Confissões Consentidas - Ep. 34 - Rodriguinho

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Introdução: Quem é Rodrigo?

No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas a Rodrigo, também conhecido como Plutão, membro da House of Cruel. A conversa começa com uma descrição visual detalhada: Rodrigo tem 36 anos, é um homem branco com cabelo cacheadinho castanho, bigode, alguns piercings, tatuagens e uma bolsinha de ursinho (um acessório cartoon que ele já teve quatro vezes e está no fim da vida útil, pedindo ajuda para encontrar uma substituta).

Infância, Adolescência e a Descoberta da Homossexualidade

Rodrigo é natural da zona leste de São Paulo e sempre foi muito introvertido. Ele se descreve como um workaholic que trabalha muito. Desde criança, ele sabia que gostava de homens – com 7, 8 ou 9 anos, já sentia um 'drive' por homens. Além disso, ele sempre sentiu atração por cheiros masculinos, o que mais tarde se traduziria em sua identificação como pig (porco) dentro do universo fetichista. Na escola, ele nunca escondeu que era gay, mas também nunca falou sobre fetiches – não havia muito conhecimento sobre o assunto na época. Ele sempre teve apoio dos amigos, mas em casa a situação era terrível, pois sua família é evangélica e tem uma fundação cristã muito forte.

O Irmão Gay e a Reação Familiar

Rodrigo tem um irmão mais velho, Lelê, que também é gay. Lelê se assumiu primeiro, quando Rodrigo tinha 14 anos. A reação da família foi extremamente difícil: os pais choravam constantemente, culpavam-se e carregavam uma crença de 'maldição' que acompanhava a família – o avô de Rodrigo era gay, escondia isso, bebia, traía a avó com homens, e a família internalizou essa história como um fardo. Para os pais, especialmente pela fé religiosa, foi uma barra: a igreja, que deveria ser um local de apoio, os rechaçava ainda mais, sugerindo que haviam educado mal o filho. Apesar disso, Lelê sempre foi um filho 'certinho' – não bebia, não dava trabalho – e, embora a situação tenha sido difícil, foi 'superável'.

A Saída Forçada do Armário: O Celular e a Descoberta

Ao ver o sofrimento do irmão, Rodrigo decidiu que não queria passar por aquilo. Ele planejou viver sua vida gay em segredo até sair de casa. No entanto, o destino (e a tecnologia) conspiraram contra ele. Aos 17 anos, seu pai precisou pegar o celular de Rodrigo para resolver problemas no plano familiar. Sabendo da senha, o pai levou o celular para o trabalho e, sem aviso, teve acesso a tudo: mensagens, fotos e vídeos comprometedores, especialmente com homens mais velhos, que Rodrigo cultivava.

Ao chegar em casa, Rodrigo encontrou os pais trancados no quarto, chorando. No dia seguinte, eles entraram em seu quarto de manhã cedo e despejaram discursos sobre 'Deus', 'maldição' e 'pecado'. Além da homofobia, os pais também usaram argumentos de 'segurança' – que ele estava se expondo a perigos, encontrando desconhecidos e transando sem proteção. Rodrigo reconhece que esses eram argumentos legítimos, mas sente que o fundo da questão era mesmo a dificuldade deles em aceitar a homossexualidade, especialmente com homens mais velhos.

O Afastamento e a Reconciliação

Uma semana após o confronto, Rodrigo voltou a encontrar um dos homens (Anderson). Enquanto estava na casa dele, sua mãe ligou e disse: 'Se for para você viver desse jeito, sem a gente, sem o nosso apoio, para a gente não vai dar'. Rodrigo ficou muito triste, mas Anderson o acolheu em sua casa por um ano e meio. Nesse período, Rodrigo começou a trabalhar. Paralelamente, seu irmão Lelê e sua mãe fizeram terapia (psicologia) e isso ajudou significativamente na reconciliação. Cerca de dois anos depois, Rodrigo voltou para a casa dos pais, e hoje eles tentam manter alguma relação, embora com marcas.

A Entrada no Fetichismo: Pornografia, Culpa e a Primeira Sessão

Rodrigo sempre teve vontade de explorar fetiches, especialmente os elementos do Pig Play (cheiros, suor, degradação). Ele consumia pornografia e sabia que tinha esses desejos, mas foi com o acesso à cidade grande (São Paulo) e a aplicativos de relacionamento que ele pôde experimentar. No entanto, ele relata que, inicialmente, suas experiências eram marcadas por culpa e arrependimento. Ele lembra de uma situação em que, após um encontro sexual com uma pessoa 'esquisita e perigosa' (que ele encontrou bêbado), ele se sentiu devastado, sentou em uma praça e, ao abrir o Instagram, viu uma live de Mestre Cruel e de um amigo falando sobre fetiche. Esse momento foi crucial: 'Foi quando eu percebi que algo estava errado. Talvez eu devesse dar atenção para essa situação'.

