thaísa conclui que essa geração tem a oportunidade de vivenciar o bem-estar que gerações passadas não tiveram, exatamente por terem acesso a informações sobre saúde mental, propósito e qualidade de vida, algo que antes não era difundido.

Quadro do Desequilíbrio: Respostas Diretas sobre os Desafios do Agro

No quadro rápido, Alexandre respondeu a perguntas polêmicas:

  • Gap entre inovação no campo e percepção urbana: Sim, ele acredita que esse gap existe e que é intencional, com interesses em atacar o setor que mais representa o PIB brasileiro. Espaços de comunicação como este podcast são fundamentais para mostrar a verdade.
  • Sustentabilidade além do discurso: O que ainda desequilibra a balança é a falta de maior remuneração para quem é mais sustentável. O mercado de crédito de carbono é um caminho promissor para valorizar produtores que adotam práticas sustentáveis, como o uso de braquiárias híbridas que sequestram carbono.
  • O papel da Milagro na segurança alimentar global: O Brasil precisa aumentar sua produção de alimentos em 40% até 2030. A empresa contribui desenvolvendo materiais que aumentam a produção de carne e leite, além de atuarem como plantas de serviço na cobertura do solo, descompactação e no sistema de integração lavoura-pecuária (ILP), auxiliando no crescimento de culturas como soja e milho.

Conclusão: Orgulho do Agro Brasileiro e o Caminho para o Futuro

Alexandre encerra com um sentimento de orgulho. Ser brasileiro e estar no agro é motivo de orgulho, pois o país é líder mundial em vários setores – carne, soja, milho, café. Ele relata que, ao viajar para a África, a bandeira do Brasil é respeitada e admirada. O trabalho interno, agora, é de valorizar ainda mais a própria produção e comunicar ao mundo, com dados e transparência, a revolução sustentável que já está em curso. A Milagro, com a Dunamis e os futuros lançamentos, está na vanguarda desse movimento, equilibrando os pratos da produtividade, da inovação genética e da responsabilidade ambiental e social.