Introdução: O Poder do Networking e a Jornada de Beatriz Bueno
No episódio do podcast da Confraria dos CEOs, Manuel Edésio recebe Beatriz Bueno, uma executiva com uma trajetória inspiradora no mercado de tecnologia e finanças. A conversa destaca a importância do networking genuíno, mostrando que por trás de todo CNPJ existe um CPF. Beatriz compartilha sua história desde os primeiros empregos até se tornar referência em fintechs, enfatizando que network verdadeiro não é a troca de cartões, mas sim a troca de energia. A mensagem central é que as conexões humanas, construídas com autenticidade e sem interesses imediatistas, são capazes de abrir portas que nem os melhores diplomas conseguem.
Origens e Primeiros Passos: Da Venda de Sacos de Lixo à Liderança Comercial
Beatriz Bueno, de 42 anos, é mãe de dois filhos e sempre foi uma pessoa acelerada, descrita por sua mãe como alguém que deveria trabalhar com comunicação. Ela encontrou na área comercial sua verdadeira paixão, pois gosta de identificar oportunidades e conectar pessoas. Seu primeiro emprego foi como jovem aprendiz, vendendo sacos de lixo por telefone, utilizando as antigas listas telefônicas amarelas. Ela lembra que, já nessa época, se dedicava com entusiasmo, chegando a sugerir campanhas de incentivo para a equipe.
Sua chefe na época, impressionada com sua energia, anos depois foi trabalhar em uma grande empresa estruturada em São Paulo e se lembrou de Beatriz, levando-a para uma oportunidade melhor. Essa experiência ensinou a Beatriz uma lição valiosa: independente do que você faz, faça o seu melhor, pois alguém está vendo. Ela então trabalhou por 10 anos em uma empresa onde começou vendendo pagers (receptores de mensagens) no modelo B2C. Com a evolução da tecnologia, o produto se tornou bloqueadores e rastreadores de veículos, e Beatriz migrou para o modelo B2B, vendendo para frotas e empresas de logística. Nessa jornada, a empresa passou por cinco fusões, e Beatriz teve a oportunidade de liderar a equipe comercial, consolidando sua experiência no setor de tecnologia e logística, um ambiente majoritariamente masculino.
Habilidades e Atitude: O Destemor e a Postura como Diferenciais
Quando perguntada sobre as habilidades que a ajudaram a construir sua carreira, Beatriz destaca que é uma pessoa muito destemida e ousada. Ela acredita que o que paralisa muitas pessoas não é a falta de conhecimento, mas sim a falta de atitude. Conhecimento sem ação não leva a lugar nenhum. Para Beatriz, primeiro vem a postura, depois vem o cargo. Ela orienta sua equipe a agir como líderes antes mesmo de ter o título, buscando mentores e inspirando-se em várias pessoas.
Ela também enfatiza a importância de se adaptar ao mercado, dançando conforme a música, para poder um dia escolher a música. Sua curiosidade e desejo de inovação a levaram a explorar o e-commerce, trabalhando no Groupon em 2012, o que a conectou com o universo de meios de pagamento. A partir daí, Beatriz teve a oportunidade de trabalhar nas três primeiras instituições de pagamento autorizadas no Brasil, ajudando a construir o que hoje conhecemos como fintechs.
Networking Genuíno: Ser Interessante sem Ser Interesseiro
Beatriz compartilha uma reflexão poderosa: se você tem a oportunidade, estude e faça, mas crie conexões, porque por trás de todo CNPJ existe um CPF. Ela critica o comportamento de quem se conecta apenas para pedir algo, o famoso vendedor chato. O network verdadeiro é uma troca de energia, onde você tenta ser útil e ajudar a pessoa primeiro. Em algum momento, o retorno vem.
Manuel complementa que network é uma relação onde você deve ser interessante sem ser interesseiro. Muitas pessoas querem fazer o saque sem ter depositado nada na relação. Assim como um investimento, é preciso construir relacionamentos de forma genuína e contínua. Beatriz ressalta que, para ela, seu principal ativo são as conexões que a colocam em mesas onde os diplomas não a levariam. Ela aconselha a todos que gostem de pessoas, e se não for o caso, foquem em atividades que não exijam tanto contato, mas sempre fazendo com prazer e sabendo que os resultados virão no momento certo.
Posicionamento Feminino no Mercado: Respeito e Limites
Manuel pergunta sobre o desafio de ser mulher em cargos executivos e lidar com o assédio. Beatriz é direta: o assédio pode ocorrer em qualquer lugar – na academia, no trabalho, na igreja. O que importa é como você se dá o respeito e como se posiciona. Ela afirma que é necessário saber impor limites, tratando todos com respeito, mas deixando claro onde a relação profissional termina. Não é o que as pessoas te fazem, mas como você reage ao que te fazem. O ciclo de pessoas ao seu redor também é fundamental: se você convive com pessoas que desbravam o mundo e ajudam o próximo, automaticamente estará alinhada com pensamentos e objetivos semelhantes. Manuel acrescenta a máxima: pessoas são promovidas por talento, mas demitidas por comportamento.
