Confissões Consentidas - Ep. 09 - Doguinho

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Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e o Doguinho

No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) recebe o convidado Lucas, mais conhecido como Doguinho. O podcast tem como objetivo dar voz à comunidade fetista, explorando histórias de vida e desejos. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de cabelo castanho com luzes, usando uma camisa preta com detalhes em vermelho e azul. Lucas, então, faz sua autodescrição: um homem branco de cabelo escuro, vestindo calça jeans, camiseta preta e óculos.

A Origem do Doguinho: Da Coleira ao Complemento da Ravena

Lucas explica que o apelido 'Doguinho' não foi planejado, mas surgiu naturalmente no meio liberal que ele e sua esposa, Ravena, frequentavam. Inicialmente, ele tentou outros nomes como 'Mutano' e 'Corvo', mas suas atitudes brincalhonas acabavam gerando atritos. Até que alguém sugeriu que ele agia como um 'cachorro da mulher', especialmente por suas brincadeiras de imitar um cão. A partir daí, ele começou a usar uma coleira e o apelido pegou. Lucas descreve a diferença entre estar com e sem a coleira: quando está de coleira, ele se sente mais obediente, segue as regras combinadas e se 'incorpora' no papel; quando está sem coleira, age como um cachorro solto, 'pintando no lixo'. Ele também brinca que, se alguém buscasse seu nome no Wikipédia, encontraria apenas 'um sub da Ravena', pois ele se vê como um complemento de sua dona.

Infância, Hereditariedade e a Descoberta do Cuckold

Lucas revela, entre risos, que acredita que seu fetiche por cuckold (cornofetichismo) seja 'hereditário'. Ele conta que seu pai, motorista de ônibus, era frequentemente traído por sua mãe, mas sempre a perdoava e a recebia de volta em casa. Lucas observava isso desde pequeno e percebia seu pai 'correndo atrás' para não perder a mulher. Embora nunca tenha conversado abertamente com o pai sobre o assunto (o descrevendo como 'caraquetão'), Lucas acredita que essa dinâmica familiar influenciou sua própria forma de sentir prazer. Ele também menciona que um de seus irmãos passou por situação semelhante (um vídeo íntimo da esposa vazou na internet), e o irmão optou por reatar o relacionamento. Lucas, no entanto, diferencia-se do pai: enquanto o pai apenas 'perdoava', Lucas sente prazer e tesão na situação de ver a Ravena com outras pessoas, embora isso venha acompanhado de sentimentos ambivalentes.

Lidando com o Preconceito e a Exposição Pública

Apesar de seu fetiche ser alvo comum de piadas e estigmas sociais, Lucas afirma que nunca sofreu preconceito grave. No trabalho, quando seus colegas descobriram, as piadinhas que faziam (como 'manda o Lucas que esse corno deve saber como faz o serviço') cessaram imediatamente, pois perderam a graça depois que ele assumiu o fetiche abertamente. Ele relata um episódio recente na Lets (festa fetista): um rapaz desconhecido tentou arranjar briga com ele e seus amigos, dizendo que não sentia tesão por ele. Lucas respondeu com tranquilidade: 'Ainda bem, porque eu não tenho menor tesão em você. Por favor, continue andando.' Ele atribui essa maturidade emocional a uma infância solitária, que o ensinou a 'levar tudo numa boa'. A postura de Lucas é de indiferença: se alguém o julga, 'tá tudo bem', e ele simplesmente ignora ou afasta a pessoa.

A Dinâmica do Casal: Consentimento, Brigas e o Acordo do Cuckold

Lucas detalha os desafios de vivenciar o fetiche de cuckold na prática. Ele e Ravena tiveram (e ainda têm) muitas brigas e desentendimentos no processo de entender o que funciona para ambos. Um dos maiores problemas é o chamado 'drop' ou 'ressaca moral': após o prazer do momento, Lucas pode sentir arrependimento, ciúme ou raiva, tornando-se 'arisco' e 'insensível' no dia seguinte, o que magoa Ravena. A solução, segundo ele, é a comunicação constante e ir 'bem devagar', selecionando cuidadosamente as pessoas e situações. Ele também reconhece que seu desejo é ambivalente: às vezes quer que Ravena saia e faça coisas escondido, para que ele 'descubra depois', o que adiciona uma camada de segredo e excitação. Em outras ocasiões, ele prefere estar presente ou ser avisado. As regras do relacionamento são revisitadas com frequência, especialmente porque Ravena tem TDAH e pode mudar de ideia. Em outubro de 2025, a regra vigente é que Lucas pode ficar com outras pessoas (ele é bissexual), mas não pode paquerar, dar indiretas ou fazer brincadeiras — precisa ser direto e quase 'mímico', perguntando 'Vamos subir?' de forma objetiva. A aprovação final, no entanto, sempre vem de Ravena, que 'passa a coleira' ou não.

