A Polêmica do Nike SB Air Max 95: Apropriação Cultural ou Hype Legítimo?
O lançamento do Nike SB Air Max 95 reacendeu uma discussão sobre como as grandes marcas se relacionam com a cultura que as originou. O tênis, que une a silhueta clássica do Air Max 95 (lançado em 1995 e conhecido por seu design polêmico que remete a costelas ou ondas) com a tecnologia e o público da Nike SB (skateboarding), tem uma história que muitos consideram ignorada pela marca.
A polêmica começou quando o skatista Stevie Williams, fundador da marca DGK, acusou a Nike de se apropriar indevidamente de elementos que ele ajudou a construir. Williams alega ter criado o slogan "Run, Skate, Relax" (Corra, Ande de Skate, Relaxe), usado pela Nike na campanha, e também foi um dos precursores do uso do Air Max 95 no skate, ao lado de Kareem Campbell. Na época, poucos skatistas usavam o modelo, que era considerado um tênis de conforto para usar após as sessões, e não para andar de skate propriamente dito. Williams ficou irritado também com a escolha de Eric Koston como garoto-propaganda do lançamento, já que Koston, na época do auge do uso do Air Max 95 no skate, era patrocinado pela rival éS (e inclusive tinha modelos próprios na marca). Para muitos, a Nike optou pelo caminho mais fácil e barato: usar um atleta que já está sob contrato (Koston) em vez de resgatar e valorizar os verdadeiros precursores.
O caso levanta a questão: será que a Nike se preocupa genuinamente em contar a história do tênis ou apenas em surfar no hype e vender o produto? A resposta, para muitos, é clara: é uma questão de negócios. No entanto, o episódio mostra como a falta de sensibilidade pode gerar atritos com figuras importantes da cultura que, por sua vez, têm legitimidade para reclamar. É um exemplo de como as marcas frequentemente se apropriam de narrativas sem dar o devido crédito ou apoio financeiro a quem realmente construiu aquela história.
O Jordan 1 Shattered Backboard: Preço, Saturação e Falta de Conexão
Outro lançamento que gerou discussão foi o relançamento do Air Jordan 1 Shattered Backboard (SBB), uma das colorways mais emblemáticas da silhueta. A história é conhecida: em um jogo amistoso na Itália (ainda na década de 80), Michael Jordan quebrou a tabela com uma enterrada, e os estilhaços de vidro caíram sobre os jogadores e o público. A cor laranja do tênis remete ao uniforme que Jordan usava na partida. As versões 1.0 (2015) e 2.0 são altamente cobiçadas, com a 2.0 sendo famosa por um erro de fábrica (o swoosh ao contrário em um dos pés), que criou um dos pares mais raros e caros da história da Nike.
Agora, em 2025, a Nike lançou a versão 3.0, que é considerada a menos legal das três (predominantemente preta, ao contrário das versões anteriores que tinham mais laranja e branco). O grande problema, no entanto, é que o tênis está sobrando nas prateleiras. Os apresentadores listam quatro motivos para isso:
- Desgaste da silhueta: A Nike saturou o mercado com inúmeras colorways do Jordan 1, inclusive versões de baixa qualidade (como os mids) e cores sem nenhuma conexão histórica. Isso banalizou um tênis que antes era quase sagrado para os fãs.
- Preço abusivo: O tênis está sendo vendido por cerca de R$ 1.600, um valor considerado impraticável pela maioria dos consumidores. Há 5-6 anos, o mesmo tênis custaria metade disso.
- Pirataria: O enorme hype em torno do Jordan 1 gerou um mercado massivo de réplicas, o que desgastou ainda mais o desejo pelo produto original.
- Falta de conexão com a mídia e criadores de conteúdo: Diferente de lançamentos anteriores, praticamente não houve campanha de marketing para contar a história do SBB 3.0. Nenhum grande influenciador ou veículo especializado foi acionado para gerar hype ou educar o público sobre a importância do tênis. Para o consumidor comum, é apenas "mais um Jordan 1".
A conclusão é que a Nike se aproveitou do hype por anos, produziu em massa e agora colhe os frutos de uma silhueta que perdeu seu apelo. O preço alto e a falta de uma narrativa consistente fizeram com que até mesmo os fãs mais fiéis pensassem duas vezes antes de comprar.
A Queda da Puma: O Fracasso da Aposta no Motorsport e a Crise de Identidade
As ações da Puma desvalorizaram 50% no último ano, e após a divulgação de projeções de vendas erradas, a ação caiu mais 16% em um único dia. A empresa já trocou de CEO e o novo presidente declarou que 2025 e 2026 são anos perdidos, sendo necessário mudar radicalmente o rumo da companhia. O que aconteceu?
