Das Quadras de Rua à Gestão do 3x3: A Trajetória de Will Costa
Will Costa é um exemplo de como o esporte pode transformar vidas e abrir caminhos para além das quadras. Nascido no Rio de Janeiro, mas criado em São Paulo, sua história com o basquete começou aos 13 anos, quando se mudou para a capital paulista e começou a jogar no Instituto Dom Bosco, no Bom Retiro. Diferente da maioria dos atletas, Will já tinha uma base sólida em dança e teatro (balé, sapateado e hip hop), tendo inclusive ganhado um prêmio da Rock Academy of Dance de Londres aos 12 anos. Essa base lhe deu um "acervo motor" enorme, que acelerou sua evolução no basquete, permitindo que ele, mesmo começando tarde, se destacasse rapidamente.
Sua carreira nas quadras incluiu passagens pelo América de Três Rios (onde jogou de ala-pivô), convocações para a Seleção Carioca (ao lado de nomes como Fred e Baby), e uma temporada em Santa Catarina, onde jogou em Videira. O ponto alto foi sua ida para os Estados Unidos em 2014, através de um intercâmbio acadêmico para uma faculdade técnica na Flórida, o Mid Florida Tech. Lá, ele não só jogou basquete universitário (inclusive atuando como armador) como também vivenciou a intensidade do esporte americano: treinos físicos desumanos, a competitividade extrema e até brigas que se resolviam dentro da quadra e depois o jogo continuava normalmente. Ele destaca que a diferença fundamental entre o atleta brasileiro e o americano é a mentalidade e a cultura. Enquanto no Brasil o atleta muitas vezes joga por amor ou por falta de opção, nos EUA, desde os 13 anos, os jovens veem o esporte como uma válvula de mudança de vida, com objetivos claros de conseguir bolsas de estudo e uma carreira profissional.
A Transição para a Gestão Esportiva e o MBA em Gestão
Ao retornar ao Brasil, Will já estava se formando em Educação Física e começou a perceber que as oportunidades financeiras no basquete eram limitadas. Enquanto recebia propostas de times de NBB por R$ 2.500 (com alojamento), ele ganhava muito mais dando aulas de funcional (começou com R$ 70 por aluno e rapidamente chegou a dezenas de alunos) e organizando eventos. A balança pesou para o lado acadêmico e de gestão. Ele cursou fisioterapia (embora não tenha terminado), fez pós-graduação, e ingressou em um MBA em gestão, onde um professor ex-dirigente do Figueirense o incentivou a fazer um mestrado. Will então concluiu um mestrado em gestão esportiva, com sua tese focada em engajamento de fãs no basquetebol, baseada nas dimensões culturais (geografia, artefatos e linguagem).
Sua carreira como gestor decolou: ele se tornou secretário de cultura de um município (Joaçaba, SC), criou um podcast (o mais ouvido da cidade), organizou uma festa que cresceu de 40 para 2.000 pessoas em seis meses, e até fez desfiles de moda. Ele recusou convites para ser diretor de sete faculdades da região porque queria continuar focado no esporte. Atualmente, Will é diretor da unidade de negócio de 3x3 da MCS, uma das maiores empresas de eventos esportivos da América Latina, onde também atua como diretor dos eventos da modalidade em todo o Brasil. Sua trajetória mostra que o esporte pode ser uma plataforma não só para atletas, mas para gestores, empreendedores e agentes de transformação cultural.
O Basquete 3x3: Esporte Olímpico, Cultura e Negócio
Will é uma das principais vozes no desenvolvimento do basquete 3x3 no Brasil. Ele explica que o esporte, que se tornou olímpico em Tóquio 2020 (após um lobby da FIBA e estreia nos Jogos da Juventude), é muito mais do que uma versão reduzida do 5x5. O 3x3 carrega três pilares fundamentais: democracia (qualquer um pode montar um time e jogar), dinamismo (jogos de apenas 10 minutos ou até 21 pontos, com posse de bola de 12 segundos), e conexão com o público jovem. Ele ressalta que a grande sacada do 3x3 é que o esporte vai até o público, e não o contrário — pode ser jogado em qualquer espaço de 15x11 metros, e sua estética é muito mais comercial e atraente para as novas gerações.
