Introdução: A Jornada de Edmilson – Do Papelão à Liderança em Infraestrutura de TI
No episódio do podcast Confraria Cast, Manuel Edésio recebe Edmilson Vasconcelos, atual líder da PCTEC (empresa de 35 anos de mercado focada em infraestrutura de TI e locação de ativos). Edmilson, de 47 anos, pai da Gabriela e da Antonela, esposo da Dani, é natural de Sumaré (interior de São Paulo) e carrega consigo as origens humildes e as lições de seus pais, Alfeu e Célia. Ele começou a empreender aos 7 ou 8 anos de idade recolhendo papelão e sucata nas ruas do interior – não por necessidade urgente, mas para ter seu próprio dinheiro e comprar doces na escola. De lá para cá, passou por pintor de paredes, empacotador e repositor de supermercado, até que um incidente com um computador e uma proteção de tela da Disney o levou ao mundo da tecnologia. Hoje, Edmilson lidera uma empresa que enxerga o hardware não como commodity, mas como assistente digital para gerar resultados de negócio. O bate-papo aborda desde as origens humildes até a visão estratégica sobre infraestrutura, IA e o poder do networking baseado em doação, humildade, gratidão e generosidade.
Origens e Primeiro Emprego: O Espírito Empreendedor desde a Infância
Edmilson conta que, ainda menino no interior de São Paulo, tinha a liberdade de sair de manhã e voltar só à noite, sem a preocupação dos pais. Nesse ambiente, ele desenvolveu um espírito empreendedor oculto. Aos 7 ou 8 anos, começou a recolher papelão e sucata nas ruas, não por necessidade familiar, mas para ter seu dinheirinho. Mais tarde, ajudou o pai como pintor de paredes, onde se orgulha de ter sido o “melhor pintor de rodapés de Sumaré”.
Aos 16 anos, conseguiu seu primeiro emprego com carteira assinada em um supermercado vizinho, como empacotador. Contudo, sua curiosidade e vontade de aprender o levaram a observar os repositors (abastecedores) que organizavam as prateleiras. Edmilson se encantou com aquela função e, com apenas uma semana de empresa, já articulou uma mudança: convenceu o consultor responsável pelo layout da loja a deixá-lo trabalhar no estoque, buscando produtos para abastecer as gondolas. Em pouco tempo, tornou-se repositor e, posteriormente, chefe do setor de limpeza do supermercado. Ali, ele já aplicava o princípio de “faça com coração, como se a empresa fosse sua”. Ele mantinha os corredores impecáveis, antecipava-se às necessidades dos compradores e desenvolveu uma sinergia com outras áreas.
A Primeira Experiência com Tecnologia: Computador, Disney e a Grande Oportunidade
Aos 18 anos, Edmilson já era encarregado de mercearia, liderando de 7 a 8 repositores. Foi a pior experiência de liderança que ele teve, com rejeição e puxada de tapete, o que o fez dizer: “nunca quero ser líder na minha vida”. Porém, um acontecimento mudou sua trajetória. Um computador foi instalado no estoque, com uma planilha de Excel para controle de produtos. O que chamou a atenção de Edmilson, no entanto, foi a proteção de tela da Disney, com os personagens Mickey, Pateta e Pluto flutuando na tela.
Um dia, o dono do supermercado e o gerente geral flagraram Edmilson parado em frente ao computador. Em uma decisão de segundos, ele mentiu: disse que estava atualizando a planilha. O gerente perguntou se ele sabia mexer com computador; Edmilson respondeu que sim, embora não soubesse absolutamente nada. Para sua surpresa, em vez de demissão, recebeu a maior oportunidade de sua vida: foi transferido para o departamento de informática, que seria criado para informatizar o supermercado. O dono percebeu que ele era um jovem com vontade e apostou nele, contratando um profissional de TI para ensiná-lo. Edmilson colou nesse profissional, aprendeu o máximo que pôde e entrou de vez no mundo da tecnologia. Ele reflete: “a oportunidade aparece, mas você tem que se esforçar. O esforço é inevitável. Não há jantar grátis”.
A Transição para Infraestrutura e a PCTEC: O Hardware como Assistente Digital
Após o supermercado ser vendido, Edmilson foi desligado. Aos 20-21 anos, entrou na PCTEC, uma empresa que vivia e respirava infraestrutura. Ele começou como assistente de vendas, prospectando clientes a partir de uma lista telefônica amarela. A PCTEC era na época uma grande parceira da IBM, e Edmilson mergulhou no mundo de servidores, storages, mainframes, e na cultura de negócios da IBM. Ele rapidamente progrediu: tornou-se vendedor júnior, pleno, gerente comercial da filial, e depois passou a liderar a filial em São Paulo. Hoje, são 27 anos de PCTEC (embora a empresa tenha 35 anos de mercado). Edmilson não fundou a empresa, mas investiu nela e, posteriormente, assumiu o controle.
Edmilson compartilha uma grande preocupação que teve no ano passado: com o avanço da IA e das automações, ele temia que o mercado de infraestrutura pudesse encolher. Foi a São Francisco (EUA) em uma imersão e, em um grupo de 40 pessoas (todas de software, exceto ele), fez essa pergunta a um especialista. A resposta o tranquilizou: “Você é a pessoa mais tranquila que tem que estar nessa sala. O único empregado garantido no futuro é você. Toda linha de código começa e termina num hardware.” O software pode se reinventar ou se transformar, mas a infraestrutura sempre sobreviverá. Edmilson usa essa frase como um mantra: “pode ter guerra, pode ter crise de chips, pode ter ChatGPT, mas o hardware estará lá”.
