Vídeocast: Programa de Estágio Rumo 2025.2

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Análise e Resumo do Videocast: Histórias, Cultura e Operação nos Bastidores da Rumo

O videocast conduzido por Kawai, representante da Eureca, ofereceu uma janela fascinante e intimista para os bastidores de uma das maiores empresas de logística e transporte ferroviário do Brasil. Muito além de ser apenas um espaço para promover um programa de atração de talentos, a transmissão transformou-se numa roda de conversa profunda sobre trajetórias profissionais, cultura corporativa, desafios operacionais e a desconstrução de mitos sobre o trabalho no setor dos transportes. O foco da discussão esteve nas pessoas que fazem a máquina (ou melhor, o comboio) andar todos os dias.

Para garantir que todos os detalhes e nuances desta conversa sejam captados, elaborámos este resumo estruturado em formato de artigo de blogue, detalhando as interações, as histórias pessoais reveladas pelos convidados e as reflexões sobre o dia a dia numa operação logística de proporções gigantescas. A transmissão destacou-se desde o primeiro minuto pela sua preocupação com a acessibilidade, iniciando com a audiodescrição de todos os participantes no ecrã.

1. A Apresentação e as Histórias de Quem Movimenta a Empresa

O painel de convidados foi cuidadosamente selecionado para representar diferentes perspetivas dentro da organização: desde a atração de pessoas, passando pela operação dura no terreno, até à engenharia de infraestruturas. Após a audiodescrição de Kawai (que se apresentou como um homem branco, de barba e óculos, com um casaco preto), os convidados — todos vestidos de forma coordenada com camisolas azuis da empresa — partilharam as suas origens e os momentos que mais os marcaram nas suas carreiras.

  • Talita (Atração de Talentos): Apresentando-se como uma mulher negra perante um fundo de cortinas escuras, Talita explicou que atua na gestão dos programas de entrada da empresa. A sua história é de superação e adaptação: entrou inicialmente para cobrir uma licença de maternidade. O seu momento mais marcante foi exatamente o facto de ter conseguido provar o seu valor, conquistar o seu espaço e assumir definitivamente a área, gerindo a entrada de novos talentos numa estrutura tão vasta.
  • Geovana (Coordenadora de Operações): Mulher branca, de cabelos escuros, Geovana trabalha no "coração" da ferrovia. É responsável pela equipagem e condução, lidando diretamente com os maquinistas. Num testemunho empolgante, revelou que não possuía qualquer experiência prévia no setor ferroviário (vinha do setor rodoviário). A sua experiência mais memorável foi ter passado pela escola de manobras e de maquinistas da empresa, tendo tido a oportunidade real de conduzir um comboio, o que lhe proporcionou uma conexão técnica e emocional totalmente nova com a operação.
  • Marco (Detecção e Confiabilidade de Infraestrutura): Um jovem engenheiro de 23 anos, de barba longa, que representa o exemplo de sucesso de quem começou na base. Marco lida com tudo o que está "do carril para baixo", ou seja, a monitorização de pontes, túneis e questões geotécnicas (como o impacto das chuvas). O seu momento de glória ocorreu logo no início do seu percurso: o primeiro projeto em que se envolveu levou-o a Brasília para receber um prémio de reconhecimento da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT), um marco incrível para o início de uma carreira.

2. A Cultura R.U.M.O.: O Significado por Trás do Nome

Um dos momentos mais dinâmicos do videocast foi quando Kawai desconstruiu o acrónimo que forma o nome da empresa, revelando os pilares da sua cultura organizacional. Em vez de apenas ler os valores, Kawai desafiou os convidados a escolherem o pilar com o qual mais se identificam no seu dia a dia.

Os pilares apresentados foram:

  1. Resolvemos com eficiência e integridade.
  2. Unidos pela segurança.
  3. Miramos longe com sustentabilidade.
  4. Orientado para as pessoas.

Geovana foi a primeira a intervir, escolhendo imediatamente o "Orientado para as pessoas". Na sua perspetiva operacional, nenhuma máquina se move sem a intervenção humana. Para ela, os maquinistas e as equipas de terreno são o maior ativo da organização, exigindo capacidade de escuta, treino e cuidado constante.

Marco, cuja função envolve infraestruturas pesadas e riscos físicos, identificou-se profundamente com o "Unidos pela segurança". Ele partilhou que a cultura de segurança está enraizada nas equipas, resumida numa frase que usam frequentemente: "Só faço se for seguro". Ele destacou o rigor com que os processos e as especificações técnicas são redigidos para proteger a vida de todos os envolvidos.

Talita fechou a ronda com orgulho, destacando o pilar da sustentabilidade ("Miramos longe com sustentabilidade"). Ela sublinhou um dado corporativo de peso: a empresa é a única do segmento de logística no Brasil a possuir a certificação do Dow Jones Sustainability Index e a integrar a carteira do Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE) da bolsa de valores brasileira (B3). Para Talita, falar desta organização é indissociável de falar sobre o futuro sustentável.

3. Desconstruindo Mitos: "Não é Apenas Sobre Comboios"

Ao longo da conversa, um tema recorrente foi a perceção errada que o público tem sobre a empresa. Kawai questionou o que é que os candidatos imaginam antes de entrar e o que descobrem depois. Todos os convidados concordaram num ponto central: a logística ferroviária é um ecossistema gigantesco que vai muito além de "trens" a andar sobre carris.

