#42 - FELLIPE ESCUDERO

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Do Direito à Moda: A Trajetória de Felipe Escudeiro e a Criação do 'Quanto Custa o Outfit'

Felipe Escudeiro, conhecido como um dos grandes nomes da moda e streetwear no Brasil, começou sua carreira de forma improvável. Formado em Direito e especializado em direito civil e família, ele atuou na área por anos, mas enfrentava dificuldades financeiras. Em seus melhores meses, ganhava R$ 6.000, mas a média era de apenas R$ 1.500, insustentável para quem queria construir um futuro. A virada aconteceu quando ele decidiu abrir uma loja de produtos de luxo e streetwear chamada Hyped. O objetivo inicial não era ser influenciador, mas sim legitimar sua loja como vendedora de produtos originais em um mercado repleto de réplicas. Ele começou a criar conteúdo para fortalecer a marca e, sem planejamento, acabou se tornando uma das maiores referências do segmento, com uma personalidade explosiva que cativou o público.

Seu primeiro grande sucesso foi o quadro "Quanto Custa o Outfit", inspirado em um perfil gringo chamado "TheOnVlogs". O vídeo, que originalmente seria descartado, foi gravado durante a feira Soldout e se tornou um fenômeno viral, sendo replicado na TV aberta e até na ESPN. O formato era simples: abordar pessoas em eventos e perguntar o valor de suas roupas. O grande trunfo do vídeo, no entanto, foram os personagens – incluindo um participante que se tornou um meme nacional – e a maneira como ele capturou a arrogância e a ostentação de forma autêntica. Escudeiro revela que a única pessoa que teve uma fala dirigida foi o "gordinho do outfit", um jovem que sofria bullying na escola e que, segundo ele, se tornou um homem incrível, praticante de jiu-jitsu e automobilismo, com um orgulho imenso de sua trajetória.

Polêmicas, Pirataria e a Mudança de Postura

A carreira de Escudeiro foi marcada por polêmicas intensas, especialmente relacionadas ao combate à pirataria. Ele se tornou conhecido como uma espécie de "fashion police", expondo influenciadores que usavam roupas falsas. Isso gerou atritos, principalmente com o MC Caveirinha. Escudeiro conta que tentou ajudar Caveirinha oferecendo contatos na Luxottica para que ele pudesse trabalhar com produtos originais, mas o artista continuou usando réplicas. Em uma live, ao ser questionado se gravaria com ele, Escudeiro respondeu que não, pois tudo o que Caveirinha usava era falso. A declaração foi distorcida e ele foi acusado de racismo. Outra grande treta foi com a influenciadora Dani Russo, que queimava produtos falsos para surfar no hype dos vídeos dele, o que gerou um embate público e uma briga que lhe rendeu 26 mil seguidores em poucas horas.

Com o tempo, Escudeiro decidiu mudar sua postura. Ele percebeu que, para se profissionalizar e fechar contratos com grandes marcas (como o Grupo Iguatemi e a ASH), precisava se polir. A virada não foi pedida por ninguém, mas uma necessidade de construir uma carreira sustentável, evitar que clientes tivessem medo de suas próximas polêmicas e garantir sua fonte de renda. Hoje, ele tem uma parceria com a Fox Racing (marca de equipamentos de motociclismo) e admite que recebeu muito pouco de marcas de tênis como Nike (nunca recebeu nada) e Adidas (apenas em duas ocasiões pontuais). Ele credita sua virada de chave à necessidade de sobrevivência e ao entendimento de que a autenticidade e o lifestyle real – como seu amor por motos, jiu-jitsu e a cultura de rua – seriam seus diferenciais de longo prazo.

Relação com Moda, Homens e a Idiotização do Conteúdo

Escudeiro avalia que seu trabalho ajudou a abrir espaço para homens heterossexuais no universo da moda, que antes era dominado por mulheres e por homens gays. Ele enxerga isso como uma conquista importante, pois representa uma parcela significativa do mercado. No entanto, critica a atual "idiotização" do conteúdo de moda. Para ele, a moda virou uma busca desenfreada por likes, com roupas caricatas e fantasiosas que ninguém usaria na vida real, como as famosas "bolinhas de banheira". Ele considera isso um retrocesso, pois falta informação e não agrega nada ao movimento. Para Escudeiro, conteúdo de moda verdadeiro precisa ter informação de moda, não apenas fotos de pessoas usando grifes sem conhecimento de design, história ou composição.

