#187: GASOLINA NA FOGUEIRA COM PATRICK CHOATE - SÓ A COMÉDIA LIBERTA CONSCIÊNCIAS

Início \ Produções \ #187: GASOLINA NA FOGUEIRA COM PATRICK CHOATE - SÓ A COMÉDIA LIBERTA CONSCIÊNCIAS

O episódio de número 187 do videocast Spirit Reflections, brilhantemente conduzido pelo apresentador Fred, inaugurou uma nova era para o canal: foi a primeira gravação realizada presencialmente em um estúdio. Para marcar esse momento histórico, o convidado escolhido foi Patrick Choate, um executivo inovador, artista indomável, pensador provocador e um amigo de longa data de Fred. O título do episódio, "Gasolina na Fogueira", resume com perfeição a energia vibrante, autêntica e sem filtros que permeou toda a conversa de mais de uma hora e meia.

O "Libertador de Consciências" e a Magia do Encantamento

Logo no início do bate-papo, Fred descreve Patrick utilizando um termo muito peculiar: um "libertador de consciências". Essa definição nasce da capacidade única que Patrick tem de deixar as pessoas completamente confortáveis em suas próprias peles. Sendo um homem imponente, com 1,96m de altura e 110 kg, sua presença física poderia ser intimidadora. No entanto, sua autenticidade e vulnerabilidade quebram imediatamente qualquer preconceito, permitindo conexões humanas profundas e verdadeiras.

Essa habilidade natural de acolher o outro se reflete em sua vida profissional. Patrick atua na Cimed (uma gigante do setor farmacêutico brasileiro) com um cargo inusitado: ele é o responsável pelo pilar de Encantamento. Seu trabalho consiste em encantar quatro frentes distintas da organização: os funcionários (RH), os clientes (Comercial), os consumidores finais (Marketing) e os fornecedores. Para ele, o encantamento não é uma estratégia de vendas vazia, mas sim a arte de fazer com que todos se sintam bem-vindos, ouvidos e valorizados.

Raízes Religiosas: O Contraste entre o Protestantismo e o Catolicismo

A biografia de Patrick é marcada por uma rica diversidade cultural e religiosa. Filho de um pai texano-lituano e de uma mãe com raízes italianas e portuguesas, ele cresceu sob forte influência do protestantismo. Ele conta, com orgulho, que o bisavô de sua mãe foi o fundador da Igreja Metodista no Brasil, tendo construído o templo no bairro de Pinheiros (São Paulo) com recursos próprios.

Durante a conversa, Patrick traz uma reflexão fascinante sobre como diferentes vertentes do cristianismo lidam com o dinheiro e o sucesso financeiro. No protestantismo (especialmente na cultura norte-americana), o lucro e a riqueza são vistos como bênçãos divinas, recompensas pelo trabalho duro e ferramentas para gerar empregos e prosperidade. Já em culturas de base católica, como a brasileira, frequentemente o dinheiro é visto através de uma lente de culpa, onde a riqueza de um indivíduo é erroneamente associada à exploração ou à perda de outro (um jogo de soma zero).

Apesar de seu berço metodista, Patrick revela um hábito curioso: ele frequenta a missa católica na Igreja São José, no Jardim Europa, todos os domingos. Ele assume, sem tabus, que faz isso por um "egoísmo positivo". Ele se sente bem com o ritual, com a comunidade e com as leituras que sempre parecem trazer a mensagem exata que ele precisa para enfrentar a semana. Essa quebra de barreiras dogmáticas mostra como ele extrai o melhor de cada tradição espiritual.

A Intimidade com Deus e a "Oração de Dom Patrício"

A espiritualidade de Patrick é extremamente prática e direta. Inspirado pelo exemplo de seu pai, que conversava com Deus de forma coloquial, Patrick desenvolveu uma relação íntima com o Criador, a quem ele chama carinhosamente de "Barba". Ele não teme pedir o que deseja.

