Introdução: Caio no Mundo e a Conexão com Kleysller
Neste episódio do Resolva Cast, recebemos Caio no Mundo, um dos maiores fenômenos virais de 2025. Kleysller e Caio se conheceram em um evento na República Dominicana (Punta Cana), organizado pela produção de Thiago Finch. Caio foi convidado para palestrar após viralizar com a sua criação: vender brigadeiros dentro de uma caixa de ferramentas, a Oficina do Brigadeiro. Kleysller destaca que, diferentemente de muitos que se isolam em eventos, Caio se mostrou uma pessoa acessível e genuína, construindo uma amizade sólida que perdura há cerca de 5 anos.
A Jornada de Imigrante: De Lavador de Pratos a Artista de Rua
Caio nasceu no interior de São Paulo, não tem ensino superior e, junto com sua esposa Carol, decidiu mudar para Londres em busca de uma vida melhor. Sem falar inglês, começou como lavador de pratos em um restaurante asiático (Agamama), enquanto Carol trabalhava como garçonete e vendia hambúrgueres nos finais de semana. A dura realidade de Londres (custo de vida altíssimo, moradia cara) fez com que Caio buscasse alternativas. Encantado pelos artistas de rua (buskers) – mágicos, músicos e palhaços –, decidiu que queria ser um deles. Mesmo sem recursos, aproximou-se desses artistas com uma atitude mais interessante do que interesseira: ajudava a carregar caixas de som, contava moedas e cuidava dos equipamentos. Essa abordagem lhe rendeu aprendizado prático e networking.
A Criação da Oficina do Brigadeiro e a Viralização
Em 2019, durante um verão difícil no Porto (Portugal), com chuva e frio que prejudicaram os ganhos como busker, Caio precisou de uma renda extra. A ideia surgiu ao entrar em uma loja de ferramentas e ver uma caixa de ferramentas azul por €19 (muito mais barata que uma bicicleta que ele planejava comprar por €190). Ele percebeu que a caixa seria mais leve, caberia mais brigadeiros e seria um diferencial criativo. Usando suas habilidades de atuação e mágica, Caio passou a entrar em lojas no Porto dizendo: “Bom dia, sou da manutenção. Vim consertar seu dia”, abrindo a caixa e revelando brigadeiros. A abordagem única gerou uma experiência memorável. Um amigo (Paulo, de Santa Catarina) postou uma foto de Caio com a caixa de ferramentas em um grupo do Facebook, que viralizou. Mais tarde, Caio postou vídeos no TikTok e alcançou milhões de visualizações, sendo convidado para programas de TV como o Marcos Mion e saindo na Rede Globo. A marca Oficina do Brigadeiro foi registrada (Kleysller cuida dessa proteção), e hoje é um ativo exclusivo.
A Série Viral de 30 Dias: De R$1 a R$5.600
Inspirado no documentário Undercover Billionaire (um bilionário disfarçado que começa com $100 e um caminhão), Caio criou sua própria versão com um orçamento de R$1 (nenhum caminhão) e 30 dias em uma cidade desconhecida. Ele escolheu Juiz de Fora (MG) e planejou tudo por um mês. A ideia era documentar a realidade crua, sem cortes ou edições que mascarassem os perrengues. No primeiro dia, ele comprou paçoquinhas e, com uma abordagem baseada em conexão genuína (puxando assunto sobre times de futebol, etc.), conseguiu transformar R$1 em R$92,60. Ao longo dos 30 dias, enfrentou adversidades: frio intenso, calor excessivo (obrigando-o a vender água), dificuldade para sair de um patamar de valor, um Chevette alugado que quebrou e gerou prejuízo, e momentos em que questionou se sua resiliência estava virando burrice. No final, ele acumulou R$5.600 e doou todo o valor para um projeto social de uma menina chamada Yasmin, em Juiz de Fora. A série foi publicada no Instagram e teve um primeiro vídeo com mais de 15 milhões de visualizações, elevando seu perfil de 94 mil para mais de 630 mil seguidores em um mês. Ele ressalta que o objetivo era servir de inspiração para jovens que vendem paçoca no sinal ou que não têm perspectivas, mostrando que é possível começar do zero.
