João Kairala | Você só vai crescer se sair do raso e ir pro profundo!

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Da Paixão por Motores ao Topo do Pódio: A História de João Cirillo

João Cirillo foi um menino muito apaixonado por motores e por pilotagem, alimentando o sonho de ser piloto de Fórmula 1. Ele acordava seu pai nas madrugadas para assistir ao GP de Suzuka e torcer por Ayrton Senna, enquanto seu pai preparava um pudim de leite. Essa paixão por motores o levou inicialmente ao kart, mas sua mãe, vendo o perigo do esporte, sugeriu uma alternativa: um jet ski.

Dos 7 aos 16 anos, João andou de jet ski. Aos 16, aprendeu sua primeira manobra em pé e decidiu competir. Encontrou um brasileiro que lhe deu quatro aulas, inscreveu-se na categoria estreante de freestyle (manobras com jet em pé) e venceu. Em 2001, decidiu investir no esporte. Em 2003, tornou-se vice-campeão mundial. Trancou a faculdade de marketing para focar totalmente no objetivo: ser campeão mundial. Com um método simples (câmera slow motion, vídeos cassete, madrugadas comparando seus movimentos com os de superatletas), ele conquistou o título de campeão mundial na categoria amador em 2004, competindo contra 27 países. No dia seguinte, competiu com equipamento amador contra profissionais e ficou em quinto lugar – uma colocação que o deixou extremamente feliz, pois conseguiu vencer Josh Lustik, um piloto que ele admirava e usava como referência.

A Filosofia do Vencedor: Vencer a Dor como Caminho para o Sucesso

João compartilha uma lição profunda aprendida em suas competições: o vencedor é o cara que vence a dor. O fato de vencer a dor transforma a pessoa em um vencedor. Ele explica que os momentos difíceis (os "baixos") são o que levam a pessoa para o alto. Quando você está embaixo, não deve sofrer, mas sim trocar sofrimento por aprendizado. A pergunta que deve ser feita diariamente é: "Por que eu estou passando por isso?" – sem nunca culpar o próximo.

João enfatiza que os baixos ensinam. Ele já passou por quatro quedas em sua vida, e cada uma trouxe lições diferentes: uma sobre confiança, outra sobre regramento, outra sobre processos, e atualmente enfrenta uma nova dificuldade. Ele se orgulha de ser uma prova viva dessa filosofia – quebrou dentes, tem dedos quebrados, a mão toda machucada, o pé lesionado. Mas foi vencendo a dor que se tornou campeão mundial.

O Norte, as Distrações e a Importância do Foco nos Negócios

João utiliza uma analogia poderosa: se você não tem o norte, qualquer lugar está bom. Se você não tem objetivo, qualquer lugar está bom para você. No mar, aprender a ter um norte é fundamental. Na vida empresarial, o mesmo princípio se aplica. As distrações aparecem o tempo todo – dores, câimbras, dificuldades – e é justamente nesses momentos que a maioria das pessoas "solta o dedo do acelerador" e desiste do objetivo.

João alerta que recebe duas oportunidades por semana, mas aprendeu a diferenciar oportunidade de desvio. Nem toda oferta que parece boa é boa para o seu norte. Muitas pessoas que entram em sua vida podem não ser para levá-lo ao seu objetivo, mas sim para deixar um aprendizado que o catapulte para frente. Ele também destaca o perigo do ego, que faz com que empresários demorem muito mais tempo em um ciclo de baixa. Quem já esteve no topo e caiu, mas mantém o ego, está sendo moldado – e enquanto não aprender a lição, permanecerá naquele ciclo.

Navegação como Metáfora para os Negócios: Do Raso ao Profundo

Manuel Edésio compartilha sua experiência pessoal após fazer o treinamento de navegação com João. Ele observa que, na praia (o raso), todo mundo tem acesso. A praia é acessível a pé, de bicicleta, de ônibus – é onde a "manada" está. Mas quando se olha para uma ilha ao longe, surge o desejo de chegar lá. No entanto, para chegar à ilha, é preciso preparação. É necessário um equipamento adequado e, além disso, capacitação.

Manuel descreve a experiência de navegar sozinho: a saída do raso, a água mais gelada, a sensação inicial de tranquilidade. A ilha parece perto, mas na realidade não é. As dificuldades começam – ondas, ondulações, balanço. Muitos desistem e voltam. Mas para quem persiste e atravessa as dificuldades, o que se encontra do outro lado é água calma, tranquila e morna. E ao ir além, para o mar profundo, as dificuldades são ainda maiores, mas o prêmio é estar sozinho, em um lugar onde só quem paga o preço consegue chegar.

João complementa: o módulo 3 do treinamento (Advance Training) é justamente adentrar o mar, indo além da distância permitida pela Marinha. Com um mentor, o aluno tem acesso ao que seria inexistente para ele sozinho. O mentor oferece uma "reta" – um atalho construído a partir de 14 a 15 anos de competição de alto nível.

