OS ERROS QUE TRAVAM AS VENDAS DAS LOJAS DE MODA | CERBERUSCAST #20

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Da Advocacia e Eventos à Consultoria de Imagem: A Jornada de Carol e Carlinha

A trajetória de Carol e Carlinha, cofundadoras da Assinatura de Estilo, é um exemplo de como a busca por propósito pode levar a um negócio de sucesso. Carol, formada em Direito, trabalhava no mundo corporativo, mas sentia que sua vida criativa estava sendo sufocada. Grávida do primeiro filho, ela decidiu que não voltaria ao escritório e, pesquisando sobre o que fazer, descobriu a consultoria de imagem. Carlinha, por sua vez, vinha do universo de eventos, com formação em Publicidade, e já estava imersa no mundo da moda, tendo crescido em meio a confecções no Bom Retiro.

Ambas, com filhos pequenos, não tinham tempo para hesitar. Elas se conheceram em um curso de consultoria de imagem e, a partir daí, iniciaram a Assinatura de Estilo em 2015. A parceria floresceu pela complementaridade: Carol é a 'mão na massa', enquanto Carlinha é a 'dona das ideias'. A diferença de estilos e signos se mostrou um ativo, pois os valores e o propósito estavam alinhados, o que é fundamental para sustentar uma sociedade de 11 anos. Elas brincam que se tornaram sócias antes mesmo de se conhecerem bem, movidas pela vontade de fazer dar certo e pela percepção de que trabalhar sozinha no ramo da moda seria mais pesado.

A Moda é um Negócio: Desconstruindo a Romantização do Mercado

Carol e Carlinha são categóricas ao afirmar que a moda, embora seja uma área de paixão e criatividade, é, antes de tudo, um negócio. Elas observam que um dos maiores erros de quem entra no mercado é a romantização do setor, tratando-o como algo supérfluo ou fácil, quando na verdade é um dos mercados que mais quebram no Brasil. 'Não é só uma roupinha, é só montar um look', criticam, destacando que a ilusão de que a moda é apenas glamour leva muitos ao fracasso.

Elas defendem que o vestir é uma ferramenta poderosa de comunicação. Em um mundo de excesso de informação, se você não se apresenta da maneira correta, perde a chance de falar. A moda não é um luxo ou futilidade, mas um instrumento para ser visto e ouvido. Essa percepção é crucial para que as marcas se diferenciem em um mercado saturado, onde grandes conglomerados e marcas chinesas disputam a atenção do consumidor. O entendimento de que 'a roupa comunica' é o primeiro passo para construir uma marca forte.

A Força do Básico Bem Feito: Informação, Atendimento e Experiência

As consultoras enfatizam a importância do básico bem feito. Em um mundo de inovações como inteligência artificial e provadores virtuais, muitas marcas se esquecem do essencial. Elas citam exemplos práticos: uma tabela de medidas correta, a descrição clara da composição do tecido (desmistificando o poliéster como vilão) e fotos de qualidade que mostrem o produto no corpo. 'Não adianta ter uma loja incrível se o WhatsApp não é respondido', alertam.

A experiência de compra deve ser fluida em todos os canais. O offline deve complementar o online e vice-versa. Se a embalagem chega zoada ou o site não é intuitivo, a marca perde a confiança do consumidor. Para quem vende apenas online, a transparência nas informações é vital para evitar devoluções e prejuízos. A mensagem é clara: antes de investir em influenciadoras gigantes ou em soluções tecnológicas caras, é preciso ter a casa em ordem.

O Poder do Provador e do Conteúdo: Gerando Desejo e Conexão

Carol e Carlinha destacam o provador como uma das ferramentas mais poderosas para vender moda. Não se trata de um manequim ou de uma foto isolada, mas de uma pessoa real vestindo a peça, mostrando seu caimento e versatilidade. Elas comparam o provador ao 'food porn' em redes sociais, onde o vídeo de uma pizza derretendo gera desejo. Da mesma forma, ver uma roupa em movimento e em diferentes contextos (corporate, casual, festa) gera a necessidade de compra.