Sobre a moda ser inclusiva hoje, ele reconhece que o homem se permite mais, há mais espaços e a sessão masculina da Zara aumentou, mas faz uma crítica contundente: a moda ainda é pouco inclusiva para pessoas grandes ou pesadas. Ele cita que marcas como Canulu (patrocinadora do podcast) são exceções importantes. Ele também comenta sobre a diferença de referências: enquanto os rappers americanos têm conexão direta com a moda e lançam colaborações, no Brasil essa relação ainda é incipiente. Ele sugere que uma collab entre Brau e Nike ou New Era faria muito sucesso e representaria a quebrada de forma autêntica, sem precisar ser acessível – a cultura da quebrada é de ostentação, e o moleque da periferia quer o original e se orgulha de conquistar com o próprio esforço.

Referências, Futuro e o Número do Dia

Escudeiro cita suas maiores referências: Kanye West e Virgil Abloh, a quem credita tudo o que conquistou, dizendo que iria com eles até o inferno. Ele também menciona artistas como Limp Bizkit, Korn, Linkin Park e Papa Roach em seu gosto musical, e suas referências de estilo vêm de pessoas fora do circuito da moda, como Jonathan Davis (Korn), Fred Durst (Limp Bizkit) e Marilyn Manson. Sobre o futuro, ele quer ser pai e já comprou tudo o que queria: carro, moto, roupa, tênis, relógio. Para ele, a próxima conquista é imóvel, e o dinheiro serve para dar tranquilidade – "qualquer problema na vida é dinheiro" –, e ele critica a falácia de que dinheiro não traz felicidade.

No quadro final, o número do dia foi 89. A primeira dica era que se tratava do número de coisas que uma pessoa inventou, relacionado a um esportista citado no começo do programa. A resposta: Tony Hawk criou 89 manobras de skate. A informação impressionou os participantes, que destacaram a genialidade do skatista, considerado um dos maiores de todos os tempos.

Copel Drop: Opiniões sobre o Estilo de Famosos

No quadro de avaliação de estilo, Escudeiro foi incisivo:

  • Neymar: Reprovado. A foto com a calça larga e a jaqueta é muito feia, virou meme. Ele acha Neymar inconsistente e não o coloca como referência de moda.
  • Kawhi Leonard: Aprovado. Destacou a consistência e fidelidade ao estilo, elogiou o look tático e a calça cargo, e disse que usaria facilmente.
  • Héctor Bellerín: Aprovadíssimo. Considerado o jogador de futebol mais estiloso, com um ótimo gosto para jerseys vintage e uma estética diferenciada.
  • Kendrick Lamar: Reprovado (badara). Criticou a combinação de roupas, chamou de "sem senso do ridículo" e disse que é melhor deixá-lo na música. Mas reconheceu o show como um dos melhores de rap que já viu.
  • Lewis Hamilton: Morno. Acha que ele joga no seguro, não vê como ícone de moda, e que os looks muitas vezes parecem publicidade, não escolha pessoal.
  • Wanderley Nunes (Wiu): Reprovado. Criticou a tentativa de se vestir de forma simples para manter conexão com o público ("look Zé Ramalho"), mas reprovou especialmente pelo show com Priscila Cannêra (que ele elogiou como cantora).
  • João Guilherme: Reprovado. Considerou o conteúdo vazio, comercial e sem autenticidade, afirmando que ele segue uma agenda para agradar diferentes públicos e não veste o que realmente quer.
  • BK: Aprovado como artista e por tudo o que fez pela cena, inclusive como trend setter. Mas não o vê como ícone de moda atualmente, embora tenha aprovado alguns looks, como o da Lanvan.
  • Timothée Chalamet: Reprovado com força. Escudeiro detesta o ator, chamando-o de "falso" e criticando sua masculinidade frágil (por ter pedido desculpas por ser homem hétero branco). Disse que se ele nascesse em Taquara, ninguém ligaria para ele.