Eventos, Conexões e Oportunidades: Como o Networking Transforma Carreiras

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Introdução: A Nova Dinâmica do Analytikos Podcast e a Importância dos Eventos

Bem-vindos a um novo formato do Analytikos Podcast. Nesta edição, contamos com a presença de dois grandes amigos e especialistas: Richard Batista, R de Performance da Camesa com mais de 18 anos de mercado, e Cezinha, fundador do E-commerce House, uma das maiores comunidades digitais do Brasil com mais de 2800 pessoas e 1900 empresas. O assunto central é latente para o mercado digital: os eventos. A discussão abrange visões distintas: a de um proprietário de agência, a de um profissional de performance em uma grande indústria e a de um especialista que já participou de mais de 130 eventos.

O objetivo é entender como cada um navega nesse ecossistema, desde a busca por soluções até a criação de conexões genuínas. Para o profissional que está começando, participar do primeiro evento é um momento marcante, enquanto para os veteranos, a experiência exige curadoria e foco. Este artigo explora as estratégias, os filtros e as filosofias por trás de uma participação bem-sucedida em eventos, baseando-se estritamente na rica conversa entre os participantes.

A Visão Estratégica de Richard: Como um Gestor de Performance Filtra Eventos e Soluções

Para Richard Batista, que vive a realidade de uma grande indústria (Camesa) e uma agenda intensa, participar de eventos não é uma questão de hype, mas de estratégia pura. Ele argumenta que o primeiro passo é pensar fora da bolha, especialmente para o mercado B2B, que muitas vezes é arcaico. A chave está em entender as demandas internas e as dores de cada departamento antes de sequer pisar em um centro de convenções.

Mapeamento de Dores e Busca por Soluções Específicas

A abordagem de Richard é metódica e direcionada. Ele explica que, no início, seu processo era simples: chegar para a diretoria, perguntar o que precisavam e ir para os eventos caçando soluções específicas para aquelas dores. Se a dor era um meio de pagamento, ele visitava todos os stands de pagamento. Se era uma agência, seu roteiro cobria todas as agências presentes. Essa abordagem direcionada evita a dispersão em meio a centenas de fornecedores.

O Fator Humano: Relações Pessoais Acima do Crachá

Para Richard, a decisão final entre uma solução tecnicamente adequada e outra vai além do técnico. O elemento decisivo é a relação humana. Ele compartilha um caso emblemático: em um evento, um fornecedor o mediu da cabeça aos pés e virou as costas três vezes. Quando descobriu que ele era da Camesa, uma grande empresa do setor, tentou compensar o erro enviando até presentes. Para Richard, esse comportamento interesseiro fechou qualquer porta. Ele afirma categoricamente: “não quero nem essa pessoa perto”. Portanto, para se conectar com profissionais de alto nível como Richard, o atendimento deve ser genuíno, tratando a todos como seres humanos, independentemente do porte da empresa que representam.

A Filosofia de Cezinha: Conexão, Propósito e a Arte de Gerar Oportunidades

Cezinha, que já participou de mais de 130 eventos em um ano, tem uma visão que transcende o simples comparecimento. Para ele, o que faz sentido ir nos eventos hoje é claro: a conexão com as pessoas, a conexão com marcas e a geração de oportunidade para quem ele ajuda. Seu principal objetivo em eventos não é vender ou ser visto, mas conectar pessoas a ponto de elas continuarem conversando depois que o evento termina.

O Papel de Facilitador e Encurtador de Caminhos

Cezinha atua como um verdadeiro hub de conexões. Ele ilustra isso com um exemplo prático: no evento RD Summit, um amigo precisava de jaquetas. Cezinha não apenas lembrou de contatos, mas viu um stand de uniformes, abordou a expositora e conectou-a imediatamente com o amigo necessitado. Ele faz isso sem esperar comissão ou retorno, apenas pelo valor de gerar a conexão. Essa filosofia se estende à sua comunidade, o E-commerce House, onde ele atua como um encurtador de caminho, indicando não apenas uma, mas quatro ou cinco soluções confiáveis para um problema.

Críticas ao Cenário Atual: Mesmos Palestrantes e Falta de Inovação

Apesar de sua participação intensa, Cezinha é crítico em relação à repetição de conteúdo. Ele raramente assiste a palestras porque, frequentemente, são os mesmos profissionais contando os mesmos cases nos mesmos 15 eventos. Ele cita a necessidade de abrir espaço para novas vozes e treinar a próxima geração (20 a 25 anos). Para ele, o mercado peca por não dar oportunidade a quem nunca falou em um palco, algo que ele próprio fez com o palco “Arena” do E-commerce House.

Produzindo Experiências: O Aprendizado de Cezinha Como Organizador de Eventos

Além de participar, Cezinha também produz suas próprias experiências, como o “Holly House”. Ele compartilha os desafios e aprendizados de quem está do outro lado da mesa, revelando o que a maioria dos eventos erra e acerta.

