Francamente Ep. 05 | Sadi Consati

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Introdução: Sadi Consati – A Beleza como Ferramenta de Transformação

Neste episódio do podcast Francamente, recebemos um profissional que é referência absoluta no mercado de beleza brasileiro: Sadi Consati. Maquiador, consultor de desenvolvimento de produtos e uma das vozes mais respeitadas do setor, Sadi tem mais de 30 anos de carreira, já treinou cerca de 70 mil pessoas e acompanhou de perto a evolução da indústria cosmética, das tendências e do comportamento das consumidoras. Nesta entrevista, ele compartilhou sua trajetória – que começou no teatro, passou pela maquiagem artística até se tornar um dos maiores nomes do mercado – e trouxe reflexões profundas sobre autoestima, autenticidade, o papel da maquiagem na vida das mulheres e os desafios da era digital.

Do Teatro à Maquiagem: A Virada de Chave de Sadi Consati

Sadi é formado em ciências contábeis e administração de empresas, mas seu verdadeiro sonho sempre foi o teatro. Gaúcho, ele largou tudo no Rio Grande do Sul há 32 anos para vir a São Paulo seguir a carreira artística. Foi no teatro que ele conheceu a maquiagem – e se apaixonou perdidamente. Ele percebeu que tinha muito mais afinidade com a maquiagem do que com a atuação em si, e a partir daí fez a transição que o levaria a se tornar um dos maquiadores mais requisitados do país.

Sadi conta que teve a sorte de contar com o apoio incondicional de seus pais, que disseram: "Vai, seja feliz, faça o que você tem que fazer". Esse apoio, segundo ele, não tem preço – e é algo que muitos profissionais não tiveram, tendo que "meter a cara" e provar seu valor sozinhos. Ele ressalta que a coragem de acreditar no próprio potencial é fundamental: "Se você não fizer, ninguém vai fazer por você".

A Evolução da Indústria Cosméticos e o Surgimento da Dermomake

Sadi destaca a evolução absurda da indústria cosmética nos últimos anos, especialmente no Brasil. Ele é categórico: as marcas nacionais não devem absolutamente nada para as marcas internacionais. A tecnologia brasileira avançou a ponto de desenvolver produtos com ativos que tratam a pele enquanto maquiam – o movimento conhecido como Dermomake. Hoje, é possível encontrar bases, corretivos, blushes e até pós compactos com ácido hialurônico, retinol, vitamina C e outros ativos que hidratam, suavizam linhas e melhoram a textura da pele ao longo do dia.

Um dos exemplos mais impactantes é o pó compacto. Antigamente, o pó era o grande inimigo das peles maduras, pois ressecava e envelhecia. Hoje, existem pós que hidratam a pele. Sadi explica que a mulher moderna, especialmente a partir dos 40 anos, pode se maquiar pela manhã e, ao final do dia, ao remover a maquiagem, encontrar uma pele melhor do que estava antes da aplicação. Isso é possível graças aos ativos incorporados às fórmulas, que prolongam a juventude da pele e retardam a necessidade de procedimentos mais invasivos.

A Pele Madura e a Quebra de Tabus

Sadi lembra que, há 30 anos, existiam inúmeras restrições para mulheres maduras: não podiam usar isso, não podiam usar aquilo. Hoje, com a evolução dos produtos e das técnicas, mulheres de 50, 60 anos ou mais podem usar praticamente tudo, desde que com a maquiagem adequada. O segredo está em escolher produtos que não craquelem, não pesem e não marquem a pele. Sadi está desenvolvendo um projeto específico para pele madura, exatamente para atender a essa demanda crescente de mulheres que querem se sentir bonitas, confiantes e vibrantes em qualquer idade.

Para ele, esse movimento reflete uma valorização da mulher em todas as fases da vida. As mulheres estão saindo de casa, assumindo posições de poder, e querem aparecer bem, confortáveis e seguras. A maquiagem é uma ferramenta que potencializa isso: quando você corrige uma olheira, define os cílios ou passa um batom, você se olha no espelho de forma diferente. A autoconfiança gerada por esse cuidado é fundamental, especialmente em ambientes corporativos onde a mulher precisa provar seu valor constantemente.