Ele compartilha no programa uma prece de sua própria autoria, assinada sob o pseudônimo de Dom Patrício. Baseada em passagens bíblicas fortíssimas, como o Evangelho de João 10:10 ("Eu vim para que todos tenham vida, e a tenham em abundância") e na Parábola dos Talentos de Mateus 25, a oração é um pedido direto e sem vergonha por abundância e prosperidade. Patrick pede multiplicação de riquezas, negócios, saúde, paz e amor. Ele argumenta que apenas quando estamos com o nosso próprio "copo cheio" podemos transbordar e ajudar verdadeiramente o próximo. Pessoas em crise financeira raramente conseguem sustentar missões espirituais em paz, e vice-versa.

O Crisol em Israel: Da Zona de Conforto às Ruas de Tel Aviv

Um dos momentos mais intensos da entrevista é o relato de seu período morando em Israel. O que era para ser uma viagem de férias de verão de um mês com sua então namorada austríaca-judia, transformou-se em uma estadia de um ano. Patrick mergulhou na cultura local, estudou hebraico no Ulpan e treinou o letal estilo de luta Krav Maga.

Contudo, a jornada tomou um rumo drástico quando sua namorada, de uma hora para outra, ordenou que ele fizesse as malas e saísse de casa. Anos mais tarde, ele descobriu o motivo: sem que ele soubesse, a namorada havia ligado para a mãe de Patrick no Brasil pedindo ajuda financeira, e sua mãe, mantendo uma postura dura e austera, recusou-se a enviar dinheiro. De repente, Patrick viu-se sem dinheiro, sem visto de trabalho permanente e sem teto em um país estrangeiro.

Ele acabou dormindo em pontos de ônibus no rigoroso inverno antes de ser acolhido por seu professor de Krav Maga, que permitiu que ele dormisse nos tatames da academia. Longe de guardar rancor da ex-namorada ou da mãe, Patrick considera esse período o momento de maior transformação de sua vida. A vulnerabilidade extrema aniquilou seu ego, destruiu seus preconceitos e lhe deu a empatia necessária para se tornar o homem inclusivo que é hoje. Para conseguir comprar a passagem de volta ao Brasil, ele utilizou seu talento artístico, pintando tênis customizados e vendendo-os para estudantes locais.

O Retorno, a Vitrine Viva e o Casamento "Rebelde"

Ao retornar ao Brasil, a vida lhe sorriu através de sincronias surpreendentes. Um amigo, maravilhado com os tênis customizados que ele pintou em Israel, convidou-o para participar de um novo projeto comercial. Patrick acabou montando uma vitrine viva em uma loja na luxuosa Rua Melo Alves, em São Paulo. Usando uma máscara e incorporando um personagem excêntrico para proteger sua identidade corporativa, ele pintava peças de roupa à vista do público, transformando a crise em uma oportunidade empreendedora.

Esse espírito de ir "contra o mundo" por aquilo que acredita também moldou seu casamento. Quando conheceu sua esposa, Vivi, ela engravidou em apenas oito meses de relacionamento. As famílias foram contra o matrimônio apressado. Tragicamente, pouco tempo depois, Vivi sofreu um aborto espontâneo. A reação lógica e esperada seria cancelar o casamento, já que o "motivo" (a gravidez) não existia mais. No entanto, movido pelo que chamou de "chama do fogo sagrado" e por um senso de rebeldia virtuosa, Patrick bateu o pé. Eles se casaram exatamente para provar que a união era baseada no amor genuíno, e não em uma obrigação social.

A Metáfora do Foguete e a Estátua de Sal: Vencendo a Inércia

Ao refletirem sobre como os seres humanos lidam com perdas e traumas, Patrick trouxe metáforas brilhantes e elucidativas. Ele explicou o conceito da transição da inércia estática para a inércia dinâmica.

Quando sofremos um choque, a tendência natural é pararmos no tempo (inércia estática). Para voltar a se movimentar, é necessário um esforço descomunal. Patrick usou a analogia do lançamento de um foguete espacial: nos primeiros seis segundos do lançamento, um foguete gasta quase 40% de todo o seu imenso reservatório de combustível apenas para sair milímetros do chão. Parece um esforço inútil, mas assim que a inércia estática é vencida, o foguete decola em progressão geométrica. O conselho dele é claro: mesmo que você não esteja vendo progresso imediato na sua vida, continue queimando o combustível. Uma vez que o movimento comece, ninguém poderá pará-lo.

