Confissões Consentidas - Ep. 42 - Vini da Kynktopia

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Introdução ao Podcast Confissões Consentidas e Apresentação do Convidado

O podcast Confissões Consentidas, uma produção da comunidade fetichista para o mundo, inicia mais um episódio. O apresentador, Renan, também conhecido como Mestre Cruel, um homem branco de 34 anos com cabelos castanhos e mechas brancas, veste uma camisa verde de gola padre, a mesma que usou no International Mr. Leather, para receber seu convidado. Hoje, a segunda parte da série "King Topia" é apresentada com Vini, da Kynktopia. Vini se descreve como um homem branco, de 26 anos, que se identifica como hétero, mas não tanto. Ele está vestido com uma jaqueta de couro marrom, regata canelada, um chocker vermelho, bigode, alargadores na orelha, brinco e piercing na sobrancelha, fazendo piada sobre a quantidade de furos, relacionando com a prática de Needle Play.

Origens e Formação de Vini: Do Interior Conservador à Revolução do Prazer

Vini nasceu em uma cidade de 33 mil habitantes no interior de São Paulo, localizada no meio do caminho entre a capital e o Rio de Janeiro. Ele descreve o local como extremamente tradicional e regido pelo catolicismo, sendo a cidade da Canção Nova. Sua família também é tradicional, com pai militar, o que criou um ambiente conservador e controlador. Vini se apresenta como o extremo oposto disso, a "própria energia da mão esquerda" e um militante pela revolução do prazer.

Sua missão, junto com a Kynktopia, é democratizar o acesso ao prazer, seja através de melhores relações na não monogamia, mas com foco em relações kink. O nome "Kynktopia" reflete tudo aquilo que é tido como pervertido ou estranho aos olhos conservadores, mas que, segundo ele, os fetichistas estão em todos os lugares, e muitas pessoas só não sabem como acessar essa parte de si.

Vini nunca se identificou com o padrão cristão e conservador. Estudando em uma escola cristã, a sensação de ser a ovelha negra era ainda maior. Ele sempre foi divergente, um neurodivergente não diagnosticado, o que o tornava o "esquisito". No entanto, no meio dos esquisitos, ele descobriu que não era incompreendido, apenas diferente. Ele acredita que a pessoa não se torna kink, mas que sempre houve resquícios disso na infância, como gostar da sensação de cera de vela caindo na mão ou gostar de brincadeiras como polícia e ladrão, com um toque de tortura.

Até os 18 anos, Vini seguia o plano familiar, chegando a passar na prova do Barro Branco para tenente da Polícia Militar. No entanto, algo sempre dava errado nas etapas finais, o que ele interpretou como um sinal de que não era para ser. Mudou de área, trabalhou na assistência social durante a pandemia, lidando diretamente com a população e vendo uma realidade diferente, o que ampliou sua visão de mundo e iniciou um processo de autoconhecimento.

A Descoberta do Universo Kink e o Nascimento da Kynktopia/h2>

Já sendo não monogâmico, Vini conheceu Mel, com quem começou a explorar o universo fetichista sem saber os nomes das práticas. Como um bom nerd, ele mergulhou fundo quando ouviu Mel falar sobre Blood Kink (prazer no sangue). A partir da pesquisa sobre isso, ele descobriu todo o universo kink, fetichista e do BDSM.

A ideia inicial da Kynktopia surgiu como uma sex shop, pensada para atender o público universitário de Lorena. Porém, por terem um aspecto mais kink e estarem tentando uma Dinâmica 24/7 (o erro de todo iniciante, segundo ele), as pessoas os procuravam mais para orientação sobre o universo kink do que para comprar produtos. Eles atuavam como orientadores, focando em informação, cuidado e segurança.

A vontade de serem nômades, viajar o mundo e não ficarem presos a um estoque, aliada ao foco na educação, os fez abandonar a sex shop. Mel se dedicou aos estudos e Vini começou a se especializar na produção de conteúdo sobre o universo kink, estudando tantra e se formando em sexologia. Ele não consegue distinguir a vida profissional da pessoal, e essa junção entre prazer e predileções fez com que explorasse ambos simultaneamente.

O Despertar para o Fetichismo: Experiências Pessoais e o Papel da Fantasia

Vini compartilha que, antes mesmo de conhecer a Mel, já tinha experiências que, embora não intituladas, eram fetichistas. Ele lembra de uma vez em que foi a um motel com uma menina de unhas longas, e o sexo foi tão violento que ele saiu com as costas sangrando. A dor ao colocar a camiseta depois o fez lembrar do prazer, sendo um momento claro de descoberta do seu lado masoquista.

Já no quesito dominação, ele descobriu isso através da interpretação fantástica, como em RPG. Seus personagens sempre tinham um ar de dominação, geralmente demônios ou vampiros, ligados ao controle e ao poder. Ele descobriu o roleplay e, com isso, sua atração pelo controle.

Vini se apresenta como top e bottom, mas não como dominador/submisso. Ele gosta de receber práticas masoquistas, como Needle Play, e tem prazer em ser observado (exibicionismo). Como top, suas práticas favoritas são asfixia, afogamento, jogos com respiração, Knife Play, Fear Play e Spanking. Ele destaca que o conhecimento veio tanto antes quanto depois da prática. Ele já sentia prazer na dor desde muito novo, associado a problemas com depressão e ideação suicida. Ele aprendeu a ressignificar essa dor em prazer. As práticas vieram antes, mas foi com o estudo que ele aprendeu os nomes, as técnicas e como fazer de forma mais segura.

