#37 - RENAN JUSTINO

Início \ Produções \ #37 - RENAN JUSTINO

Trajetória de um Atleta: Das Origens no Basquete à Nova Vida como Influenciador e Fisioterapeuta

Renan Justin, conhecido por sua participação no reality show "Casamento às Cegas", carrega uma história de vida que vai muito além das telas da TV. Nascido e criado em Santos, no bairro periférico da Vila São Jorge, sua conexão com o esporte começou cedo, impulsionada por uma "chantagem emocional" de sua mãe. Aos 10 anos, diante da escolha entre praticar um esporte ou ser aprendiz em um jovem aprendiz (cujo uniforme ele considerava horrível), Renan optou pelo atletismo, influenciado por um primo.

Foi durante uma visita ao SESC que o basquete entrou em sua vida. Ao ver o primo mais velho jogar, encantou-se pelo esporte e pediu para começar a praticar. A dificuldade de ingressar no basquete no Brasil, dependente de clubes sociais, levou seu pai a matriculá-lo no Internacional (Inter) de Santos. A paixão se consolidou ao assistir às mixtapes do AND1, que mostravam não só o jogo, mas toda a estética, o modo de vestir e o estilo de vida dos jogadores de rua americanos.

Durante sua trajetória nas quadras, Renan enfrentou o problema comum no basquete brasileiro: a tendência de colocar jogadores altos na posição de pivô apenas por sua estatura. Com 1,98m, ele foi treinado desde cedo para jogar nas posições 3 (ala) e 4 (ala-pivô), graças a um técnico visionário que percebeu que seu futuro não seria como pivô e o treinou com armadores, desenvolvendo sua habilidade de drible e arremesso. Essa visão contrasta com a realidade de muitos atletas no Brasil, que têm suas carreira limitadas por treinadores que não os preparam para as posições que jogariam em alto rendimento, muitas vezes devido à falta de investimento e visão de longo prazo.

Os Desafios de Ser Atleta no Brasil

A realidade do basquete nacional é dura. Renan relata que faltam alojamentos, suporte financeiro e políticas de desenvolvimento. Muitos atletas são obrigados a trabalhar para se sustentar, enquanto outros, com maior poder aquisitivo, podem fazer camp nos Estados Unidos e retornar com um nível técnico muito superior. A falta de apoio é tamanha que, para se destacar, um atleta precisa ser extremamente bom (a ponto de não poder ser ignorado) ou ter condições financeiras para bancar a própria carreira. Essa estrutura precária, somada a casos de dirigentes que usam o esporte para benefício próprio (como manter "atletas fantasma" para desviar verbas de bolsa-atleta), levou Renan a repensar seu futuro profissional.

A Transição para a Fisioterapia e o Reencontro com a Corrida

Aos 18 anos, Renan decidiu que não seria jogador profissional de basquete. As oportunidades surgiam com salários baixos (cerca de R$ 1.000 mais alojamento) e pouca perspectiva. Uma proposta de Cubatão, onde a prefeitura bancava faculdade e fornecia um auxílio, mostrou um novo caminho. Ele escolheu cursar fisioterapia, inspirado por uma amiga que cursava a faculdade e por uma lesão própria que o fez vivenciar a profissão na prática. A vontade inicial de cursar medicina foi descartada pela realidade financeira de alguém vindo da periferia, que não podia bancar cursinhos e materiais caros, além de precisar trabalhar.

Durante a faculdade, Renan continuou jogando basquete, mas a experiência foi desgastante. Sob o comando de um técnico que o colocou para jogar de pivô (costas para a cesta) e que usava de chantagem emocional para manter os atletas sob pressão, ele passou cinco anos "dolorosos", muitas vezes no banco, sabendo que tinha condições de jogar. A falta de apoio, os baixos salários e a necessidade de conciliar treinos, estudos e vida social o fizeram questionar se valia a pena. A decisão final de abandonar o sonho profissional veio quando percebeu que o esporte deixara de ser divertido.

Após formado, a corrida reentrou em sua vida como um ponto de reconexão. Durante a pandemia, trabalhando na linha de frente de um hospital e vivenciando a morte diariamente, a corrida foi uma salvação para sua saúde mental, já que as quadras estavam fechadas. A corrida resgatou sua base no atletismo e se tornou uma atividade compartilhada com sua esposa, Ágata, servindo como um elo de conexão entre o casal. Para Renan, o esporte sempre foi um ponto de refúgio e sua profissão, a fisioterapia, a terapia do movimento.

