LÍDERES EXTRAORDINÁRIOS: O EQUILÍBRIO QUE MOVE O AGRO! COM: FÁBIO RUIZ E MARISTELA ROCHA

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Introdução: Abertura da Terceira Temporada e o Agro como Cenário de Transformação

A terceira temporada do podcast Equilibrando Pratos chega com um tema especial: o agronegócio. A host Thaísa Vendausen, engenheira agrônoma com vasta experiência em gestão, liderança e marketing, recebe o casal Fábio Ruiz e Maristela Rocha, empreendedores com trajetória sólida em gestão e desenvolvimento humano, que agora dedicam seus esforços ao agro por meio de uma mentoria para líderes extraordinários. O episódio explora a interseção entre gestão emocional, liderança e os desafios únicos do produtor rural, destacando que o sucesso no campo vai muito além da técnica: exige visão, equilíbrio e consciência nas decisões.

Planejamento e Organização: A Base para Equilibrar os Pratos

Desde o início, Fábio Ruiz conecta o conceito do podcast à realidade do empreendedor: equilibrar pratos é compatibilizar multitarefas do dia a dia. Para ele, a chave está na priorização, organização e planejamento. A empresa é um espelho da ação e da atitude do empreendedor: se ele não tem planejamento próprio, sua empresa provavelmente será desorganizada.

Maristela complementa que o empreendedor é o exemplo da cultura organizacional. Assim como um pai para uma criança, ele pode não perceber, mas seus comportamentos são observados e replicados. A mentalidade do líder no topo da pirâmide define se a empresa terá ou não uma estrutura sustentável. Se o empreendedor não tem uma mentalidade visionária, dificilmente conseguirá inspirar sua equipe.

Inovação e Preparação: Sobrevivendo às Tempestades do Mercado

Fábio destaca que, em qualquer área, quem não inova não sobrevive. Inovação, porém, não se resume a tecnologia: é fazer algo diferente do que está sendo feito. Para suportar o desenvolvimento do mercado, é preciso ter uma mentalidade inovadora, o que muitas vezes exige ampliar o espectro de percepção por meio de ferramentas como o coaching.

Um ponto crucial levantado por ele é a gestão da incerteza. Embora o agro tenha particularidades (clima, mercado, dólar), a incerteza faz parte de qualquer negócio. O que diferencia os que superam as crises é o grau de preparação. Ele compara com furacões: alguns se preparam, outros ignoram os alertas. Quando a tempestade chega (e ela sempre chega), os preparados têm mais chance de sobreviver. A eficiência – obtida com conhecimento, profissionalização, processos e tecnologia – é o que realmente manda no jogo, especialmente quando as margens se apertam. O exemplo dado é de uma margem que caiu de 60% para 12%: o despreparado quebra; o organizado resiste.

Mentalidade de Empreendedor Rural: Saindo da Vitimização

Thaísa observa que muitos produtores rurais ainda não se veem como empresários. Um produtor que planta 100 mil pés de tomate e passa a plantar 200 mil dobrou seu negócio, mas muitas vezes não dobra sua capacidade de gestão. Ele precisa entender que não planta mais tomate: gere pessoas. Fábio reforça: o produtor precisa migrar da mentalidade de produtor para a de empreendedor rural.

Uma armadilha comum é a terceirização da culpa. Muitos produtores focam no que não controlam (clima, mercado, câmbio) e se colocam como vítimas. Contudo, eles têm controle sobre o próprio desenvolvimento profissional, sobre investir em autoconhecimento, sobre contratar especialistas em finanças e gestão. A vida é uma eterna impermanência; a questão não é evitar as vacas magras, mas sim aproveitar as vacas gordas para se preparar. Como bem resume Fábio: "você só vai chegar onde o seu conhecimento te levar".

Eficiência e Gestão Financeira: O Poder do Caixa no Verde

Thaísa compartilha um exemplo prático de eficiência no agro: um produtor que tem fluxo de caixa no verde consegue comprar insumos à vista, negociando melhores preços e já construindo sua margem na compra. Ao chegar a colheita, não tem a pressão de vender seu grão no momento de baixa de preços (devido à oferta), pois já pagou pelo insumo. Ele pode esperar o momento mais favorável para vender. Já o produtor endividado é forçado a vender na baixa. A diferença de resultado entre os dois pode chegar a 25-30% na mesma safra, mesma região e mesma época.

Fábio arremata: "caro é o que não funciona". Um investimento de R$ 1 pode ser caro se for jogado fora; R$ 10 mil pode ser barato se gerar retorno. O importante é investir em conhecimento e em bons profissionais, pois o custo de não se profissionalizar é muito maior. Medidas simples evitam problemas complexos.