O Mercado de Beleza e a Diversidade de Peles no Brasil

Sadi aborda um dos maiores desafios da indústria cosmética nacional: a diversidade de tons e texturas de pele no Brasil. Do Sul ao Nordeste, a variedade é imensa – e as marcas precisam oferecer portfólios amplos, com cerca de 40 a 50 tons, para atender a todas as consumidoras. Ele reconhece que isso é um desafio logístico e financeiro, especialmente para distribuir produtos adequados a cada região, mas defende que, se uma marca quer conversar com todos os consumidores, precisa entregar essas possibilidades. "Ainda existe muita deficiência no mercado", admite, mas evoluímos muito, e algumas marcas sérias já investem pesadamente nessa diversidade.

Expectativa versus Realidade: O que a Maquiagem Pode e Não Pode Fazer

Uma das maiores frustrações que Sadi observa em sua carreira é a expectativa desmedida das consumidoras. Muitas mulheres acreditam que um cosmético ou uma maquiagem vai fazer milagres – rejuvenescer 10 anos, levantar o rosto, transformar completamente a aparência. Sadi alerta: tudo tem um limite. Quando a expectativa é muito alta, a frustração é inevitável. O segredo está em entender o que cada produto pode entregar e em usar a maquiagem como uma ferramenta de realce, não de transformação radical.

Ele também critica o exagero de tendências, como o lápis marrom contornando os lábios que virou febre nas redes sociais. Muitas mulheres replicam o que veem em influenciadoras e famosas, sem considerar seu próprio formato de rosto, lábios e proporções. O resultado é uma boca desproporcional, que descaracteriza a pessoa. Sadi defende que a maquiagem deve valorizar a individualidade, não padronizar. "Quando você padroniza e fica todo mundo exatamente igual, ninguém mais é interessante."

Redes Sociais, Filtros e a Autoestima das Crianças

Sadi faz um alerta contundente sobre o impacto das redes sociais na autoestima de crianças e adolescentes. Ele vê com preocupação meninas de 8, 9, 10 anos consumindo produtos de maquiagem pesada – base, corretivo, pó – como se fossem brinquedos. Para ele, os pais são os principais responsáveis por controlar esse acesso e permitir que as crianças vivam sua fase sem queimar etapas. "Por que uma menina de 10 anos precisa ser youtuber?", questiona. Ele recomenda que os pais permitam apenas produtos lúdicos (gloss colorido, lápis de cor, máscara incolor) e mantenham distância de produtos que uniformizam a pele, pois isso pode gerar distorções de imagem e baixa autoestima no futuro.

Sadi também critica os filtros de Instagram que eliminam poros, suavizam a pele e criam uma imagem irreal. Isso, somado às fotos com tratamento de IA, gera uma expectativa impossível de ser alcançada na vida real. Ele defende uma abordagem mais natural e autêntica, onde a beleza está na singularidade de cada um – e não na padronização.

O Clássico e a Autenticidade: O Que Nunca Sai de Moda

Para Sadi, o que nunca sai de moda é o clássico – a mulher elegante, que não precisa de esforço para ser bonita. Ele diferencia a autoafirmação (forçar uma imagem que não é sua, usando artifícios, roupas e comportamentos) da autenticidade (ser o que você realmente é, polir isso, mas sem perder a essência). O clássico é natural, espontâneo, e vem de dentro. Pode ser lapidado, mas não inventado. "Quando chega uma pessoa com personalidade, com naturalidade, com estilo, isso me ganha, mesmo que ela esteja sem maquiagem", afirma.

Ele cita o sorriso como um exemplo de característica que torna uma pessoa bonita, independentemente de maquiagem. Um sorriso espontâneo, que abraça, que é genuíno, ilumina o rosto e apaga cansaço, olheiras e imperfeições. Essa é a verdadeira beleza – aquela que vem de dentro e é única.

Francamente: A Maquiagem Não Esconde o Caráter

Na pergunta final do quadro Francamente, Sadi foi direto: a maquiagem não esconde o mau-caratismo. Não adianta estar com a maquiagem mais linda, a roupa mais cara, se a pessoa tem energia ruim, vibração negativa e falta de caráter. Isso transparece, não tem jeito. "Não vai disfarçar, não vai esconder, não tem jeito, não vai, não vai mesmo. Nem com Photoshop." Para Sadi, a verdadeira beleza é uma combinação de autenticidade, vibração interna e respeito pelo próximo.