Confissões Consentidas - Ep. 18 - Pup Ares

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Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e o Convidado Pup Ares

No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe Pup Ares. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos, cabelos castanhos com mechas, usando uma camisa de couro roxa. Pup Ares, então, faz sua autodescrição: 24 anos, há 3 anos atuando como pup (filhote). Ele se autodenomina 'malamute do Alaska ou malamute do Piauí' (apelido dado por Mestre Cruel). Veste uma camisa de time preta sem mangas, capuz e calça de sarja preta, vindo diretamente do trabalho.

Advogado Trabalhista e a Busca por Justiça

Pup Ares é advogado trabalhista — escolheu a profissão porque 'gosta de barraco' e porque acreditava que, se as pessoas fazem tanto mal umas às outras, ele poderia fazer o bem a pelo menos uma pessoa. Ele já atuou defendendo tanto empresas quanto trabalhadores, mas atualmente trabalha em um escritório que defende o trabalhador. A inspiração veio também de sua mãe, que era advogada (embora não tenha exercido). Além disso, ele gosta de história e vê o direito como uma forma de remediar, no presente, os erros cometidos no passado. Ele brinca que a escolha também tinha o objetivo de 'ficar rico', mas reconhece que 'errou miseravelmente'.

Infância, Assunção e a Cidade de Teresina

Pup Ares nasceu e cresceu em Teresina, no Piauí, em um bairro nobre, com seus pais e dois irmãos. Ele se descreve como uma 'criança muito viada' — assumidamente afeminado, gay e orgulhoso. Sempre foi artístico: gostava de dançar, se expressar, desenhar, assistir desenhos como Power Ranger (era o Power Ranger rosa), Mansão Foster para Amigos Imaginários, e até hoje alimenta sua criança interior por achar o 'mundo adulto muito chato'. Ele se assumiu aos 12 anos, após ser tirado do armário por um namorado escondido, e decidiu que não iria se calar nem se envergonhar. Pup Ares nunca se achou diferente das outras crianças — ele brincava de bola e de boneca com naturalidade. Sua maior dificuldade foi viver em Teresina, onde, segundo ele, não há a mente aberta de São Paulo: não se veem casais gays, lésbicos, trans ou bissexuais em espaços públicos. Por isso, tudo o que ele sabia sobre sua sexualidade era 'escondido'.

Os Gatilhos de Rejeição e a Construção de Três Personalidades

Pup Ares sofreu bullying severo na infância e adolescência, principalmente por ser um 'gay gordo' em Teresina, e carrega gatilhos de rejeição até hoje. Ele revela que possui três personalidades que o ajudam a lidar com esses traumas: o advogado Cauê (seu nome de batismo), a drag queen Megan e o Pup Ares. Cauê é travado, com medo de chegar nas pessoas, pensa nas consequências e evita contato físico e trocas de fala. A drag queen é 'autoconfiante', 'uma deusa, uma rainha do pop' (mistura de Dua Lipa com Lady Gaga), que acredita que todos vão olhar para ela. O Pup Ares é o lado 'mais safado, mais instintivo, que não tem medo das consequências, que se joga, que conversa com todo mundo'. Pup Ares conta que usou a máscara para conversar com Mestre Cruel pela primeira vez — jamais teria feito isso sem ela. A máscara não serve para esconder quem ele é, mas para 'trazer de dentro alguém que está adormecido', como um manto que desperta algo latente. Após criar confiança, ele tira a máscara e se solta.