Buskers: O Termo Global para Artistas de Rua
Caio explica o termo busker (inglês mundial para artistas de rua: mágicos, músicos, palhaços, mímicos). Ele já viajou por 31 países, sempre vivendo de forma minimalista (morando em hostels, cuidando de plantas, crianças ou cachorros em troca de hospedagem). Entre os países mais generosos financeiramente, ele cita a Suíça (onde as pessoas dão notas altas porque um franco não faz diferença na vida delas) e, em acolhimento emocional, o sul da Itália (italianos intensos e calorosos). Caio morou em Londres por um período, e sua esposa Carol – que trabalhava em dois empregos – juntou gorjetas para comprar sua primeira câmera fotográfica, tornando-se fotógrafa e parceira de viagens.
Os Próximos Desafios: Série com Chevette e 90 Dias
Para a segunda parte da série, Caio comprou o Chevette (que se tornou um símbolo, assim como sua touca rosa) e planeja um desafio ainda mais longo: 90 dias, começando com R$1 e um Chevette (em vez de um caminhão). A cidade será novamente desconhecida, no Brasil. Ele garante que nenhuma ideia será repetida: não venderá paçoquinha, brigadeiro, nem cuidará de cachorros (como fez em uma ocasião anterior). A inspiração agora vem do filme À Procura da Felicidade (The Pursuit of Happyness), com Will Smith, e a série trará ainda mais vulnerabilidade e perrengues. Ele revela que oito contratos com marcas de alimentação estão sendo analisados (sob NDA), e que marcas grandes estão interessadas em se associar ao seu conteúdo “limpo” e de impacto positivo, em contraste com apostas e jogos de azar.
A Oficina do Brigadeiro como Projeto Social Sustentável
Caio detalha seu plano para a Oficina do Brigadeiro: um projeto autossustentável em Juiz de Fora, com o slogan “consertando seu dia”. Ele quer capacitar jovens e adolescentes em gastronomia (confeitaria) e em técnicas de venda. O espaço contará com 20 parceiros comerciais que já instalaram a oficina em seus negócios. O dinheiro gerado pelo sistema será reinvestido em melhores equipamentos, profissionais qualificados e expansão pelo Brasil. A receita do brigadeiro é da Carol, sua esposa, que sempre esteve nos bastidores – algo que Caio não revelou na primeira série para manter o foco na mensagem empreendedora, mas que promete trazer à tona na parte 2.
Oportunistas e a Importância de Proteger a Marca
Com o sucesso viral, Caio foi assediado por “oportunistas” e empresas querendo se aproveitar. Ele conta que Kleysller o orientou a não assinar contratos ruins e a separar oportunidade de oportunista (“lobo em pele de cordeiro”). Kleysller cita o exemplo de Whindersson Nunes, que sempre teve cuidado com contratos, e alerta que muitos artistas brigam por causa de cláusulas mal redigidas. Caio também recebeu ofertas de cassinos, mas recusou. Ele e Kleysller estão analisando oito contratos de marcas de alimentação. Kleysller ressalta que a Oficina do Brigadeiro é marca registrada e que a proteção intelectual é fundamental para evitar que terceiros se apropriem da criação.
Networking Genuíno: Mais Interessante do que Interesseiro
Tanto Kleysller quanto Caio convergem para um ponto essencial: construir uma rede de relacionamentos genuína é mais valioso do que qualquer atalho. Kleysller afirma que seus clientes mais antigos estão com ele há mais de 20 anos, e que a “maior moeda” que ele tem é sua rede de relacionamentos. Caio complementa que falta no mercado pessoas que perguntem “como você está?” sem segundas intenções, e que ser mais interessante do que interesseiro foi o que lhe abriu portas – desde ajudar os artistas de rua em Londres até construir amizades duradouras com grandes players do empreendedorismo.
Onde Encontrar Caio e o Futuro
Caio pode ser encontrado no Instagram como @caiomundo (Caio no Mundo) – lá estão os links para contato, palestras, publicidade e a série completa. Ele pede que o público assista à parte 1 e aguarde a parte 2, que começará no dia 24 do mês atual. Kleysller finaliza agradecendo o presente de Caio: um café super premiado de Juiz de Fora (com notas de abacaxi, nectarina, pêssego e damasco, corpo aveludado), selando a amizade e a parceria.