Do Reality ao Sucesso nas Redes Sociais e a Carreira de Influenciador

A entrada no mundo da TV aconteceu de forma inusitada: um produtor o viu correndo na praia de Santos e, após vê-lo em uma postagem de um amigo, o contou para participar de um reality de relacionamento. Após inicialmente desistir da segunda temporada para fazer uma viagem aos EUA (que não deu certo), ele foi chamado para a terceira temporada de "Casamento às Cegas", onde conheceu sua esposa, Ágata. O programa foi gravado em 2022, exibido em 2023, e o casal realizou sua própria cerimônia de casamento, do jeito que queriam, em novembro de 2023.

Antes do programa, Renan já produzia conteúdo para a internet focado em sua profissão, mas sem estratégia. A exposição no reality lhe abriu portas para novos nichos, como moda e perfumaria, e o ensinou a entender métricas, algoritmos e o trabalho por trás de um vídeo de 30 segundos. Atualmente, a renda familiar (sua, de Ágata e da cachorrinha) é majoritariamente bancada pela internet. Ele diminuiu seus atendimentos como fisioterapeuta para se dedicar à produção de conteúdo, mas enfrentou uma crise existencial ao sentir que estava se dedicando à internet e negligenciando a fisioterapia, sentindo-se "burro nas duas coisas".

A saída encontrada foi começar a dar aulas para outros fisioterapeutas, compartilhando técnicas e gerando uma gratificação semelhante ao atendimento, mas com retorno financeiro maior. Para o futuro, ele planeja usar sua visibilidade para falar mais sobre saúde de forma simples e acessível, fugindo das fórmulas mágicas e rotinas inalcançáveis. Também pretende, junto com Ágata, abordar mais sobre relacionamentos saudáveis na internet, mostrando as conversas difíceis e os perrengues reais, sem a vida perfeita geralmente exibida.

Gostos Pessoais e Curiosidades sobre Tênis e Séries

No quadro de perguntas rápidas, Renan revelou seu palpite para o campeão da NBA: o Indiana Pacers, por ter "mais grupo". Admitiu que o armador do Oklahoma City Thunder, Shai Gilgeous-Alexander, é uma referência no mundo da moda. Um tênis que compraria às cegas, sem saber a cor, seria um modelo da Reebok, baseado na série sobre a marca que assistiu. Um tênis que nunca usaria para jogar seria o Skechers de basquete, que tem uma aparência genérica e, apesar de parecer leve, não inspira confiança.

O último tênis que comprou foi um Converse na cor entre o azul bebê e o verde Tiffany. O próximo lançamento em seu radar é o Air Force 1 do Kobe Bryant. A marca que mais o surpreendeu no último ano foi a própria Converse, pela qual desenvolveu uma mini coleção, embora acredite que a empresa precise investir mais no setor do basquete. Sobre tendências, ele observa que os tênis de cano alto estão perdendo espaço, fora os modelos retrô da Jordan. Por fim, indicou três séries/filmes: "Forever" (sobre a cultura da nova geração), a série sobre a Reebok (para quem gosta de tênis, cultura do basquete e negócios) e o filme "Champions" (sobre o impacto do esporte em pessoas com deficiência intelectual).

Conselhos para Casais e o Número Misterioso do Podcast

Renan deixou três conselhos para jovens casais: façam terapia, pratiquem a escuta ativa e, o mais importante, abdiquem de ter razão. Ele recomenda a leitura do livro "Comunicação Não Violenta", indicado por seu terapeuta, que ensina a tirar o peso das discussões e buscar o consenso.

No quadro final, o número do dia foi 26,3%. A dica indicava que era uma taxa de sucesso relacionada a entretenimento, especificamente a um reality show. A resposta: é a taxa de casamentos do programa "Love is Blind" (Casamento às Cegas). Um levantamento do Reddit, considerando 16 temporadas em países como Estados Unidos, Brasil, Japão e Suécia, mostrou que dos 95 noivados que ocorreram no programa, apenas 25 terminaram em casamento (cerca de 26,3%). Na terceira temporada brasileira, da qual Renan participou, apenas seu casal (ele e Ágata) permanece casado, o que demonstra o índice real de sucesso do programa em unir pessoas.