John CHZ: Estratégia, Autenticidade e a Jornada no Mundo da Moda e Lifestyle
João Henrique, conhecido como John CHZ, é um criador de conteúdo de moda e lifestyle que há 5 anos constrói uma carreira sólida na internet, com forte presença no YouTube, Instagram e TikTok. Sua história é marcada por uma abordagem estratégica e pela busca constante por autenticidade. Nascido em São Paulo, na zona leste, João tem 28 anos e é formado em Administração com ênfase em Comércio Exterior pelo Mackenzie. Sua família tem uma história curiosa: seu bisavô veio ao Brasil no navio Kasato Maru, e sua avó foi deserdada por se divorciar, o que o afastou da cultura japonesa tradicional, sendo criado majoritariamente com a herança mineira de seu pai. Hoje, ele vive no Tatuapé, desmistificando a ideia de que todo criador de conteúdo mora em bairros nobres como Pinheiros ou Jardins.
Antes de se tornar criador, João trabalhou em multinacionais como Johnson & Johnson (marketing e internacional) e em uma empresa de esports (BBL), onde desenvolvia projetos de marketing para marcas dentro do universo de jogos. Foi durante a pandemia que, após um período de burnout e insatisfação, ele decidiu seguir seu sonho de ser youtuber. Inspirado por nomes como Ed Castro (Manual do Homem Moderno), Caio Vitor e Escudeiro, ele enxergou uma lacuna no mercado: um conteúdo que falasse de tênis e moda, mas com um olhar mais acessível, sem focar apenas em produtos caros. Ele criou uma matriz de posicionamento e percebeu que havia um público de homens que queriam se vestir melhor, mas não queriam (ou não podiam) pagar preços exorbitantes. Seu primeiro vídeo foi em agosto de 2020, e ele nunca parou o YouTube, mesmo quando as outras redes sociais mudaram. Para ele, o YouTube é a plataforma que garante relevância e longevidade, enquanto o Instagram e o TikTok exigem um ritmo muito mais frenético e um esforço constante de adaptação.
Burnout, Estratégia e o Equilíbrio Entre Conteúdo para o Público e para as Marcas
João admitiu ter passado por um período de desilusão e frustração, onde percebeu que estava criando conteúdo não para o seu público, mas para ser notado por marcas. Ele sentiu que estava se tornando um 'performative male', fazendo vídeos apenas para agradar potenciais patrocinadores. Para se reencontrar, ele deu um passo para trás e repensou sua estratégia. Sua maior frustração, revelou, é a falta de reconhecimento por parte das marcas que ele genuinamente admira e pelas quais torce, citando um exemplo cruel: quando um tênis de anime (Asics x Naruto) foi lançado, ele não foi lembrado, enquanto outros criadores do nicho receberam o produto. Ele critica o fato de que o relacionamento com as marcas muitas vezes depende de uma única pessoa (o 'piau'), e não de uma avaliação competente do mercado ou da relevância do criador. Ele defende que o criador deve, primeiro, construir uma base sólida e ser importante para sua audiência, e só então se tornar inevitável para as marcas, e não o contrário.
Sobre o jogo das redes sociais, João adota uma filosofia clara: 'três para o público, um para mim'. Ele aprendeu a equilibrar conteúdos mais rápidos (posts estáticos, reacts) que mantêm a entrega diária, com conteúdos mais densos e elaborados (vídeos de review) que demoram dias para serem produzidos. Ele reconhece a ansiedade e o risco de burnout que o formato das redes curtas (Reels, TikTok, Shorts) impõe, mas defende que é preciso jogar o jogo, adaptando-se sem perder a essência. Ele cita o criador Luigi (Luigi Verso) como referência na discussão sobre a monetização do criador (que não deve depender apenas de publis, mas de múltiplas fontes de renda, como cursos e produtos próprios).
ETM Company: A Marca Própria que Busca Qualidade e Preço Justo
João é fundador da ETM Company, uma marca de roupas que está no mercado há dois anos. A proposta da ETM é oferecer produtos de qualidade, com cortes e modelagens atuais, a um preço competitivo (não necessariamente acessível, mas justo em relação ao que se entrega). Ele critica o mercado brasileiro, onde muitas marcas cobram R$ 200 em uma camiseta de qualidade duvidosa, e se propõe a fazer o oposto: entregar valor real pelo preço cobrado, com uma margem de lucro menor e aposta no volume. A primeira coleção já foi lançada, e a segunda (desenhada pelo designer Romério) está pronta para ser produzida, aguardando apenas o ensaio fotográfico e a estruturação do site. Ele admite que o processo é lento e cheio de percalços (problemas com prestadores de serviço, atraso na produção), mas que a marca é um projeto de coração. A terceira coleção já está desenhada, e a ideia é vender a segunda para financiar a terceira. A ETM Company pode ser encontrada no Instagram (@etmany) e no site etmcompany.com.br.
