Confissões Consentidas - Ep. 25 - Senhor Asgard

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Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e o Convidado Asgard

No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe Asgard. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos, cabelos castanhos, usando uma jaqueta com patches de couro nas cores verde, marrom e vermelho. Asgard, então, faz sua autodescrição: homem pardo, 58 anos, cabelos e barba quase totalmente brancos, vestindo 'pretinho básico' (camiseta, calça, meia e tênis brancos), vindo direto do trabalho.

A Vida Antes do Fetichismo: Atibaia, Casamentos e Herdeiros

Asgard nasceu em Atibaia (interior de São Paulo) e praticamente toda sua vida se passou lá, exceto por dois períodos em Balneário Camboriú. Ele está no terceiro casamento; do primeiro tem dois filhos (um casal), ambos já casados, e ele será avô em breve — seu primeiro neto está para nascer. Sua filha também é casada mas ainda não tem filhos. Asgard trabalhou com o pai em uma fábrica de sopas em Barueri.

O Despertar Sádico na Infância e a Chegada ao BDSM (2003)

Desde a infância, Asgard sempre buscou brincadeiras onde outras pessoas sofressem algum tipo de dor ou dano — pega-pega, polícia e ladrão, com beliscões e mordidinhas. Ver alguém tropeçar na rua lhe causava uma sensação 'diferente' após o primeiro riso. Esse desejo se fortaleceu quando ele se casou com a mãe de seus filhos. Em 2003, descobriu que tudo o que sentia tinha nome e que existiam outras pessoas com os mesmos interesses, através do bate-papo do Uol, listas de discussão do Yahoo, Orkut e MSN. Ficou 3 anos no virtual (apenas conversas e estudos) até que, em fevereiro de 2006, foi para o 'real' — sua estreia no mundo BDSM foi na 'Casa Amarela' (Paraíso). O nome Asgard veio da mitologia nórdica, inspirado na série Stargate (filme e 10 temporadas). Ele tentou outros nomes de personagens, mas 'Asgard' sempre voltava à mente, e adotou como Senhor Asgard.

Práticas: A Evolução do Bondage para o Impact Play e o Arame Farpado

Quando começou a frequentar o clube Dominatrix, Asgard era mais bondagista do que sádico — brincava mais com cordas. Com o tempo, entendeu que práticas que causam dor (não apenas spanking, mas qualquer desconforto) mexiam mais com ele. O blood play surgiu após quase um ano de pesquisas exaustivas no FetLife, conversando com praticantes de fora do Brasil. Ele chegou a construir amarrações com arame farpado e fabricar relhos manuais com o material. Needle play veio de forma semelhante. No entanto, a prática que sempre esteve em evidência foi o spanking / impact play. Asgard reflete sobre a discussão semântica dos termos: spanking (com mãos) vs. impact play (com acessórios) — para ele, tudo é spanking. Ele critica os 'preciosismos acadêmicos' quando a intenção é meramente comunicativa ('quer dizer que gosta de apanhar, tá tudo certo; quer dizer que gosta de bater, tá tudo bem também').

A Relação com Hana: 'Era Para Ser Só uma Ficada' e o Fim da D/s

Asgard conheceu Hana em maio de 2021, no final da pandemia. Ele abriu uma caixinha no Instagram, ela respondeu, ele respondeu de forma que ela achou 'escrocha' (bratismo), e a troca continuou. Ela investiu pesado na resposta, ele mandou áudio, ela devolveu áudio, foram para o WhatsApp. Hana morava em Brasília na época. Veio para São Paulo passar quatro dias ('era para ser só uma ficada') — deu certo, o beijo encaixou, tudo encaixou. Ela passou a vir uma vez por mês, depois namoro, depois D/s, e em janeiro de 2022 ela se mudou em definitivo para São Paulo com o filho dela (Caetaninho, que Asgard hoje considera como filho). A ficada já vai para 5 anos. Asgard explica que, com filhos pequenos e a rotina de casa (contas, mercado, escola), a D/s se torna difícil: 'é fácil se perder'. Ele vê que a D/s funciona melhor para casais que não moram juntos ou que não têm filhos, pois há um 'momento de descompressão'. Após muita conversa, ele entendeu que, para o contexto do casal, a D/s não fazia mais sentido. A convivência diária — 'tem horas que ela olha para mim e quer me xingar para valer, e às vezes eu quero brigar com ela' — tornou a liturgia insustentável. A tendência a ser menos litúrgico foi ascendente desde que conheceu Hana.