A Importância do Conhecimento e a Correção de Erros

Vini menciona que o segundo vídeo mais famoso da Kynktopia, que mais trazia inscritos, era sobre como "enforcar" alguém. Porém, ao estudarem mais a fundo, descobriram que a técnica ensinada estava errada, baseada mais em luta e arte marcial do que em uma prática segura. Mesmo sendo um vídeo importante para a monetização, eles o excluíram por conter conhecimento incorreto, demonstrando um compromisso com a informação de qualidade. Hoje, eles nem ensinam mais esse tipo de prática, por entenderem que é um conteúdo de alto risco e que pode ser mal interpretado.

A Kynktopia: Conteúdo, Comunidade e Metodologia

A Kynktopia é uma comunidade educativa. O conteúdo disponível no site inclui:

  • Uma aula sobre autoconhecimento, ensinando a pessoa a se tocar com consciência para reconhecer seu corpo, desejos e limites.
  • Uma aula sobre comunicação, usando a técnica dos três pontos: elogiar, sugerir e perguntar. Por exemplo, se alguém quer introduzir o Shibari, deve começar elogiando a contenção que já aconteceu, sugerir explorar outras maneiras de fazer isso e perguntar se a pessoa já ouviu falar sobre o tema.
  • Uma série de novas aulas, com a participação de uma nova membro chamada Angel, que iniciou Vini no mundo presencial do BDSM, focando em como fazer sessões, mostrando que não é preciso equipamentos caros para começar.

A filosofia da Kynktopia é a democratização do acesso, com o objetivo de levar as pessoas da imaginação à prática do fetiche. Eles oferecem lives quinzenais com temas escolhidos pela comunidade e um grupo onde os membros podem interagir, trocar ideias e fazer perguntas, sempre em um ambiente seguro e sem julgamento. O consentimento é a base, e a participação no grupo é opcional.

Metodologia TPC: Teoria, Prática e Consciência

A abordagem da Kynktopia utiliza o método TPC (Teoria, Prática e Consciência). A teoria é essencial para entender os conceitos, a segurança e o consentimento. A prática é necessária para colocar o conhecimento em ação, com exercícios que vão desde olhar para dentro e identificar limites, passando por treinar a negociação, até chegar em práticas como o Spanking. Por fim, a consciência é desenvolvida através da repetição e da experiência, que levam à maestria.

O público-alvo não são os fetichistas experientes, mas aqueles que estão começando, que sentem atração pelo universo, mas têm medo, vergonha ou se sentem errados por seus desejos. A mensagem central é: não há nada de errado com você.

A Pedagogia do Prazer e o Gerenciamento de Riscos

O apresentador, Renan, faz uma conexão com a pedagogia, citando o texto de Bom Dia, que fala sobre aprender pela experienciação, e não apenas pela exposição. Vini concorda, enfatizando que seus exercícios são didáticos, guiando a pessoa a olhar para dentro, negociar, e só então praticar. Ambos discutem a importância de entender a origem dos próprios desejos, pois isso melhora a qualidade da prática e ajuda a estabelecer limites claros.

A conversa se aprofunda no conceito de SSC (Seguro, São e Consensual). Tanto Renan quanto Vini são críticos a essa sigla, preferindo o "HACK" (que significa, no contexto, uma abordagem mais realista). Eles afirmam que o SSC dá uma falsa sensação de segurança, pois nada é 100% seguro, nem mesmo tomar banho. A ideia é reduzir os riscos ao máximo e estar preparado para quando algo der errado, pois é "quando" der merda e não "se" der merda. Vini compartilha um exemplo de uma sessão de mumificação em que a pressão da submissa baixou, a sessão foi interrompida (sinal vermelho, aftercare aplicado) e, mesmo com o imprevisto, foi uma experiência positiva e de aprendizado.

Bate-Bola Rápido: Revelações Pessoais de Vini

Na seção de perguntas rápidas, Vini responde:

  • Uma cor: Preto.
  • Um sonho: A comunidade Kynktopia física.
  • Um medo: Machucar quem eu amo.
  • Tema a ser mais debatido: A morte e as mortes.
  • Super poder merda: Fazer as pessoas gozarem com o poder da mente.
  • Sessão com você (top): Sedução, asfixia e spanking.
  • Sessão com você (bottom): Uma mulher mais velha.
  • Pessoa que admira: Seixas (referência a um amigo ou figura, não explicitado).
  • Quem te interpretaria no cinema: James ou Jason McAvoy.
  • Prática fetichista que quer fazer: Suspensão em ganchos.
  • Indicação de livro: Descolonizando Afetos, da Geni Nunes.

Ele finaliza dizendo que o Vini pelo Vini é alguém que trabalha pela revolução do prazer e pela "despertação da chama interior das pessoas".

Encerramento e Divulgação dos Canais

O episódio é encerrado com agradecimentos, pedidos de engajamento (curtir, comentar e compartilhar) e a divulgação das redes sociais. Os ouvintes são incentivados a seguir o podcast no Instagram (@confissoesconsentidas) e o apresentador (@dommcsp), além de acessar o site www.mestrecruel.com para todas as redes, incluindo as para maiores de 18. Vini divulga seu Instagram (@vinidakynktopia) e o site da Kynktopia (kingtopia.com), com a ressalva de que o nome é escrito com 'Y' para não ser derrubado pelo algoritmo.