TEMP 2 EP.08 AO VIVO – Los Angeles Gallas no PodJogar | Episódio completo

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1. A Fundação do Los Angeles Galaxy: De "Amigos do Cezinha" ao Nome Internacional

O Los Angeles Galaxy é um time que nasceu da vontade de se divertir. Fundado em 2021, o clube surgiu quando um grupo de amigos do bairro do Jabaquara/Americanópolis, cansados da cobrança excessiva em outros times, decidiu criar um time sem pressão. O presidente César (Cezinha) conta que a ideia inicial era montar um time de amigos para jogar de 15 em 15 dias, sem aquela seriedade toda. O nome provisório era literalmente "Amigos do Cezinha", refletindo a essência despretensiosa do início.

A virada para o nome atual veio quando perceberam que, querendo ou não, o futebol nunca fica só na resenha. O time foi ficando mais sério, e precisavam de um nome diferente, que se destacasse no cenário da várzea. Inspirados pela onda do futebol norte-americano e por uma brincadeira interna com a palavra "gala" (apelido de um amigo), a ideia Los Angeles Galaxy surgiu como uma piada que pegou. O nome foi oficializado, o uniforme foi confeccionado com a ajuda de outros fundadores como o goleiro John e o zagueiro BK, e o time deixou de ser apenas uma brincadeira para se tornar um projeto estruturado. Como César brinca: "Quando foi ver, virou realmente o nome do time".

2. A Torcida: Zame, o Louco da Arquibancada Que Ganha Jogos

Se o Los Angeles Galaxy tem um coração fora de campo, esse coração chama-se Zame. Fundador e torcedor símbolo do time, Zame começou sua trajetória no banco de reservas, onde sua língua afiada e sua mania de xingar o juiz e os adversários lhe rendiam constantes expulsões — mesmo sem entrar em campo. Foi então que o presidente César sugeriu: "Chega, vai ficar lá na torcida, cria a torcida". E foi ali que Zame se encontrou.

Zame se define como o "cara chato", aquele torcedor argentino insuportável que vive na mente do adversário. Ele conta que já gritou "Volta pra Argentina, seu pé duro" para um jogador argentino do próprio time que estava mal, quase gerando uma briga, mas sempre no intuito de motivar. Sua estratégia é simples: pegar no pé, cornetear, tirar do sério. Ele acredita que, com isso, o jogador adversário perde o foco e o próprio time se inflama para provar que ele está errado. Na semifinal regional, com o time perdendo e com dois jogadores a menos, Zame faltou ao trabalho (inventou uma desculpa) para ir ao jogo. Chegando lá, ajoelhou-se, pediu a Deus e começou a pressionar. O resultado foi uma virada histórica. Para ele, a torcida é democrática: cantam músicas do Corinthians, da Independente, da Mancha, e todos ajudam. O lema de Zame é claro: "Eu não sou o líder, todos são líderes. Fazemos a bagunça, entramos na mente do árbitro, na mente do goleiro."

3. O Técnico Nil: Disciplina, Broncas e uma Sacola de Laranjas

O técnico Flávio (Nil) é amigo de infância de César (se conhecem desde os 5 anos de idade) e traz consigo uma bagagem do projeto social Nova Era. Sua chegada ao Galaxy foi para dar ordem à bagunça. Nil é conhecido por sua disciplina e pela famosa "fase ferrenha" que antecedeu os jogos da cidade. Ele relembra uma noite em que o time ficou até 11h30 no campo, com todas as luzes apagadas, tomando bronca e ouvindo gritos que ecoavam por toda a comunidade. O objetivo era acordar o time para a responsabilidade.

Uma das resenhas mais icônicas envolvendo Nil é a "história da laranja". O técnico costuma levar laranjas cortadas como isotônico para os jogadores. Em uma partida decisiva, o responsável por descascar as frutas acabou chupando mais laranja do que descascando, e quase não sobrou para os atletas. Na virada épica contra o Acadêmicos (time de tradição onde Nil foi campeão quando jovem), ele jogou o saco de laranjas nos jogadores para acordá-los. Nil valoriza a versatilidade tática (jogaram no 4-4-2 e no 3-5-2) e o entrosamento, já que treinos coletivos são raros — o time se ajusta nos próprios jogos de semana à noite. Para ele, o grande orgulho é ver um time jovem, com um zagueiro de 42 anos como xerifão, bater de frente e vencer equipes com décadas de história.

4. O Projeto Social Nova Era e o Legado de Beto

O Los Angeles Galaxy não é apenas futebol; é uma continuação de um sonho social. Antes do Galaxy, Nil e o saudoso Beto (irmão de César) fundaram o projeto Nova Era, uma escolinha de futebol na comunidade que começou literalmente com chinelos marcando os gols e apenas cinco crianças. O projeto cresceu para atender 300 crianças antes da pandemia, fornecendo uniformes (os primeiros foram doados pela irmã Luciana), ensinando fundamentos do futebol raiz e, acima de tudo, cobrando frequência escolar. As crianças tinham que trazer a carteirinha para o Nil ver se estavam estudando.