A Piece de Resistência: 'Eu Quero Divórcio!'

Durante as cenas públicas de Asgard com Hana, ela (que é extrovertida, brincalhona, se mexe bastante, pula e esperneia) costuma xingá-lo para extravasar: 'Te odeio, não te amo mais, vou embora, quero ir para a casa do meu pai'. Em determinado momento, ela soltou: 'Na boa, eu quero divórcio'. O público ao redor veio abaixo, rindo, e a frase virou um jargão: quando o casal faz cena pública, as pessoas gritam 'pede o divórcio, tem que bater até pedir divórcio'. Quando ela pede, todos batem palmas e festejam. Asgard compara a dinâmica com a da Senhorita G (que precisa apanhar até quebrar algo).

A Família e a Transparência: 'Meus Filhos Sempre Souberam'

Asgard sempre foi muito transparente com seus filhos desde o início. Eles não gostam nem curtem, mas respeitam sua escolha. Com a primeira esposa, não houve prática fetichista — apenas 'brincadeirinhas aqui e ali'. A segunda esposa (Tav, uma 'bottom masoquista bem conhecida') ele conheceu no meio fetichista. No trabalho, pouquíssimas pessoas sabem sobre sua vida fetichista, e nunca interferiram. Ele nunca sofreu preconceito por ser quem é. Na família, uma tia e uma prima (hoje fora do Brasil) sabem, além de alguns amigos próximos. Asgard não esconde se perguntado, mas também não 'solta o verbo nos mínimos detalhes'.

Kink Grun: A Rede Social Fetista Brasileira (Por Brasileiros, para Brasileiros)

Asgard e sua ex-esposa Tav (os únicos fundadores) criaram a BDSM Lovers (rede social, revista e encontros), que durou cerca de 4 anos. Após o fim do projeto, a ideia amadureceu, e em 1º de fevereiro de 2025 ele lançou o Kink Grun (completará um ano em breve). Atualmente (janeiro de 2026), a rede conta com 1.252 membros verificados. Kink Grun é uma rede social fechada: o interessado preenche um formulário no site inscricao.kinkgrun.com.br, envia uma cópia do documento, faz uma selfie segurando o documento, e Asgard (que é o único administrador) valida as informações. Não é necessário usar nome real no perfil; os documentos são apenas para validação e segurança (LGPD), criptografados. O feed é linear (sem algoritmo), permite postagens de fotos, GIFs animados e textos (vídeos ainda não estão liberados devido ao risco de download). Há 'espaços' (semelhantes a comunidades do Orkut) e um mecanismo de busca robusto (permite buscar por qualquer termo que a pessoa tenha colocado no perfil: localização, práticas, hashtags, etc.). A rede conta com patrocinadores (o próprio podcast Confissões Consentidas é um deles).

Jogo Rápido: Preto, Sonhos e Fisting Anal

No quadro de perguntas rápidas, Asgard revela que sua cor favorita é preto. Seu sonho: que o Kink Grun cresça e sua proposta se solidifique. Seu medo: ser julgado por algo que não fez. Como super poder, escolheria raio X (ver através de paredes, não para ver pessoas peladas). Uma prática fetichista que ainda não fez mas tem vontade: fisting anal (vaginal ele já fez). Asgard comenta que sua mãe é grande, mas 'possível sim para fazer'. Um filme: Stargate. Uma música/cantora: Dona Ivone Lara. Por fim, ele define a relação entre Fernando (nome civil) e Asgard: 'Fernando é um cara nerd que sempre está buscando aprender algo novo em programação, é um cara simples, não precisa de muita coisa, adora ficar em casa, maratonar séries, assistir filmes, é o ermitão que gosta de ficar entocado.'

Considerações Finais e Redes Sociais

Asgard divulga seu Instagram: @senhor.asgard. No Kink Grun, o perfil é Senhor Asgard. Mestre Cruel divulga @confissoesconsentidas, @domcsp, o site www.mestrecruel.com e a rede Kink Grun (onde o podcast também possui perfil).