Geovana explicou que, ao entrar, as pessoas deparam-se com uma operação complexa que envolve o carregamento nos terminais de transbordo, o planeamento logístico, o descarregamento nos grandes portos e uma infraestrutura tecnológica imensa de monitorização. É por isso que, mesmo profissionais com formações que à partida pareceriam desconectadas do setor (como Engenharia de Produção, Estatística ou Controlo e Automação — a área de Marco), encontram desafios perfeitamente alinhados com as suas competências. Marco acrescentou que a dimensão da empresa é tão vasta que há projetos de melhoria contínua a decorrer em todas as áreas em simultâneo.

Outro ponto desconstruído foi a monotonia. Marco relatou que o seu maior receio profissional era entrar numa rotina onde "fizesse a mesma coisa todos os dias". Na sua experiência atual, um simples aviso no telemóvel pode alterar todo o planeamento do dia, atirando-o para a resolução de um problema técnico imprevisto na via. Essa imprevisibilidade e a constante estimulação intelectual foram os fatores que o fizeram apaixonar-se pela função.

4. Diversidade, Equidade e Inclusão no Terreno e no Escritório

Kawai abordou o tema da Diversidade, questionando se as políticas de inclusão se refletem de facto na realidade da empresa ou se ficam apenas no papel. Talita detalhou a existência de grupos afirmativos e de afinidade que promovem o diálogo e impulsionam mudanças reais na corporação:

  • Diversa: Focado nas pautas e no acolhimento da comunidade LGBTQIAPN+.
  • Plural: Voltado para as pessoas negras, promovendo a visibilidade e equidade racial.
  • Elas Movimentam: Focado na potência feminina e na equidade de género.
  • Iguais na Diferença: Dedicado à inclusão e acessibilidade para pessoas com deficiência.

Geovana trouxe uma visão muito pragmática e encorajadora deste tema a partir do terreno. Ela destacou o aumento exponencial de mulheres em cargos estritamente operacionais, tradicionalmente dominados por homens. Já Marco apontou que, quando viajam para a "via" (o terreno, a infraestrutura ferroviária), encontram uma diversidade imensa de histórias, regiões e vivências, e que essas diferentes visões são fundamentais para inovar e identificar falhas de segurança que, de outra forma, passariam despercebidas.

5. Sessão de Perguntas e Respostas: As Dúvidas do Público

Na parte final do videocast, Kawai abriu o espaço para responder diretamente às perguntas enviadas pelos espectadores (Bia, Riquelm, Brida, Sara, Maria e Vítor), o que permitiu focar a conversa em aspetos práticos da convivência na empresa.

A Relação com a Liderança: Geovana explicou que a hierarquia não é uma barreira intransponível. Os executivos e diretores são extremamente próximos das operações. O ambiente incentiva a que mesmo as pessoas mais juniores se posicionem, exponham os seus projetos e debatam ideias de forma horizontal.

As Competências Mais Valorizadas (Soft Skills): Quando questionados sobre o que faz alguém destacar-se no ambiente de trabalho da empresa, as respostas foram unânimes. A Curiosidade foi apontada por Geovana como a característica primordial: querer saber o "como", o "porquê" e o "para onde" de cada processo, mesmo sem ter conhecimentos prévios de ferrovia. A Resiliência também foi fortemente destacada, pois os projetos em infraestruturas pesadas têm tempos de maturação diferentes e exigem paciência. A Comunicação e Autenticidade foram as palavras escolhidas por Talita e Marco, aconselhando os futuros colegas a não terem medo de expor a sua bagagem, mesmo que provenha de projetos académicos ou voluntariado.

Modelos de Trabalho e Flexibilidade: Em resposta a uma das perguntas sobre as rotinas de teletrabalho e trabalho presencial (híbrido), a equipa esclareceu que não existe uma imposição rígida de dias fixos por parte dos recursos humanos. O acordo é feito diretamente entre a pessoa e o seu gestor direto, privilegiando a presença no escritório em dias de reunião de equipa para fomentar o convívio, as refeições conjuntas e o desenvolvimento orgânico da mentoria.

6. O Legado da Conversa: Conselhos Finais dos Profissionais

Antes do encerramento oficial da transmissão — onde foram recordados os aspetos técnicos para os interessados em juntar-se à equipa —, Kawai pediu conselhos de ouro aos participantes. Estas reflexões finais sintetizaram o espírito do videocast:

Marco sublinhou a riqueza do capital humano sénior da empresa. Aconselhou qualquer novo talento a aproximar-se do corpo técnico experiente. Segundo ele, há profissionais com dezenas de anos de ferrovia que detêm um conhecimento que não se encontra em manuais ou universidades. "Sentem-se, oiçam as histórias deles e aprendam na prática", aconselhou o engenheiro.

Geovana destacou a jornada de autoconfiança. Ela mencionou o orgulho que sente ao observar profissionais a entrarem inseguros por não conhecerem a operação, mas que, através da curiosidade e do acolhimento da liderança, terminam os seus projetos com uma postura firme e confiante perante a administração.

Talita fechou o painel de convidados lembrando que todos os grandes executivos e líderes já estiveram numa posição inicial de aprendizagem. A sua recomendação foi para que as pessoas vivam o processo genuinamente, construam redes de contactos (networking) interdepartamentais e aproveitem a fase de integração para absorver a cultura apaixonante da logística nacional.

O videocast terminou com a despedida calorosa da equipa, deixando a certeza de que a empresa, independentemente da sua imensa dimensão em maquinaria pesada e toneladas de carga transportada, é fundamentalmente conduzida por indivíduos apaixonados por aprender, por inovar e, acima de tudo, por movimentar o país com segurança e respeito mútuo.