Beto, descrito como um dos melhores jogadores da quebrada, faleceu há três anos. Antes de partir, Nil fez uma promessa: "A gente vai ter o nosso projeto". O Galaxy é a materialização dessa promessa, pegando os adolescentes que saíram do Nova Era (hoje com 16-17 anos) e dando continuidade à formação. Nil, que se formou na faculdade aos 40 anos e teve a mãe de César (sua segunda mãe) presente na formatura, é um exemplo vivo de superação. Ele sempre diz às crianças: "Nem todos vocês vão ser jogadores de futebol. Aqui a gente quer formar homens e mulheres para a vida". O time já conseguiu salvar jovens que estavam no caminho errado, incluindo um atleta que foi preso e hoje, através do Galaxy, tem um bom emprego e uma vida estável.

5. A Comunidade e a Estrutura: Do Time de Amigos ao Time Organizado

O Los Angeles Galaxy mantém suas raízes na comunidade do Jabaquara/Americanópolis, com 90% do elenco composto por moradores do bairro. César destaca que, apesar de ser um time novo (2021), conquistou rápida visibilidade e respeito. Times mais antigos do bairro emprestaram uniformes para que o Galaxy pudesse disputar as ligas de semana à noite, e há uma relação de gratidão mútua.

O grande desafio da gestão, segundo César, foi separar a resenha da seriedade. O grupo de WhatsApp da resenha é mais forte que todos os outros (grupo da confirmação, dos jogos, da diretoria), e isso começou a atrapalhar o rendimento. A solução foi cada um abraçar seu papel: Zame entendeu que seu lugar era ser chato na arquibancada; os jogadores entenderam que na hora do jogo é foco. Hoje, o time tem uma estrutura que inclui um zagueiro de 42 anos (experiência) e jovens da base. A visão de César é que o time não é mais "varzea" no sentido pejorativo: eles buscam organização, disciplina e, dentro das limitações financeiras, oferecer o melhor para os atletas. O título da regional do Jabaquara tirou o time de um patamar inferior e o colocou no mapa do bairro.

6. Perrengues, Resenhas e a Virada com Dois a Menos

Os perrengues e resenhas fazem parte da alma do Galaxy. Além da história da laranja, há o episódio do rebaixamento do Santos (César é santista fanático). Quando o time foi rebaixado, os companheiros de Galaxy compraram rojões, foram até a casa de César às 4h da manhã e acordaram toda a sua família, incluindo pais e mãe, para zoá-lo. César levou na esportiva, mas admite que foi pesado.

O momento mais emblemático, porém, foi a virada nas oitavas de final narrada por Zame. O time estava perdendo, o zagueiro foi expulso, e a torcida já estava revoltada. Zame, que havia matado o trabalho para ir ao jogo, ajoelhou-se e pediu a Deus. O técnico Nil jogou laranjas nos jogadores. A torcida começou a pegar pesado no pé do goleiro adversário, que fazia dancinha. Com dois jogadores a menos (expulsão), o time virou o jogo e venceu. Zame resume: "Se não ganhar, você não sai daqui". O time venceu, e Zame teve que inventar uma desculpa no serviço no dia seguinte. Para ele, aquele foi o jogo mais emocionante dos Jogos da Cidade.

7. A Participação nos Jogos da Cidade e o Futuro da Várzea

O Los Angeles Galaxy participou dos Jogos da Cidade e se sagrou campeão da regional do Jabaquara. César elogia a estrutura do campeonato, desde o congresso técnico do municipal (em local luxuoso) até o prêmio de uniformes que eles nem sabiam que existia. Para Nil, o nível da competição é altíssimo, e eles enfrentaram times de tradição (como o Acadêmicos) que ele mesmo defendeu quando mais novo.

Em uma análise mais ampla, César enxerga dois lados na evolução da várzea paulista. O lado positivo é a estrutura: campos melhores, patrocínios, a possibilidade de ex-jogadores e até amadores viverem do esporte. O lado negativo é o risco de a várzea perder sua essência, tornando-se um "subprofissional" onde o trabalhador comum, o "cara gordinho", o pai de família que joga por lazer, não tenha mais espaço. César cita o Luizão Pivô (referência na várzea) para defender que o equilíbrio é fundamental. A mensagem final de Zame é um apelo para todos os times de várzea: "Não percam a essência. Façam um time de amigos, um time de família. É o maior orgulho e o maior amor que vocês vão ter."

8. O Influenciador e a Treta com Neymar

Além de presidente do Galaxy, César (Cezinha) é uma personalidade da internet. Comentarista da Rádio Jovem Pan e criador de conteúdo ("sezinha da live"), César ganhou notoriedade nacional após uma breve "treta" com Neymar. Após a eliminação do Santos para o Corinthians no Paulistão, César fez um post questionando o fato de Neymar ter dito que estava bem, que jogaria a semifinal, e no final não ter entrado em campo. Ele cobrou uma explicação para o torcedor.

Neymar respondeu no post com um "Acho melhor você ficar quieto, fera". O caso viralizou, saindo no Choquei, Leo Dias, Globo, CNN e todos os portais. Inicialmente assustado, César transformou a situação a seu favor: os seguidores dispararam, a visibilidade aumentou, e ele conseguiu fechar novas parcerias. Com bom humor, ele agora brinca: "Se eu cobrei o Neymar, quem dirá vocês?" — uma frase que virou lema no vestiário do Galaxy, especialmente para a torcida organizada de Zame, que assina embaixo. O recado final é para que todos sigam o Instagram do time: @la_galas.