A principal aposta da Puma foi no Speedcat, um tênis de motorsport que a empresa acreditava que se tornaria uma grande tendência de moda. No entanto, o Speedcat é um tênis de nicho, com uma estética muito particular (lembra uma sapatilha de corrida). Apesar de ter sido amplamente divulgado por influenciadores nas redes sociais, ele não emplacou no mundo real. A diferença entre o hype virtual e o consumo real ficou evidente: ninguém usa Speedcat no metrô, no ônibus ou no trabalho. Além disso, a Puma tem um problema crônico de posicionamento de preço. Modelos como o RS X são lançados por R$ 600, mas semanas depois já estão em outlets com 40% de desconto, o que confunde o consumidor e desvaloriza a marca.
A conclusão é que marcas como a Puma não podem apostar todas as suas fichas em nichos muito pequenos, por mais que eles estejam em alta na internet. Estratégias como 80/20 (80% do faturamento vindo de produtos de massa e 20% de produtos de nicho) são mais saudáveis. Além disso, a Puma falha em criar conexão emocional com o público. Enquanto concorrentes como a Oakley (que veremos adiante) investem em criar memórias e experiências, a Puma parece só produzir e vender produtos, sem construir uma história ou pertencimento.
O Sucesso da Oakley: Como Conectar Marca e Cultura Através de Experiências
Enquanto Nike e Puma tropeçam, a Oakley tem vivido um momento de ascensão. O segredo, segundo a análise, está em criar conexão e pertencimento. A Oakley não vende apenas produtos; ela vende uma experiência. O exemplo citado é o Plantaris Titanium, um óculos de edição ultra-limitada (48 unidades no mundo, 6 no Brasil) que custa R$ 13.600 e já está sendo revendido por R$ 26.000. Para os fãs, o preço não é o principal; o que importa é a história, a exclusividade e a conexão com a marca.
A Oakley tem se destacado por:
- Abrir as portas da marca: A empresa convidou criadores de conteúdo (como o colecionador André Melo, que esteve no podcast) para conhecer o bunker da marca, criando memórias e gerando conteúdo autêntico.
- Estar presente em eventos relevantes: A marca patrocina atletas como o campeão da NBA Jaylen Brown e o ídolo LeBron James (que usa a marca com frequência), conectando-se com o universo do basquete.
- Ter um posicionamento claro: Sob a liderança de Caio Amato, a Oakley conseguiu comunicar sua proposta de valor e sua história de forma eficaz, algo que a Nike, por exemplo, não tem feito com seus produtos.
O grande aprendizado é que as pessoas não compram apenas um produto; elas compram uma ideia, uma identificação. Se a marca não está presente nos momentos importantes da vida do consumidor (seja um campeonato de rima, uma corrida matinal, um evento de skate ou um show), se ela não cria memórias, ela será apenas mais uma opção em uma prateleira dominada pelo preço.
Restock da Foot Locker Canadá: O Que Vale a Pena na Onda de Relançamentos da Jordan?
A Foot Locker do Canadá realizou um restock de diversos modelos icônicos da linha Air Jordan (principalmente do 1 ao 14), que não ocorreu nos Estados Unidos, evidenciando a relação conturbada entre a Nike e sua maior parceira de varejo. Os apresentadores avaliaram rapidamente cada modelo:
- Air Jordan 5 "Black Metallic": Considerado um dos melhores da lista. Compra imediata, inclusive pelo preço cheio (R$ 1.700-R$ 1.800).
- Air Jordan 4 "White Cement": Clássico absoluto. Cop automático.
- Air Jordan 1 Low "Obsidian": Passam. O high já foi hypado, mas o low não desperta tanto interesse.
- Air Jordan 12 "Flu Game": Opiniões divididas. O modelo é icônico e carrega uma das maiores histórias de Jordan (jogando com a gripe), mas o apresentador Caio não pegou o lançamento recente no Brasil e o outro apresentador só pegaria se tivesse dinheiro sobrando. Não é um cop automático.
- Air Jordan 14 "Ferrari": O apresentador Caio pegaria (por gostar da silhueta e da coleção 1 ao 14); o outro não pegaria.
- Air Jordan 3 "Black Cat": Considerado um dos melhores e mais versáteis. Ambos pegariam.
- Air Jordan 9 "Cool Grey": Considerado o menos interessante do restock. Nenhum dos dois pegaria.
Ao final, fizeram um exercício de escolher apenas dois para comprar. O Caio escolheu Jordan 5 Black Metallic e Jordan 3 Black Cat. O Luiz escolheu Jordan 4 White Cement e Jordan 3 Black Cat.
Número do Dia: 57 Silhuetas de LeBron James
No quadro "Stat do Dia", o número foi 57, relacionado a um atleta da Nike. A resposta: LeBron James já lançou 57 silhuetas diferentes de tênis ao longo de sua carreira. Isso inclui as linhas principais (LeBron 1 ao 23), Soldier, Ambassador, Witness, TR (a linha de treino lançada recentemente) e outras. O número impressiona e mostra a magnitude da parceria entre o astro e a marca.