Introdução: O início da conversa sobre cripto e café
O episódio do Cafezinho Crypto recebeu Guilherme Prado, Regional Manager da Bitget, uma das maiores exchanges globais do mercado. A conversa começou de forma leve, abordando gostos pessoais, como a preferência por café coado sem açúcar, um tema que gerou polêmica, mas que rapidamente deu lugar a discussões profundas sobre o mercado cripto no Brasil e no mundo.
Como Guilherme entrou no mundo cripto
Guilherme Prado entrou institucionalmente no mercado cripto no fim de 2021, durante a pandemia. Na época, ele estava estudando um mestrado em políticas públicas na Alemanha, mas precisou ficar no Brasil. Com a percepção de que o mercado europeu para políticas públicas era muito competitivo, ele começou a explorar novas oportunidades.
Sua entrada no setor foi impulsionada por amigos do mestrado que já trabalhavam com criptomoedas e por plataformas como o Club House, onde ele acompanhava influenciadores do setor. Uma live sobre meios de pagamento em cripto com Felipe Escudeiro (Vitinada) e Rubens Nen foi o gatilho para que Guilherme enviasse um e-mail direto a Rubens, oferecendo-se para trabalhar com ele. Ele começou então em uma empresa chamada Coin Payments.
Quatro meses depois, recebeu uma proposta de um head hunter da Ásia para trabalhar em uma startup de cripto que queria se expandir para o Brasil: a Bybit. Ele se tornou o primeiro Business Relationship (BD) da Bybit para a língua portuguesa, iniciando uma trajetória de três anos na empresa.
O que é a Bybit Mafia
Guilherme explica que a Bybit montou um time core de BDs, sendo uma das precursoras com uma forte equipe de relacionamento comercial. Ele chama esse grupo de Bybit Mafia, formado por profissionais que depois se espalharam por outras corretoras. Hoje, ao viajar para a Ásia, ele se reúne com amigos que cuidavam de mercados como o espanhol (agora na Cast), o russo e o europeu, muitos deles hoje em exchanges como a Binance.
Ele destaca que teve a oportunidade de conhecer o CEO da Bybit, Ben Zhou, que já esteve no Brasil, e que trabalhar diretamente com um profissional desse nível foi uma escola de aprendizado. Guilherme ressalta que o tempo de vida de uma empresa cripto é muito dinâmico: em média, de um ano a um ano e meio, e que cada ano nesse mercado equivale a dez anos em outros setores.
Como usar influenciadores no mercado cripto?
Guilherme conta que, por sorte e pelo momento do mercado, conseguiu angariar vários influenciadores de trade de cripto, muitos dos quais se tornaram amigos pessoais. Na época, a Binance detinha 80% do mercado e a FTX também era relevante. Ele entrou em uma briga direta com a FTX, cobrindo propostas e trabalhando o relacionamento com os influenciadores.
Essa estratégia permitiu que ele crescesse e, em um ano e meio, já comandasse a operação brasileira da Bybit. A empresa entendeu que ter um time local era essencial, já que ninguém melhor que um profissional da região para entender as necessidades do mercado brasileiro, que é um mundo à parte. Guilherme admite que a Bybit incomodou a Binance de forma saudável, sendo street smart para encontrar os pontos fracos do concorrente e atuar onde o líder não estava explorando.
Mercado cripto pede cara de pau?
O apresentador comenta que o mercado cripto exige cara de pau e presença de palco, algo que Guilherme demonstrou ao enviar o e-mail para Rubens. Guilherme confirma que essa atitude ainda funciona: qualquer pessoa pode entrar em contato com executivos do setor pelo LinkedIn e ser respondida. Ele cita sua participação no Exfounders, um reality show global de builders em El Salvador, onde vários participantes manifestaram o desejo de entrar no mercado brasileiro e pediram indicações de BDs.
Mercado brasileiro está em alta no mercado cripto
Guilherme reforça que todos os builders globais veem a importância do Brasil. Para um executivo russo ou asiático, os países da América Latina parecem homogêneos, mas o Brasil é completamente diferente da Argentina, México ou Chile. Por isso, é fundamental ter um time local para navegar nas especificidades do país.
Ele menciona um tweet de Larry Fink, da BlackRock, sobre a tokenização, no qual o executivo aponta Brasil e Índia como países líderes no tema. Guilherme concorda que o Brasil é um caminho óbvio para qualquer empresa que queira entrar na América Latina, pois o português é um diferencial e o mercado é grande.
Brasil é early adopter?
O apresentador pergunta se o Brasil é mais amigável a novas tecnologias, citando o exemplo do ChatGPT – o país se tornou o segundo maior mercado da ferramenta rapidamente. Guilherme concorda e aponta vários ingredientes: tamanho da população e da geografia, um Banco Central que entendeu a necessidade de inovação (inspirado na China com o WeChat) e a criação do Pix, que tem adoção muito maior que qualquer criptomoeda para transações do dia a dia.
Ele também cita cases de sucesso como Nubank, Quinto Andar e 99 (Uber), que resolveram dores reais da população brasileira. O Pix deu certo porque o Brasil tinha muitos desbancarizados e um stack de tecnologia que permitiu construir soluções inovadoras – algo que nem os Estados Unidos conseguiram replicar com um QR code do Banco Central.