Bissexualidade e Autodescoberta Tardia

Lucas se identifica como bissexual, mas sua autodescoberta foi tardia e marcada por um episódio irônico. No colégio, em um trabalho sobre um mundo hipotético onde pessoas do mesmo sexo só podiam se relacionar entre si, ele escreveu um texto homofóbico. Uma amiga o confrontou: 'Como você pode escrever isso sendo que seu melhor amigo é gay?' Lucas negou, mas foi perguntar ao amigo, que respondeu: 'Eu sou.' A partir daí, ele começou a refletir sobre sua própria sexualidade. Em uma festa, ficou com algumas meninas e, depois, com um rapaz, concluindo que 'tanto faz' — se sentisse atração, independentemente do gênero, estava bom para ele. Ele perdeu a virgindade tardiamente, aos 20 anos, com Ravena, a quem conheceu no Tinder. Antes disso, sua vida era dominada por videogames (LOL) e desenhos — e ele revela que seus desenhos já continham figuras de Shibari e bondage, algo que só depois entendeu como prenúncio de seus interesses fetichistas.

A Transição do Baunilha para o Fetiche e a Percepção do 'Olhar Diferente'

No início do relacionamento, Lucas e Ravena eram 'bem baunilha'. Ele sempre foi uma pessoa tranquila e sem ciúmes, a ponto de não se importar quando ela conversava com ex-namorados. Porém, ele notou que durante o sexo, Ravena 'mudava', 'se transformava', fazia 'cara de vagabunda' e parecia 'viajar para outro lugar'. Ao questioná-la, ela confessou que imaginava estar com outras pessoas ou que houvesse outra pessoa no ambiente. Longe de se sentir ameaçado, Lucas achou 'tranquilo' e, por ser curioso e querer 'experimentar de tudo', isso abriu as portas para explorarem o fetiche juntos. Foi ele quem propôs que saíssem da fantasia para a realidade, frequentando eventos e festas fetichistas.

A Relação com a Competição e o Respeito nas Interações Sociais

Mestre Cruel observa que, no início da amizade, percebia em Lucas uma certa 'competição' com outros homens que se aproximavam de Ravena. Lucas confirma que o que mais o incomodava não era a atenção que ela recebia, mas quando a pessoa o ignorava completamente — por exemplo, chegando em uma roda, cumprimentando apenas Ravena e fingindo que ele não existia, apesar de ele estar segurando a coleira e usando aliança. Ele considera isso falta de educação básica e dá 'toques' para Ravena, que tem poder de veto sobre essas pessoas. Curiosamente, ele afirma que 'quase sempre' esses homens se revelam 'babacas' e Ravena acaba quebrando a cara. Por outro lado, quando alguém deseja se relacionar com Lucas, a pessoa deve primeiro pedir autorização a Ravena (já que ela é 'dona' dele), o que reforça a dinâmica de poder e submissão do casal.

Jogo Rápido: Calvice, Nicolas Cage e Sono Eterno

No quadro de perguntas rápidas, Lucas revela que sua felicidade está na família. Seu maior medo é a calvície. Seu maior defeito é a insensibilidade (ser muito prático, como no exemplo em que Ravena quer discutir antes de dormir e ele só quer dormir). Sua maior qualidade é ser compreensivo. A pessoa que mais admira é sua esposa Ravena, seguida pelo humorista Alanzoka. Sua maior extravagância foi gastar muito dinheiro com skins no League of Legends, conta que perdeu e não conseguiu recuperar. A frase que mais usa é 'Oi' (pois muitas vezes não escuta ou não vê). Seu super poder desejado é o sono eterno da Bela Adormecida (dormir sem morrer). Mudaria em si o sentimentalismo — gostaria de ser mais sentimental. O que mais aprecia nas amizades são as piadas. Quem o interpretaria em um filme sobre sua vida seria Nicolas Cage. Uma prática fetichista que ainda não fez, mas quer, é usar uma fantasia de terror (como Pânico) e 'caçar' alguém em uma festa.

Quem é Lucas pelo Doguinho e Vice-Versa

Lucas explica a dualidade de suas identidades: Lucas pelo Doguinho é a pessoa que se 'contém', que se segura para não fazer piadinhas, brincadeiras ou 'querer comer todo mundo' — é a versão mais comportada e anônima. Já Doguinho pelo Lucas é a pessoa que se solta mais, que consegue fazer as coisas que quer durante o dia, mas sempre com a responsabilidade e as restrições impostas pelo relacionamento (já que Ravena é sua dona). Para Lucas, 'sexo não é um parquinho de diversão' onde se pode fazer tudo; perder a graça e a vontade faz parte da dinâmica.

Considerações Finais e Redes Sociais

Lucas agradece a participação e destaca a importância de falar abertamente sobre desejos e fetiches para que outras pessoas se identifiquem. Ele divulga o Instagram do casal: @ravena_x_doguinho. A festa que organizam com Ravena é a @circus.roleplay. Mestre Cruel divulga o site www.mestrecruel.com e os instagrams @confissoesconsentidas e @domcsp, pedindo que o público curta, comente e compartilhe o episódio.