#39 - DIEGO ORTIZ

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Da Favela à Redação: A Trajetória de Diego Ortiz, o Jornalista que Levou a Cultura Sneaker ao Estadão

Diego Ortiz, carioca criado na comunidade da Mangueira, é um exemplo vivo de como o esporte, a educação e o apoio familiar podem mudar trajetórias. Crescendo em um ambiente periférico, Diego teve uma estrutura diferente da maioria dos seus amigos: um pai presente que o obrigava a ler e uma mãe que o apoiava nos estudos e no esporte. Enquanto muitos de seus companheiros se perderam para o crime – seduzidos pelo dinheiro, status e até pela figura de um "paizão" que o tráfico oferece –, Diego encontrou no esporte uma válvula de escape. Praticou natação em alto nível, chegando a competir em campeonatos brasileiros, e jogou basquete na Vila Olímpica da Mangueira, no final da rua onde morava.

Aos 22 anos, começou no jornalismo automotivo, sua grande paixão inicial, influenciado pelo avô mecânico e pela tradição familiar. Seu primeiro teste foi dirigir uma BMW X3 automática – uma experiência aterrorizante para alguém que só conhecia carros populares como o Chevette. A dicotomia era imensa: dirigia carros que custavam mais do que a casa de sua mãe, hospedava-se em hotéis cinco estrelas e voltava para a favela, onde vizinhos chegavam a desconfiar que ele estava envolvido com coisas erradas ao vê-lo saindo de carros de luxo. Essa vivência, no entanto, o ajudou a nunca se deslumbrar, pois sabia o que era luxo de verdade.

Após anos como jornalista automotivo, Diego migrou para a área de produto no próprio Estadão, tornando-se product manager, onde gerencia projetos digitais, sustentação de TI e novos desenhos para o site. Foi nesse período que, sentindo falta de escrever, criou a coluna Sneaker Verso no jornal. Por dois anos, ele sugeriu o projeto até que, em uma reunião casual, o diretor de redação viu seu wallpaper do "quarto do caos" do designer e, ao saber que Diego amava tênis, aprovou a ideia. A primeira matéria foi sobre a colaboração da Louis Vuitton com a Nike (Air Force 1 de Virgil Abloh), e desde então a coluna ganhou enorme repercussão, com uma matéria sobre o retorno da Oakley ao mundo sneaker atingindo 1,5 milhão de page views.

O Mercado de Sneakers no Brasil: Entre o Desejo, o Despreparo e a Falta de Profissionalismo

Diego não poupa críticas ao relacionamento entre marcas, criadores de conteúdo e a imprensa especializada. Para ele, o grande problema é que muitas pessoas que trabalham no setor de calçados nas marcas vieram de outros segmentos (como venda de iogurtes) e não entendem de cultura sneaker. Com o boom do mercado, elas passaram a tratar o produto como algo a ser vendido em massa, esquecendo-se de que os consumidores queriam saber a história por trás do tênis – a origem da vaca, do leite.

A falta de profissionalismo é evidente: marcas enviam releases de produtos já lançados (o que é inútil para o jornalismo), não pagam transporte ou estacionamento para criadores em eventos, e muitas vezes não oferecem qualquer contrapartida – nem mesmo um simples "coração" ou repost nas redes sociais. Diego compara com o segmento automotivo, onde, mesmo em uma revista iniciante, ele era chamado para eventos com passagem e hospedagem pagas porque as marcas apostavam no projeto. No mundo sneaker, o criador de conteúdo muitas vezes precisa virar a noite em filas, pagar pelo produto, produzir o conteúdo correndo e ainda ter seu trabalho ignorado.

A consequência disso é a queda do desejo pelo sneaker. Quando as marcas não fornecem acesso, não contam histórias e apenas lançam quantidades mínimas, a comunidade perde o interesse. As pessoas não queriam 1.000 iogurtes; queriam saber de onde vinha o leite.

Planos para o Futuro: Colab com Isa Lucena e Novo Projeto de Influência no Estadão

Diego Ortiz está lançando dois projetos significativos. O primeiro é uma collab com a estilista Isa Lucena, desenvolvendo uma camisa com temática de motorsport, unindo seu background automotivo ao streetwear. Eles desenharam a logo e o projeto completo da peça, que será a inaugural da sua marca OTZ. Diego deixa claro, porém, que não quer ter uma marca própria para vendas; seu objetivo é apenas colaborar criativamente com marcas já existentes.

O segundo projeto é dentro do próprio Estadão. O jornal, que por muito tempo "brigou" com influenciadores, finalmente se tocou e criou um projeto de marketing de influência. Diego foi escolhido para liderar a frente de moda, lifestyle e sneakers. A ideia é usar os canais gigantes do Estadão (3 milhões de seguidores no Instagram, 1 milhão no TikTok, 6,6 milhões de usuários únicos mensais só na editoria de moda) para produzir conteúdo de marca de alta qualidade, contratando criadores de conteúdo para gerar peças exclusivas para cada plataforma, dentro do mais alto padrão jornalístico.

Bate-Bola Rápido: Preferências, Tendências e Opiniões de Diego Ortiz

  • Modelo preferido: Air Jordan 1.
  • Tênis bonito, mas muito desconfortável: Air Force 1 (muito pesado).
  • Matéria mais especial que fez: A viagem da Veja para o Acre, que abriu sua cabeça para muitas coisas.
  • Maior repercussão: A volta da Oakley, com 1,5 milhão de page views.
  • Último tênis que comprou: LeBron 21 (Nike).
  • Último tênis que ganhou: Mizuno Oaka (pack do dia, com mapa do metrô).
  • Lançamento no radar: Air Force 1 do Kobe Bryant (e o tênis da A'ja Wilson, rosa com topete preto, considerado um dos melhores tênis de basquete dos últimos anos).
  • Marca que pode surpreender em 2025: Asics, com muitos projetos.
  • Tendência que vai pegar: Motorsport (apesar de o Puma Speedcat ter dado uma segurada) e futebol, com camisas de time.
  • Tendência em queda: Tênis de cano alto – ninguém usa mais.
  • Série/filme ansioso: Documentário "Xperito" sobre a história do Chaves, na Max.
  • Viagem planejada: Paris, para levar a esposa Pri e os filhos, incluindo a Disney e o Parque do PSG.

Número do Dia: O Poder Absurdo do Mercado Livre

No quadro "Stat do Dia", o número misterioso foi 54. A dica: é algo que acontece 54 vezes por segundo. A resposta: o Mercado Livre realiza 54 vendas por segundo. Isso equivale a aproximadamente 4,6 milhões de vendas por dia. O dado impressiona pela magnitude da operação logística e de vendas do gigante brasileiro do e-commerce.