EMPREENDEDORISMO CONTÁBIL: Como sair do CLT e escalar o escritório - Caroline Montes - MoonCast #067

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Apresentação de Caroline Montes: Simplificando a Contabilidade de Verdade

Caroline Montes é uma contadora jovem que, em apenas 7 anos de mercado, saiu da posição de auxiliar de escritório para empresária e mentora de sucesso. Sua trajetória, marcada por desafios, frustrações e a busca pelo reconhecimento, reflete a realidade de muitos profissionais da contabilidade. Caroline é a prova viva de que é possível transformar a dor da falta de oportunidade em um combustível para o empreendedorismo, utilizando o marketing digital como principal motor de crescimento.

Neste episódio do Mooncast, ela compartilha sua jornada, desde o primeiro emprego até a criação de um negócio que já impactou mais de 1000 mentorados. A conversa aborda temas cruciais como a falta de planos de carreira nos escritórios tradicionais, a rivalidade feminina e a importância de um plano de cargos e salários claro para reter talentos.

O Maior Aprendizado nos Primeiros Anos de Mercado Contábil

Para Caroline, o maior aprendizado que o mercado contábil proporcionou foi a capacidade de entender se o negócio está dando resultado. Ela destaca que muitos empreendedores têm a falsa sensação de que estão ganhando bem por serem PJ, mas, ao analisar a fundo a margem de lucro, os gastos e os investimentos, percebem que estão no negativo.

Essa experiência de olhar para os números, precificar corretamente e controlar o fluxo de caixa é algo que ela afirma que não teria aprendido em outra área. Hoje, esse conhecimento é passado para seus mentorados, mostrando que a contabilidade vai muito além do débito e crédito; é a ciência da gestão do resultado.

Os Desafios do Início da Jornada e o Impacto da Pandemia na Operação

Caroline começou sua carreira em 2019 como auxiliar de escritório, mas quase desistiu. A pandemia foi um divisor de águas. Trabalhando em casa, sem conseguir absorver o conteúdo e com medo de perguntar, ela se sentiu perdida. O medo de julgamento, de ouvir "você está terminando a faculdade e não sabe isso?", foi uma barreira enorme.

Ela confessa que tinha um trauma com a contabilidade porque não entendia o básico, como débito e crédito. A falta de uma linguagem acessível e de suporte adequado a fez pensar em largar o curso para fazer nutrição. Foi apenas quando encontrou uma gestora que explicava de forma simples e sem julgamentos que as coisas começaram a mudar. A acessibilidade do líder e a capacidade de ensinar sem arrogância foram determinantes para sua permanência na área.

O Medo de Perguntar e a Importância de Líderes Acessíveis

Caroline destaca a dificuldade de perguntar em ambientes onde o julgamento é constante. Ela compara duas gestoras: uma era inacessível, respondia de costas e criava um ambiente de intimidação; a outra era acolhedora, detalhista e não tinha medo de ser superada. A diferença entre elas estava na rivalidade e na insegurança.

A gestora que a transformou dizia: "Carol, eu não tenho medo de você pegar o meu lugar, eu quero que você se torne uma pessoa como eu para me ajudar aqui." Esta abordagem de liderança, focada em elevar a equipe, é o que falta em muitos escritórios. A acessibilidade e a paciência são características essenciais para um bom gestor contábil.

A Frustração das Promessas Vazias e a Busca pelo CRC

Um dos momentos mais críticos da jornada de Caroline foi a frustração com as promessas não cumpridas. Ela estudou durante o horário de almoço para passar no exame do CRC, acreditando que, ao se tornar contadora, seria promovida. No entanto, mesmo após conquistar o registro, a promoção não veio. A sensação de não ser boa o suficiente a assombrou.

Ela passou quatro anos na mesma empresa, vendo colegas chegarem e serem promovidos enquanto ela estagnava. Quando questionou a gestão, a resposta foi: "Não tem vaga, você vai ter que esperar." Este é um cenário comum em escritórios que não crescem e que não possuem um plano de carreira estruturado, gerando um ciclo de frustração e desmotivação.