A Mudança no Consumo das Empresas: Hardware como Estratégia de Resultado
Edmilson observa que, antigamente, as empresas viam o hardware como commodity: o PC mais barato possível para quem só usava Word e Excel. Hoje, o discurso mudou. As corporações acordaram para o modelo de negócio baseado em resultado. Não se trata mais de converter CAPEX em OPEX (investimento em despesa). Trata-se de perguntar: “Que tecnologia vamos usar para ter um resultado melhor?”. A PCTEC foge do modelo de mera locadora de equipamentos. Ela se posiciona como uma empresa que fornece assistentes digitais – o hardware é apenas um componente de uma solução que inclui gestão de ativos, inventário, ciclo de vida e, em breve, um assistente digital com IA embarcada. Edmilson defende que seu produto não é “quanto custa o equipamento”, mas “quanto ele pode gerar de resultado para a sua empresa”. Essa abordagem tem gerado Cases de sucesso, especialmente na área da saúde, onde o foco é melhorar o atendimento ao paciente e, no final, a conta precisa se pagar. O índice de renovação de contratos da PCTEC é de 85%, com clientes “vovôs” de três ou quatro ciclos de renovação, como um grande banco com 14 anos de parceria.
O Poder do Networking: Doação, Humildade, Gratidão e Generosidade
Manuel provoca Edmilson sobre o papel do networking em sua vida, especialmente porque a Confraria dos CEOs (origem do podcast) é um ambiente dedicado a relacionamentos. Edmilson resume networking em uma palavra: doação. Ele critica o modelo tradicional de trocar cartões em eventos com milhares de pessoas. Para ele, networking é o quanto você pode dar de si ao outro, sem esperar nada em troca no primeiro momento. Ele aprendeu isso ainda menino, quando recolhia papelão nas construções: aquilo era uma ajuda aos pedreiros e aos donos das obras, que não tinham como descartar o material.
Edmilson também cita a participante Beatriz Bueno (de episódio anterior), que define networking como “troca de energia”. Ele entende que no mundo dos negócios, a doação se traduz em perguntar ao cliente: “como podemos ajudá-lo?”. Muitas vezes, a resposta não é um produto ou serviço, mas um conselho ou um encaminhamento. A partir daí, o relacionamento começa. Seu time de vendas e marketing é treinado para primeiro se doar, e não para vender algo de imediato.
Três Virtudes do Empreendedor Segundo Edmilson
- Humildade: não no sentido de ser coitado, mas de estar disponível para ouvir e se doar. Edmilson troca energia tanto com presidentes de grandes empresas quanto com o porteiro do seu prédio.
- Gratidão: ninguém constrói nada sozinho. Ele é grato a seus pais, à sua esposa, aos fundadores da PCTEC que lhe deram a oportunidade de se desenvolver e, posteriormente, de comprar a empresa.
- Generosidade: é preciso devolver à sociedade e às pessoas o que se recebe. O networking começa na humildade e termina sendo generoso.
Edmilson reforça que a doação não é um conceito vazio: ela é alinhada a processos e compliance (especialmente em clientes grandes e regulados). Mas quando a doação acontece de forma genuína, o retorno vem – seja através de renovação de contratos, indicações boca a boca ou relacionamentos de longa data.
Infraestrutura, IA e o Futuro do Mercado de Hardware
Edmilson fala sobre o momento atual do mercado de infraestrutura. A demanda por chips e equipamentos está em um dos maiores períodos de crise de abastecimento dos últimos 27 anos. Paralelamente, o conceito de hardware mudou: os PCs agora vêm embarcados com GPUs e capacidades de IA, tornando-se ferramentas potentes para produtividade. A PCTEC está se reposicionando nesse novo cenário, inclusive com uma novidade (spoiler) sobre um assistente digital que será lançado em breve. A empresa também acompanha o movimento de empresas que estão migrando suas operações para polos tecnológicos como Sumaré e Hortolândia (região de Campinas), que se tornaram hubs de data centers.
Edmilson discorda da visão de que hardware é apenas commodity. “As corporações não precisam de commodity e nem podem ter commodity”. Elas precisam de parceiros que as ajudem a extrair resultado da tecnologia. A locação de ativos de TI (outsourcing de hardware) é a especialidade da PCTEC, mas o diferencial está no serviço agregado e na visão de longo prazo. Ele afirma que a empresa foi assediada diversas vezes para se tornar uma mera locadora de volume, mas resistiu porque esse modelo tem vida curta. O caminho é ser um agente de transformação e resultado.
Recado Final e Contatos
Edmilson finaliza agradecendo a oportunidade e deixando os contatos da PCTEC: site www.pctecoutsourcing.com.br e redes sociais @pctecoutsourcing no LinkedIn e Instagram. A empresa atua em todo o território nacional e já começa a expandir para a América do Sul. Ele convida empresas que queiram ter um parceiro estratégico em infraestrutura de TI, focado em resultado e não apenas em aluguel de equipamentos.
Manuel encerra o episódio agradecendo a participação e destacando a importância de ambientes como a Confraria dos CEOs, onde o networking é puro e baseado em doação. A audiência é convidada para o próximo episódio do Confraria Cast.