A estrutura profissional do 3x3 é organizada pela FIBA através do "Road to Tour", que inclui diversas categorias: Quests, Lights, Super Quests, Superliga, Challenges e World Tour. Todos esses campeonatos geram pontuação em um ranking mundial, que determina a classificação para os torneios de elite e, consequentemente, para as Olimpíadas. Will destaca que o Brasil tem enorme potencial, pois já possui talento bruto e uma cultura de rua forte (diferente de São Paulo, que tem o basquete de rua mais enraizado, enquanto outras cidades como Franca, Maringá e Santa Cruz do Sul têm o basquete mais institucionalizado). A meta é, em dois anos, mudar o cenário do 3x3 no país, com projetos como centros de treinamento (já existe um em Diadema, um em BH e um em Salvador em breve), um circuito nacional de oito etapas, um projeto em Minas Gerais que atende 48 municípios com 12 mil crianças, e a realização de um Challenge Internacional em Brasília (setembro de 2025, dentro de um shopping, com a presença do campeão olímpico holandês De Jong).
Regras e Curiosidades do 3x3
- Duração: 10 minutos ou até um time marcar 21 pontos.
- Posse de bola: 12 segundos (metade do 5x5).
- Pontuação: Arremessos dentro do arco valem 1 ponto, fora do arco valem 2 pontos. Lance livre vale 1 ponto.
- Tempo médio de posse: Cada jogador segura a bola por cerca de 1 segundo, pois o jogo é extremamente dinâmico.
- Ranking individual: Além do ranking de times, há um ranking individual de jogadores que considera não só estatísticas (pontos, assistências, rebotes), mas também highlights (lances plásticos como enterradas e passes bonitos).
- Popularidade: O 3x3 é praticado em mais de 180 países, sendo considerado o esporte urbano mais popular do planeta, superando o skate.
- Estética e cultura: A FIBA exige que eventos de 3x3 tenham MC, DJ e música o tempo todo, e a interação com o público é parte fundamental da experiência. O grafite também é explorado.
B13: O Projeto Artístico que Une Basquete, Moda e Música
Will também faz parte do B13, um projeto criado por Raul (que trabalha com audiovisual) e que também conta com o influenciador Renan. A proposta do B13 é contar histórias do basquete de forma cinematográfica e artística, sem pressa e sem linha de produção. Cada conteúdo é pensado com cuidado, unindo basquete, moda, música e comportamento. Will contribui com sua visão estratégica, Renan com sua imagem e presença, e Raul com sua direção artística. O projeto está disponível no Instagram e YouTube (@B13), e eles não têm periodicidade fixa — fazem quando a inspiração vem, como uma conversa em uma quadra, um set de DJ na casa de alguém, ou uma parceria de moda. Will revela que houve um contratempo: todo o material de uma gravação na quadra foi perdido, e outra gravação no estúdio Force foi interrompida por fumaça (representando a Amazônia). Ainda assim, o projeto segue, com a filosofia de que o diferencial está nos detalhes e em fazer o que todos fazem, mas de forma diferente.
Bate-Bola Rápido e Curiosidades Finais
- Quadra ou escritório? Escritório (hoje, porque pode impactar mais pessoas).
- Ponto decisivo ou montar time campeão? Ponto decisivo (clutch, buzzer beater).
- Para assistir: NBA ou FIBA? FIBA (para assistir, por ser mais puro). Para trabalhar: NBA (onde está o dinheiro).
- Treinar jovem talento ou trazer estrela consolidada? Jovem talento (para criar cultura).
- Jogar com camisa pesada ou ser underdog? Underdog (gosta de ser o diferencial).
- 3x3 ou 5x5 hoje? 3x3 (é a bola da vez e vive um momento de transição entre cultura e profissionalismo).
Número do Dia: 2500
No quadro "Stat do Dia", o número foi 2500. A dica: tem a ver com um objeto do basquete. A resposta: 2500 é o número médio de vezes que uma bola quica no chão durante uma partida da NBA. A estimativa é baseada em 200 posses por jogo, com cada posse tendo entre 10 e 15 dribles, totalizando aproximadamente 2.500 quicadas por partida.