Mulheres no Agro: Sensibilidade, Valores e Liderança

Maristela, vinda do mercado corporativo, ficou impressionada com as mulheres do agro. Enquanto no corporativo muitas mulheres se tornam mais frias e sérias para se adequar, no agro elas trazem valores morais e familiares para dentro do negócio. Ela cita o exemplo de uma produtora que leva o filho pequeno com uma enchadinha para a terra – um ensinamento prático que gera admiração e amor pelo trabalho desde cedo, algo raro no ambiente corporativo.

Apesar de ainda serem minoria, as mulheres do agro estão mostrando mais as caras e precisam ser apoiadas. Fábio complementa que homens e mulheres têm percepções e sensibilidades diferentes, comprovadas cientificamente. As mulheres tendem a ser mais sensíveis, o que as torna mais propensas à culpa – inclusive a culpa proporcional ao sucesso. Quanto mais sucesso uma mulher faz, mais culpa ela sente por deixar a família. Essa sensibilidade apurada, no entanto, também as torna líderes mais empáticas e humanas, um estilo de liderança cada vez mais aderente aos tempos atuais. Contudo, conhecimento e preparação são necessários para todos.

A Jornada do Empreendedor: Entre o Sucesso Financeiro e a Prosperidade Plena

Maristela compartilha sua experiência ao equilibrar a maternidade com o empreendedorismo. Ela sempre foi workaholic, e quando sua primeira filha nasceu no ápice do negócio, fez questão de amamentar e buscar a filha na escola, ajustando a rotina. Mesmo assim, a culpa esteve presente, pois na sua cabeça, aquilo não era suficiente. Seu conselho é não brigar com os fatos, fazer o melhor com a realidade que se tem e construir uma boa rede de apoio.

Fábio revela que, apesar do sucesso financeiro, ele nunca foi próspero. Para ele, prosperidade vai além da riqueza financeira: inclui abundância emocional, cultural, familiar e espiritual. Ele se via como um "carrasco de si mesmo", um líder de alta performance que não sabia ser extraordinário consigo mesmo e, portanto, não conseguia ser extraordinário com os outros. Ele e Maristela venderam a empresa quando jovens justamente para poderem criar os filhos, regá-los com sua própria água, pois perceberam que o tempo passava rápido demais e que existia uma vida paralela ao negócio. Fábio resume isso com uma frase dita ao filho: "nunca vai existir amanhã um dia como hoje". Portanto, é preciso extrair o melhor de cada dia, pois ele não voltará.

Líder Nato ou Desenvolvido? A Posição de Fábio Ruiz

Em resposta à pergunta se um líder nasce pronto ou pode se tornar líder, Fábio é enfático: líder é nato. Ele se baseia na observação da natureza (o leão não aprende a ser líder) e em sua vivência acadêmica e profissional. O instinto da liderança nasce com a pessoa. Quem não tem perfil não conseguirá exercer liderança, pois esta exige aptidão para assumir riscos, iniciativa e capacidade de desagradar – coisas que uma pessoa conservadora pode até aprender teoricamente, mas não conseguirá aplicar como ferramenta natural.

No entanto, ele faz uma vírgula: a liderança pode ser desenvolvida naquele que já é líder por natureza. Alguém sem o perfil pode se tornar um bom gestor, organizador e agregador, mas não um verdadeiro líder. Ele diferencia crença limitante (uma barreira mental que impede a ação) de limitação (uma habilidade que ainda não se tem, mas que pode ser desenvolvida com treino). Pessoas com perfil de liderança reconhecem-se por atitudes: vão para cima, questionam, não se submetem facilmente. Fábio ilustra com sua filha, que decidiu voltar sozinha para os Estados Unidos para construir sua própria história, abrindo mão do conforto da casa dos pais – uma atitude que, segundo ele, merece respeito e palmas.

Conclusão: O Convite para o Equilíbrio e a Preparação Contínua

O episódio de estreia da terceira temporada do Equilibrando Pratos deixou lições valiosas para empreendedores de todos os setores, especialmente para o agro. A principal mensagem é que equilíbrio não é um ponto estático, mas uma dança constante entre organização, preparação e consciência emocional. O sucesso duradouro exige que o empreendedor se veja como líder, invista em seu autodesenvolvimento, profissionalize sua gestão e, acima de tudo, não se esqueça de que a prosperidade plena inclui as esferas familiar e pessoal. Como bem resumiu Maristela, não adianta brigar com os fatos; o importante é fazer o melhor com a realidade que se tem, equilibrando os pratos sem nunca perder de vista o que realmente importa.