Novidades no Mercado: Travis Scott na Adidas? E o Declínio da Nike
O episódio começou com uma discussão sobre a possibilidade (considerada remota) de Travis Scott deixar a Nike e ir para a Adidas. Os participantes especularam que a notícia pode ser apenas 'clickbait' ou um movimento da própria Adidas para testar a reação do mercado. Eles concluíram que a Nike perdeu grande parte de sua capacidade criativa ao não dar liberdade para seus artistas (citando a saída de Kanye West e de Edison Chen da Clot). A Nike joga no seguro, massificando produtos e limitando a inovação, enquanto a Adidas teria mais liberdade criativa (como exemplificado por Pharrell e sua linha 'Jelly Fish'). Apesar disso, todos concordaram que a Adidas não é 'a cara' do Travis Scott, que está muito mais associado à Nike e à Oakley. Ficou a sensação de que Travis, na Nike, apenas aprova cores e recebe seu cheque, sem grande envolvimento criativo, diferente de Kanye.
A conversa também abordou o momento delicado da Nike, que foi várias vezes criticada durante o episódio. A marca foi a única derrotada no jogo 'Usa, Guarda ou Joga Fora', sendo colocada no 'joga fora' em várias categorias. A Adidas, por outro lado, foi elogiada por seu custo-benefício, inovação (como o tênis de corrida Evo SL) e por estar mais alinhada com o momento atual de moda. A ascensão da Asics (em especial o Gel-Kayano 14, destacado pelo conforto e preço de R$ 900) e da New Balance também foi notada, enquanto a Reebok Club C foi apontada como o melhor tênis branco de couro do mercado, superior ao Air Force 1.
Jogo: Usa, Guarda ou Joga Fora
No quadro final, João foi desafiado a escolher, entre três opções, qual usaria, guardaria ou jogaria fora. Suas respostas foram:
- Jordan, Adidas e Nike: Usa Adidas, guarda Jordan, joga fora Nike. (Justificativa: Adidas tem melhor custo-benefício e inovação; Jordan é guardado por apego e modelos como o 5; Nike está saturada e cara).
- New Balance, Asics e Mizuno: Usa Asics (Kayano 14 é o tênis do momento, R$ 900), guarda New Balance (vibe ''old guard''), joga fora Mizuno (sem motivo pessoal, apenas por preferência).
- Onitsuka Tiger, Reebok e Converse: Usa Reebok (Club C é o melhor tênis branco de couro), guarda Converse (Chuck 70 é clássico), joga fora Onitsuka Tiger (apesar do hype, é uma alternativa hipster ao samba).
- Viega, Tabi e Dr. Martens: Usa Dr. Martens (bota icônica, história, uso para a vida toda), guarda Viega (marca nacional que replica clássicos com qualidade), joga fora Tabi (modelo difícil de usar, exige meia apropriada).
- Nike, Adidas e On (corrida): Usa Adidas (Evo SL), guarda On (recebeu um da marca e vai testar), joga fora Nike (mesmo tênis de corrida da Nike não compensam frente à concorrência).
- Zara, Renner e C&A (fast fashion): Usa Zara (melhor trabalho de fast fashion do mundo, qualidade e tendências), guarda Renner (se atualizou com a chegada da Shein), joga fora C&A (qualidade não compensa o preço).
- Sans Studio, Pācto e Carnã (marcas nacionais de streetwear): Usa Sans Studio (estética class streetwear, ótimo custo-benefício, camiseta de supima é absurda), guarda Pācto (marca que tem no coração, primeira peça foi um chaveiro de R$ 89, tem herança japonesa), joga fora Carnã (a que menos encaixa atualmente).
- Nixon, Skagen e Diesel (relógios): Usa Nixon (marca de surf, minimalista, jovem – ele estava usando um Nixon Timeteller), guarda Skagen (minimalista e clássico para eventos formais), joga fora Diesel (relógios muito grandes e exagerados, prefere os acessórios da marca).
Número do Dia: A Skin de Counter Strike de US$ 1,5 Milhão
O 'Stat do Dia' foi o número 1,5 milhão (e meio). A dica conectava o número ao convidado e ao universo dos games. A resposta foi: 1,5 milhão de dólares é o valor da skin de faca mais cara da história do jogo Counter Strike, a 'Karambit | Case Hardened' (padrão de cores específico, com 99% de azul e um toque dourado). João explicou que a raridade é absurda: a chance de abrir essa skin específica é de 0,024% vezes 1,2% vezes 1/1000, o que torna o item praticamente único, sendo um dos mais caros do mundo dos games colecionáveis.