O conteúdo, seja no feed ou nos stories, deve ir além do 'olha que lindo'. É preciso educar o consumidor, mostrando como usar a peça, com o que combinar e como fazer a manutenção. Essa abordagem gera conexão e transforma a venda em um serviço, não apenas uma transação. Ao responder perguntas nos provadores, as marcas criam um vínculo e se posicionam como autoridade, aumentando a chance de recompra.

Segmentação de Público e a Importância da Comunidade

A dificuldade em nichar o público é apontada como um dos maiores erros dos lojistas. Muitos querem abraçar todo mundo, mas acabam não atendendo ninguém. Carol e Carlinha argumentam que, para uma marca autoral ou de pequeno porte, é impossível competir com os grandes magazines no quesito variedade. A força está em ser especialista: seja moda plus size, cintos ou um segmento específico, a marca que foca em uma comunidade cria laços de fidelidade inatingíveis para um generalista.

Elas citam o exemplo de uma cliente que vende apenas cintos e fatura mais de R$ 1 milhão por mês, e de uma loja de linho que vende muito em live shops sem nem ter site. Esses casos comprovam que entender sua comunidade e comunicar-se com ela de forma clara e constante é mais eficaz do que tentar ser tudo para todos. 'Você tem que escolher', afirmam, pois o espaço para todos existe, mas a sua marca precisa ser a referência dentro do seu nicho.

Cashback e a Arte de Fidelizar o Cliente

As consultoras abordam a fidelização como um pilar para a sustentabilidade do negócio, destacando que adquirir um cliente novo é sete vezes mais caro do que manter um antigo. A ferramenta que se destaca para isso é o cashback. Elas sugerem que qualquer programa de cashback é interessante, desde que seja sustentável para a margem da marca e que gere um sentimento de prestígio no cliente.

A mecânica do cashback deve ser simples e sem muitas barreiras, pois o atrito (ex: 'não pode usar em peças azuis') desestimula a recompra. O ideal é que o cliente sinta que está ganhando um benefício real e que a marca se lembra dele. A dica prática é usar o cashback em momentos estratégicos, como para bater metas de fim de mês, e sempre personalizar o contato para lembrar o cliente do saldo disponível.

Estratégias para o Instagram e o Digital: Vender com Consistência

No digital, o erro comum é ter um feed bonito, mas sem estratégia comercial. Ter três stories bonitos e um 'compre aqui' não é suficiente. A comunicação precisa levar o consumidor a uma jornada: entender a marca, o produto e o diferencial. A dica é investir em provadores e lives com constância. Uma live com 15 pessoas é comparável a ter 15 clientes dentro de uma loja ao mesmo tempo, o que é um movimento significativo.

Elas recomendam que as marcas, mesmo com orçamento limitado, contratem criadores de conteúdo ou consultoras de imagem por um período mínimo de seis meses. A constância é o que gera resultado. Além disso, é crucial que os porta-vozes da marca realmente usem os produtos, gerando conteúdo orgânico (uso real) além do conteúdo pago. Isso constrói a comunidade e a confiança, tornando a marca desejada e lembrada.

Resumo e Dicas Práticas para o Varejista de Moda

Para finalizar, Carol e Carlinha resumem seus conselhos em ações práticas para o lojista que quer crescer: faça o básico bem feito. Tenha um site funcional, um WhatsApp que responde rápido, uma equipe treinada e um produto com informações claras (medidas, composição). Conheça o seu público e segmente sua comunicação para atender a ele de forma especializada.

Além disso, invista em conteúdo de provador e eduque seu consumidor sobre como usar os produtos, criando desejo e resolvendo dúvidas. Não negligencie o relacionamento pós-venda e considere o cashback como uma ferramenta de fidelização. Por fim, abrace a constância: os resultados no varejo de moda não vêm de um único tiro, mas de um trabalho perene. Organize a casa, comunique-se com clareza e sirva seu cliente com verdade. Esse é o caminho para sobreviver e crescer no mercado.