GRAVIDADE ZERO E 150 PAÍSES, A VIDA SURREAL DE DINA BARILE | EP 100 | ANA TALK'S

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Introdução: Conheça Dina Barile, a Aventureira de Carteirinha

Dina Barile é uma aposentada que transformou sua paixão por viajar em um estilo de vida. Administradora do site de variedades Spotlife (www.spotlife.com.br), ela começou sua jornada digital ajudando ONGs e entidades assistenciais sem verba para divulgação. Com o tempo, expandiu seu conteúdo para turismo, gastronomia, entretenimento, esportes, lifestyle e comportamento. Seu espírito aventureiro, segundo ela, é um mistério: sua mãe é apavorada com tudo e seu pai era caseiro, saindo apenas para o trabalho. A descoberta veio tarde: aos 20 anos, após levar a mãe para a Itália, terra natal da família que veio no pós-guerra, Dina sentiu-se inquieta na pequena cidade de 2.000 habitantes e começou a explorar cidades próximas. Ali nasceu a aventureira.

Nadando com Baleias em Tonga: O Encontro com os Gigantes

Em uma de suas viagens ao Pacífico Sul, com base em Fiji, Dina enfrentou o desafio logístico de voos semanais entre ilhas, que exigiam até 44 horas de viagem com escalas na Austrália ou Nova Zelândia. Para preencher os seis dias necessários em Vanuatu, ela descobriu um vulcão acessível – sobe-se escadas e já se está na boca da cratera, com erupções noturnas. Mas a grande aventura foi em Tonga, o único lugar do mundo onde é possível nadar com baleias. Apesar do medo natural (ela brinca que ama baleias até o dia em que uma resolva comê-la), Dina realizou o mergulho. Seu marido, mergulhador experiente, já filmou peixes gigantescos e tubarões, mas ela mantém o respeito: não gosta que a incomodem e não incomoda os animais.

Viagem à Estratosfera: Realizando um Sonho de Infância

Quando criança, Dina viu pela televisão o primeiro homem chegando à lua – uma imagem que a encantou e a fez querer ser astronauta. Anos depois, com o surgimento das viagens comerciais ao espaço, ela retomou o sonho. Entrou em contato com a agência do senador Marcos Pontes, mas o preço a assustou. Descobriu então uma opção mais acessível: ir até a estratosfera, a camada entre a Terra e o espaço, a 17 km de altitude. Ainda assim, o custo era alto. Dina também queria fazer o bolo de gravidade zero na Rússia, onde as duas experiências seriam possíveis. O único conflito: ela havia marcado uma viagem a Madagascar com um namorado inglês. Sua decisão foi emblemática: quando o namorado perguntou 'sou eu ou a viagem?', ela respondeu 'a viagem'. Alguns aceitavam, outros não – e por isso ela não casou. A experiência, realizada no inverno russo com neve e chuva, e após uma febre contraída em Madagascar, foi emocionante. Aos 17 km de altura, o piloto a deixou dirigir o caça por alguns instantes, mas ao virar a aeronave de ponta-cabeça, Dina preferiu devolver o manche e apenas curtir o visual. Ao olhar para a direita, viu o espaço completamente escuro, enquanto à esquerda a Terra ainda estava iluminada. Ela sempre se emociona e reza ao realizar um sonho.

A Terra é Plana? Dina Responde

Questionada sobre a polêmica, Dina responde com humor: quem ainda acha a Terra plana é porque não foi lá ver. Ela viu, do alto da estratosfera, a curvatura do planeta.

O Vulcão de Lava Azul da Indonésia e a Tragédia da Brasileira

Dina voltou recentemente da Indonésia, onde foi conhecer o único vulcão do mundo com lava azul, localizado em Java. O vulcão Ijen entrou na rota turística, mas a aventura é extrema: depois de 3 km de subida, há uma descida até a caldeira onde a lava azul aparece. O cansaço é tão grande que existem 'Lamborghinis' – carrinhos de mão que levam turistas exaustos, puxados por quatro pessoas ladeira acima. Sua amiga não conseguiu completar o trajeto e precisou ser 'rebocada'.

Dina também esteve em Lombok durante o período em que a brasileira Juliana, de 34 anos, morreu em um vulcão na mesma região. Ela relata que o tour para o vulcão é oferecido em cada esquina, vendido como se fosse algo básico, sem orientação adequada. A agência não informou a moça sobre a necessidade de agasalhos (faz muito frio no topo), nem sobre água (item mais importante que comida) e nem sobre a preparação física necessária. Dina aponta que a brasileira também não tinha seguro viagem, item fundamental. Uma semana antes da tragédia, uma turista chinesa havia caído pelo desfiladeiro e morrido no mesmo local – notícia que Dina 'apagou da memória' seletivamente, pois se lembrasse, talvez não fosse. Ela reforça: pesquisar, ler, buscar informação é essencial. Hoje, com tudo disponível na internet, não há desculpa para não se preparar.

