Introdução: Quem é Mayanna Rodrigues?
No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas a Mayanna Rodrigues. A conversa começa com uma descrição visual detalhada: Mayanna tem 39 anos, é morena, curvilínea, com cabelo preto longo partido ao meio, usando uma camiseta preta, e é tatuada. Ela é natural de Belo Horizonte, Minas Gerais, mas já morou em vários estados do Brasil – Porto Alegre, Maceió, Rio de Janeiro – e está em São Paulo desde 2005. Ela é formada em eventos e trabalha como produtora há mais de 10 anos, mas sua carreira no mercado do sexo veio primeiro.
Infância, Família e a Descoberta Precoce da Sexualidade
Mayanna nasceu em BH, mas se mudou com a mãe para o interior de Minas (Espera Feliz, 20.000 habitantes) aos 5 anos, após a separação dos pais. Aos 7 anos, a mãe se mudou para o Rio de Janeiro atrás de um novo companheiro, e Mayanna foi junto. Ela quicou entre o Rio e Maceió (onde o pai morava) durante a adolescência, até decidir voltar ao Rio e morar sozinha.
Sua relação com a sexualidade foi precoce: ela se masturbou pela primeira vez aos 5 anos, assistindo a um pornô na TV (seu pai deixou o canal pago sem senha). Ela lembra que era Silvia Saint no vídeo. Seu primeiro beijo foi com uma menina, aos 11 anos, e não era só beijo – elas se esfregavam. Para Mayanna, a sexualidade sempre foi muito naturalizada.
O Início no Strip, na Prostituição e no Pornô
Mayanna trabalhava como promotora de vendas (para a Lacta, fazendo degustação de Bis Laranja) quando recebeu um convite para um desfile de biquíni. No desfile, recebeu sua primeira proposta para fazer programa (PG). A matemática era simples: 'vou ganhar o que ganho no mês em uma hora'. Ela aceitou. Um cliente fez a ponte com uma agência de strip de Balneário Camboriú, que a levou para fazer striptease em puteiros pelo Brasil. Seu primeiro destino foi Porto Alegre – ela foi para ficar duas semanas, ficou um ano.
Em 2005, veio para São Paulo e trabalhou no American Show (Moema), uma casa com o formato de 'tips' (notas compradas pelos clientes e dadas às strippers). Depois, passou pelo Romanza, Café Fotó, e outras casas. Em 2006, foi para a Espanha trabalhar em uma casa noturna, ficou um ano e voltou em 2007. Ainda na noite, começou a descobrir o 'lado B' do mercado do sexo.
A Descoberta do BDSM e do Fetichismo
Em 2008, Mayanna descobriu o BDSM e o fetichismo de forma inusitada. Numa parada em um Graal (posto de estrada), viu um livro de capa preta com uma menina algemada – era um thriller sobre um serial killer que usava práticas BDSM em suas vítimas, e o protagonista, um dominador, era acusado dos crimes. O livro, chamado 'Jak Mimi', despertou sua curiosidade. Ela chegou em São Paulo, procurou no site Desejo Secreto (uma enciclopédia do fetiche) e o mundo se abriu.
Logo depois, foi ao seu primeiro evento fetichista, o Projeto Luxúria, em 2008. Ela se identificou como switcher desde o início – gostava tanto de ser amarrada quanto de pisar em pessoas. Ela gostava de trampling, impacto, e também de ser bottom (apanhar, receber cera). A partir daí, começou a explorar sua sexualidade de forma mais ampla.
Da Pornografia Mainstream à Pornografia Alternativa e ao Burlesco
Mayanna entrou na pornografia em 2004, com o nome de Jordana. Em 2005, começou a gravar pornografia mainstream (hetero). Em 2009, descobriu a pornografia alternativa e a Xplastic (produtora de conteúdo fetichista) – e nunca mais voltou ao mainstream. Ela foi diretora do selo Fetish Box da Xplastic, além de atriz. Ganhou o prêmio de Melhor Atriz LGBT do Prêmio Sexy Hot em 2016. Em 2012, saiu definitivamente da noite da prostituição e mergulhou de cabeça no burlesco – uma arte que já praticava, mas que agora unia sua experiência de strip com crítica política e teatralidade.
