Introdução: O Podcast Confissões Consentidas e a Conversa sobre Fisting
No episódio do podcast Confissões Consentidas, o apresentador Mestre Cruel (Renan) dá as boas-vindas ao convidado Florian Hole. O programa, que vai ao ar toda quinta-feira ao meio-dia, tem como missão falar sobre fetiches e mostrar a dimensão humana por trás das práticas. Seguindo o protocolo de acessibilidade, Renan se descreve como um homem branco de 33 anos, cisgênero, cabelo castanho com mechas douradas e alguns fios brancos, vestindo uma camisa preta de couro com detalhes em branco. Florian, visivelmente nervoso, admite ficar mais tranquilo apresentando fisting para as pessoas do que falando em público. Ele se apresenta como um homem branco, cisgênero, de 35 anos (quase 36), cabelo curto com partes grisalhas, barba ralinha também grisalha, usando óculos e uma camiseta preta com um broche vermelho da marca de lubrificante XLO.
A Descoberta do Fisting na Adolescência e a Repressão da Passividade
Se o nome Florian Hole fosse jogado no Wikipedia, segundo ele mesmo, constaria que é um brasileiro praticante de fisting há quase 16 anos. Ele descobriu a prática no final da adolescência, não fazendo, mas assistindo a vídeos no falecido site XTube, uma plataforma amadora que deu origem a muitos atores do meio fetichista. A descoberta foi chocante e prazerosa ao mesmo tempo — o clássico 'credo, que delícia' — e mexeu com ele de um jeito inesperado. Aos 20 anos, ele teve sua primeira experiência prática, que confirmou sua certeza: 'Nossa, eu amo isso'. Florian acredita que o fisting mudou sua vida de várias formas, e que o 'Flórian' (persona artística) certamente não existiria sem essa prática. Ele também revela que teve muitos anos para entender o que era gostar de ser passivo. Quando saiu do armário para os amigos, um amigo gay mais experiente lhe disse uma frase horrível: 'Lei do gay maior, não seja passivo'. Essa frase ferrou sua mente por muito tempo, fazendo-o acreditar que não podia ser passivo para ser um 'bom gay'. Na rua, ele performava a atividade de ativo, enquanto dentro de casa explorava a passividade. Para ele, o fisting foi uma forma de 'eu quero mais' — um desejo maior e mais forte que a própria passividade incubada.
Saída do Armário, Apoio Familiar e o Primeiro Vídeo na Internet
Florian teve certeza de sua sexualidade por volta dos 11 anos, lembrando-se de um menino na escola que o chamou de gay e ele respondeu 'sou mesmo'. Aos 13 anos, após questões emocionais que chegaram a causar feridas no corpo, ele decidiu não conseguir mais se esconder. Aos 16, foi forçado a sair do armário para a mãe após alguém contar que ele havia ido a uma 'baladinha gay'. Ele ouviu a conversa e teve que revelar a verdade. O início foi um caos, mas sua mãe sempre o protegeu, batendo de frente com qualquer pessoa que falasse algo contra ele. Florian considera que teve o privilégio de uma família tranquila, apesar de momentos ruins. Aos 18 anos, ele retomou o assunto e exigiu que seus pais conversassem com ele. A primeira relação sexual dele foi versátil e bacana, mas ele já sabia o que era fisting naquela época, embora tivesse medo de falar sobre o assunto por ouvir repetidamente que a prática era 'feia'. Aos 23 para 24 anos, viajando para Londres (aos 24, a 'idade de fazer a decisão'), ele postou seu primeiro vídeo na internet, sem rosto, no XTube. O vídeo fez sucesso — pessoas comentaram — e aquilo mexeu com ele, pois já tinha vontade de se exibir. No entanto, o nome artístico Florian Hole só surgiu anos depois, por volta dos 33 anos.
O Nascimento de Florian Hole: Entre o Burnout e o Luto Familiar
O pontapé inicial para a criação de Florian Hole aconteceu em 2022, um período extremamente conturbado. Florian estava trabalhando em uma agência e sofrendo de burnout. Sua tia-avó e sua avó, ambas muito importantes para ele, estavam muito doentes. Sua tia-avó faleceu, e cerca de três meses depois, sua avó também morreu. Na semana do falecimento de sua avó (numa quinta-feira), seus pais viajaram para a praia no sábado. Uma tempestade absurda atingiu a região, fez parte da casa cair e quase soterrory seu pai e sua família. Toda essa sequência de eventos — perdas e quase-perdas — mexeu profundamente com ele. Florian só percebeu depois que aquele foi o estopim para ele finalmente decidir se tornar o Florian Hole de fato. Até então, ele vivia no 'eu quero fazer isso, mas nunca fiz'. O medo de 'morrer cedo sem fazer o que eu queria' foi o grande motor. Sua família está bem agora (exceto a avó e a tia-avó, falecidas), e ele decidiu: 'Vou começar'.