Desafios: Falta de Apoio e Modelos Financeiros Igualitários

O maior desafio para um organizador, segundo Cezinha, é a falta de apoio. Para o Holly House, ele relata que pessoas que ele achava que apoiariam não o fizeram, enquanto outras que ele não esperava compraram a ideia e “estouraram junto”. Em relação ao modelo financeiro, ele adota uma filosofia de igualdade: dividiu todos os custos igualmente entre os patrocinadores, sem criar categorias “Premium” ou “Diamond”. Seu objetivo nunca foi ganhar dinheiro com o evento, mas sim proporcionar uma experiência única.

Acertos: Conteúdo Sem Jabá e Ambientes de Confiança

O grande acerto apontado é a criação de um ambiente leve e de confiança. O evento de Cezinha focou em conteúdo onde patrocinadores eram convidados a falar o que estavam fazendo para mudar o mercado, e não sobre suas empresas. Apenas 2% da apresentação era sobre a empresa; 98% era sobre a solução e seu impacto. O sucesso foi tão grande que gerou mais de 100.000 visualizações orgânicas em dois vídeos. Mais importante, o evento se tornou um local onde os participantes se sentiram seguros para levar a família, mostrando que o ambiente era de respeito e boas relações, algo raro no setor.

O Circuito de Eventos Recomendado e Como Avaliar Onde Investir

Diante de tantas opções, tanto Richard quanto Cezinha oferecem um guia para quem está começando, seja como congressista ou patrocinador. As recomendações são baseadas em curadoria e adequação, não apenas em tamanho ou fama.

Top 3 Eventos Recomendados para Iniciantes no E-commerce

Com base na visão dos especialistas, a lista inclui:

  • Fórum E-commerce Brasil: Considerado por Cezinha como o melhor evento atualmente, pela entrega e segmentação. Para Richard, é essencial para quem está no meio do e-commerce e tecnologia.
  • RD Summit: Apesar de ter sido o último, Richard o menciona como um universo importante para quem está começando, onde novatos podem ver o “brilho” das palestras e se inspirar.
  • Eventos de Nicho Específico: Eventos como “E-commerce de Luxo” ou os organizados pela Converter, Maybe (Flow Beast) e o proprietário “Holly House” de Cezinha são citados como mais valiosos que os megaeventos internacionais (como o NRF, considerado “modinha”). A preferência é por eventos que geram experiência e conexão real, não apenas conteúdo repetido.

A Jornada Pessoal e a Filosofia de Vida que Sustentam as Conexões Profissionais

Além das táticas, a conversa revela uma filosofia de vida que sustenta o sucesso em eventos. Tanto Cezinha quanto Richard convergem para a importância da autenticidade, da preparação e da “colheita” do que se planta.

O Poder da Colheita e da Autenticidade

Cezinha acredita piamente na colheita: ele sabe o que planta. Apesar de ter defeitos, sua base é servir o próximo, ajudar sem esperar retorno financeiro ou mesmo um “obrigado”. Ele argumenta que sua credibilidade e o tamanho de sua comunidade se devem a isso. Ele não trata ninguém de forma diferente, seja um diretor de grande empresa ou um iniciante. A autenticidade e a disposição para ajudar, mesmo sem ganhos imediatos, criam uma reputação que atrai pessoas e oportunidades.

Preparação Constante e o Paralelo com o Esporte

Richard enfatiza a necessidade de estar “pronto” a todo momento. Se alguém precisar de um palestrante para 2.000 pessoas amanhã, a resposta deve ser “tô pronto”. Essa mentalidade de preparação, ele compara ao esporte, citando seu desafio pessoal de correr uma meia maratona. O esporte ensina a superar os limites do corpo e da mente, ensinando que, ao superar esse obstáculo, nada mais para a pessoa. Estar preparado transcende o aspecto profissional e se torna um estado de espírito.

Conclusão: O Verdadeiro Propósito dos Eventos Está nas Pessoas, Não nos Negócios

Analisando a transcrição, fica evidente que o sucesso em eventos — seja como expositor, palestrante ou congressista — não está no estande mais caro ou no crachá mais vistoso, mas na qualidade das conexões humanas. A principal conclusão é que gerar relações verdadeiras, muitas vezes sem nenhum retorno financeiro imediato, é o que constrói uma rede de confiança e, consequentemente, negócios sustentáveis.

A lição final é que eventos são um termômetro de caráter. Pessoas e marcas que tratam os outros com interesse genuíno, que se preparam para oferecer valor e que criam ambientes seguros e autênticos são aquelas que colhem os melhores frutos. Como resume Cezinha: “O que o outro faz não muda o que eu sou. O problema está em mim, não nele”. Portanto, para navegar no universo dos eventos, leve seu propósito, trate a todos como iguais e esteja sempre pronto para ajudar. O retorno, mesmo que não na forma de dinheiro, virá na forma de uma rede inquebrável de relações verdadeiras.