Introdução: Quem é Ma Meduze?
No episódio do podcast 'Confissões Consentidas', o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas à convidada Má Meduze. A conversa começa com uma descrição visual detalhada: Má é uma pessoa trans não binária, com cabelo médio e loiro, vestindo uma roupa de vinil preta com acessórios fetichistas, correntes, um top branco, sainha de vinil, unhas azuis afiadas e uma maquiagem marcante. Ela é dançarina, coreógrafa, modelo, editora de vídeo e imagem, além de fetichista. Aos 23 anos, nasceu em Barueri, na zona oeste de São Paulo, e atualmente está focada em suas performances na comunidade fetichista.
Infância e Adolescência: As Primeiras Experiências com a Dança
Ma Meduze sempre foi uma pessoa extrovertida e brincalhona. Ela nasceu em São Paulo e, em 2014, mudou-se para Olímpia, no interior do estado, onde viveu por 4 anos. Essa experiência no interior foi marcante: ela aprendeu a andar de bicicleta, teve contato com a natureza e fez amigos. Foi lá que teve sua primeira experiência em um palco, em um curso de espanhol e francês que culminava em um show de talentos. Inicialmente, ela teve vergonha e não dançou, mas no ano seguinte, superou o medo. Os coreógrafos perceberam sua habilidade e ela se apresentou em uma casa de cultura para a cidade inteira. Foi naquele momento que ela decidiu: 'Eu quero isso pelo resto da minha vida'. A energia da plateia foi o combustível para sua paixão pela dança.
Aos 18 anos, Má terminou o ensino médio durante a pandemia de 2020. Sem muito o que fazer, ela aproveitou para estudar dança online, comprando aulas com grandes nomes da área. Ela se dedicava dia e noite, usando um espelho de guarda-roupa como apoio, e postava vídeos no TikTok, onde um de seus vídeos viralizou, atingindo 2 milhões de visualizações. Sua família a ajudava nas gravações, com seu irmão e mãe participando das filmagens. Quando a pandemia começou a dar trégua, ela conseguiu uma bolsa no estúdio Pos Dance Studio, onde passava horas fazendo todas as aulas disponíveis. Depois, foi chamada para o Millennial Dance Complex, onde ficou por seis meses, antes de decidir transitar por vários estúdios sem se fixar em um único lugar.
Os Desafios do Trabalho e a Realidade CLT
Paralelamente à dança, Má enfrentou a dura realidade do mercado de trabalho. Por não ter a reservista, não podia trabalhar formalmente por um período. Quando conseguiu, trabalhou em telemarketing, como atendente, e até mesmo em uma fábrica. Ela também teve um emprego incomum: sair na rua batendo de porta em porta para conscientizar sobre o meio ambiente. Essa diversidade de experiências lhe deu a habilidade de se comunicar com qualquer pessoa e de se adaptar a qualquer ambiente. Ela descreve o choque de realidade de estar um dia em eventos de moda e fashion, e no outro, de botina na rua, fazendo trabalhos braçais. Essas vivências, embora difíceis, foram importantes para sua formação pessoal e profissional.
Descoberta da Sexualidade e Identidade de Gênero
A descoberta da sexualidade e identidade de gênero de Má foi um processo natural, influenciado por seu irmão mais velho, que é gay e abriu o caminho na família. Sua mãe, inicialmente, reprimiu um pouco o irmão, mas depois o aceitou. Má sempre usou a dança como desculpa para explorar sua expressão de gênero: cortava camisetas para fazer croppeds, usava perucas, pintava as unhas. Ela conta que seu pai perguntava se ela era 'igual ao irmão', e ela respondia: 'Não, sou um pouco pior'.
Um momento marcante foi quando ela quis pintar a unha de preto. Sua mãe resistiu, mas Má argumentou: 'Você viveu sua vida do jeito que você quis. Eu não vou viver a minha vida em prol da sua'. Ela propôs um acordo: não pintaria a unha dentro de casa, mas pintaria na calçada e removeria antes de entrar. Eventualmente, sua mãe cedeu, colocou o esmalte preto na mesa e disse: 'Passa para ver'. A partir daí, a aceitação veio gradualmente, com a mãe até presenteando Má com um batom Dior. Má nunca sentiu a necessidade de 'assumir' nada para a família – ela simplesmente foi vivendo e se expressando, e todos foram percebendo.
Androginia e Não Binariedade
Má se identifica como uma pessoa trans não binária, mas não se prende a rótulos. Ela gosta da androginia – de causar dúvida nas pessoas sobre o que ela é. 'Eu não gosto de entrar nessa caixa', afirma. O nome artístico 'Ma Meduze' vem de 'Mateus' (seu nome de registro), mesclado com a figura mitológica da Medusa. Ela não se importa se as pessoas a tratam no masculino ou no feminino, pois sua essência vai além disso. Para ela, existe o Mateus criança e a Ma Meduze performer, e ambos coexistem.