Falta de Planos de Carreira Claros nos Escritórios Tradicionais

O apresentador, Mateus Santos, fez um contraponto importante durante a conversa. Ele destacou que muitos escritórios reclamam da falta de mão de obra, mas não oferecem planos de crescimento claros. Na Moonflag, a ferramenta de retenção mais poderosa é o crescimento.

Quando a empresa cresce, novas posições surgem, e os colaboradores veem exemplos concretos de pessoas que conquistaram viagens internacionais, apartamentos e carros. Isso cria um branding interno poderoso: "Olha o que essa pessoa conquistou trabalhando aqui."

Se o escritório não cresce, o colaborador se frustra ao ver que só o dono ou os gestores antigos conquistam algo. A mensagem é clara: a ferramenta de retenção é o crescimento. Sem ele, o bom profissional, especialmente os jovens ambiciosos, buscará oportunidades fora, pois ninguém quer ficar em um lugar onde não vê futuro.

Indo Atrás do Próprio Merecimento: O Início da Produção de Conteúdo

Após anos de frustração, Caroline fez um movimento decisivo: "Se ninguém me dá o reconhecimento, então eu vou atrás do meu reconhecimento." Ela começou a produzir conteúdo sobre Imposto de Renda no Instagram. A ideia surgiu ao assistir a um influenciador que dizia: "Quem é pobre não pode ter medo de empreender, você já está na pior."

Ela começou a ensinar antes de vender, criando autoridade. Os conteúdos sobre malha fina e obrigatoriedade da declaração viralizaram, trazendo um público que ela não esperava. A internet se tornou o maior mercado de clientes, e ela entendeu que precisava se posicionar para ser encontrada.

Internet como Motor de Crescimento: O Conceito de Founder-Led Growth

Caroline é um exemplo prático do conceito de Founder-Led Growth (crescimento liderado pelo fundador). Ao postar conteúdo, ela atraiu clientes sem depender de indicações. Em apenas seis meses, ela trabalhava das 7h às 17h30 no CLT e das 17h30 à meia-noite no próprio negócio. A recompensa veio rápido: o que ela ganhava em um mês no CLT, ela ganhava em quatro dias no seu negócio.

Mateus, que seguiu uma estratégia diferente focada na marca (Monflag), reconhece que o caminho de conteúdo pessoal é a fruta mais baixa para quem está começando. É mais rápido e gera conexão, pois pessoas se conectam com pessoas. A dica para os contadores é: não precisa saber tudo para começar a postar. Você pode compartilhar o que está aprendendo e crescer junto com a audiência.

Admitindo Lacunas e Pagando para Aprender Societário e Fechamentos

Mesmo após mudar de escritório, Caroline enfrentou o desafio de não saber fazer fechamentos contábeis. Em seu segundo emprego, foi direta com a gestora: "Eu pensei que sabia contabilidade, mas não sei. Espero que você me ensine." Ela não tinha vergonha de admitir suas lacunas.

Para acelerar o aprendizado, ela pagou sua própria gestora para ensinar societário, transformando a relação em uma mentoria informal. Essa humildade e disposição para aprender a fizeram progredir em seis meses o que não aprendeu em quatro anos. Para ela, não existe almoço grátis; é preciso se dedicar e, às vezes, investir dinheiro para adquirir conhecimento rápido.

Desafios de Reconhecimento e o Desejo de Empreender

Mesmo após se tornar tecnicamente competente, a falta de reconhecimento persistiu. Caroline relatou uma situação comum no mercado: um homem que entrou na empresa três meses depois, como auxiliar, foi promovido a analista antes dela, que esperava há um ano e meio. A percepção de que o reconhecimento para o homem vem primeiro do que para a mulher foi um dos fatores que a motivou a empreender.

Ela explica que a rivalidade feminina também é um fator. Gestoras que se sentem ameaçadas por uma subordinada mais vaidosa ou com CRC, muitas vezes, freiam o crescimento da outra por insegurança. Caroline aprendeu que, em muitos casos, a única saída é construir o próprio negócio.

