Economia Circular e Inovação: O Impacto da Polimix Ambiental na Recuperação de Pneus
O décimo sétimo episódio do podcast Explorando a Gestão de Pessoas mergulhou no universo da sustentabilidade e engenharia de alta performance com a presença de Thomas Payne, engenheiro ambiental e representante da Polimix Ambiental. O bate-papo, conduzido por Isler Moraes e Denise Mourão, revelou como uma organização familiar brasileira de 48 anos está liderando a corrida mundial pela recuperação de matérias-primas a partir de pneus inservíveis.
A Polimix, amplamente conhecida por seus caminhões de concreto, demonstrou ser uma organização muito mais vasta, com atuação em cimento, energia renovável, agronegócio e, crucialmente, soluções ambientais de ponta. Thomas Payne explicou que a unidade ambiental nasceu da necessidade de autossuficiência e eficiência da própria organização, transformando um passivo ambiental em ativos valiosos.
A Gigante Polimix: Mais que Concreto
Thomas detalhou a estrutura da organização, que conta com mais de 7.000 funcionários diretos e operações em diversos países, como Argentina, Colômbia e Estados Unidos. Um dado impressionante compartilhado foi que 95% da energia consumida pelo grupo é de fabricação própria, oriunda de fontes renováveis como eólica, solar e biomassa (cana-de-açúcar).
Essa mentalidade de verticalização e sustentabilidade levou à criação da Polimix Ambiental em 2015, focada no processamento de pneus que, de outra forma, terminariam em lixões ou rios.
Reciclagem vs. Recuperação de Matéria-Prima
Uma das distinções mais importantes feitas por Thomas foi entre "reciclagem" e "recuperação de matéria-prima". Enquanto a reciclagem transforma o pneu em um produto de menor valor ou uso linear (como o pó de borracha para gramados sintéticos), a Polimix atua na recuperação de matéria-prima (Economia Circular).
Através de um processo de alta tecnologia, a empresa consegue decompor o pneu e extrair insumos que voltam para a cadeia industrial como se fossem novos:
- Aço: 27% do peso do pneu é aço de alta qualidade, que é enviado para aciarias e volta a ser vergalhão ou pregos.
- Óleo de Pirólise: 35% do peso torna-se um combustível naval alternativo. Testes mostram que este óleo reduz em até 94% as emissões de CO2 em comparação aos combustíveis navais tradicionais.
- Negro de Carbono Recuperado: O principal produto, utilizado para dar cor e resistência a plásticos e borrachas. Substituir o negro de fumo virgem pelo recuperado evita a emissão de mais de uma tonelada de CO2 por tonelada de produto.
O Processo de Pirólise Contínua: Engenharia Fina
Diferente de processos comuns por "batelada", a Polimix opera com pirólise contínua 24 horas por dia. O pneu é triturado e inserido em reatores de alta temperatura (500°C a 600°C) sem oxigênio, o que impede a queima e promove a decomposição térmica.
A eficiência é tamanha que o processo é autossustentável: os gases gerados na decomposição do pneu são utilizados para alimentar os próprios queimadores da fábrica, eliminando a necessidade de fontes externas de gás ou diesel para a operação térmica.
Desafios e o "Social" de Verdade
Thomas apontou que o maior desafio atual é a falta de incentivos reais para a sustentabilidade no Brasil e a concorrência com commodities asiáticas. "A sustentabilidade começa na cabeça, passa pelo coração, mas termina no bolso", afirmou, destacando que os produtos recuperados precisam ser competitivos financeiramente para serem adotados em massa.
No pilar Social (S) do ESG, a Polimix mantém o projeto Formari, que capacita jovens da comunidade local. O diferencial é a profundidade: a empresa visita a casa dos alunos, entende o contexto familiar e oferece um ano letivo dentro da indústria, passando por todos os setores (do laboratório ao comercial). Cerca de 48% desses jovens são efetivados pelo grupo, criando um ciclo real de desenvolvimento humano.
Visão de Futuro: Duplicação e Exportação de Tecnologia
Atualmente processando cerca de 40 toneladas de pneus por dia (quase 3.000 unidades diárias), a Polimix Ambiental está em fase de duplicação de sua planta em Santana de Parnaíba (SP). A nova unidade contará com tecnologia ainda mais avançada, enclausuramento total e transporte pneumático, visando atender a demanda global por materiais de baixo carbono.
Thomas Payne encerrou reforçando que o trabalho na Polimix vai além do lucro; trata-se de um propósito de engenharia e impacto ambiental. "É melhor fazer da maneira correta. Nem sempre é a mais rápida, mas é a que tem propósito".
Este episódio contou com o apoio de: Yourcast, Valdir Fernando Alfaiataria (VFA), Formaggio Mineiro, Rinascitá Velas Aromáticas, Seu Rango Marmitas, Taurus Baterias e Alie Bazário Papelaria.