A Entrada no Mundo Fetichista
O interesse de Má pelo fetichismo começou através da pornografia. Consumindo vídeos gays, ela se deparou com um recomendado que mostrava water sports (um homem mijando no outro). 'Gostei, gostei', ela disse. A partir daí, o algoritmo a levou para um 'limbo' de conteúdos cada vez mais específicos: do pissing ao sounding (inserção de objetos na uretra), entre outras práticas. Ela sentiu que precisava viver aquilo de alguma forma.
Má e Mestre Cruel se conheceram no Grindr, mas nunca chegaram a se encontrar na época, pois Má se considerava 'medrosa'. Ele a chamava para eventos fetichistas como a 'Brutos', mas ela achava que não era para ela. O primeiro encontro dela em um ambiente fetichista foi na Let's, onde um rapaz a apresentou ao local. Lá, ela conheceu pessoas que mais tarde a convidariam para performar. Sua primeira performance fetichista aconteceu no Dominatrix, em um projeto chamado 'Leather Night', que retratava a figura de uma switcher (alguém que alterna entre dominância e submissão).
Primeira Experiência BDSM e a Descoberta do Switcher
A primeira experiência efetiva de BDSM de Má foi em um bar, onde ela se viu de quatro, lambendo uma bota. Foi um momento de realização: 'Você saiu do vídeo e agora você é a pessoa do vídeo'. Apesar disso, ela nunca conseguiu realizar seu fetiche de transar com um homem vestido inteiramente de couro – um convite que ela faz abertamente. Sua primeira performance já a retratou como switcher, começando como submissa e terminando dominando o parceiro de cena. Ela quebrou o tabu de que uma pessoa é apenas dominadora ou apenas submissa, afirmando que 'tem dias e dias' e que cada relação D/s (Dominação/submissão) tem suas próprias características. Ela descobriu prazer em mandar: 'Senta, joelha, busca uma bebida para mim, lambe meu pé'.
Fetichização do Corpo Trans e Preconceitos
Má aborda abertamente a fetichização de corpos trans por homens heterossexuais cisgênero. Muitos a procuram por ela performar uma feminilidade intensa, mas criam bloqueios quando descobrem que ela não se identifica como mulher trans. Ela relata um caso em que um cara, após saber que seu nome era Mateus, imediatamente ligou para outra mulher trans na sua frente e marcou um encontro. Outro caso: um affair a abandonou quando ela começou a usar hormônios femininos para melhorar a pele e afinar o rosto, pois ele gostava do lado mais 'masculino' dela.
Com o uso de hormônios, Má perdeu libido e ereção, mas ganhou um corpo mais feminino. Isso atraiu homens que queriam que ela fosse passiva (ser mamada, dar), o que se tornou fisicamente difícil. A conclusão dela é que não se pode agradar a todos: 'Eu vou estar me sentindo bonita e gostosa do jeito que eu quiser'. Ela também critica a tentativa de pessoas de forjar um nome feminino para ela (como 'Keila'), rejeitando ter que se encaixar em caixas para satisfazer os outros. Seu recado final sobre o assunto é direto: 'No final das contas, eles querem todos dar o cu'.
Jogo Rápido: Perguntas e Respostas
- Cor: Azul.
- Sentimento: Alegria.
- Qualidade em si mesma: Amigável.
- Qualidade que admira nos amigos: Companheirismo.
- Superpoder merda: Fazer o cabelo pegar fogo.
- Superpoder bom: Telecinese (para mover objetos e voar).
- Medo: Cair de moto.
- Atriz para interpretá-la no cinema: Sarah Paulson.
- Jantar com Lady Gaga ou Pabllo Vittar: Lady Gaga (aproveitar enquanto ela está 'ficando velhinha' – brincadeira –, pois acredita que trabalhará com Pabllo no futuro).
- Palavra/frase que mais usa: 'Juro'.
- Como se descreve: Poderosa, cheia de si, segura, extrovertida, parceira, carinhosa, amorosa, fetichista, e também 'fofa' para equilibrar.
Considerações Finais e Onde Encontrar Ma Meduze
Ma Meduze encerra a participação agradecendo e deixando suas redes sociais. O Instagram é @mameduz_line (pois o anterior caiu), e o Twitter é @mameduze. Ela também tem um Privacy (link via site: vas.com.br/marlineus). Mestre Cruel reforça o convite para que o público siga o podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp), além de acessar o site mestrecruel.com ou a rede social fetichista Kingran. A conversa foi gravada em novembro de 2025 para ir ao ar em 2026, e Má brinca com a possibilidade de as redes sociais caírem novamente, confiando que as informações na tela estarão atualizadas. O episódio termina com um 'Ciao' descontraído e a promessa de novos encontros.