Confissões Consentidas - Ep. 20 - Danny

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Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e a Convidada Danny

No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe Danny. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos, cabelo castanho, 'um pouco gordinho', usando uma camisa preta com detalhes em azul de couro. Danny , então, se descreve como pessoa trans não binária, pessoa com deficiência, não branca e judia. Na gravação, usa um harness de corda.

Artista Visual, Historiadora e o Voyeurismo Consensual

Danny se imagina no Wikipédia como artista visual, com foco em fotografia, ilustração e design. Sua fotografia é profundamente ligada ao voyeurismo consensual — um olhar que não é de invasão, mas de participação. 'É uma fotografia participante: um olhar que está ali sentindo junto, assistindo ao tesão junto pela cena ou pela prática, ativa ou passivamente.' Danny nasceu em Santos e viveu lá até os 20 anos, quando ingressou na UNIFESP para cursar história, mudando-se para Guarulhos e depois para São Paulo. É mestra em história, com ênfase em cultura e patrimônio.

Adolescência Religiosa, Repressão e o Último Dia na Igreja

A adolescência de Danny foi marcada por um lar 'muito cristão, muito cristianizado' e repressor. A família tem origem étnica judaica (mãe preta, pai branco não branco judaico), mas a prática religiosa era majoritariamente cristã, em uma igreja messiânica. Danny sonhava em ser missionário e ir para a China, motivado pelo amor à cultura asiática e pelo desejo de aprender história e antropologia para se aproximar das pessoas. O rompimento com a religião ocorreu quando um pastor deu uma palestra dizendo que 'os meninos estavam se feminizando' e usou como exemplo um menino com calça dobrada, short dobrado, mangas dobradas e uma bolsinha — exatamente como Danny estava vestido. 'Aí eu falei: OK, acho que esse não é o meu lugar.' Ele saiu da igreja junto com um amigo homossexual, fortalecendo-se mutuamente. Na universidade, começou a militar na LSR (Liberdade, Socialismo e Revolução) e entrou em contato com muitas pessoas LGBT.

Descoberta de Gênero e Sexualidade: Sementinha Germinando

Danny sabia desde cedo que não era um homem, mas reprimia. Foi na faculdade que encontrou outras pessoas e deu nome à sua identidade. Em 2017, se descobriu pessoa não binária. A sexualidade também aflorou nesse período, e o fetichismo já estava presente em brincadeiras de infância/adolescência — incluindo práticas com o filho de um líder da igreja (sem citar nomes), com quem passava três dias na casa. Danny já gostava de pés, cheirar roupa, e via na liturgia e doutrina religiosa um componente de tesão: 'Eu fazia jejum e orava de joelhos no chão — considerado uma prática muito fiel, fervorosa, mas eu tirava uma panca sexual disso.' Ele também interpretou Jesus em uma peça, ecoando a teoria de que Jesus seria trans.

A Chegada do BDSM: Descobrindo Nomes e Hashtags

Em 2018, após se descobrir não binário, Danny começou a 'fuçar na internet' — olhando pornô e aprendendo através de hashtags. Assim descobriu os nomes das práticas: submissão, podolatria, shibari. 'Foi uma abertura, um desabrochar. Tava uma caixinha de Pandora ali; abri um furinho e veio uma enxurrada.' Sua primeira experiência nomeada com um top aconteceu nessa época, e ele também se descobriu não monogâmico. Danny se identifica como switcher convicto ('bem caótico, fluindo entre uma coisa e outra, preciso um pouco disso'). Começou como bottom e, há cerca de 3 anos, tem um sub (Lui) com quem desenvolveu uma relação D/s. O início foi com shibari; depois, sentaram em uma mesa da Rua Augusta, fizeram uma 'lista de mão' e combinaram práticas, incluindo piss play, que deu muito certo.

Fotografia: Da Biblioteca do Instituto Moreira Salles às Festas Noturnas

Danny trabalhou no Instituto Moreira Salles (espelhado na Avenida Paulista), especializado em fotografia e arte contemporânea. Entrou como orientador de público e foi promovido por sua experiência em biblioteca. Na biblioteca de fotografia, teve amplo acesso a fotolivros muito caros e conheceu vários autores. Aprendeu técnica, começou a tirar fotos de si mesmo, depois foi para baladas noturnas de música techno fotografar performances. Postou no Instagram, recebeu elogios e foi chamado para fotografar uma festa com tema LGBT, não monogamia e sexualidade positiva. Um afeto lhe emprestou uma câmera, e Danny se desenvolveu fotografando festas noturnas e palcos — uma realidade muito diferente do estúdio ('no estúdio você é o dominador; na festa você é submisso ao que acontece'). Danny fotografa a festa Lets (de Lamandala) desde a primeira edição. Conheceu Lamandala em um dark room na festa Orgástica, e ela o chamou para produzir uma festa baseada em fetiche. Danny também fotografou a semifinal e a final do Mr. Fetiche Brasil. Mestre Cruel afirma que o olhar fotográfico de Danny é 'a cara da Lets' e que há muitas fotos dele na introdução do podcast.

Jogo Rápido: Rosa, Corna e Talarica, e Cabine Checa

No quadro de perguntas rápidas, Danny revela que sua cor favorita é rosa (Mestre Cruel achou que seria roxo). A frase que mais usa: 'Eu sou muito corna e muito talarica'. Como livro, indica a sequência de Foucault e Deleuze & Guattari, além do fotolivro de Catherine Opie (que ganhou de presente). O período histórico favorito é o contemporâneo. A fotógrafa favorita é Catherine Opie, mas também cita M. Törp. Para interpretá-lo no cinema, sugere 'algo entre Johnny Depp e Elliot Page'. Uma prática fetichista que ainda não fez mas tem vontade: cabine checa (semelhante a glory hole). Define-se em uma frase: 'Eu tenho duas pessoas dentro de mim: uma talarica e outra corna'. Seu medo é aranha (especialmente tarântulas).

Considerações Finais e Redes Sociais

Danny divulga seus perfis: @y_d_a_n_a (conteúdo de fetiche e vida pessoal) e @d_a_n_v_o_i_r (Danny voar — fotografia de palco, performance e mundo fetichista). Mestre Cruel divulga @confissoesconsentidas, @domcsp e o site www.mestrecruel.com.