A Rede de Apoio em São Paulo: Fetichismo como Bengala

Pup Ares chegou a São Paulo há 1 ano e 7 meses, 'na cara e na coragem e na paixão', sem propostas de emprego, se virando como freelancer. Sua irmã (médica no Sírio) mora em São Paulo, mas ele só começou a vê-la com frequência um mês depois de chegar. Sua rede de apoio foi construída quase inteiramente através da comunidade fetichista: os encontros mensais do Café Amigável (Cafan), a FetichMitz e amigos como Anova, Duffy, Zeluk (seu primeiro alfa, dentro do pet play). Ele admite que usou o fetiche e os encontros como uma 'bengala' para se manter em São Paulo, pensando 'aguenta mais um mês que dia tal tem fetich'. Ao ver aquelas pessoas 'totalmente felizes, totalmente alegres', ele sentiu: 'aqui é meu lugar'. Eventualmente, conseguiu emprego, estabilidade e se consolidou no meio fetichista. Hoje, mora com amigos que também vieram de Teresina.

Pet Play: A Máscara, o Malamute e a Homenagem à Cadela Lenu

Pup Ares pratica pet play na comunidade fetichista e escolheu ser um malamute do Alaska (raça maior que um husky siberiano, com olhos de duas cores, que se assemelha a um lobo). A escolha é uma homenagem à cadela Lenu, malamute de sua irmã, que ficou paraplégica (sofreu um AVC canino) e sempre o protegeu de outra cadela da casa (uma shih tzu que vivia tentando mordê-lo). As cores da máscara de Pup Ares são preto, branco, vermelho e chamas amarelas: preto e branco por causa de Lenu, vermelho por causa do sangue da guerra, e amarelo pelas chamas do fogo. O nome Ares vem do deus grego da guerra — e a máscara foi desenhada como se Ares (um deus grego) tivesse pintado o sangue da guerra sobre si mesmo.

Descoberta do Fetichismo: Pés, Contos Eróticos e a Primeira Sessão

Pup Ares lembra que desde pequeno já tinha admiração por pés masculinos (seu primeiro sinal de fetichismo). Aos 18 anos, entrou em um sex shop e teve acesso ao mundo fetichista — brinquedos, floggers. Em uma página de contos eróticos, descobriu práticas como pompoarismo com spanking e wax play. Sua primeira sessão real de BDSM foi com um garoto de programa de São Paulo que estava em Teresina (não cobrou, porque achou Pup Ares 'bonito e interessante'). Pup Ares não gostou muito da sessão, mas o que o chamou atenção foi o odor dos pés do dominador e a posição de vulnerabilidade. Ele então estudou o BDSM com mestres virtuais de São Paulo e Pernambuco, que disseram que ele 'não estava pronto para ser um submisso 100%'. Hoje, ele se considera um switcher (não mais submisso puro), pois não está disposto a entregar toda sua liberdade e ter que se explicar para alguém. Ele recomenda que as pessoas aprendam bastante sobre BDSM antes de se entregar profundamente.

Jogo Rápido: Te Olho, Te Analiso e Te Julgo

No quadro de perguntas rápidas, Pup Ares revela que sua cor favorita é vermelho. Uma frase que usa muito é 'Te olho, te analiso e te julgo'. Seu filme favorito é Jogos Vorazes (em chamas). Sua cantora de referência é Lady Gaga. Para interpretá-lo no cinema, ele não conseguiu lembrar de um nome específico. Uma lei que considera absurda é a pena de morte. Como super poder útil, escolheria teletransporte. Como super poder inútil, escolheria voar — mas sem sair do lugar, apenas subindo. Ele não mudaria nada em sua história, pois cada perrengue foi necessário. Coisa ruim de Teresina: o calor; coisa boa: os amigos que ficaram lá. Coisa ruim de São Paulo: a falta de calor humano; coisa boa: sua sobrinha ('te amo'). Por fim, ele define Cauê pelo Ares como: 'uma pessoa que precisa de mais autoconfiança'.

Considerações Finais e Redes Sociais

Pup Ares divulga suas redes sociais: no Instagram e Twitter, o usuário é @_pup_ares (com 's' no 'Ares'). Ele também tem um perfil no Instagram pessoal que ele hesita em divulgar (brincadeira sobre 'olhar o olhinho'), mas a equipe captura a tela com o username. Mestre Cruel divulga @confissoesconsentidas, @domcsp e o site www.cruel.com.