Confissões Consentidas. Ep. 33 - Lilu the Fox

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Introdução: Quem é a Baby Lu?

No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas a sua convidada especial, Lu, também conhecida como Baby Lu. A conversa começa com uma descrição visual: Lu está usando um vestido branco 'bem princesinha', uma tiara rosa na cabeça, óculos, cabelo longo e castanho, e uma coleira rosa com um coração, que tem seu nome atrás e a palavra 'Dery' na frente. A descrição é interrompida por risadas e Mestre Cruel brinca que o podcast será 'um caos'.

Infância no Interior do Amazonas e a Mudança para Manaus

Lu nasceu e passou os primeiros anos de vida no meio da mata, até os 6 anos de idade, antes de se mudar para a cidade. Ela é natural do Amazonas, mais especificamente de Manaus. Ela brinca que a 'mata só muda a vegetação', e que seu estilo de vida envolvia coisas como plantar uma cajazeira ou subir em goiabeiras – atividades que, segundo ela, nunca deram problema, apesar dos avisos de que os galhos poderiam cair. Sua infância foi marcada por uma vida simples, com brincadeiras ao ar livre e contato com a natureza, antes de se mudar para Manaus para estudar e ter uma vida mais comum.

Adolescência, Faculdade e a Descoberta da Sexualidade

Lu descreve sua vida como 'muito pacata e tranquila' até os 20 anos. Ela cursou engenharia da computação por um tempo, mas depois mudou para design, onde se graduou. Foi durante a graduação em design que ela começou a descobrir sua sexualidade de fato, através de um processo de terapia que foi iniciado de forma inusitada: sua mãe chegou em casa um dia e disse que havia comprado uma sessão de terapia 'na promoção' e queria que ela fosse. Lu aceitou, e foi nesse processo que ela começou a se entender como bissexual, além de explorar seus gostos e desejos sem estigmas.

A Saída do Armário e a Reação Familiar

Lu foi 'arrancada do armário' de forma inesperada. Ela havia escrito em um papel que era bissexual e deixado sobre a mesa do quarto. Ao sair para nadar, sua mãe entrou no quarto, viu o papel e, ao voltar, a confrontou durante o jantar, perguntando se ela tinha algo para contar. A conversa foi curta e pouco esclarecedora. No entanto, a mãe de Lu decidiu chamar seu pai, que mora no Acre e com quem ela tinha pouco contato (se viam a cada dois anos). Em um almoço, o pai sentou-se à mesa e começou a contar que, na época da escola, também teve curiosidade com outros homens, mas que 'viu que não era para ele'. Lu ficou extremamente constrangida, descrevendo a cena como um momento de pânico ('me tirem daqui, por favor, eu só tenho 5 anos'). Apesar do desconforto, ela reconhece que a atitude dos pais foi uma tentativa de apoio, da melhor maneira que sabiam.

Descoberta de Gênero e a Não Binariedade

A descoberta de gênero veio um pouco depois da sexualidade. Lu se identifica como uma pessoa trans não binária. Ela reserva o uso do pronome masculino para a família e amigos antigos, mas na rua se apresenta de forma feminina ('gatinha gostosa', brincando que 'gostosa é um gênero neutro maravilhoso').

Ela descreve o período de transição como um 'limbo do gênero', onde não se sentia 'menino suficiente' para usar o banheiro masculino, nem 'mulher suficiente' para usar o banheiro feminino. Esse período de cerca de um ano foi marcado por situações desconfortáveis, como entrar em um banheiro masculino e fazer um homem sair confuso, achando que estava no banheiro errado. Após esse episódio, Lu entendeu que seria mais fácil usar o banheiro feminino para não gerar questionamentos.

O Relacionamento com o Namorado e a Exploração do Fetichismo

Lu conheceu seu namorado (atual marido) aos 21 anos. Com ele, ela encontrou um espaço de liberdade para explorar sua feminilidade, usar vestidos e deixar o cabelo crescer – algo que sua mãe não permitia. O relacionamento sempre foi pautado pela não-julgamento, e foi dentro dele que Lu começou a explorar seus fetiches.

Inicialmente, ela descobriu gostar de pés e de odores (especificamente de pessoas de quem gosta). Ela e o namorado exploraram essas coisas com sutileza, até que surgiu o tópico do Age Play, que na época era um hard limit para ele. Lu respeitou o limite, mas a curiosidade cresceu, e ela queria experimentar. Foi nesse contexto que ela conheceu Mestre Cruel, que a apresentou a outras práticas, incluindo a feminização e a castidade.

A Primeira Experiência com Age Play

A primeira sessão de Age Play de Lu foi marcada por elementos como fraldas geriátricas, chupeta, lubrificante e camisinha – uma compra no caixa de uma farmácia que gerou olhares curiosos do atendente. A sessão foi uma abordagem por 'aproximação', focada na humilhação: ao invés de apenas usar a fralda, o parceiro urinava dentro dela, forçando Lu a usá-la. Lu aprendeu que a humilhação é algo subjetivo ('a humilhação realmente tá na cabeça de cada um').

Hoje, Lu pratica o Age Play principalmente no headspace de little, um estado mental onde ela não se sente atraída sexualmente, mas apenas quer 'ser bonita e sobreviver', deixando a responsabilidade de pensar para o cuidador. Nesse headspace, ela frequentemente fica não verbal, pois considera um 'saco' ter que dialogar.

A Jornada no Fetichismo: De Submissa a Dery

Lu começou sua jornada no BDSM como submissa, explorando práticas mais tradicionais como spanking. Com o tempo, ela foi evoluindo e se descobrindo também como uma figura de cuidado e dominação. O termo 'Dery' (derivação de Daddy) foi inicialmente usado por ela para descrever uma fantasia de se relacionar com pessoas mais velhas que tivessem uma aparência paternal, mas que oferecessem tanto a disciplina quanto o colinho após a sessão. Mais tarde, ela subverteu o termo para incorporar elementos do Age Play, como o cuidado e a proteção, e hoje se vê tanto como little quanto como caregiver, dependendo do contexto.

Jogo Rápido: Perguntas e Respostas

  • Cor preferida: Rosa.
  • Animal preferido: Coruja.
  • Superpoder desejado: Ler mentes (ou invisibilidade).
  • Preferência entre Pet Play e Furry: (evitou responder, dizendo 'fica por aqui o podcast').
  • Atriz para interpretá-la no cinema: Cláudia Raia.
  • Filme favorito: 'A Origem dos Guardiões' (também gosta de 'A Lenda dos Guardiões' e Harry Potter).
  • Medo: Ser esquecida no rolê (em um âmbito geral).
  • Prática fetichista que não fez mas tem vontade: Ser amarrada (bondage), pois ela acha que faz pouco bondage.
  • Pessoa que mais admira: Sua avó e sua mãe.
  • Quem é a Lu? Uma pessoa extrovertida (descobriu isso depois de conhecer Yuri), que não gosta de problematizar as coisas e tenta sempre ver o lado positivo.

Considerações Finais e Onde Encontrar Lu

Lu deixa suas redes sociais: o Instagram kink/pet play é @lilufox, e o Instagram do dia a dia (com fotos de café e romantizando a vida) é @lugaran. Ela também tem um canal no YouTube com vlogs, incluindo a viagem para a Folsom Street Fair em Berlim. Mestre Cruel reforça o convite para curtir, comentar, compartilhar, seguir o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp) e, em caso de queda das redes, acessar o site mestrecruel.com ou a rede social fetichista Kinggram. O episódio termina com risadas e a despedida 'Ciao'.