A Quebra de Limites e o Papel do Mentor

João relata que, durante o treinamento avançado, Manuel atingiu 53 milhas por hora. Mesmo cansado, acelerou, aceitou o desafio e quebrou seus próprios limites. Essa experiência, segundo João, serve como metáfora para a vida empresarial: pegue aquele problema que você acha que tem na empresa e atravesse ele agora. Tudo está na cabeça. O mentor é apenas um intermédio, um facilitador que faz o aluno chegar mais rápido. Sem o mentor, o caminho é mais longo, mas possível. Com o mentor, o aluno se liberta e descobre que é capaz de muito mais do que imaginava.

João tem uma taxa de 99% de aprovação em seus treinamentos. Os depoimentos são sempre os mesmos: "Eu nunca imaginei que conseguiria fazer isso". A maior gratificação para ele é ver a transformação – o momento em que a pessoa muda sua percepção e entende que não pode parar nas dificuldades.

Lições do Mar: Planejamento, Tempestades e Fé

Uma das maiores lições que Manuel tirou da navegação foi sobre planejamento. No mar, se você não planejar certo, não chega – e pode perder a vida. Isso muda tudo. Na empresa, o planejamento muitas vezes é tratado de forma superficial, mas quando se entende que um erro pode custar a vida, a abordagem se torna completamente diferente.

João compartilha sua maior aventura: 8.128 km, 39 dias navegados, do Chuí (RS) ao Oiapoque (AP), percorrendo toda a costa brasileira. Nessa jornada, ele aprendeu a navegar na tempestade. Ele passou por emborcamentos, um membro da equipe quebrou o pé, enfrentou desafios extremos. Conheceu o Brasil de uma forma única – no Maranhão, por exemplo, a amplitude da maré chega a 8 metros, com 500 a 600 metros de mangue seco quando a maré desce. Ali, quem manda é a maré, não a meteorologia.

João afirma que foi nessa jornada que ele conheceu Deus. Ele acredita que o mundo é energia: quando está para baixo, sua frequência está baixa. É preciso se conectar com pessoas que têm energia alta. A frase clichê é verdadeira: você é a média das cinco pessoas com quem mais convive. João também faz um alerta importante: não fique orando a Deus esperando um milagre. Seja você o seu milagre. Corra atrás. Deus ajuda, mas você precisa ser a força motriz para sair da dificuldade.

O Mercado Náutico Brasileiro: Potencial, Desafios e Perspectivas

A pandemia transformou o mercado náutico brasileiro. Os valores dos produtos praticamente duplicaram, e o desejo por embarcações aumentou significativamente. Muitas pessoas começaram a morar em veleiros, houve um boom em destinos como Paraty. O Brasil se tornou o segundo maior mercado do mundo de moto aquática, ultrapassando a Austrália. Apenas os Estados Unidos (com 350 milhões de habitantes e alto poder de compra) estão à frente.

João descreve a persona do consumidor náutico brasileiro: o "Henrique", de 42 anos, que já tem filhos ou está buscando segurança, quer se divertir e extravasar. É um CEO, proprietário de empresa ou diretor de alto cargo, com condição financeira. O investimento mínimo em uma moto aquática nova é de R$ 100.000.

Apesar do tamanho do mercado, menos de 1% da população brasileira usufrui da náutica. O Brasil tem 220 milhões de habitantes e 8.200 km de costa – um enorme playground. O grande desafio, segundo João, é estimular o acesso de forma responsável: democratizar, mas educar. Democratizar sem educar vira bagunça. Por isso, sua empresa oferece treinamento e capacitação, gerando consciência sobre segurança e boas práticas.

O Ecossistema de Negócios de João: Jet Lounge, Jetare, Jetshare e Advance Training

João fundou a Jet Lounge em 2016 e hoje lidera um ecossistema de seis negócios no setor náutico:

  • Jetare: escola de habilitação e treinamento, onde são ensinados procedimentos básicos (26 exercícios, incluindo capotagem, resgate de pessoa na água, manobras).
  • Jetshare: modelo de compartilhamento de embarcações (cota, share), que democratiza o acesso com custo reduzido.
  • Advance Training: treinamento avançado de navegação em mar aberto (módulo 3), indo além da distância permitida pela Marinha.
  • Expedições: viagens de seis dias navegando entre Florianópolis e Guarujá, passando por três estados.

O projeto missionário de navegar toda a costa brasileira (39 dias, 8.128 km) foi concluído, e o próximo desafio é internacional. João deixa claro seu compromisso com o mercado: enquanto estiver no setor, vai agregar. Se parar de agregar, fecha aquele setor.

Recado Final para Empresários e Onde Encontrar João

João deixa uma mensagem poderosa para a audiência (executivos e empresários): "O vencedor é o cara que vence a dor." Seus baixos te levam para o alto. Quando você está lá embaixo, não está sofrendo – troque sofrimento por aprendizado. Pergunte-se: "Por que estou passando por isso?" Nunca culpe o próximo. Não existe vida perfeita. A felicidade é construída diariamente.

João também faz um alerta: não é todo dia que você vai acordar bem. Entenda isso. Onde você está, você está aprendendo. É preciso saber se transformar com maturidade.

Para encontrar João e seu ecossistema náutico:

  • Instagram pessoal: @joaocirillo (conteúdo sobre jet ski e vida pessoal)
  • Instagram da holding: @jetloungebr
  • Serviços: Jetare (habilitação), Jetshare (compartilhamento de embarcações), Advance Training (treinamento avançado)