O Primeiro Vídeo Profissional e a Escolha do Nome Artístico
Florian foi convidado para assistir a uma gravação de um vídeo pornô. Lá, falaram: 'Olha, o passivo não veio, vai ser você'. Ele aceitou. A gravação foi com o ator Barão, além de Felipe Vilar e outro Felipe (cujo sobrenome ele esqueceu). Foi uma experiência incrível e emocionante, e foi a primeira vez que ele mostrou o rosto em uma gravação (até então, suas produções amadoras eram sem rosto). Após essa experiência, ele decidiu que precisava ter um nome artístico. Já tinha 'roll' no @ do Twitter, então pensou em manter. Queria um nome com a letra 'F' (de fisting). Pensou em 'flor', mas não gostou; então veio 'Florian'. O sobrenome 'Hole' veio depois, e a ideia da 'flor' está relacionada à 'rosa' no fisting — o termo usado quando a pessoa consegue expelir um pouco do reto com o ânus aberto, formando algo que se assemelha a um botão de rosa. Florian faz questão de deixar claro que não pratica prolapso, mas explica o conceito de forma didática. Assim nasceu Florian Hole.
A Comunidade de Fisting no Brasil e a Quebra de Tabus
Florian pratica fisting há quase 16 anos e, ao longo desse tempo, foi conhecendo muitas pessoas que já faziam parte de grupos de fisting em São Paulo. Ele entende que existe uma comunidade, mas ressalta que 'todo mundo é bem-vindo' não é uma verdade absoluta, pois nem todos estão preparados para a prática, que exige tempo e cuidado. Os grupos acabam sendo menores, formados por pessoas que já se conhecem e praticam juntas há bastante tempo. Florian acredita que produtores de conteúdo como ele, Bruto, Luca de Fisten e Fernando Ferro (no Maranhão) começaram a mostrar mais o fisting de forma aberta, ajudando as pessoas a entenderem melhor a prática. Antes, muitos achavam que era apenas 'enfiar um murro' e que qualquer pessoa aguentava — um grande perigo, pois até o sexo anal comum já pode machucar se não for feito com cuidado. Uma das principais mensagens que Florian transmite é que fisting não é dor — ele sente prazer, não dor. Se ele estivesse gritando de dor, algo estaria errado. Ele quer sentir prazer, e essa mensagem tem ajudado outras pessoas a ressignificarem a prática.
O Infográfico: Um Pequeno Manual sobre Fisting Anal
Florian sempre conversou com seu marido Pedro sobre a necessidade de mostrar às pessoas o que realmente é o fisting. Ele percebeu que as informações disponíveis eram majoritariamente internacionais, em inglês, e não chegavam a quem não soubesse o idioma ou não fosse pesquisar a fundo. Quando conheceu Bruno Lavoier e Felipe Fox, Bruno veio com a ideia de fazer um 'manual de fisting'. Florian achou importantíssimo. Ele se tornou o modelo do material, que recebeu o nome de Infográfico: Um Pequeno Manual sobre Fisting Anal. A obra tem uma estética que remete a colunas gregas e é visualmente lindíssima. A versão física pode ser encontrada na banca Stardust, e a versão para Kindle está disponível na Amazon. O infográfico também foi traduzido para o inglês. Para garantir a precisão das informações de saúde, a equipe consultou o Dr. Pablo Veloso, um proctologista que revisou toda a parte relacionada ao sistema digestivo. Florian destaca a importância de ter médicos envolvidos com a comunidade, que entendam e não julguem práticas como spanking e fisting, criando uma rede de profissionais LGBT-friendly ou pelo menos não preconceituosos.
Jogo Rápido: Preferências e Desejos Pessoais
No quadro de perguntas rápidas, Florian revela que sua cor favorita é roxo e a palavra que mais usa é 'socorro' (de forma engraçada). Ele valoriza nos amigos o fato de estarem felizes, e em si mesmo valoriza ter se tornado um comunicador. Para interpretar sua vida no cinema, escolheria o ator brasileiro Marco Pigossi, a quem conheceu pessoalmente na faculdade e acha que há semelhança física. Seu ídolo no fisting é Axel Abys. A prática fetista que ele ainda não fez, mas tem vontade, é ser amarrado e fistado ao mesmo tempo (já foi amarrado apenas para fotografia). Sobre quem é o Marcelo na visão do Florian, ele responde que Marcelo é uma pessoa que realizou uma vontade antiga e que percebeu que isso foi importante não só para ele, mas também para outras pessoas. Florian se emociona ao relatar que pessoas já vieram agradecê-lo por mostrar o fisting de forma tão tranquila e prazerosa, permitindo que elas também pudessem curtir esse prazer sem medo ou preconceito.
Considerações Finais e Onde Encontrar Florian Hole
Renan agradece a participação e incentiva o público a seguir o trabalho de Florian nas redes sociais, comprar o infográfico e conhecer mais sobre o universo do fisting. Florian disponibiliza seu Instagram (se ainda estiver no ar) como @florian.hole e seu Twitter/X como @fffthole (uma abreviação para 'fist fuck the whole'). O apresentador reforça os canais do podcast (@confissoesconsentidas e @dommcsp) e o site www.mestrecruel.com, onde estão todas as redes e o Privacy. Florian também assina a parte gráfica do podcast, incluindo a vinheta de entrada, demonstrando seu talento como artista gráfico.