Regulação cripto no Brasil
Guilherme afirma que a inovação sempre vem antes da regulação. No Brasil, há sempre uma jabuticaba no meio. Ele compara com a regulação das bets, que foi mais uma questão arrecadatória do que de proteção social. No caso das criptomoedas, o governo já sinalizou querer que stable coins virem câmbio (efex), obrigando o reporte.
Ele vê a regulação como uma forma de colocar todos no mesmo parquinho, mas com um forte viés arrecadatório. As leis das offshores e a exigência de reporte de autocustódia mostram que o governo quer centralizar o que era descentralizado. No entanto, quem já entende do mercado sempre dará um jeito de fazer autocustódia.
BC do Brasil sabe muito de DeFi
Guilherme destaca que o Banco Central do Brasil tem um time que sabe muito e vem se preparando há anos. Embora algumas pautas no Congresso sejam problemáticas (com deputados que focam nos golpes, como o Rei do Bitcoin e os faraós do Bitcoin), a instituição como um todo é avançada. Ele menciona o deputado que pegou a pauta dos golpes para si, o que criou um certo olho torto da população em relação às criptomoedas, mas que o mercado financeiro tradicional já está começando a entender o setor.
Tem muito golpe em cripto?
O apresentador recorda os grandes esquemas brasileiros, como Rei do Bitcoin, Faraós do Bitcoin e BR Company. Guilherme acredita que o brasileiro tem uma aptidão ao risco, que foi usada de forma ruim para prejudicar pessoas com pouca informação. No entanto, com o amadurecimento do mercado, o risco diminuiu. Ele avalia que a regulação veio para colocar ordem: todo mundo brinca dentro de um quadrado, e cabe a cada um decidir se quer brincar ali ou não.
Emirados Árabes está a anos-luz no mercado cripto
Guilherme afirma que os Emirados Árabes estão anos-luz à frente, com um framework regulatório que funciona como uma CVM de cripto. Muitas empresas de origem chinesa que estavam em Cingapura (comparável a Miami em relação a São Paulo) estão migrando em massa para os Emirados. Ele descreve o país como uma zona neutra onde americanos e russos fazem negócios, especialmente após a guerra na Ucrânia, com russos trazendo USDT para comprar imóveis.
Como é a vida em Dubai?
Guilherme já morou em Dubai e mantém residência fiscal lá. Ele descreve o clima como insalubre no verão (junho a agosto), mas destaca a segurança, a mão de obra barata (taxistas ganham cerca de R$ 6.000) e o contraste com o luxo nas ruas. Quem tem condições sai nos meses mais quentes. Com um imóvel de mais de 2 milhões de reais, é possível obter o Golden Visa (visto de 10 anos).
Vale MUITO a pena abrir residência fiscal em Dubai
Guilherme recomenda fortemente que empresários brasileiros considerem abrir empresa nos Emirados, especialmente em free zones, onde o imposto é zero (fora da free zone, a alíquota é de 7% a 9%). Ele tem amigos que vivem desse serviço. Em comparação com outras jurisdições como Paraguai ou Uruguai, ele prefere os Emirados por ser multicultural, global e exigir apenas duas visitas por ano para manter a residência.
Guilherme ABRE carteira cripto? Qual a expectativa para o mercado em 2026?
O apresentador pergunta sobre o mercado com Bitcoin abaixo de US$ 90 mil, em meio a tensões geopolíticas (Maduro, Irã, Copa do Mundo, eleições, Groenlândia) e o governo Trump, que ele compara a um videogame no aleatório. Guilherme afirma que é uma ótima hora para investir em cripto, especialmente nas 10 maiores moedas (Bitcoin, Ethereum, Solana). Ele ressalta que investimento não é sobre gostar, mas sobre performance e retorno.
Ele também sugere alternativas como ouro digital (XAUT). A Bitget deixou de ser apenas uma exchange centralizada (CEX) e se tornou uma UEX (unified exchange), uma plataforma onde é possível comprar todos os tipos de ativos (trade fire, ouro digital, etc.), caminhando para se tornar uma empresa financeira completa.
CDB vai matar o mercado cripto?
O apresentador levanta a questão da Selic a 15% ao ano, que rende cerca de 1% ao mês líquido, desincentivando o investidor médio a buscar criptomoedas. Guilherme concorda 100% e revela que até analistas que trabalham com ele na Bitget dizem que não investem em cripto. No entanto, ele faz um contraponto: o brasileiro costuma colocar todos os ovos na caixinha do Brasil. Por que não ter uma renda passiva em dólar, ouro digital ou outros ativos diversificando?
Ele não vê problema em investir em renda fixa brasileira (como CDBs), mas alerta que quando a Selic cair, quem não diversificou terá que aprender a investir na marra. A diversificação com dólar digital através de exchanges globais é, para ele, a forma mais inteligente de proteger o patrimônio.
Lançamento exclusivo da BitGet
Como mensagem final, Guilherme convida o público a visitar a plataforma da Bitget e conhecer o lançamento da UEX, que permite investir em ouro e outros ativos além de criptomoedas. Ele destaca também a renda fixa em dólar, uma excelente opção para quem quer tirar o risco Brasil da carteira de investimentos.