Podcast como Ferramenta Paliativa com Cláudia Inhaia - Cláudia Inhaia

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O ViMocast apresentou um episódio inspirador com a Dra. Cláudia Inhaia, médica paliativista e uma das mentes por trás de projetos disruptivos como o Palicast e o Pali Papers. Gaúcha radicada em São Paulo, Cláudia compartilhou sua transição de carreira da ginecologia e obstetrícia para os cuidados paliativos, revelando como a paixão pela ciência e pela comunicação transformou sua prática médica e impactou milhares de profissionais no Brasil.

Conduzido por Ron Benny e Suelen, o podcast explorou a importância da disseminação de conhecimento técnico, os desafios da gestão hospitalar e a profunda reflexão ética que permeia o cuidado de fim de vida.

Da Ginecologia à "Borboleta" do Cuidado Paliativo

Cláudia Inhaia iniciou sua carreira na ginecologia e obstetrícia, mas foi na gestão de uma operadora de saúde em 2008 que ela teve seu primeiro contato com os cuidados paliativos. Ao se deparar com pacientes complexos e em sofrimento sem respostas adequadas no sistema, ela buscou formação no Palium, na Argentina. "Foi life changing", relatou, afirmando que ali descobriu a medicina que realmente queria fazer.

A transição não foi simples. Cláudia enfrentou o desafio de ser uma ginecologista em um campo dominado por geriatras e oncologistas. Ela relatou sua experiência "solo" no Hospital Pérola Byington, onde implementou leitos de cuidados paliativos e formou residentes, provando que qualquer especialidade médica pode e deve se apropriar dessa filosofia de cuidado.

Pioneirismo na Comunicação: Palicast e Pali Papers

Cláudia foi uma das idealizadoras do Palicast, o primeiro podcast de cuidados paliativos do Brasil, lançado via Academia Nacional de Cuidados Paliativos (ANCP). O projeto nasceu da necessidade de otimizar o tempo dos profissionais de saúde, que podiam aprender enquanto se deslocavam no trânsito. Durante a pandemia, o podcast tornou-se uma ferramenta vital para disseminar conhecimento urgente para quem estava na linha de frente.

Posteriormente, ela fundou o Pali Papers, um projeto focado em aproximar a ciência da prática clínica. O objetivo é realizar uma curadoria de artigos de alto impacto (como os publicados no JAMA e New England Journal of Medicine) e "mastigar" o conteúdo para os paliativistas, incentivando a pesquisa e a produção científica nacional. "A gente precisa perder a síndrome do patinho feio e entender que se faz ciência de qualidade no Brasil", defendeu.

A Lição do Hospital Premier: "Não é sobre mim"

Um dos momentos mais profundos da entrevista foi o relato de sua passagem pelo Hospital Premier. Cláudia confessou que chegou à instituição com um viés "capacitista", questionando a manutenção de pacientes em estado de mínima consciência. No entanto, a convivência com as famílias e a equipe a ensinou a lição fundamental dos cuidados paliativos: não é sobre os valores do médico, mas sobre os valores do paciente e de quem o ama.

Ela descreveu como aprendeu a reconhecer a felicidade e a dignidade em condições que antes considerava inaceitáveis, matando seu próprio preconceito e abraçando a multidimensionalidade do ser humano.

Educação e Matriciamento: O Futuro da Especialidade

Sobre a nova Política Nacional de Cuidados Paliativos, Cláudia demonstrou otimismo, especialmente em relação ao matriciamento. Para ela, o especialista deve atuar como um "padrinho", apoiando o clínico e o médico de família na ponta, garantindo que o conhecimento de qualidade chegue a todo o Brasil. Ela destacou a importância de não restringir o mercado, mas sim expandir a rede de suporte técnico.

Autocuidado e Propósito

Honesta sobre suas próprias dificuldades, Cláudia admitiu não ser o melhor exemplo de autocuidado físico, muitas vezes negligenciando pausas básicas pelo trabalho. No entanto, ela encontra seu refúgio nos seus cachorros e no exercício físico matinal. Sua paixão pela medicina e pelo atendimento à população desassistida no SUS é o que a mantém motivada, mesmo diante dos desafios da gestão e da assistência pesada.

Recomendações e Mensagem Final

Como referência literária, Cláudia citou o clássico "Mortais", de Atul Gawande, que aborda a perda de autonomia e a necessidade de resgatar o que realmente importa no fim da vida. Sua mensagem para os estudantes e profissionais é direta: "Não desista e estude muito". Ela reforçou que, mesmo para quem não quer ser especialista, as habilidades de comunicação do cuidado paliativo são essenciais para qualquer área da medicina.


Acompanhe a Dra. Cláudia Inhaia: Siga @claudia_inhaia para acompanhar sua rotina e posicionamentos, e o @palipapers para atualizações científicas em cuidados paliativos.