Ele também faz um paralelo com a passagem bíblica da mulher de Ló, que olhou para trás e virou uma estátua de sal. "O que o sal faz? O sal preserva", diz Patrick. Se você passa a vida olhando para o passado, focado nos traumas ou glórias que já foram, você fica congelado no tempo, preservado como uma estátua estática. É por isso que o para-brisa do carro é enorme e o retrovisor é pequeno: a vida deve ser vivida olhando para frente.

A Lógica da Fé: O Paradoxo do Professor do ITA

Aprofundando as reflexões sobre racionalidade e espiritualidade, Patrick compartilha uma história memorável sobre um renomado professor do Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA). Para ensinar engenheiros extremamente lógicos e céticos sobre a importância da fé, o professor desenhou um gráfico de matriz 2x2 no quadro (uma variação moderna da famosa Aposta de Pascal).

  • Se você acredita e Deus existe: Você ganha tudo, a salvação eterna.
  • Se você acredita e Deus NÃO existe: Nada acontece, o resultado é zero.
  • Se você NÃO acredita e Deus NÃO existe: Nada acontece, o resultado é zero.
  • Se você NÃO acredita e Deus existe: Você perde tudo, enfrentando a condenação ou o arrependimento absoluto.

A conclusão estritamente matemática e lógica do professor era irrefutável: o ser humano é irracional e estúpido ao escolher não acreditar, pois a não-crença só oferece opções de "zero" ou "perda total", enquanto a crença oferece "zero" ou "ganho infinito". Segundo Patrick, quanto mais o homem estuda a fundo a física quântica e a ciência, mais ele invariavelmente enxerga a assinatura de Deus no universo.

Corpo, Jejum e Comunhão: O Alimento como Elo Espiritual

O final do videocast aborda a intrigante relação do corpo físico com o sagrado, focando no alimento. Fred compartilha uma rotina matinal profunda em que une a prática oriental do Qigong com a oração do Pai Nosso, mapeando cada frase da oração a um chakra do corpo. Quando ele diz "o pão nosso de cada dia nos dai hoje", ele bate no estômago e reflete não apenas sobre a fome física, mas sobre todos os desejos e ânsias emocionais que quer "consumir" no mundo.

Essa reflexão leva ao debate sobre o contraste entre o jejum e a comilança. Enquanto o jejum voluntário é uma ferramenta poderosa para esvaziar a energia digestiva (permitindo que ela suba para os chakras superiores, propiciando visões e meditações mais nítidas), Patrick defende veementemente o aspecto sagrado da comunhão à mesa. O ato de compartilhar o alimento, a partilha do pão, estava presente nos momentos cruciais da história de Cristo. Abençoar a comida neutraliza as energias deletérias e transforma o simples ato de mastigar em um ritual de amor e comunidade, reforçando a nossa inegável humanidade.

Reflexões Finais

Para concluir, Patrick Choate deixa uma mensagem forte sobre o livre arbítrio e a predestinação. Ele enxerga a predestinação como algo raríssimo, semelhante a um bilhete de loteria premiado; quando alguém está realmente predestinado a um grande feito, uma espécie de "moldura" divina protege a pessoa, e nada pode impedir seu destino. Para todos os outros eventos, o livre arbítrio impera absoluto.

Sua última regra, e a verdadeira base do Encantamento que ele pratica diariamente, é a essência do altruísmo misturado ao amor-próprio: Faça as coisas porque elas fazem você se sentir bem, faça para abençoar o outro, mas, fundamentalmente, nunca faça nada esperando algo em troca.

O episódio #187 provou que, mesmo com opiniões polêmicas e "gasolina" suficiente para incendiar as regras do pensamento convencional, o diálogo construído ao redor de uma fogueira de respeito e amizade sempre termina em paz, luz e expansão de consciência.