Islândia: Aventura Sem Placas de Sinalização

Na Islândia, Dina aprendeu uma regra curiosa: não há placas indicando atrações turísticas. O código é simples: se você vir dois ou três carros parados no acostamento, é porque há algo interessante por perto. Seguindo essa lógica, ela parou diversas vezes e descobriu geleiras enormes com blocos de gelo lindíssimos (mesmo no verão), cachoeiras e lagos. A surpresa e a descoberta espontânea tornaram a Islândia um lugar inesquecível.

Bolívia: O Lugar que Dina Não Voltaria Jamais

Apesar de respeitar que todo lugar tem pessoas boas, Dina elege a Bolívia como o país que não quer revisitar. A experiência foi marcada por golpes de agências de turismo. Em uma delas, ela comprou um pacote para conhecer o Salar de Uyuni (deserto de sal) e também os povoados locais. Após o passeio, o guia a deixou sozinha com a mala no deserto, dizendo apenas 'alguém virá te buscar'. Duas horas depois, apareceu um suposto dono da agência, informando que o pacote não sairia por falta de quórum (só ela havia inscrito). Ele se recusou a devolver o dinheiro, ofereceu três dias de hospedagem com refeições, mas o hotel negou o acordo e a chamou de mentirosa. Revoltada, Dina pegou a primeira van que saía do local – às 4 da manhã, lotada de galinhas, cachorros e alguns argentinos que morreram de rir com suas histórias. A experiência rendeu boas risadas depois, mas a certeza é: não voltaria à Bolívia. Ela brinca que, se tivesse que escolher entre nadar com baleias e voltar na van com galinhas, escolheria a van.

Portal do Inferno no Turcomenistão: O 10º Pior Lugar do Mundo

Enquanto planejava a rota da seda, Dina pesquisou atrações no entorno e encontrou o Portal do Inferno, uma cratera de gás que pega fogo há mais de 50 anos. O local figurava entre os 10 piores lugares do mundo – exatamente por isso ela quis ir. A história: exploradores acharam gás na cratera e, para extingui-lo, atearam fogo. O fogo nunca se apagou. Dina acampou na beirada da cratera, os guias cozinharam ali mesmo, e a experiência foi intensa. Hoje o fogo está mais fraco e há turismo organizado, mas ela conheceu na época 'boa', quando a chama estava forte e o local era realmente inóspito.

Preparação Física e Saúde: A Importância do Check-up

Dina revela que, pouco antes da viagem à Indonésia, teve uma diverticulite e ficou internada 15 dias. Agora, antes de cada aventura, preocupa-se em verificar as condições de saúde. Ela também reclama da memória 'seletiva' – que esquece os perrengues para não desistir das viagens – e da idade chegando. A apresentadora sugere que ela procure um médico de medicina integrativa para alinhar os hormônios, já que Dina é ativa, não sedentária, e continua planejando viagens complexas.

Espírito Aventureiro: Dicas e Reflexões

Dina acredita que o pior é a pessoa se privar de experiências, desde que haja medida e consciência dos limites. Ela começou a viajar sem internet, coletando informações de revistas e jornais. Hoje, com toda a informação à mão, não há desculpa para não saber o que esperar. Ela ressalta a importância de:

  • Seguro viagem – item fundamental, que a brasileira não tinha.
  • Preparação física – verificar a saúde antes de aventuras extremas.
  • Pesquisar os perrengues – não apenas os pontos positivos.
  • Buscar agências confiáveis – e desconfiar de ofertas muito simplistas.

Dina também destaca o espírito do brasileiro, que se mobilizou fortemente nas enchentes do Rio Grande do Sul, e afirma que, depois de tantas aventuras, dá mais valor à sua terra e às pessoas.

Conclusão: Boas Histórias para Contar

Dina Barile é a prova de que a aposentadoria pode ser o início das maiores aventuras. Seu Instagram é @dinabarile e o YouTube, o mesmo nome. Ela também contribuiu com um capítulo para o livro 'Mulheres 40+', que será lançado em novembro. A mensagem final é clara: o que importa nessa vida é ter boas histórias para contar. Os perrengues viram recordações engraçadas, e cada lugar, com seus pontos positivos e negativos, ensina algo. Como ela mesma diz: 'quando eu for velhinha, não conseguir mais viajar, vou lembrar e vou rir'.