Fintechs: Inovação, Escala e o Futuro do Sistema Financeiro
Para Beatriz, fintech é a inovação. Empresas como Uber e iFood são exemplos de fintechs que embarcaram finanças em negócios não bancários. Ela destaca o Pix como um case de sucesso mundial, citando que, em eventos internacionais como o Web Summit, o Brasil é referência em transações 24 horas por dia, 7 dias por semana, enquanto outros países ainda usam cheques com liquidação em D+2. Hoje, o Brasil já avança para o Pix por biometria, onde o pagamento reconhece a face do usuário.
Beatriz explica que as fintechs trazem velocidade de inovação que os bancos tradicionais, mesmo com recursos, não conseguem orquestrar. No entanto, ela alerta que o Banco Central tem tornado a regulação mais rígida para afastar aventureiros. O capital regulatório de uma instituição de pagamento, que era de R$ 1 milhão, pode chegar a R$ 30 milhões. As boas fintechs são aquelas que combinam inovação com governança. O futuro aponta para as finanças invisíveis, onde as soluções financeiras estão embarcadas em softwares de gestão (ERPs), permitindo que um empresário pague tributos, faça investimentos e tome empréstimos em uma única conta, sem sair do sistema que já usa.
Oportunidades e Ameaças para Softwares de Gestão (ERPs)
Manuel levanta uma questão crucial para empresas de software: muitas ERPs (sistemas de gestão empresarial) estão defasadas e correm o risco de ser atropeladas pelo mercado. Ele cita a pesquisa do ERP Summit, onde 65% das empresas que usam um ERP estão predispostas a migrar de sistema por falta de perspectivas de futuro. Beatriz concorda e faz uma analogia com o caso da Kodak: a empresa era referência, mas não se adaptou. As ERPs menores podem aproveitar as fintechs para embarcar soluções financeiras e atender à nova demanda dos clientes.
O comportamento do consumidor mudou: ele é imediatista e quer tudo resolvido com agilidade. Manuel reforça a frase de um executivo amigo: o que fez a empresa chegar onde está está lá dentro, e o que a impede de evoluir também está lá dentro. A falta de olhar para o mercado e a acomodação com o básico regulatório são os maiores vilões. Beatriz alerta para a demissão silenciosa: o cliente decide trocar de fornecedor, não avisa e, de repente, rescinde o contrato. Para evitar isso, é preciso colocar o cliente no centro, evoluir constantemente e oferecer algo além do obrigatório.
Inteligência Artificial: Governança e o Combate aos Aventureiros
Beatriz observa que a Inteligência Artificial (IA) permite escala e eficiência, mas exige governança e monitoramento. O mercado está cheio de aventureiros oferecendo cursos e sistemas que não entregam o que prometem, vendendo gato por lebre. Manuel comenta que a IA desperta desconforto em desenvolvedores seniores, pois dá “uma espada na mão” de pessoas sem tanta experiência. No entanto, Beatriz ressalta que IA é um meio, não um fim. É necessário ter controle sobre o que é gerado e, principalmente, atenção à segurança dos dados.
Ela introduz o conceito de IA responsável: usar a tecnologia com governança para alcançar o potencial, mas mantendo o controle. A exposição de dados sensíveis é um risco gigantesco, especialmente no setor financeiro, onde as penalidades (multas, processos, cadeia) são severas. Manuel complementa que a governança muitas vezes só é levada a sério depois que um grave problema acontece. Beatriz finaliza dizendo que as instituições sérias buscam se conectar diretamente ao Banco Central, usando mensagerias próprias em vez de terceirizar, para mitigar riscos de vazamento, como ocorreu recentemente com algumas instituições.
Recado Final: A Confraria e o Futuro do Relacionamento
Beatriz deixa um último recado: o networking impulsiona a vida e os negócios. Foque no ciclo de pessoas com quem você anda e inspire-se em quem você admira. Ela elogia a Confraria dos CEOs por proporcionar conexões com pessoas inspiradoras e vivências únicas. Manuel ecoa a estatística de que 80% do resultado que você não tem está ligado ao network que você não fez. Ele observa que as pessoas estão cada vez mais conectadas ao celular em vez de aproveitarem as oportunidades de apertar mãos e se interessar genuinamente pelo outro.
Beatriz conta que ela e Manuel se conheceram em um evento, sem apresentação de terceiros, apenas por se aproximarem e conversarem. Ela finaliza incentivando: tente se aproximar das pessoas e criar conexões, pois essas conexões podem gerar frutos que você colherá no futuro. Manuel agradece a participação de Beatriz e convida o público para o próximo episódio, reforçando a importância de estar presente e aberto às relações humanas.