#40 - TICO AQUINO

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Da Loja de Surf à Liderança de Mercado: A Trajetória de Tico Aquino no Mundo do Action Sports

Tico Aquino, uma figura respeitada no mercado de action sports brasileiro, construiu uma carreira sólida através de uma combinação de paixão genuína, trabalho duro e, acima de tudo, respeito pelas pessoas. Começando como 'dobrador de jardim' em uma loja de surf aos 17 anos (na famosa rede Killas), passou por grandes redes como K2 e Overboard, até chegar a seu grande divisor de águas: a Big Brands.

Sua entrada na distribuidora Big Brands (responsável por marcas como MCD, Lost, Globe e Odiou) é uma história de persistência e atitude. Enquanto estava em uma fila da Caixa Econômica na Penha, Tico avistou um 'tiozão' vestindo MCD e usando um Globe Chat Thomas. Com sua pastinha de currículo, ele abordou o senhor, que nada mais era do que Roberto Schwartz, o dono da Big Brands. O encontro casual não gerou uma contratação imediata, mas Tico reencontrou Roberto em uma festa da Overboard e, lembrado pelo gerente, foi indicado para uma vaga. A pessoa que o contratou foi Augusto Fernandes, um ex-entregador de combi que havia crescido dentro da empresa e que reconheceu em Tico a mesma garra e respeito que o ajudaram a progredir. A lição é clara: trate bem todos, independentemente do cargo, pois as posições podem mudar, mas a reputação permanece.

A Experiência Internacional que Forjou o Profissional

Após a Big Brands, Tico deu um salto ousado: foi para San Diego, Califórnia, para estudar inglês, mesmo sem falar uma palavra do idioma. A aventura começou com uma tensa imigração em Atlanta, onde foi detido por 6 horas por ter perdido a data de entrada em seu visto de estudante. Após convencer os oficiais com uma história (inventada) sobre ter que cuidar de sua mãe doente, finalmente chegou à Califórnia, onde trabalhou nos mais variados subempregos: raspou parafina de pranchas de surf usadas, trabalhou como lavador de pratos (dishwasher) e, de forma inusitada, trabalhou no banheiro de uma boate chamada Flux. Lá, ele inovou o serviço: oferecia sabonete líquido com um borrifador e entregava papel-toalha na mão dos clientes, aumentando significativamente suas gorjetas com o diferencial no atendimento.

Essa experiência internacional foi crucial para sua carreira. Morar nos Estados Unidos lhe deu uma bagagem cultural e vivência de rua que poucos profissionais do setor possuem. Posteriormente, viveu também na Austrália, onde trabalhou em frigorífico e como caminhoneiro, ganhando muito dinheiro, mas sentindo um forte vazio: ele 'morria' para as pessoas no Brasil e desejava trabalhar com o que realmente amava, o que o levou a retornar ao país.

Marketing, Comercial e a Valorização do Profissional que Veste a Marca

De volta ao Brasil, Tico consolidou sua carreira passando por empresas importantes: I Trade (marcas como Starter, Mitre, HCAware, BBC e Ice Cream), Grupo Eixo (hoje NTK, responsável por Hawaiian Dreams, O'Neill, Fatal Surf) e, posteriormente, Adidas Originals e EVO (óculos). Atualmente, ele é um dos nomes fortes da New Era Cap no Brasil, atuando em marketing e treinamento, e ajudou a montar o museu do evento 5950 Day, contando com coleções de amigos e colecionadores brasileiros.

Um dos pontos centrais de sua filosofia de trabalho é a desconexão entre marketing, comercial e os valores do consumidor real. Para Tico, existe uma falha sistêmica: muitas marcas contratam profissionais que apenas seguem um script, sem viver a cultura do produto. O resultado é um trabalho raso, sem conexão com a rua. Ele critica a visão curto-prazista e a falta de investimento em posicionamento de marca de longo prazo. O problema não é apenas a falta de orçamento, mas a ausência de pessoas que realmente entendam e respirem o universo que estão vendendo.

O mercado brasileiro de sneakers e streetwear, na visão de Tico, é dominado por um público 'visceral'. O brasileiro ama status e o que há de melhor, mesmo com impostos abusivos que tornam os produtos extremamente caros e empatam o faturamento de grandes empresas como a Nike. O desafio logístico e tributário, aliado às diferenças continentais do Brasil, faz com que as marcas internacionais frequentemente não compreendam o mercado local, tratando o país como apenas mais um na América Latina, ignorando a barreira do idioma e as nuances culturais.

A Cultura do Headwear no Brasil e o Potencial da Quebrada

Tico é um entusiasta da cultura de bonés (headwear). Ele ressalta que o Brasil ainda é um 'bebê' nesse segmento, com pouco mais de 15 anos de história (a New Era chegou em 2008). Diferente dos Estados Unidos, onde o uso do boné é passado de pai para filho e tem forte ligação com esportes (MLB, NBA) e hip-hop, o brasileiro ainda usa boné majoritariamente por funcionalidade (cabelo desarrumado, calor) ou por estética superficial, não por pertencimento. Um exemplo claro é o boné de tricô na quebrada, que muitas vezes é artesanal e não tem uma marca forte por trás.

Assim como os tênis precisam 'gritar status' (microbounce, springblade, Profecey) para dialogar com o público da periferia, os bonés precisam de um significado e de uma conexão real. Tico acredita que o caminho para popularizar o headwear no Brasil é através da música (rappers como MC Daniel, Matuê e Yukivino que usam boné fechado New Era) e da criação de tecnologia percebida. A marca que conseguir dialogar com a quebrada, criando produtos que representem de fato a cultura local (assim como o Plantaris da Oakley foi feito para a favela), dominará um mercado imenso.

Bate-Bola Rápido com Tico Aquino

  • Tênis preferido (Grail): Yeezy 350 V2 Zebra e Yeezy 700 Wave Runner.
  • Tênis que marcou sua trajetória profissional: Globe Chat Thomas (modelo 4).
  • Marca que mais gostou de representar: Todas, pois sempre trabalhou com marcas que consumia e amava.
  • Boné favorito da New Era: O 5950 (modelo), com destaque para um Fear of God que ganhou de um amigo que faleceu.
  • Tendência para 2025: Retorno das cores neon (fluor, rosa marca-texto).
  • Marca pouco conhecida que merece destaque: Pincher (Brasil) e Born X Raised (EUA).
  • Filme recomendado: Dia de Treinamento (Training Day). Série: Love, Death & Robots.
  • Mensagem final: "Acreditem nos seus sonhos, vão atrás e tenham cara de pau. Cheguem e troquem ideia."

Número do Dia: A Probabilidade de um Raio Cair Duas Vezes na Mesma Pessoa

No quadro 'Stat do Dia', o número misterioso foi 225 milhões. A dica: fenômeno natural. A resposta correta, quase acertada pelo apresentador, é que a probabilidade de um raio cair duas vezes na mesma pessoa é de 1 em 225 milhões. Um fenômeno extremamente raro, mas que já foi registrado (inclusive, há vídeos e relatos de pessoas que sobreviveram a dois raios).