Profissionalização e a Vida Civil
Mayanna trabalhou em várias agências de eventos como produtora, e sua vida pública e civil se misturam abertamente. Ela nunca sofreu rejeição ou bullying no trabalho – seus gestores e colegas sempre a trataram com respeito e curiosidade. Ela conta que, em ambientes de trabalho, muitas pessoas se revelam fetichistas para ela (por se sentirem seguras), mas não se comunicam entre si, porque ninguém é público. Ela se tornou uma espécie de 'conselheira sexual' não oficial em muitos lugares.
Love Nox: O Casarão do Saber Erótico
A ideia da Love Nox surgiu na pandemia (2020). Mayanna teve um burnout, pediu demissão de uma agência, e decidiu criar uma plataforma digital de conteúdo erótico com o nome Love Nox. Ela precisava de um espaço para gravar, e um amigo ofereceu um porão e um casarão na Sé (Rua Conde de Sarzedas, 136). O lugar estava detonado, mas ela alugou mesmo assim. Em 2022, um amigo gringo (o 'Sugar' dela) ofereceu o dinheiro para a reforma, e ela abriu as portas em 1º de julho de 2022.
A Love Nox é um espaço que reúne arte, performance, música, pintura, fotografia, literatura, sexualidade, educação e política. É uma casa horizontal, sem dress code, onde você pode ir de jeans numa noite de couro. Tem biblioteca (crescendo), espaço para testagem de ISTs (em parceria com a coordenadoria de STIs), distribuição de PREP, PEP, vacinas, preservativos e luvas. É um lugar para quem transa, para quem não transa, para fetichistas e para curiosos – um espaço de descoberta e acolhimento.
A Performance da Esmerilhadeira e a Chapa Vazada
Uma das performances mais emblemáticas de Mayanna foi no festival Nós Temos Burlesco (Rio de Janeiro, 2017). Ela fez uma releitura de Magic Mike, vestida de serralheiro, com uma esmerilhadeira. A performance era toda em torno da ferramenta: ela abria a performance fazendo faíscas no metal, tirava a roupa, e no final, na calcinha, tinha uma chapa de metal. Ela colocava a esmerilhadeira na chapa para sair faísca – a 'xochota flamejante'. Em uma das apresentações (no Teatro Mars, durante uma festa de techno), a chapa vazou com o corte da esmerilhadeira e cortou sua genitália. Ela sangrou, mas só sentiu depois – e a chapa ficou coberta de sangue. O amigo Marcelo Dávila a pediu e transformou a chapa em uma obra de arte, exposta na Love Nox.
Jogo Rápido: Perguntas e Respostas
- Cor: Preto.
- Sonho: Bolsonaro morto.
- Medo: Invalidez.
- Tema que deveria ser mais debatido: Age Play.
- O que não pode faltar numa sessão com ela: Cu.
- Atriz para interpretá-la no cinema: Aurora Divine.
- Prática fetichista que não fez mas gostaria: Confinamento (cage) – do tipo 'abduction'.
- Mayanna por Mayanna: Uma sobrevivente, osso duro de roer, braba, mas mamãe depois que quebra a barreira.
Considerações Finais e Onde Encontrar Mayanna e a Love Nox
Mayanna deixa seu site: lovnox.com.br, onde estão todas as redes e o servidor do Discord (mais antigo que a casa). O Instagram da Love Nox é @sarzedas136 (que também é o endereço: Conde de Sarzedas, 136) – ela pede que o público confie no que está no card, pois a conta já caiu três vezes. Seu perfil pessoal é @mayarca (porque ela é a matriarca da Love Nox). Mestre Cruel reforça o pedido para curtir, comentar, compartilhar, seguir o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp), e, em caso de queda das redes, acessar mestrecruel.com ou a rede social Kinggram. O episódio termina com a despedida 'Ciao' e a certeza de que a Love Nox continuará sendo um espaço de profanação, arte e acolhimento.