Gestão de Performance: A Diferença de um Critério de Avaliação Claro

Para evitar frustrações como as de Caroline, é essencial ter um critério de avaliação claro. O apresentador compartilhou como funciona na Moonflag, com um plano de cargos e salários dividido em steps (Júnior 1, 2, 3). Além disso, há um Performance Review mensal, onde as metas são pontuadas com pesos.

Isso tangibiliza o que se espera do colaborador. Se a meta é fazer fechamentos contábeis, define-se até que dia e com qual qualidade. Se a meta é velocidade, cria-se um indicador: quantos fechamentos foram feitos até o dia X. Isso evita a interpretação subjetiva e mostra exatamente onde a pessoa está indo bem ou mal, servindo de base para promoções objetivas.

Marketing Digital e o Fim da Dependência Exclusiva de Indicações

A geração de Caroline e seus mentorados (faixa de 25 a 34 anos) está dominando o marketing digital para captar clientes, enquanto muitos escritórios tradicionais ainda esperam passivamente por indicações. Os jovens empreendedores estão atentos ao suporte e à atenção que o cliente moderno exige.

Caroline ensina seus mentorados a estruturarem o perfil, o cronograma e a terem constância. Ela conta o caso de um mentorado que saiu de 3.000 para 10.000 seguidores em seis meses, mostrando que o digital é uma ferramenta poderosa para quem não tem medo de dar as caras e superar o julgamento.

Desmistificando o Débito e Crédito na Prática com Linguagem Simples

Uma das principais dores dos iniciantes é a teoria contábil. Caroline ensina débito e crédito de forma prática: "Ativo é direito. Direito começa com D, então é débito." Ela traduz o técnico para a rotina do dia a dia, criando um ambiente seguro para perguntas. Sua mentoria de departamento contábil foca em fazer o fechamento, o balanço e a DRE, mostrando que não é um bicho de sete cabeças quando se tem uma didática acessível.

O que um Gestor Busca? Proatividade e Visão de Dono Desde o Início

Caroline, que hoje é gestora, revela o que ela busca em um colaborador para uma promoção rápida:

  • Proatividade: Antecipar problemas e entregas, não esperar o problema cair para resolver.
  • Humildade: Aceitar correções e estar aberto a novas sugestões.
  • Curiosidade: Estudar por conta, testar ferramentas e levar soluções para a liderança.

Ela enfatiza que o segredo é ver o trabalho como se fosse seu negócio antes mesmo de ter o negócio. O funcionário que se antecipa e já chega na reunião com a pauta pronta e o balanço impresso é o que se destaca e cresce mais rápido.

O Futuro da Contabilidade: A Substituição do Operacional pela Gestão

Caroline acredita que o futuro da contabilidade será marcado pela substituição do contador operacional (aquele que só entrega demandas) pelo contador gestor (que auxilia na tomada de decisão). A inteligência artificial é uma aliada, mas não substitui o contador, pois ele é necessário para validar as respostas e entender o contexto do negócio.

Ela aposta que, nos próximos 10 anos, as ferramentas facilitarão o trabalho operacional, mas a parte de gestão, análise de dados e consultoria continuará sendo exclusivamente humana.

Posicionamento sem Barreiras: Você Não Precisa Saber Tudo para Começar

O maior erro daqueles que querem se posicionar na internet é achar que precisam saber tudo. Caroline e Mateus concordam que isso é uma falha de percepção. Você pode compartilhar o que está aprendendo, criar uma discussão e crescer com a audiência. A conexão se estabelece quando você se coloca no mesmo nível de quem está estudando.

Indicação de Leitura: O Impacto do Livro "Essencialismo" na Gestão

Para finalizar, Caroline recomenda o livro Essencialismo. Ela conta que a pergunta que mudou sua estruturação foi: "Se você pudesse fazer só uma coisa hoje na sua vida, o que você faria?" Essa reflexão a ajudou a priorizar tarefas e focar no que realmente importa para o crescimento do negócio e da liderança.

Encerramento e Recado para a Comunidade MoonCast

Caroline conclui agradecendo pela oportunidade e deixa um recado para os contadores que estão na jornada CLT: não tenham medo de investir no seu conhecimento e na sua presença digital. O reconhecimento muitas vezes não vem de onde esperamos, mas o esforço e a constância sempre geram frutos.