Outro marco foi sua primeira vez na festa Brutus. Em um segundo andar, ele viu Mestre Cruel realizando um spanking intenso em um submisso e pensou: 'Quero apanhar também'. Esse foi o estopim para ele começar a frequentar espaços fetichistas e, eventualmente, iniciar terapia.

A Jornada de Autodescoberta e o Arrependimento Pós-Orgasmo

Rodrigo identifica que sua principal batalha é com a culpa, especialmente o chamado 'arrependimento pós-orgasmo'. Ele descreve que, após gozar, muitas vezes cai em um estado de não-verbalidade, vergonha e arrependimento – um 'drop' intenso. Ele ilustra isso com a lembrança de sua primeira sessão com Mestre Cruel, que envolveu fisting, amarras, cuspe, urina, e ejaculação. Após gozar, Rodrigo deitou em posição fetal, quase chorando, e disse a Mestre Cruel: 'É muito gostoso estar aqui com o cu vazando, mas, no mesmo momento, eu estou extremamente arrependido disso'.

Com o tempo, Rodrigo evoluiu nesse aspecto. Ele passou a lidar melhor com a culpa e hoje consegue sentir orgulho e felicidade após uma sessão. No entanto, ele admite que ainda usa o álcool como fuga – especialmente após encontros saudáveis, para lidar com o desconforto pós-coito – e que o abuso de substâncias segue sendo um perigo.

A Descoberta de Novos Fetiches: Do CBT à Podatria

Rodrigo conta que, no início, ao ver uma lista de fetiches, ele rejeitava práticas como CBT (tortura genital) e podatria (fetiche em pés), achando que jamais as faria. Hoje, elas estão entre suas favoritas. Ele também descobriu que é pig – gosta de mijo, cuspe, pés e cheiros. Ele se identifica como majoritariamente passivo (95%) e teve que lidar com um grande obstáculo: duas cirurgias anais para tratar hemorroidas nos últimos dois anos, que o deixaram assexual por um período e o forçaram a redescobrir o prazer sem penetração. Ele recomenda a outros submissos que explorem o corpo como um 'parque de diversões' e se abram a novas formas de prazer.

A Importância da Terapia e da Aceitação

Rodrigo enfatiza a importância da terapia como uma ferramenta fundamental para sua aceitação. O processo terapêutico, aliado à vivência em uma comunidade fetichista acolhedora (como a House of Cruel), o ajudou a transformar a culpa em orgulho. Hoje, ele consegue gozar e, em vez de se arrepender, sentir felicidade. Ele também reflete sobre seu passado: costumava buscar pessoas desconhecidas em aplicativos porque a humilhação e a degradação pareciam mais fáceis de suportar quando não havia vínculo afetivo. Com o tempo, ele aprendeu a valorizar a intimidade e a realizar sessões com pessoas de quem gosta, o que tornou a experiência mais leve e positiva.

Vida Atual: Morar Sozinho, Liberdade e Desafios

Atualmente, Rodrigo mora sozinho no centro de São Paulo – algo que ele vê como uma conquista, mas também como uma responsabilidade. Ele admite que, se tivesse morado sozinho antes, 'teria dado muito errado', pois tenderia a se envolver em situações perigosas. Agora, ele busca equilíbrio e está 'indo aos pouquinhos'.

Jogo Rápido: Perguntas e Respostas

  • Cor preferida: Vermelho.
  • Sonho: Nunca mais precisar trabalhar (embora ele admita que usa o trabalho como fuga).
  • Superpoder: Teletransporte.
  • País para visitar com teletransporte: Alemanha.
  • Pergunta que gostaria que tivesse sido feita (mas não foi): (Ele diz que não, mas sugere que responderá fora do ar).
  • Prática fetichista que não fez mas tem vontade: Tapa nas bolas (embora o fisting já tenha feito).
  • O que mudaria na vida: Ter buscado ajuda profissional mais cedo, pois perdeu muito tempo 'com besteira'.
  • Ator para interpretá-lo no cinema: Tony Ramos.
  • Pessoa que admira (viva ou morta): Ren Doginho (dupla).
  • Quem é Rodrigo por Rodrigo: Um menino extremamente trabalhador, tímido, que foge, mas muito autêntico, honesto, sincero e buscando viver o melhor da vida.

Considerações Finais e Onde Encontrar Rodrigo

Rodrigo deixa seu Instagram: @srverdes (perfil fechado, mas ele aceita todos). Ele também tem 'melhores amigos' onde a 'coisa acontece'. Mestre Cruel reforça o pedido para que o público curta, comente, compartilhe, siga o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp) e, em caso de queda das redes, acesse o site mestrecruel.com ou a rede social fetichista Kinggram. O episódio termina com a despedida 'Ciao' e a certeza de que a jornada de autoconhecimento de Rodrigo, embora cheia de percalços, é um exemplo de resiliência e transformação dentro da comunidade fetichista.